terça-feira, 24 de novembro de 2015

Inserção no esporte melhora rendimento escolar, diz estudo


Pesquisa calculou o valor do investimento em atividades esportivas necessário para aumentar resultados de alunos


Investir em programas de inserção no esporte pode melhorar os resultados escolares das crianças. A conclusão é de uma pesquisa feita no Programa de Pós-graduação Interunidades em Nutrição Humana Aplicada da Universidade de São Paulo (USP), que calculou o quanto o poder público necessita investir em atividades esportivas para aumentar as notas dos alunos, o chamado custo-efetividade.

Para isso, a economista Julia Guimarães Aranha, autora do estudo, separou 86 crianças de 8 a 10 anos do município de Indaiatuba (SP) entre dois grupos. O primeiro deles participou de um programa de inserção no esporte da prefeitura e o outro não.

Após acompanhar os alunos durante três meses e calcular todos os custos envolvidos no programa, ela concluiu que, para que a nota de português subisse um ponto, deve-se investir R$ 133,05 em um trimestre. Já para matemática, o valor desembolsado pela prefeitura da cidade deveria ser de R$ 134,07 neste período. Durante a pesquisa, as notas dos alunos do grupo que participou do programa melhoraram, em média, 0,790 e 0,784, respectivamente em português e matemática.

A pesquisa "Impacto de um programa público de iniciação esportiva para crianças: gastos, antropometria, rendimento escolar e qualidade de vida" foi defendida em agosto de 2014 e está disponível no banco de teses da USP


Com informações de Hérika Dias, da Agência USP de Notícias

Outubro/2014
Prática Docente

Como professores de todo o Brasil transformaram a vida de seus alunos


Histórias de quem superou as adversidades da profissão e ampliou o impacto de suas atividades para além dos muros da escola



Marta Avancini e Luciana Alvarez

  
Marcio Silva
Professora Ana Telles com seus alunos: crianças apresentaram sarau para a comunidade
No município de Campo Bom (RS), alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Santos Dumond fazem mutirões para recolher lixo e plantar mudas de árvores nas margens do arroio. Em São Paulo (SP), estudantes do colégio Stance Dual fizeram um levantamento dos problemas do bairro, elegeram prioridades, se organizaram e enviaram uma carta à subprefeitura responsável pela região, solicitando a recuperação da praça Contos Fluminenses. Em Cacoal (RO), alunos da Escola Estadual Cora Coralina estão envolvidos numa iniciativa que ajuda a controlar a dengue no município: eles distribuem sementes de crotalária, uma planta que atrai libélulas, predadores naturais das larvas e do mosquito que causa a doença.
Embora diferentes entre si e fortemente vinculadas às realidades em que estão inseridas, as iniciativas acima descritas possuem algo em comum: foram colocadas em prática por professores e extrapolaram o ambiente escolar, impactando o entorno de suas escolas. No Rio Grande do Sul, a evasão escolar diminuiu junto com a redução das enchentes do arroio Peri. Em Rondônia, o projeto Cacoal contra a dengue ganhou fôlego e escala, resultando numa parceria da escola com as secretarias municipais de Saúde e do Meio Ambiente. Em São Paulo, a praça foi reformada e, agora, o desafio é envolver os comerciantes da região da Bela Vista para fazer a manutenção do local.
Esses exemplos mostram que, apesar de um cotidiano atribulado e permeado de desafios, em todas as partes do Brasil muitos docentes transformam problemas e desafios do dia a dia em iniciativas que mudam (para melhor) a vida dos alunos, das escolas e, muitas vezes, da comunidade. Quais seriam, então, as características que fazem com que esses profissionais se destaquem em seu grupo? Como eles conseguem superar a realidade muitas vezes desanimadora das escolas brasileiras? O que faz com que eles se tornem professores transformadores?
Para Bernadete Gatti, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, são muitos os professores que realizam ações transformadoras e inovadoras no Brasil e que, para isso, muitas vezes, superam as dificuldades que encontram no trabalho e, até, as falhas de formação. Segundo a pesquisadora, o diferencial desses profissionais é aliar uma insatisfação com a realidade ao impulso de encontrar soluções para os problemas.

COMPROMISSO SOCIAL
Como se sabe, o cenário para o exercício da docência no Brasil oferece condições distantes do ideal. Um a cada quatro docentes tem contrato precário ou é terceirizado, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A remuneração ainda deixa a desejar, embora tenha melhorado nos últimos anos: na média, o salário dos docentes corresponde a 51% do salário médio de um profissional com curso superior, formado em outras áreas. Além de ganhar menos, os professores trabalham longas horas, muitas vezes em diversos estabelecimentos: cerca de 40% dos professores fazem jornada dupla ou tripla, segundo dados de 2009 do Ministério da Educação (MEC).
Para Bernadete, o que faz surgir algo de diferente em meio a esse cenário de problemas marcados é o sentido de compromisso social que impulsiona alguns profissionais a buscar soluções para os problemas que identificam, articulando-as com práticas educativas que, por vezes, assumem caráter inovador. A pesquisadora ressalta ainda que esses professores estão insatisfeitos com os modelos tradicionais de ensino e aprendizagem e acreditam que a educação pode melhorar, apostando em seu poder transformador.
Por vezes, as iniciativas e ações são individuais, gestadas na convivência com os alunos na sala de aula, conforme o docente vai percebendo suas dificuldades e potenciais, identificando seus interesses e possibilidades de mobilização. Quando se abre o canal de diálogo e interação entre alunos e professores, as ações se traduzem em ampliação do universo de conhecimento (tanto de alunos quanto dos professores), melhoria da aprendizagem, desenvolvimento da consciência cidadã, dentre outras.
PARCERIAS ESTRATÉGICAS
Outras vezes, as iniciativas inovadoras estão associadas a projetos de maior fôlego, ligados a organizações sociais, cada vez mais presentes no cotidiano das escolas. Para Maria Amabile Mansutti, coordenadora técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), a presença das ONGs e outras entidades é um fator que tem colaborado para o surgimento de experiências inovadoras e transformadoras na escola.

“As ONGs complementam o papel do poder público, oferecendo apoio técnico, o que pode ajudar a potencializar projetos e ações que se diferenciam das práticas tradicionais”, analisa Amabile.
Na cidade de Irecê, no interior da Bahia, a criação de uma rádio e de um jornal escolar, com apoio de uma entidade do terceiro setor, o Instituto Brasil Solidário, foi a via para modificar profundamente o ambiente da Escola Municipal Luiz Viana Filho. Na medida em que os alunos assumiram a rádio e o jornal, o clima e as relações sociais foram melhorando, a ponto de a escola deixar de ser temida, para se tornar uma das mais concorridas da região. “Hoje temos fila de professores querendo ser transferidos para cá”, conta o professor Jefferson Maciel Teixeira, que há três anos assumiu a direção do colégio.
DIREITO DE APRENDER
Para o chefe de Educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Marcelo Mazzoli, o somatório de compromisso social com valorização do aluno, típico das experiências transformadoras que acontecem no ambiente escolar, remete a uma dimensão fundamental: a garantia do direito de aprender. “Esses professores assumem um compromisso desenvolvendo ações que materializam, no cotidiano da escola, o direito de aprender”, diz Mazzoli.

Mas, como ganhar escala em iniciativas que hoje se restringem ao âmbito do esforço pessoal? Por isso a importância de que as ações lideradas por professores sejam valorizadas, ganhem cada vez mais espaço como prática didática e sejam propagadas, diz Mazzoli. “São iniciativas que estabelecem a adesão do aluno, da escola e da comunidade do entorno a um projeto educativo”, justifica.
Nesse ambiente, o professor assume uma posição de protagonista, na medida em que desencadeia processos que modificam hábitos, práticas, comportamentos, além de ampliar horizontes. Nesse sentido, resgata-se a centralidade do papel do docente no processo educacional. Veja, nos links abaixo, as histórias de quem já assumiu um papel central na educação brasileira.
*Reportagem publicada na íntegra originalmente na edição 210 de Educação, com o título "Profissão: transformar"

Professores qualificados podem melhorar Ideb das escolas


Inep lança indicador que mostra o impacto dos professores na nota do Ideb




Marina Kuzuyabu

Indicador que será lançado pelo Inep mostrará a relação entre a qualificação dos professores e o Ideb da escola
Professores licenciados que atuam em suas áreas de formação são capazes de aumentar em um ponto o Ideb. A relação aparece no novo indicador que será apresentado pelo Inep. O instrumento encontra-se em fase de desenvolvimento e apresentará dados do Censo da Educação Básica cruzados com os do Ideb. O objetivo é mensurar o impacto das diversas variáveis que interferem no desempenho dos alunos.  Também na direção de fornecer mais informações, a autarquia ligada ao MEC publicou uma portaria autorizando o acesso de consultores, professores e pesquisadores à base de dados protegidos.   Os interessados, no entanto, devem solicitar previamente uma autorização antes de se dirigirem à sede do órgão, em Brasília, onde todas as consultas serão realizadas.