domingo, 26 de setembro de 2010

Bibliotecas e espaços de leitura em Jaraguá do Sul (Maio/2010)

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Nas últimas décadas, a história dos livros e das leituras foi colocada em relevo sobretudo por meio dos trabalhos de Roger Chartier, que tem tido excelente recepção no Brasil. Os textos desse historiador francês inspirou a elaboração de dissertações e teses sobre livros, leituras e bibliotecas nas universidades brasileiras.

A tese de doutoramento de Gisela Eggert-Steindel, defendida na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), é um ótimo exemplo de trabalho acadêmico fundamentado nas idéias historiográficas de Chartier. Essa tese de doutorado foi transformada no livro intitulado “Dos espaços de leitura à Biblioteca Municipal de Jaraguá do Sul: discursos e percursos (1937-1983)”, publicado recentemente pela Editora Insular. 
Inicialmente o livro faz uma cartografia dos espaços de leitura no município de Jaraguá do Sul. Ele constata que, no início do século XX, na chamada “Colônia Jaraguá”, circulavam jornais, especialmente em língua alemã, que publicavam catálogos de livros, constituindo-se o que a autora da obra chama de “biblioteca sem paredes”.
Outro espaço de leitura interessante foi a “Biblioteca Integralista”, publicada no jornal “Jaraguá”, editado pelo Núcleo Integralista de Jaraguá do Sul, que teve destacada importância política municipal. Também são analisadas a chamada “biblioteca jurídica”, do juiz Dr. Thiago Ribeiro Pontes, e a biblioteca da Associação Atlética Baependi – clube desportivo de referência na sociedade jaraguaense.
A obra em tela focaliza sobremaneira a história da constituição da Biblioteca Pública de Jaraguá do Sul, desde o seu início na década de 1940 até a sua consolidação nas últimas décadas.
A primeira iniciativa de formar uma biblioteca municipal em Jaraguá do Sul deu-se em 1943, mas não se concretizou. A segunda tentativa ocorreu em 1947, quando foi anunciada a criação da “Biblioteca Municipal Emílio Carlos Jourdan” – homenagem ao fundador da “Colônia Jaraguá” –, que acabou não se materizalizando por causa de disputas político-partidárias entre a UDN e o PSD.
Somente no início da década de 1950 foi formada uma biblioteca pública em Jaraguá do Sul, que passou a funcionar de forma precária.
Finalmente, em 31 de março de 1971 – data do sétimo aniversário da “revolução” de 64 – foi entregue à sociedade jaraguaense a Biblioteca Municipal Rui Barbosa, que é analisada em detalhes no último capítulo da obra.
O livro da professora Gisela Eggert-Steindel sobre os espaços de leitura e a constituição histórica da biblioteca pública de Jaraguá do Sul indica as dificuldades e barreiras na instituição de bibliotecas públicas no Brasil, constituindo-se numa contribuição instigante para repensar a democratização da cultura.

 
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Reflexões históricas sobre a educação física escolar (Junho/2010)

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Nas últimas décadas, a historiografia da educação vem colocando o foco na caixa preta das escolas com o intuito de compreender como a cultura escolar prescrita é colocada em movimento nas escolas. Uma boa justificativa para essa virada teórica é o fato de as reformas educacionais muitas vezes serem empobrecidas pela mediação dos/as professores/as.

A tendência à micro-análise histórica em torno da cultura escolar desdobrou-se na história das disciplinas ou matérias escolares – ou ainda melhor das “disciplinas-saber”. Assim, no Brasil, há inúmeros trabalhos acadêmicos instigantes que versam sobre a história da Língua Portuguesa, da Matemática, da Geografia, da Química, entre outras. Nessas histórias geralmente são consideradas as operações de prescrição das “disciplinas-saber”, bem como as suas vidas efetivas em sala de aula, pois, como diz Keddie, “as matérias escolares não são outra coisa senão aquilo que as práticas fazem delas”.
Nesta direção, no início do presente ano letivo, no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina, foi defendida a tese de doutorado intitulada “A Educação Física no Estado de Santa Catarina: a construção de uma pedagogia racional e científica (1930-1940)”, de Ticiane Bombassaro. Trata-se de um trabalho inédito e de fôlego sobre a introdução e a estruturação da disciplina Educação Física Escolar em Santa Catarina, destacando a formação de professores, a apropriação dos diferentes métodos e a questão polêmica da introdução de jogos e esportes nessa disciplina. A Educação Física Escolar nas décadas de 1930 e 1940 é contextualizada na “Era Vargas”, marcada pela nacionalização autoritária e pela implantação de estratégias biopolíticas de controle da população.
A tese de Ticiane revisita a prática de ginástica em associações desportivas e em escolas de imigrantes, especialmente aquelas de descendentes de alemães, e nos grupos escolares implantados, no início da década de 1910, pela Reforma Orestes Guimarães. No entanto, ela coloca o foco na década 30 do século XX, quando a disciplina Educação Física se consolida nos currículos escolares brasileiros, por meio da articulação dos militares. Em Santa Catarina, a disciplina Educação Física ganha importância na Reforma Trindade (1935) e, especialmente, com a criação do “Curso Provisório de Educação Fisica”, em 1938, na capital catarinense, destinado a formar professores de Educação Física. Nesse curso inédito houve nítida preferência pelo “Método Francês” e a Educação Física Escolar teve um claro objetivo de disciplinar e nacionalizar os corpos discentes.
A leitura do trabalho de Ticiane sobre a introdução da Educação Física Escolar em Santa Catarina é oportuna e salutar no atual momento histórico, em que se verifica a disseminação de academias e a flexibilização da obrigatoriedade da prática da Educação Física em algumas escolas.

 
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Infância, germanidade e catolicismo (Julho/2010)

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Em minha tese de doutorado intitulada “(Pré)-escola, cidade, famílias: produção de comunidades de sentido em cadeias ritualísticas de interação (1980-1999)”, investiguei a relação entre (pré)-escola, cidade e famílias em Blumenau. Parti do suposto que na colonização da cidade, no desmembramento da Grande Colônia, no período das grandes guerras, no Estado Novo e na reconfiguração vivida por Blumenau, no período 1980-1999, a elite local, a mídia impressa, o marketing turístico e gestoras de uma escola confessional católica, tida como tradição e referência na cidade, trabalharam para disseminar social e pedagogicamente o slogan “um pedacinho da Alemanha no sul do Brasil”. 
 
Essa auto-imagem da cidade foi ardilosamente desenhada, projetada, consolidada e perpetuada na cidade e na escola. No trabalho de conformação da infância em torno dessa auto-imagem, as estratégias pedagógicas usadas por excelência foram festividades culturalmente fundadas e reiteradas por gerações nos clubes de caça e tiro blumenauenses: a festa de rei e rainha, o desfile do aniversário da cidade e mais recentemente, da década de 1980 em diante, a oktoberfest.
As professoras da escola, assim como a produção cultural da cidade e as expectativas das famílias de classe média e classe média alta criaram um sentimento de pertença de superioridade moral, de melhor, de cidade forte. Esses indivíduos articularam-se em torno de um cenário de fachada, qual seja, Blumenau como cidade alemã, cidade jardim, cidade de povo trabalhador, aguerrido.
Esse sentimento de superioridade foi transposto didaticamente para o interior da (pré)-escola, notadamente no período 1980-1999, quando as crianças que a freqüentavam eram conformadas num cenário em que o catolicismo pedagogizado disputava status, valor e importância com atividades escolares pautadas no habitus germânico, na formação de modos de ser, sentir, pensar e agir manifestos e consolidados no estigma do que é ser blumenauense, teuto-brasileiro, num “pedacinho da Alemanha no sul do Brasil”: ordeiro, limpo, trabalhador, empreendedor, moralmente superior na sua força de trabalho e capacidade de prosperar na vida.
A relação escola, cidade e famílias é, antes de tudo, uma prática social que, no cotidiano blumenauense e nas formas culturais escolares, consolida um sentimento de pertença em torno da tradição germânica que se quer transmitir para outras gerações. 
 
Julice Dias é Doutora em Educação: História, Política, Sociedade, pela PUC/SP e professora da UDESC)

 
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Ensino Médio: O elo frágil da educação (Agosto/2010)

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A série “Vida Real” do jornal Diário Catarinense, que sabatina os candidatos e candidatas ao Governo Estadual, pautou o ensino médio (DC, 25/7/2010, p.6-7). A escolha desse tema é muito oportuna diante da importância da escolarização média no sistema estadual de ensino.

Os candidatos e candidatas ao executivo catarinense fizeram análises razoáveis sobre o ensino médio catarinense, mas não apresentam propostas concretas para transformá-lo radicalmente.
O mote dominante é a valorização e capacitação contínua dos professores, mas não indicam efetivamente como isso será operacionalizado.
A jornalista Mayara Rinaldi acertou ao indicar que a palavra-chave para resumir a radiografia do ensino médio catarinense – e brasileiro – é “desigualdade”. Por um lado, é importante sublinhar que enquanto o ensino fundamental está quase universalizado, parte significativa dos adolescentes entre 15 e 17 de Santa Catarina não está matriculada no ensino médio. 
Por outro lado, segundo os resultados do ENEM, há uma clivagem entre os colégios privados e públicos – com exceção das escolas técnicas, dos colégios de aplicação e dos colégios militares. O ensino médio tem contribuído para perpetuar desigualdades sociais e escolares, em boa medida devido à fragilidade dos poderes públicos. Nesta direção, o ministro da Educação, Fernando Haddad, reconheceu que “o ensino médio é o elo frágil da educação brasileira”.
Os candidato e candidatas ao governo estadual devem considerar que, de forma diferente dos ensinos fundamental e superior, o ensino médio é o nível de escolarização de responsabilidade direta do Governo Estadual. E ele joga um papel decisivo na democratização da escolarização e no acesso ao ensino superior.
 
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New online article layout for Nature journals

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New online article layout for Nature journals

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Several of the Nature journals have a new online article layout, a two-column format that increases on-screen article readability while providing enhanced navigation and a flexible set of tools. For more details of what is included, download a PDF showing the key aspects.
Journals so far in the new template include Nature, Nature BiotechnologyNature Chemical BiologyNature Chemistry, Nature Communications, Nature Genetics, Nature Immunology, Nature Materials, Nature Medicine,Nature Neuroscience and Nature Structural and Molecular Biology. The rest of the Nature journals will adopt the new design over the coming months.
An example of an article in the new template at Nature Communications.

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A message from Dr Philip Campbell, Editor in Chief of Nature:
From today, Nature has a new look, a clearer structure, and contains new types of content. Above all, our underlying goal is greater clarity in the reading experience, and this blog post describes a few of the changes we've made to this end. More details are given in the official press release.
For authors of original research and commissioned articles we provide an improved online template for the full-text version of articles (an example is here, free to access online). We've also updated and clarified Nature'sguide to authors, including downloadable summary sheets to help in submission and preparation of manuscripts.
The print magazine component of Nature is now structured in a clearer way. The introductory material has been reduced to a simple table of contents. A new section called This Week contains Nature's Editorials and summaries of recent developments in and around science. It also includes a new page, World View, in which external authors give prompt personal perspectives on live issues. More analytical and reflective content, presenting developments in the world of science in greater depth, appears as journalism in News in Focus and News Features, or as Comment, a forum for essays, debates, reviews, and readers' correspondence. Online, these are presented as a unified News and Comment section for easy access to these features as well as to the journal's specials.
The Research section includes accessible summaries of the latest research articles available now online, News and Views, review articles, and primary research content of Nature - its Articles and Letters. To provide additional and useful navigation for readers and authors, these contributions are presented online by subject as well as in the more conventional temporal (by issue) method.
Within these sections we have tried, in the redesign of our print layouts and key elements, to ensure that the reader gains as quickly as possible a clear idea of just why he or she should be reading an article. We’ve created space for more descriptive headlines and other display elements that allow a reader to get an immediate sense of what an article has to say and who its authors are. The new design also emphasizes the use of charts and graphics that offer a quick summary of the key data underlying an opinion piece or news story. It allows for more inventive, attractive pages as well.
Both in print and online, these changes have been developed over more than a year in consultation with members of the scientific community in their guises of readers, authors and peer-reviewers, with much positive feedback in the process. We have listened and we have changed. We hope that Nature's subscribers will look forward to their weekly magazine all the more, and enjoy the improved online experience by a similarly enhanced degree.
As well as in print and online media, Nature is also available from today in a new, much improved digital edition.By visiting this link you can sign up for a free, three-month trial of the digital edition, and watch a video demonstrating the many new features in the journal.
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Further reading:
Announcement: Nature's new look ( Nature 467, 368; 2010).
Grrl Scientist's blog at Nature Network.
Press release.

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