quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Por que é preciso ensinar bondade aos jovens?

Especialista no tema defende que os pais devem inspirar os filhos a estenderem a mão às crianças que apresentam dificuldades
Fonte:http://www.gazetadopovo.com.br/educacao/por-que-e-preciso-ensinar-bondade-aos-jovens-0dnj3t00pa1y0817lrgt1jqc5?utm_campaign=boletim
Nesses dias que parecem muito menos bondosos e mais abrasivos, nos quais bons exemplos para as crianças podem ser um pouco difíceis de encontrar, a literatura infanto-juvenil oferece um caminho positivo para o pensamento e para lembrar como é importante se ensinar a bondade aos filhos. Esse ensinamento, por sua vez, não deve parar no jardim de infância, como muitas vezes acontece, mas precisa ser trabalhado também com os filhos mais velhos, ao longo de todo o ensino básico.
Uma das escritoras que defende o ensino da bondade tanto em casa como na escola é R. J. Palacio, autora do livro “Extraordinário”, obra voltada aos estudantes da segunda metade do ensino médio e disseminada nas instituições de ensino americanas.
O romance apresenta a história de Auggie Pullman, um garoto com severa malformação facial, e de seus amigos, conquistados com esforço e que logo deixam de enxergá-lo como diferente. A obra acabou de comemorar seu quinto aniversário e já vendeu cinco milhões de cópias.
Para março, a autora, que gasta muitos de seus dias falando com crianças e professores sobre bondade, prepara o lançamento de um novo livro ilustrado sobre o tema intitulado “We’re All Wonders” (“Somos Todos Extraordinários”, em tradução livre), que tem as crianças menores como público-alvo.
Em entrevista ao Washington Post, R. J. Palacio falou sobre “Extraordinário”, o novo livro e sobre como os pais precisam se lembrar de que o ensino da bondade não deve parar no jardim de infância. Confira:

Como surgiu a ideia para “Extraordinário”?

Estava com meus dois filhos em frente a uma sorveteria. Meu filho mais velho, de três anos, começou a chorar porque estávamos perto de uma garotinha que tinha severas malformações craniofaciais. No momento, não reagi da maneira como gostaria de ter reagido. Estava tão receosa que sua reação pudesse magoá-la que tentei deixar o lugar o mais rápido possível. Então, me dei conta de que ela poderia pensar que fiz isso porque não queria que ele a visse. Às vezes você simplesmente não sabe como agir para que suas ações reflitam suas boas intenções. Foi essa situação que me impeliu a pensar como deve ser estar na pela dessa criança e de sua mãe. Comecei a escrever naquela noite, mais como uma meditação, e simplesmente continuei escrevendo.

Quando você começou a escrever o livro, tinha planejado escrever sobre bondade?

Não sabia que seria um tema abrangente de toda a obra. Mas meu filho mais velho estava indo para o sexto ano do ensino fundamental. Eu estava cercada de crianças dessa idade o tempo todo. Passamos muito tempo [quando eles são pequenos] ensinando as regras do parquinho, nos preocupando com esses pequenos códigos morais. Mas, na hora em que eles se aproximam do final do ensino fundamental, nos esquecemos de lembrá-los. Nesse momento eles precisam disso mais do que nunca. Gastamos mais tempo com “você fez sua lição de casa?” Então me ocorreu que essas crianças precisam ser lembradas sobre como serem bondosas umas com as outras. Precisam que nós as inspiremos a serem bondosas umas com as outras. Há tantos diálogos nos filmes e na TV nos quais maldade passa por normal no fim do ensino fundamental, como se fosse algo a que você tivesse apenas que sobreviver. Não sei por que deveríamos aceitar que crueldade passe como normal. Então queria um livro que lembrasse as pessoas que é legal ser bondoso, não é um sinal de fraqueza. E não se trata apenas de não ser um bully [pessoa que pratica o bullying], mas de expressar empatia e compaixão.

Mas como um pai cria um Jack Will [o personagem do livro que se torna o melhor amigo de Auggie]?

Ele teve de ser incentivado a ser Jack Will. Seu primeiro impulso não foi “ei, quero ir brincar com aquele garoto”. Mas sua mãe tomou o tempo para conversar com ele e não simplesmente mandá-lo, mas inspirá-lo. É nisso que adultos realmente têm muito impacto nas crianças. Sempre pensei que era estranho quando adultos me falavam “ele não me dá mais ouvidos” a respeito de seus filhos pré-adolescentes. Eles ouvem. Eles podem revirar os olhos e fazer sua ceninha de pré-adolescente, mas estão nos ouvindo. Com Jack Will, isso o colocou nos trilhos. Contraste isso com os pais de Julian [o praticante de bullying no livro], que estavam tão dedicados a lhe dar uma experiência perfeita que estavam cegos para o fato de que ele não era uma criança bondosa. E não foram capazes de instruí-lo a ser bondoso. Todos precisamos nos lembrar de que estamos criando nossas crianças, mas também estamos ajudando a criar as crianças dos outros. Mesmo que nossos filhos sejam socialmente hábeis e estejam se divertindo, devemos estar atentos às crianças que estão tendo dificuldades e inspirar nossos filhos a lhes estenderem a mão.

“Extraordinário” é um livro para crianças da segunda metade do ensino médio. Conte-me sobre o novo livro ilustrado.

Pelos últimos vários anos, professores me sugeriram que eu fizesse uma versão ilustrada de “Extraordinário”. A mensagem seria maravilhosa para crianças menores. Peguei o tema de ser diferente e ser extraordinário e da bondade e criei uma história sobre um garotinho, Auggie Pullman, que usa sua imaginação para lidar com a hostilidade que recebe por causa de sua aparência.

O que você acha da situação atual nos Estados Unidos, no que diz respeito à bondade e àquilo que as crianças estão vivendo?

Uma das maiores tragédias da última eleição foi a magnitude da exposição das nossas crianças à crueldade absolutamente devastadora e à maldade que se passam e continuam a se passar por política corriqueira. A falta de respeito, a falta de dignidade, a falta de qualquer vergonha de mentir, todas as coisas que ensinamos nossos filhos a não serem. As crianças aprendem o que veem. Então se veem o presidente dos Estados Unidos tirando sarro de uma pessoa com deficiência, toda uma organização política discriminando uma cultura ou religião, eles internalizam isso. Minha esperança é que um livro como “Extraordinário”, e qualquer outro livro em circulação que possa desfazer o mal que essa eleição fez, vá ao menos mitigar o que aconteceu.

Como os pais podem ajudar as crianças a atravessar a realidade atual?

Agora, mais do que nunca, os pais precisam se engajar. Fala-se sobre cidades e estados santuários, mas precisamos de escolas e lares santuários. Podemos proteger nossos filhos e nós mesmos da feiura e crueldade que passa por normal e assegurar que estamos oferecendo um pequeno santuário próprio. Um santuário de bondade.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Precisamos de uma sociedade “educógena”

 Por: Ilona Becskeházy em 
A expressão famílias educógenas foi utilizada pela primeira vez por Jean Floud, em 1961, no texto “Social Class Factors in Educational Achievement”, editado pela OCDE. A meu conhecimento, o único pesquisador brasileiro a fazer menção a ela é CASTRO (1976) que a define como famílias que se caracterizam por oferecer certo tipo de ambiente familiar favorável à educação (p. 73). Esse autor reconhece, entretanto, o caráter vago dessa noção no texto original da OCDE, mas ressalta a conclusão da autora inglesa de que esse tipo de família vai de tornando mais freqüente conforme se sobe na escala social.

NOGUEIRA, Maria Alice. A categoria “família” na pesquisa em sociologia da educação: notas preliminares sobre um processo de desenvolvimento. Revista Inter-Legere, v. 1, n. 9, 2013. (pagina 157).
Por causa da constatação de que o perfil educógeno das famílias (o qual apresenta alta correlação com a renda, mas não dependente dela, como se vê acima) pode ter um efeito no desempenho dos alunos para além das escolas, as provas padronizadas costumam submeter os alunos que as respondem a questionários de cunho sociológico para identificar este componente (família educógena) e separá-lo do efeito da escola.
Isso se dá para que possa ser feita uma avaliação mais justa das escolas e da diferenciação entre elas, inclusive nos famosos rankings. Portanto, é importante conhecer o perfil de seus alunos. Quanto mais famílias educógenas em uma escola, maior a chance de um desempenho médio mais alto, pois mais famílias dão sua contribuição material e comportamental para o sucesso acadêmico de seus filhos.
É por isso, por exemplo, que o Inep divulga o ENEM por escola por faixas de Nível Sócio Econômico (NSE).
Mas para se determinar isso em larga escala, foi preciso traduzir essa percepção em perguntas de questionário. As provas padronizadas no Brasil também adotam essa prática, embora sejam mais concentradas em avaliar a renda do que a prática educógena ou anti-educógena das famílias.
Resolvi usar os questionários do Pisa, que acho mais abrangentes e lógicos para esse propósito, e fazer uma comparação. Em primeiro lugar então, vamos ver o que é que o pessoal do Pisa resolveu perguntar aos participantes do exame, para além dos itens de conforto e conexão com o mundo que são mais comuns nos questionários brasileiros, com foco maior na determinação da renda das famílias:
Próprio quarto
Software educacional
Internet
Dicionário
Lugar tranquilo para estudar
Escrivaninha
Livros de texto
Literatura clássica
Poesia
Obras de arte
Quantos livros em casa
Instrumentos musicais
Fiz uma comparação entre países da Europa e América do Norte e os da América Latina participantes do Pisa e reforcei o que já esperava: os alunos de países desenvolvidos contam com domicílios muito melhor preparados para o bom desempenho escolar que os da América Latina. Todos esses itens estão relacionados a enormes diferenças de desempenho quando o aluno responde sim ou não sobre tê-los à disposição em casa. O que faz mais diferença é a quantidade de livros em casa: a diferença em ter poucos (0-15) e mais de 500 livros. Nos países da Europa e América do Norte a diferença é entre os dois extremos é da ordem de 100 pontos, na América Latina é bem menor, em particular no Brasil e no México, assim como é menor a proporção de famílias com muitos livros em casa, de acordo com a resposta dos alunos. É possível que famílias de renda mais alta até tenham livros em casa, mas os alunos não os lêem!
Não é só uma questão de renda, mas de cultura e valorização de hábitos acadêmicos. As famílias brasileiras precisam mudar de hábitos para poderem esperar mais de seus filhos do ponto de vista acadêmico e também para poderem exigir mais do governo!

 Fonte: Excelência & Equidade em Educação Desenvolvimento econômico e justiça social de mãos dadas
https://exequi.com/2017/01/16/precisamos-de-uma-sociedade-educogena/

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Volta às aulas exige adaptação dos estudantes - Jornal da Vida

Volta às aulas exige adaptação dos estudantes - Jornal da Vida
( #StandToRebuildLives / #NoToDrugs ) 

( #VamosReconstruirVidas / #NãoÀsDrogas)

Olá a todos! Aqui, apresento uma iniciativa de ajuda humanitária, cujo denomina-se Projeto  Hominis. Nós, somos um grupo de pessoas responsáveis pelo mesmo, e pretendemos dar suporte a algumas causas sociais. Assim, insistir na chance de um futuro onde haverá o alcance de direitos básicos a todos.
No instante, nosso foco se volta para os direitos humanos, mais precisamente, estamos tentando ajudar a educação e o saneamento básico.
Além desses aspectos, buscamos o apoio para a recuperação de dependentes químicos. E dentro deste assunto, preparamos uma reportagem com uma série de entrevistas aos internos (em processo de tratamento e recuperação) de uma instituição chamada Maranathá. Cujo os esforços é reconstruir vidas e a superação de vícios.

A Dependência Química é considerada um transtorno mental, é uma doença química, provocada por uma reação química no metabolismo do corpo. O portador, com o tempo, vai se deteriorando gravemente e perdendo o controle do uso de substâncias. Afetando suas vidas psicologicamente (como o emocional) e fisicamente.
 Nessa situação (de dependência e vício), a maioria dos usuários precisa de ajuda através do tratamento adequado.

Para aqueles que assistirem, eu peço: Por favor, que além de tentarem acompanhar o seguinte vídeo até o seu instante final, e que perdoem nossas falhas quanto ao equipamento de filmagem, Ajudem-nos a espalhar esta mensagem. Até mesmo usando as nossas hashtags acima!


- Reportagem: https://www.youtube.com/watch?v=imzUv5YmCRI&t=563s

- Canal no YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCbZLpLL9jRb_KHauy_CWp5A



Muito obrigado por sua atenção e devida paciência! Agradecemos além, pelo tempo de seu dia que dedicaste a nós.

Caso seja você um dependente químico (ou conheça alguém que seja), entre em contato e busque ajuda!

Conheça a instituição Maranathá : http://www.maranathario.com/




R.Alecrim

O Pisa além do ranking

Um retrato dos resultados e das questões do exame de leitura mostra em que precisamos avançar

por: 
FS
 
Fernanda Salla
Março de 2011
No ranking geral do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), o Brasil é o 53º colocado entre os 65 países participantes. Se compararmos o desempenho em relação à primeira edição, em 2000, os cerca de 20 mil alunos de 15 anos que realizaram o exame conseguiram elevar em 9% a média brasileira, melhoria insuficiente, entretanto, para nos distanciar das últimas posições da lista. Repercutidos em jornais e revistas, esses números geram reações que variam do espanto ao desânimo. Mas não vão além disso. Para que essa espécie de Copa do Mundo da Educação ajude, de alguma forma, a aperfeiçoar o ensino, é preciso mergulhar no oceano de informações que a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), clube das nações mais ricas do planeta e responsável pela realização da prova, disponibiliza assim que os resultados são publicados. 

O principal recurso é o relatório Pisa 2009 Results: What Students Know and Can Do (Resultados do Pisa 2009: O Que os Estudantes Sabem e Podem Fazer), um compêndio de 276 páginas com dezenas de tabelas, estatísticas e análises sobre o exame. NOVA ESCOLA esquadrinhou o material com a ajuda das especialistas Maria Teresa Tedesco, do Colégio de Aplicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Gisele Gama, consultora do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e diretora-presidente da Abaquar Consultores, em Brasília, e Kátia Lomba Bräkling, coautora dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e professora do Instituto Superior de Educação Vera Cruz (Isevec), em São Paulo. 

Esta reportagem é o resultado desse trabalho. Aqui, você confere detalhes sobre diversos aspectos do exame de leitura, a ênfase da edição de 2009 (o que, na prática, significa que a prova tem mais questões dessa área em relação às outras duas avaliadas, Matemática e Ciências). Um quadro-resumo sintetiza o que a prova avalia e como isso é feito (leia na próxima página). Um estudo dos gráficos mostra quem são os alunos que mais precisam de ajuda - infelizmente, eles são mais do que se imagina (leia o quadro abaixo). Três textos da prova de 2009 são comentados para exemplificar como o conhecimento é aferido pelas questões. Por fim, apresentamos um histórico da avaliação, o que ela revela sobre o ensino brasileiro e suas vantagens e limitações.

Pior do que se pensa
Quase 60% dos alunos brasileiros têm baixa proficiência - ou nem sequer fizeram a prova 

Quando se fala do mau desempenho brasileiro do Pisa, costuma-se mencionar a quantidade de alunos nos níveis mais baixos de proficiência. Na prova de leitura, quase metade tirou no máximo nota 2. É muita gente, mas a situação verdadeira é ainda pior: falta considerar quem está fora da escola ou em situação de atraso escolar (pelos critérios da OCDE, alunos de 15 anos que nem mesmo chegaram à 7ª série). No caso brasileiro, esse grupo corresponde a 19,4% da população na faixa etária avaliada - índice alto em relação aos países líderes do ranking (veja o gráfico abaixo). A soma do contingente fora da escola com o de baixa proficiência dá 59,4%. Ou seja: seis em cada dez jovens de 15 anos ou não reúne condições para fazer a prova ou não é capaz de compreender textos relativamente simples.

Um retrato desalentador Alunos fora da escola ou com desempenho ruim são a regra na América Latina. Ilustração e gráfico: Luciano Veronezi
Um retrato desalentador 
Alunos fora da escola ou com desempenho ruim são a regra na América Latina
* População de 15 anos não matriculada ou cursando pelo menos a 7ª série.
Fonte: PISA 2009
Como funciona a prova de leitura

Realizado a cada três anos, o Pisa tem como objetivo determinar em que medida os estudantes na faixa de 15 anos possuem conhecimentos para uma inserção participativa na sociedade. A aferição utiliza como metodologia a Teoria da Resposta ao Item (TRI), que exige a repetição de perguntas em diversas edições para criar uma série de comparação. Na parte de leitura, o desempenho é avaliado em três competências: identificação e recuperação de informações, integração e interpretação, reflexão e avaliação. A escala avaliativa - usada para medir a dificuldade da questão e a nota dos alunos - comporta sete níveis de proficiência: 1b, 1a, 2, 3, 4, 5 e 6, sendo 1b o mais baixo, e 6, o maior. Um mesmo texto pode conter questões que exijam diferentes capacidades e avaliem diversos níveis de proficiência. 

"A prova do Pisa é extensa e requer fôlego de leitura. Aí já aparecem as primeiras dificuldades dos nossos estudantes, pois é preciso que eles sejam capazes de entender e não apenas decodificar o que está escrito", afirma Gisele. Nesse ponto, conta muito o contato constante com diferentes gêneros e seus portadores (jornais, revistas, enciclopédias, livros etc.), o que permite antecipações sobre o que se pode encontrar. Por exemplo: num texto jornalístico, sabe-se que o título da reportagem traz (ou deveria trazer) o fato mais importante. Saber isso agiliza a localização de dados e o entendimento global. Trabalhar essas competências não é uma tarefa exclusiva do professor de Língua Portuguesa. "Ao reproduzir a variedade de tipos de textos que existem na vida real (mapas, tabelas, lista de instruções etc.), o Pisa apresenta elementos presentes em várias disciplinas. A leitura faz parte de todas elas", afirma Gisele. 

A situação piora quando se pede que os jovens brasileiros reflitam sobre o que está escrito. Um sintoma disso são as inúmeras respostas em branco nas questões discursivas. Para a especialista, esse problema pode estar sendo agravado pelo tipo de exame que estamos habituando nossos alunos a fazer. Na Prova Brasil, por exemplo, há apenas questões de múltipla escolha, o que não incentiva a prática de exprimir as reflexões por escrito. "Essa falta de familiaridade faz com que os estudantes não estejam acostumados a dar opinião sobre o que aprendem", completa. 

Apesar de sua inegável influência nas políticas públicas e nas salas de aula, o Pisa não está isento de ressalvas. No artigo La Internacionalización de la Evaluación de los Aprendizajes en la Educación Básica, a argentina Emilia Ferreiro aponta que é bom tê-las em mente para não "aplicar cegamente as receitas dos organismos internacionais, aqueles que atuam como se soubessem de tudo de antemão". Uma primeira crítica mira o interesse principal do exame: a aquisição de competências. De acordo com a especialista, essa perspectiva coloca o ensino de conteúdos em segundo plano, o que é um erro, já que é fundamental conhecer as teorias e ideias estruturantes de cada área. Assinalando a falta de diálogo dos exames internacionais com as culturas latino-americanas, Emilia afirma que a prova não consegue medir o que, de fato, se ensina. Para que isso ocorra, seria preciso que o exame considerasse o currículo de cada país. Por fim, a pesquisadora considera injusto responsabilizar apenas as instituições escolares pelos maus resultados, uma vez que os problemas da Educação têm raízes que vão da desigualdade social à falta de capacitação. Um bom caminho, diz Emilia, seria inspirar-se no exemplo da Finlândia, onde a profissão docente é valorizada. "Quando poderemos dizer algo assim na América Latina?", questiona ela.

Como funciona a prova de leitura
Aplicado a cada três anos, exame afere competências de alunos de 65 países 

Objetivo 
Avaliar a capacidade dos jovens de 15 anos de entender textos, interpretá-los e refletir sobre eles, de modo a conseguir atender aos objetivos específicos da leitura, desenvolver seu conhecimento e participar da sociedade. 
Foco em interpretação e não na decodificação ou na busca de informações literais 

Formatos de textos 
Contínuo Inclui diferentes tipos de prosa e seus gêneros: textos informativos (reportagens e verbetes), argumentativos (editoriais e artigos) e ficcionais (fábulas, contos etc.). 

Não contínuo Texto em que o conteúdo se encontra disperso em diferentes blocos: gráficos, mapas, diagramas e listas. Se vier acompanhado de um texto contínuo (como uma reportagem), torna-se um texto misto. 

Múltiplo Composto de textos independentes (que podem ou não ter o mesmo gênero) reunidos em coletânea para propósitos específicos (comparar opiniões, mostrar diferentes formas de apresentar uma informação etc.). 
Textos não contínuos e múltiplos são pouco trabalhados no Brasil 

Competências avaliadas Acessar e recuperar informações Afere a capacidade de encontrar e coletar informações específicas, que podem estar explícitas ou exigir que se relacionem dados do texto. 

Integrar e interpretar o que se lê Envolve fazer a relação entre diferentes partes do texto para processar o que foi lido e entender o assunto tratado. Inclui identificar relações de causa e efeito, equivalência e comparação. 

Refletir e avaliar o sentido de um texto Exige relacionar o que está escrito com informações e valores externos ao material, como experiências pessoais e conhecimento específico sobre o tema tratado. 
Um mesmo texto pode servir para avaliar diferentes competências

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Importãncia da Mãe no Desenvolvimento da Criança.

Nossa sociedade vive momentos difíceis no que diz respeito às relações familiares. Muito se diz que as famílias estão se degenerando e colapsando na sociedade brasileira. As mulheres, hoje mais do que em qualquer outra época, devem conseguir conciliar seu tempo entre a carreira profissional, a casa, o marido e os filhos. Os avanços tecnológicos que foram pensados como formas de se economizar tempo e garantir mais liberdade e maior interação entre as pessoas, acabaram se transformando numa forma de facilitar o trabalho fora do horário de expediente normal e promoveram uma verdadeira epidemia de pessoas que levam trabalhos para fazer ou para terminar em suas casas.

Com isso tudo, as relações entre mães e filhos, passam por transformações que podem representar avanços ou perdas irreparáveis que dependerão muito de cada família para consolidarem-se como um ou como outro.

No entanto uma coisa é importante que a mãe moderna entenda: se ela escolheu ter uma vida profissional e ter filhos; cabe a ela encontrar tempo e maneiras de desempenhar essas duas funções da melhor maneira possível. Também c abe a ela possuir a devida maturidade para compreender que a formação adequada de uma criança e o conseqüente adulto em que ela se transformará, dependerá quase exclusivamente de como se dá a sua relação com seu filho.

É fato comprovado por inúmeras pesquisas e por diversos estudiosos que crianças afastadas do convívio de suas mães ou que têm pouco contato com elas tendem a apresentar mais problemas de desenvolvimento e mais entraves a seu desempenho acadêmico e social. Isso, sem qualquer dúvida, se refletirá numa vida adulta repleta de inseguranças, timidez excessiva e problemas para adaptarem-se as situações que a modernidade impõe para qualquer pessoa.

Prestar atenção nos filhos, participar de seu desenvolvimento motor, psíquico, intelectual e físico podem parecer coisas atávicas e naturalmente simples. Contudo, para algumas mães, essa tarefa pode ser um trabalho hercúleo e extremamente difícil de ser realizado. As consequências disso, como já falamos, se refletirão no futuro.

É pelo contato com a mãe que as crianças dão seus primeiros passos em direção a descoberta do mundo que as cerca e das melhores formas de interagir com ele. Da mesma forma, é a mãe que normalmente apresenta aos filhos a “ideia” de interação com pessoas de fora do círculo familiar e as melhores práticas para que as crianças sejam bem sucedidas nessa “aventura”. Isso assegura um desenvolvimento psicológico correto e garante que a criança estará plenamente apta a captar informações que sejam apresentadas por outras pessoas ou mesmo por situações que ela viva ao longo de sua existência; igualmente as tornarão capazes de fazer frente a esses desafios.

Para as mães é importante que além de se sentirem bonitas, amadas e plenas de sucesso profissional ou financeiro, a importância delas se sentirem parte integrante da educação de seus filhos é muito maior do que qualquer outra necessidade que posam ter. Pois, negar-se o dever de educar e preparar corretamente um ser humano que você colocou no mundo é o mesmo que enviar alguém que você ama para o sofrimento e para o desamparo.

A figura materna é tão importante para o desenvolvimento intelectual e emocional das crianças que supera, de longe, a figura do pai. Podendo facilmente substituí-la a qualquer hora.

Portanto, pense sempre em dar o melhor de si e garantir para o seu filho todo o amor, o carinho e o apoio que ele precisará para tornar-se uma pessoa completa e livre de recalques e frustrações.

Importância da Mãe na Educação Infantil


Importância da Mãe na Educação Infantil
Antigamente, a relação entre mães e filhos era muito mais impositiva e relegada a uma situação de autoridade pura e simples do que nos dias de hoje. Castigos, surras e toda sorte de punições eram aplicados pelas mães que tinham, como função principal, “educar” seus filhos para que obedecessem cegamente as normas e convenções sociais.

Hoje vemos as jovens mães muito mais ligadas a seus filhos e desempenhando um papel de orientadoras através de uma relação muito mais de amigas do que de censoras. O principal problema que elas enfrentam é conciliar suas atividades profissionais e sociais com a educação dos filhos e a vida numa sociedade extremamente competitiva e que exige da mulher uma enorme versatilidade e compromisso pessoal. Hoje, uma mulher que deseja ter filhos, deve entender antes de qualquer outra coisa que deverá educar a criança e ainda manter-se suficientemente ativa e disponível para galgar melhores condições e oportunidades em sua vida profissional. Algo que é muito diferente do que as mães experimentavam há pouco mais de trinta anos.

Em certo ponto, essa mudança e essa exigência de versatilidade e de maior qualificação das mulheres, foi extremamente benéfica para seus filhos. Hoje, nossas crianças são muito mais capazes e preparadas; podendo expressarem-se mais livremente e dar asas a criatividade e a inventividade sem serem tolhidas por preconceitos e ideias errôneas que eram considerados verdadeiros bastiões maternos no passado.

No entanto, podemos observar que a necessidade de conciliar a vida profissional com a criação de filhos ainda exerce alguns pontos negativos sobre algumas mães. A concessão de limites necessários a uma boa educação e ao convívio social sadio são os maiores problemas enfrentados pelas mães atuais. Entender que não há culpa pela necessidade de se ausentarem cada vez mais do convívio com seus filhos para que possam satisfazer as suas próprias necessidades profissionais seria a chave para acabar com a verdadeira permissividade que muitas mães adotam em relação a seus filhos e que, no futuro, poderá representar uma sucessão de dissabores e a formação de adultos imaturos e incapazes de conviver socialmente de forma plena. Essa “culpa”, muitas vezes, provoca o surgimento nas famílias de verdadeiros déspotas mirins e representam um risco sério para a vida adulta das crianças.

Portanto, entender que a relação entre mães e filhos mudou e que essas mudanças foram importantes e “para a melhor”; é apenas o primeiro ponto a ser considerado pela mulher que deseja ser mãe. Ao mesmo tempo ela deve ser capaz de perceber que, mesmo tendo necessidade de batalhar uma vida profissional e ausentar-se do convívio de seus filhos, não há “culpa” nesse evento. São as mães e seus esposos que devem tomar as rédeas da educação de seus filhos e exercerem os papéis de proteção e de punição quando necessário. Impor respeito e impor limites às crianças é algo que não pode ser feito com violência ou com barbarismo. Mas é algo a ser executado tendo como certeza que seus filhos se tornarão adultos mais seguros e mais aptos para fazer frente aos desafios da sociedade moderna.

Escola é Complemento???

Educação dos Filhos 
A vida moderna vem colocando desafios cada vez mais urgentes e complexos em nossas vidas. Um desses desafios é praticamente impostos às mulheres que se tornam mães: conciliar a vida profissional com a educação dos filhos.

Para as mães é importante entender que a sua importância na educação infantil é total. A relação entre mães e filhos determinará de forma decisiva como a criança receberá as informações que comporão a sua educação e a sua instrução; como ela reagirá ao contato social e como encarará os desafios e problemas levantados pela vida em comum que experimentará fora do âmbito familiar.

Quando as mães (principalmente as “de primeira viagem”) sentem-se tristes e preocupadas quando deixam seus filhos pela primeira vez na creche ou na escolinha. Muito longe de preocuparem-se apenas nesses momentos, as mães devem ter em mente que a participação e a importância delas para a educação e o desenvolvimento de seus filhos é algo enorme e que deve ser exercido e cultivado dia após dia; de forma ininterrupta e constante.

Outro aspecto importante na relação entre mães e filhos, no que tange a educação, é a participação delas no levantamento de deficiências que as escolas apresentem e na busca de formas de superação dessas deficiências. Ao mesmo tempo, elas devem ser capazes de perceber alterações comportamentais em seus filhos e verificar se essas alterações estão diretamente ligadas a problemas de convivência na escola ou fora do meio familiar. Quanto mais tempo a mãe puder passar com seu filho e mais íntima e constante for sua relação com ele; mais facilmente ela poderá detectar esses problemas e saná-los de forma rápida e segura. Concorrendo de forma primordial e fundamental para evitar que a criança forme em sua personalidade traços que a levem a tornar-se um adulto inseguro e temeroso do mundo que a cerca – é importante garantir que a educação da criança seja plena e eficaz.

Para uma boa relação entre mães e filhos, a mãe deve ter em mente que a educação correta é o acúmulo de informações que garantirão as crianças uma vida plena futura. E esse acúmulo tanto de deve dar no campo intelectual quanto no emocional. Brincar com seus filhos, participar das atividades na escola, conversar e desenvolver uma parceria sadia com as crianças é o ponto fundamental para dar-lhes a segurança de que são amados sem estender-lhes uma cobertura de proteção exagerada e perniciosa, que os transformará em crianças mimadas e incapazes de agir em sociedade de forma perfeita e completamente enquadrada aos costumes sociais de seu meio.

As mães são o alicerce fundamental sem o qual a educação das crianças seria enormemente prejudicada e, em alguns casos, até impossibilitada; tala enorme importância que a mãe tem para seu filho.

Por isso, você que é mãe, não se furte ao prazer e a obrigação de garantir que seu filho se transforme em um adulto plenamente capaz de levar uma vida satisfeita e feliz. Participe ativamente de sua educação e dê-lhe todas as oportunidades de aprender, com você e com o mundo que o cerca, tudo o que será necessário para que ele desfrute do melhor possível em matéria de desenvolvimento de suas capacidades.

A Importância da Educação Física Escolar.

A Educação Física é uma área do conhecimento que trabalha com o corpo e o movimento como parte da cultura humana. Nessa perspectiva cultural na qual a Educação Física escolar está inserida, não se deve associar seus benefícios apenas a questões fisiológicas dos seres humanos, mas também ao seu autoconhecimento corporal, melhora na auto-estima, no auto-conceito, entre outros. A Educação Física favorece aos alunos a compreensão de seu próprio corpo e de suas possibilidades, conhecendo e experimentando um número diversificado de atividades corporais para que os alunos futuramente possam escolher a atividade mais conveniente e prazerosa para auxiliar no seu desenvolvimento pessoal e na melhoria de sua qualidade de vida ao longo de suas vidas.

O movimento é uma importante dimensão do desenvolvimento e da cultura humana. Antes mesmo de nascer o ser humano se movimenta e devido as suas experiências e influências do meio, adquire maior controle sobre seu próprio corpo e dessa forma vai se apropriando cada vez mais das possibilidades de interação com o mundo.

De acordo com PAIM, (2007):

“Ao movimentarem-se, as crianças expressam sentimentos, emoções e pensamento, ampliando as possibilidades do uso significativo de gestos e posturas corporais. O movimento humano, portanto, é mais do que um simples deslocamento do corpo no espaço: constitui-se em uma linguagem que permite às crianças agirem sobre o meio físico e atuarem sobre o ambiente humano, mobilizando as pessoas por meio de seu teor expressivo. Trabalhar com movimento contempla a multiplicidade de funções e manifestações do ato motor.”

Dentre as produções da cultura vivenciadas pelo corpo humano ao longo de sua existência, algumas foram incorporadas pela Educação Física em seus conteúdos, como: o jogo, o esporte, a dança, a ginástica, a luta entre outras. Que apresenta em comum a representação corporal, com características lúdicas, de diversas culturas humanas; todos esses fatores favorecem o fortalecimento da cultura corporal humana.

Já no que diz respeito às habilidades motoras na Educação Física, acrescenta-se que: “O trabalho as habilidades motoras e capacidades físicas deve estar contextualizado em situações significativas e não deve ser transformados em exercícios mecânicos e automatizados (PCN, 1997, p.62)”. Durante as aulas de Educação Física, o processo de ensino e aprendizagem deve dar oportunidade aos envolvidos para que façam a utilização de sua motricidade enquanto ação intencional, que é extremamente necessária e significativa durante a construção de conhecimento e é proporcionada pela integração sujeito-objeto.

As aulas devem proporcionar ao aluno a aprendizagem por meio da abstração reflexiva, ou seja, deve-se dar a ele a oportunidade para ira além da inteligência prática sobre e por meio desse conteúdo, considerando-o como um conhecimento socialmente construído e historicamente contextualizado. Pois, para que os objetivos das aulas sejam alcançados é necessário que as crianças sejam desafiadas a solucionar problemas ou enfrentar situações que necessitem de formas de pensar diferentes daquelas usadas até então. Uma aprendizagem significativa exige, além da interlocução e da experimentação do movimento do corpo no espaço e da utilização das estruturas mentais para relacionar os estímulos recebidos formando conceitos claros. Assim sendo, para Delore (2000), desde a infância o ser humano precisa saber e adquirir o aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser.

Atualmente, a área da Educação Física evoluiu de tal forma que abrange múltiplos conhecimentos produzidos e usufruídos pela sociedade em geral relacionados ao corpo e do movimento. Entre eles, se consideram fundamentais as atividades culturais de movimento com finalidades de lazer, expressão de sentimentos, afetos e emoções, e ainda com possibilidades de manutenção, promoção e recuperação da saúde. Kunz (2001), também acredita que a Educação Física deve desenvolver a Função Social e Política, e afirma que ela é inerente a toda a sua ação pedagógica, e que através dessa ação, sua especificidade prática poderá ser transformada em tarefas pedagógicas desejáveis.

De acordo com Santin (1995), “Ninguém duvida de que o desenvolvimento humano consiste na realização e aperfeiçoamento de todas as capacidades do se humano (p.14)”, assim sendo, os professores de Educação Física devem motivar e incentivar os praticantes a descobrir seus limites e capacidades, a fim de que o potencial de cada aluno seja revelado e valorizado. Em face dessas reflexões o presente artigo tem como objetivo, verificar qual à visão que os professores de Educação Física da rede pública de Santa Maria têm sobre a importância da Educação Física Escolar.

Caminhos percorridos

Este trabalho encontra-se ancorado na abordagem de pesquisa qualitativa. Conforme Demo (2000), a pesquisa qualitativa deseja fazer jus à complexidade da realidade. A abordagem qualitativa requer que os investigadores desenvolvam empatia para com as pessoas que fazem parte do estudo e que façam esforços concertados para compreender os seus vários pontos de vista (BOGDAN e BIKLEN, 1994).

Bogdan e Biklen (1994), afirmam que, “a abordagem qualitativa é utilizada de forma a ajudar a clarificar perspectivas conflituosas acerca da educação e a estimulá-los a questionar suas hipóteses...” seguimos esta metodologia principalmente por acreditarmos que através dela poderemos nos tornar mais conscientes, pois, somos motivados a criticar e analisar com consistência e assim explorar mais profundamente as circunstâncias a serem estudadas.

Fizeram parte da amostra de nosso estudo 24 professores de Educação Física de 10 escolas da rede pública de Santa Maria, Rio Grande do Sul. Como instrumento de coleta, utilizou-se um questionário com questões abertas e fechadas, na qual as perguntas versaram sobre o tema Educação Física Escolar. O questionário foi respondido individualmente, e entregue no mesmo dia para a pesquisadora. Para a análise dos dados utilizou-se a análise de conteúdo.

Apresentando e discutindo os resultados

O objetivo desse estudo foi verificar qual à visão que os professores de Educação Física da rede pública de Santa Maria têm sobre a importância da Educação Física Escolar. Os dados foram organizados em categorias, de maneira a responder os objetivos do estudo, são elas: 1) Entendimento de Educação Física Escolar; 2) O que compete a Educação Física escolar ensinar; 3) A importância do Planejamento escolar

1. Entendimento de Educação Física Escolar

Os professores colaboradores da pesquisa ao serem questionados sobre qual o entendimento de Educação Física escolar, revelaram diferentes pontos de vista, e conceituaram-na, de maneira geral, como:

“É uma disciplina que leva o aluno ao conhecimento do seu próprio corpo, das suas possibilidades e limitações. A Educação Física escolar desperta o vigor físico, a capacidade psico-motora e influencia numa vida sadia às crianças.” (Diário de campo, Santa Maria, julho de 2008. Professor A/I)

“Todos nós sabemos da importância de fazer uma atividade física e de se manter ativo. Em minha opinião é a disciplina mais importante desenvolvida na escola, porque trabalha o aluno como um todo.” (Diário de campo, Santa Maria, julho de 2008. Professor J/II)

Os PCNs (1997) afirmam que:

“ por suas origens militares e médicas e por seu atrelamento quase servil aos mecanismos de manutenção do status quo vigente na história brasileira, tanto a prática como a reflexão teórica no campo da Educação Física restringiram os conceitos de corpo e movimento – fundamentos de seu trabalho – aos seus aspectos fisiológicos e técnicos.”

Com isso, percebe-se que, a opinião do professor A/I não se encontra de toda forma errada, e sim um pouco desatualizada; pois atualmente, a Educação Física corre em busca pela sua superação e valorização, através da concepção que a remete a diferentes dimensões como: a cultural, a social, a política e a afetiva, porque acima de tudo, ela trabalha com seres humanos que durante todo seu ciclo vital se movimentam e agem como sujeitos e cidadãos, interagindo e modificando o contexto social ao qual estão inseridos. Percebe-se que a visão do professor se deve ao fato de ter sofrido influências de uma Educação Física tecnicista, pois já está na escola há mais de 25 anos. O modelo tecnicista tem como objetivo principal a busca da aptidão física e desportiva. Saviani (2005) diz que, ”temem a competência técnica aqueles que, encontram-se ainda sob a influência dominante das teorias educacionais que convencionei chamar de “crítico-reprodutivistas.” Concordamos com Saviani, porque entendemos que é o mínimo que um professor de Educação Física deve ensinar, mas, desde que o professor não ensine e cobre apenas a competência técnica, mas que essa competência técnica venha acompanhada de cooperação, tolerância, superação de limites, crescimento pessoal, entre outros.

A Educação Física evolui com a história, acompanhou as mais diversas situações históricas, surgiu nos primórdios, onde o Ser Humano usava suas habilidades motoras para se locomover, alimentar e sobreviver. Com os Gregos na antiguidade, incorporou-se o desenvolvimento físico e moral; já os romanos, pouco se dedicavam a moral e a cultura intelectual, preocupavam-se mais com o desenvolvimento das massas musculares. Já na idade média, os exercícios físicos eram considerados como maneiras bárbaras de manifestações influenciadas pelas ordens da cavalaria.

Atualmente a Educação Física de acordo com Saviani (2005), serve para auxiliar e instaurar na escola saberes científicos, técnicos, estéticos, dentre outros, e assim revelar algo de diferente na vida dos envolvidos e da sociedade, na qual o ponto de partida da prática enquanto educação é revelar algumas situações de equilíbrio da hierarquia educacional, onde se revela importante não apenas o professor como formador de idéias, mas sim o professor – aluno – escola - sociedade responsável pela construção do conhecimento comum.

2. O que compete a Educação Física escolar ensinar

De acordo com os resultados verifica-se que os professores demonstraram, através de suas falas que percebem a Educação Física como um componente curricular rico em conteúdos e possibilidades específicas de movimento. A escola é parte integrante da vida de cada um, é possível afirmar que na escola nada deve ser isolado, principalmente na Educação Física, onde o corpo não é apenas um corpo isolado, onde podemos fazer dele, enquanto professores, “o que bem entendemos”, e sim, compete a Educação Física compreendê-lo na sua essência para assim proporcionar o movimentar-se e estimular a formação bio-psico-social de cada aluno. Assim pode-se perceber em algumas falas que:

“A prática de atividade física oportuniza ao educando assimilar os momentos de competição como forma de crescimento pessoal e melhora da auto-estima, bem como valorizar a cooperação e construir e reconhecer regras que remetem a valores e noções de sociabilidade. Enfim, tornar-se um ser atuante na sociedade.” (Diário de campo, Santa Maria, julho de 2008. Professor G/II)

“Educação Física é importante porque através dos diferentes conteúdos, como, exercícios formativos, jogos, esportes, ginásticas, entre outros apoiando-se em bases científicas, biológicas, pedagógicas e psicológicas, desenvolve e forma o indivíduo físico, mental e espiritualmente sadios.” (Diário de campo, Santa Maria, julho de 2008. Professor D/III)

Através de tais opiniões percebe-se que a Educação Física escolar tanto para os professores entrevistados, quanto para os pesquisadores e autores como Voser e Giusti (2002), além de desenvolver os aspectos físicos e disciplinares, pode promover a autoconfiança através de suas práticas delegadas nos Parâmetros Curriculares Nacionais e dessa maneira também auxilia a expandir os conhecimentos motores, a valorizar a cultura, o movimento e a integração com seus companheiros de grupo.

Lembrando as palavras de Shugunov Neto e Maciel, (2002), que afirmam que: “ser professor” passa a abranger outras virtudes muitos mais exigentes do que apenas dar aula. Precisa desaparecer, desde logo, toda a tática de encurtamento, abreviação, banalização, porque formação é fenômeno que acarreta certa plenitude, implicando de mais tessituras técnicas, políticas e éticas. Ou seja, os professores não devem se considerar apenas transmissores de conhecimento e sim formadores de opiniões, assim sendo, o professor deve tomar o máximo de cuidado para que através de suas aulas ele possa usar de maneira representativa e significativa a valorização individual e do coletivo, transmitindo valores aliados aos conhecimentos técnicos e táticos possibilitados através da prática da Educação Física Escolar.

Conforme Arroyo (2000), “Em outras instâncias e experiências de nossas vidas outras imagens se acrescentam e com todos esses aprendizados, por sua vez resistindo a eles, fomos construindo nossa identidade pessoal e profissional.” Ou seja, deve-se ser considerado que para a construção de nosso conhecimento sofremos influências das mais distintas áreas e possibilidades, e a Educação Física Escolar tem como principal função auxiliar na formação bio-psico-social de todos aqueles que estiverem envolvidos na relação ensino-aprendizagem; mais precisamente os alunos, que é através da escola que pode ser possibilitada as mais diversas informações e relações sociais.

Já Voser e Giusti (2002), acreditam que atualmente a globalização mundial e a evolução da tecnologia proporcionam um aprendizado rápido e dinâmico; porém é imprescindível cuidar do aspecto físico, psíquico e social, mesmo que trabalhado de maneira lúdica, quer por meio da prática de algum esporte ou outro tipo de atividade física.

Não podemos esquecer que, embora estes professores entrevistados pensem desta forma a realidade atual da Educação Física nas escolas não é homogênea, pois através deste estudo constatou-se um grande descaso vindo dos entrevistados, no qual, 30% dos entrevistados não responderam ao questionamento, muitos destes se mostraram desmotivados com o salário, desatualizados, com pouco recurso físico e material e mesmo com toda a argumentação da importância de sua opinião acabaram não contribuindo com a pesquisa. Arroyo (2000), afirma que é muito mais fácil jogar a responsabilidade para o capitalismo, o neoliberalismo, do que assumir a responsabilidade que toca ao professor.

Já os autores Campagna e Shwartz (2007) dizem que, “a reflexão que o profissional faz sobre si e sobre seu estar no mundo não se dissocia de sua ação sobre o mundo e, sendo assim, esta indissociabilidade ação-reflexão traz para o foco, complexas e abrangentes questões relacionadas ao papel mediador que deve balizar sua práxis na perspectiva aludida. A competência é uma destas questões que vem a desafiá-lo.” Ou seja, não se deve deixar que as situações externas como baixos salários, falta de material, entre outros abalem suas bases, pois se isso acontecer todos os envolvidos serão atingidos; neste caso, os alunos seriam os mais prejudicados, pois dependendo da práxis pedagógica do professor, esta prática pode influenciar negativamente o envolvimento dos alunos na Educação Física escolar, a motivação para a prática, a construção da autoconfiança e auto-estima dos alunos, entre outros.

3. A Educação Física e o planejamento escolar

De acordo com os resultados verifica-se que os professores demonstraram, através de suas falas que vêem no planejamento das aulas Educação Física a possibilidade de desenvolvimento de capacidades e competências nos alunos. Como pode ser visto na fala do professor:

“Infelizmente, alguns professores ainda desperdiçam o tempo de aula dando uma bola aos alunos para que eles joguem futebol, vôlei, enfim, ou o que acharem melhor. Há muitos profissionais que não se preocupam em motivar os alunos. Não planejam as aulas e não tem um objetivo ou finalidade pré-determinada da aula. A Educação Física não se resume em correr, brincar, jogar bola. Fazer ginástica... A Educação Física deve sim, integrar o aluno na cultura corporal de movimento, mas de uma forma completa, transmitir conhecimentos sobre a saúde, sobre várias modalidades do mundo dos esportes, adaptando o conteúdo das aulas a individualidade de cada aluno e a fase de desenvolvimento em que estes se encontram. É uma oportunidade de desenvolver as potencialidades de cada um, nunca de forma seletiva e sim, incluindo todos os alunos no programa.”(Diário de campo, Santa Maria, julho de 2008. Professor J/II)

A opinião do professor está inteiramente ligada a toda a sua vivência e inquietações, pois além de promover sua educação continuada também busca por em prática seus afazeres, ou seja, ele analisa a realidade da escola em que está incluído e revela as dificuldades dos professores que por muitas vezes, ou não acompanharam a evolução da Educação Física ou simplesmente não assimilaram a vital importância, que assumem, na atualidade para a garantia da qualidade de vida dos seres humanos. Visto que a Educação Física não é apenas utilizada para a cultura do corpo, pois vai além, porque promove uma melhoria física na aptidão, na motricidade, entre outros benefícios... pode também promover qualidade de vida e de saúde, enriquecimento de conhecimentos múltiplos através de suas práticas ou até mesmo com o auxílio da interdisciplinariedade, melhorar a auto-estima, auto-confiança, dentre outros fatores tão ou mais importantes que a Educação Física pode promover na vida do ser humano.

Através dessa fala percebe-se que os professores pensam que tanto o planejamento das aulas, quanto a educação continuada do professor são fatores que andam juntos e causam grande influência na práxis pedagógica de cada professor, pois o curso de Educação Física exige intensa atualização, pois é um curso que acompanha as tendências políticas, culturais e sociais que por vezes costumam ser altamente inconstantes, por variarem de acordo com o avanço da sociedade envolvida.

O planejamento, é um ato no qual o professor deveria tornar evidente a importância da opinião dos alunos no desenvolvimento, por exemplo da aula de Educação Física para que a adesão futura a atividade física seja maior e com mais consciência, e dessa maneira ele não apenas imponha sua opinião e sim auxilie na formação de seres críticos e reflexivos.

De acordo com Libâneo (1992, 9.221):

“... Planejamento Escolar é o planejamento global da escola, envolvendo o processo de reflexão, de decisões sobre organização, o funcionamento e a proposta pedagógica da instituição. “É um processo de racionalização organização e coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social.”

Conforme salientou Lunardi (2005) o planejamento é assumir uma atitude séria, ter clareza e principalmente sabermos definir a diferença entre a multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade. Planejamento escolar consiste numa atividade de previsão da ação a ser realizada, implicando definição da necessidade de atender objetivos a atingir dentro das possibilidades, procedimentos e recursos a serem empregados, como tempo de execução e formas de avaliação.

Kunz (1999) citando os PCNs, diz que deve ser evidente a responsabilidade e consciência, por parte dos professores de Educação Física, quanto ao estabelecimento dos objetivos para o trabalho com essa disciplina e para a priorização de métodos de ensino visando contemplá-los. Já para Libâneo (1992) o planejamento Escolar é a melhor maneira de definir as melhores possibilidades para alcançar os objetivos; e nele deve envolver o processo de reflexão, avaliação, organização do funcionamento e a proposta da instituição.

Com o auxílio do planejamento escolar e de suas informações contínuas os professores podem compreender as diferentes formas, pontos de vista e linhas da comunicação existentes no universo, interagindo e desenvolvendo a auto-expressão e a socialização sob o ponto de vista crítico e reflexivo, desafiando assim os processos de criação e vivências, tendo como ponto de partida a realidade social e o comprometimento intelectual com o novo permanente, com sensibilidade e criatividade; e assim poder sensibilizar o educando para a importância da atividade física como meio de oportunizar uma melhor qualidade de vida. Ampliar a visão sobre a cultura corporal de movimento que viabiliza a autonomia para o desenvolvimento de uma prática pessoal e a capacidade para interferir na comunidade, seja na manutenção ou na construção de espaços de participação em atividades culturais, ou com a finalidade de lazer, expressão de sentimentos, afetos e emoções, e ainda possibilitar a promoção, recuperação e manutenção da saúde.

Considerações finais

O presente estudo teve como objetivo verificar qual à visão que os professores de Educação Física da rede pública de Santa Maria têm sobre a importância da Educação Física Escolar. Através da análise dos resultados pode-se inferir que:

Os professores de Educação Física, sujeitos da pesquisa, percebem a Educação Física como um componente curricular rico em conteúdos e possibilidades específicas de movimento, fundamental para o desenvolvimento dos alunos e vê no planejamento das aulas Educação Física a possibilidade de desenvolvimento de capacidades e competências nos alunos.

Atualmente não podemos negar que ainda é grande a marginalização da disciplina de Educação Física nas escolas, por vezes até mesmo dentre os seus profissionais, que não conseguem ver a plenitude de conteúdos e vivências de movimentos que pode ser desenvolvida através da Educação Física escolar, e essa realidade deve ser mudada.

Através deste estudo constatou-se que a visão dos professores sobre a Educação Física e a sua importância no contexto escolar é de suma importância para traçarmos estratégias de ensino que venha colaborar para a melhoria da qualidade das aulas de Educação Física na rede pública de ensino. Percebe-se que embora tenha havido descaso de alguns entrevistados e opiniões bem diferenciadas não encontramos professores com visão errônea do que seria a Educação Física escolar e sua importância, e sim pôde ser concluído que alguns estavam apenas desatualizados sobre a nova concepção de educação integral e de qualidade.

O professor de Educação Física deve ter sua responsabilidade social pautada na ética, para dessa maneira assumir o seu papel de co-responsável pela qualidade da educação brasileira e da valorização de uma área que ainda hoje encontra-se desvalorizada que é a Educação Física escolar. Através de sua atuação, o professor, pode reiterar a relevância do papel da Educação Física na escola e atender a seu compromisso de maneira sublime e com qualidade, afirmando seu valor como educador/educando.

A Educação Física escolar é uma das mais eficientes formas para promover o ensino-aprendizagem de maneira completa, complexa e lúdica, além de ser capaz de através do próprio movimento, colocar em evidência as diferenças culturais, corporais e sociais da população envolvida.

Referências bibliográficas

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BOGDAN, R. C. & BIKLEN, S. K. Investigação Qualitativa em Educação. Portugal, Porto Editora, LDA, 1994.

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LIBÂNEO, J. - Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos. São Paulo: Loyola, 1992.

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SHIGUNOV NETO, A. & Maciel L. S. B.- Reflexão sobre a formação de professores. Coleção Magistério: Formação e Trabalho Pedagógico Campinas, SP: Papirus, 2002.

VOSER, R. C. & GIUSTI, J. G. - O futsal e a escola: uma perspectiva pedagógica. Porto Alegre: artmed, 2002
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