sábado, 19 de maio de 2012

Feira de ciências nos EUA premia 7 alunos brasileiros de ensino médio


18/05/2012 21h08 - Atualizado em 18/05/2012 21h12

Trabalhos foram elogiados por empresas e universidades americanas.
Feira teve 1.500 participantes de 70 países.

Do G1, com informações do Jornal Nacional
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Sete estudantes brasileiros foram premiados na Intel Isef, Feira Internacional de Ciências e Engenharia, que terminou nesta sexta-feira (18), em Pittburgh, nos Estados Unidos. O Brasil foi representado por 33 estudantes de ensino médio de escolas públicas e particulares.
Os 1.500 participantes de 70 países levaram ideias, invenções e pesquisas na disputa de bolsas de estudos, cursos, produtos tecnológicos e prêmios de US$ 3 milhões. Os projetos, criados por jovens entre 15 e 18 anos, apresentam ideias inovadoras nas áreas de biologia, meio ambiente, física, computação, sociologia e demais áreas do conhecimento. Os brasileiros que participaram da feira foram vencedores em duas feitas muito concorridas, em São Paulo e no Rio Grande do Sul.
Eduardo Thadeu Rodrigues, 19 anos, e Juliana Hoch, 18, da Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, ganharam o terceiro lugar na categoria bioquímica com um trabalho sobre como separar ácido lactobiônico e sorbitol. Eles ganharam US$ 1 mil de prêmio.
Leonardo Bodo foi convidado para estudar nos EUA (Foto: TV Globo/Reprodução)Leonardo Bodo foi convidado para estudar nos
EUA (Foto: TV Globo/Reprodução)
Os outros brasileiros premiados ficaram em quarto lugar em outras categorias e receberam US$ 500.
Leonardo de Oliveira Bodo, 17 anos, aluno do Colégio Dante Alighieri, de São Paulo, foi muito elogiado pelo trabalho sobre tecelagem de novos fármacos na teia de aranhas. Ele descobriu que na teia da aranha existe um antibiótico poderoso. Em laboratório, ela foi capaz de combater bactérias, vírus e células cancerosas. Leonardo recebeu convites de empresas e universidades americanas para estudar nos Estados Unidos.
Felipe Soares Wolff, 17 anos, e Hilário Zornitta Junior, 19, alunos do Instituto Federal Catarinense Campus Camboriú, de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, foram premiados com um trabalho sobre vinagre de banana como alternativa para capturar a mosca da fruta.
Ana Luisa Coutinho desenvolveu sistema de irrigação com garrafas pet (Foto: TV Globo/Reprodução)Ana Luisa Coutinho desenvolveu sistema de
irrigação com garrafas pet (Foto: TV Globo/
Reprodução)
Ana Luisa Lopes Marques Coutinho, 15 anos, do Colégio Paraiso, de Juazeiro do Norte, Ceará, ganhou prêmio por um trabalho sobre o reuso das garrafas pet na construção de um sistema de irrigação. Os pais delas têm um sítio no interior do ceará. O projeto de baixíssimo custo leva água direto para a raiz da planta.
Daniel Henrique Fiala, 19 anos, estudante da Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, foi premiado por seu trabalho de desenvolvimento de um software para avaliação de risco de prioridade na emergência pediátrica.

MEC e universidades fazem parceria para formar gestores escolares


Especialização, na modalidade de educação a distância, é gratuita

Para enfrentar o dia a dia da escola, com suas diferentes demandas, os diretores e coordenadores precisam estar preparados. Os profissionais interessados em aprimorar a formação podem fazer o curso Escola de Gestores de Educação Básica, oferecido pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com universidades e secretarias de educação. O curso, gratuito, é voltado para a formação continuada de dirigentes da educação básica, em nível de pós-graduação lato sensu, na modalidade de educação a distância, com carga horária de 400 horas. A formação tem três eixos vinculados entre si: o direito à educação e a função social da escola básica; políticas de educação e gestão democrática da escola; projeto político-pedagógico e práticas democráticas da gestão escolar.
Prof Jailson Alves dos Santos (Foto: Divulgação)Professor Jailson Alves dos Santos, coordenador
do curso na UFRJ (Foto: Divulgação)
Cada universidade realiza o processo seletivo para o ingresso no curso de especialização Escola de Gestores de Educação Básica. O processo seletivo inclui duas etapas: uma pré-inscrição feita pelos sistemas de ensino e, em seguida, uma seleção técnica feita pelas universidades responsáveis pelo curso. Os candidatos provenientes de municípios e de escolas com baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) têm preferência, e existem critérios mínimos de seleção, como ter concluído curso de graduação plena; ser gestor efetivo e estar em exercício, de escola pública municipal e/ou estadual de educação básica; e ter disponibilidade para dedicar-se ao curso. Para o professor Jailson dos Santos, coordenador geral do curso Escola de Gestores oferecido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a especialização contribui para a formação dos diretores e coordenadores.

“Em 2005, apenas 36% dos diretores e vice-diretores tinha pós-graduação lato sensu, ou seja, existe um problema grave de formação. Percebemos felizmente que a situação está mudando, e prova disso é a iniciativa do Governo de criar o curso Escola de Gestores, implantado em 2007 e já na segunda edição na UFRJ. A proposta curricular inclui dez disciplinas, voltadas para qualificação ou requalificação dos gestores, para ajudá-los a pensar a administração das escolas. A primeira turma, só com diretores, formou 176 gestores. A segunda turma começou em 2011, com 386 alunos, e estamos atendendo agora também coordenadores pedagógicos”, explica o professor.
Mais informações sobre o curso no site do MEC e no site da UFRJ.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Um Herói de verdade, um BRASILEIRO. Ayrton Senna da Silva


Ayrton Senna era foi e sempre será um exemplo para esta nação. Um exemplo de Atleta, de Trabalhador um exemplo do que é um BRASILEIRO. A homenagem de todos da minha família a este Herói Brasileiro, exemplo para este povo que trabalha e sofre, mas é honesto e determinado que luta até o fim.
Fonte: Revista Veja!
Em São Paulo, transformava-se no competente empresário que cuidava dos negócios com a mesma dedicação e preocupação que tinha na F1, como pode ser visto ao olharmos para o sucesso das marcas que criou: o personagem Senninha e a Marca Senna.
Ayrton tinha orgulho de ser brasileiro. E queria fazer mais pelo país. Lançou a semente para a criação do Instituto Ayrton Senna que atende milhares de crianças e jovens em todo Brasil.
Memória


Ayrton Senna: há 18 anos, a morte antes da curva


Em 1º de maio de 1994, o tricampeão mundial de Fórmula 1 morreu no GP de San Marino. Naquela semana, VEJA publicou a quarta edição extra de sua história - antes da tragédia com Senna, só a posse de Geisel, a morte de JK e o impeachment de Collor haviam sido tema de um número extra. Leia a seguir a reportagem original daquela revista especial.
As imagens ficarão gravadas como um raio na memória dos brasileiros. Na sétima volta do Grande Prêmio de San Marino, no autódromo de Ímola, na Itália, Ayrton Senna passa direto pela curva Tamburello, a 300 quilômetros por hora, e espatifa-se no muro de concreto. À 1h40 da tarde, hora do Brasil, um boletim médico do hospital Maggiore de Bolonha, para onde o piloto foi levado de helicóptero, anunciou a morte cerebral de Ayrton Senna. Não havia mais nada a fazer. Ayrton Senna da Silva, 34 anos, tricampeão mundial de Fórmula 1, 41 vitórias em Grandes Prêmios, 65 pole-positions, um dos maiores fenômenos de todos os tempos no automobilismo, estava morto.


Ninguém simboliza melhor a comoção que tomou conto do mundo que a imagem de Alan Prost chorando num dos boxes de Ímola. Não era o choro de um torcedor, mas de um rival, o maior de todos em dez anos de brigas dentro e fora das pistas, um alter ego de Ayrton Senna na Fórmula 1. Na manhã de domingo, minutos antes de entrar pela última vez no cockpit de sua Williams, Senna encontrou-se com o ex-adversário, deu-lhe um tapinha nas costas e comentou: "Prost, você faz falta." Horas mais tarde, cercado pelos jornalistas, o francês não conseguiu retribuir a gentileza. "Estou consternado demais para falar", limitou-se a dizer, com lágrimas nos olhos.




Capa da Edição Especial, de 3 de maio de 1994
Foi o triste epílogo de um final de semana em que a morte passeou pelo circuito de Ímola. Na sexta-feira, o carro do brasileiro Rubens Barrichello espatifou-se. Barrichello só não morreu porque o choque foi amortecido pelos pneus. Nos treinos de sábado, o carro do austríaco Roland Ratzenberger se desintegrou no muro de concreto depois de passar reto numa curva. O piloto chegou morto ao hospital, vítima de comoção cerebral. Esse foi o quadro de presságios que antecedeu o acidente com Senna. O piloto brasileiro manteve a liderança do Grande Prêmio por exatos 21 minutos. Às 9h40, vinte e cinco horas depois da morte de Ratzenberger, a Williams de Senna sumiu repentinamente da pista. "Eu vi a traseira do seu carro bater no solo violentamente", contou o alemão Michael Schumacher, que ia colado em Senna na entrada da curva. "Em seguida, ele perdeu completamente o controle."


Acervo Digital: Leia mais reportagens sobre o piloto brasileiro no arquivo da revista


O Williams era apontado como o melhor carro do mundo e, nesta temporada, tinha também o melhor piloto do mundo. Como foi possível um acidente como esse? O que existe por enquanto são especulações. De todas elas, a mais provável aponta para uma combinação de dois fatores: a pista ruim com um defeito mecânico. Schumacher diz que o carro pulou duas vezes antes de sair da pista. O ex-campeão Niki Lauda afirma que o problema foi mecânico, provavelmente uma quebra na suspensão, mesma opinião do brasileiro Nelson Piquet. Uma outra explicação está nos pneus. Como a corrida estava começando depois de uma parada provocada por um acidente na largada, os pneus ainda não teriam atingido a temperatura e a pressão adequadas para manter o carro na pista. Senna pisou fundo e foi jogado para fora.


O acidente com Ratzenberger, ocorrido na véspera, é mais fácil de explicar porque uma câmara de televisão flagrou o momento em que o carro perdeu o aerofólio dianteiro. Sem essa peça, que pressiona o carro para baixo e o mantém firme na pista, Ratzenberger voou direto de encontro ao muro. É possível que algo assim tenha ocorrido com Senna. Na tarde de segunda-feira, uma análise em câmara lenta feita pela televisão francesa mostrava que antes de sair da pista o carro do piloto brasileiro teria perdido uma peça, não identificada pela TV. "O problema é que Ímola é uma pista tão rápida que não dá tempo de reagir a qualquer falha", diz Niki Lauda. "A menos que você ponha o muro a 200 metros da pista." Na pista atual a distância entre a faixa de asfalto e o muro é de menos de dez metros. "É óbvio que houve uma falha mecânica", diz Alain Prost. "O carros estão muito perigosos porque estão mais difíceis de dirigir."


A opinião de Prost pode não explicar o acidente, mas ajuda a entender o dilema atual da Fórmula 1. O Williams-Renault foi o melhor carro nas duas últimas temporadas porque, além de ser o mais veloz, era também o que tinha os controles mais eficientes. Engatava as marchas na hora certa e compensava as falhas na pista com a chamada suspensão ativa, cuja tarefa é impedir que a trepidação desestabilize o carro. Agora, não. O carro continua veloz, mas o piloto é quem tem de fazer tudo sozinho. A falta da suspensão ativa tornou o carro instável demais. O próprio Senna havia apontado esse problema num artigo de jornal antes do Grande Prêmio Brasil. "Os carros estão rápidos demais e difíceis de controlar", escreveu Senna. "O novo regulamento é uma arma contra os pilotos."


Blog 10+: Os feitos que transformaram Senna num mito da Fórmula 1


Um outro problema são as paradas no boxe. Este ano tornou-se obrigatório o reabastecimento e as trocas de pneus. Depois do acidente com Senna, um carro atropelou um mecânico da Ferrari na saída dos boxes depois da troca de pneus. Na segunda-feira, a Federação Internacional de Automobilismo (Fisa) convocou uma reunião de emergência em Paris, onde se iria discutir a colocação de um limite de velocidade para a entrada nos boxes - uma ironia em se tratando de um esporte onde vence o mais veloz.


A dimensão da tragédia com Ayrton Senna pode ser avaliada pelos estragos dentro e fora do carro. No local do impacto, o muro de concreto ficou marcado com as cores azuis do Williams. O chão ao lado do carro destruído ficou marcado por uma larga poça de sangue. O capacete do piloto rachou de cima abaixo no lado de direito, o que sugere que ele bateu com a cabeça no muro. O rosto ficou inteiramente destruído. Toda a parte frontal sofreu um afundamento de tal ordem que tornou impossível qualquer intervenção cirúrgica.


Em coma e já com uma parada cardíaca, o piloto ainda recebeu quatro litros e meio de sangue no trajeto do autódromo até o hospital. Isso equivale a 80% de todo o sangue que circula no corpo humano e dá a idéia exata da gravidade do seu quadro. O primeiro boletim médico, às 10 horas, falava em perda de sangue e múltiplas fraturas no crânio. O segundo, uma hora mais tarde, era ainda mais desanimador. Noticiava-se "coma grave", "fortes hemorragias" e "grave traumatismo craniano". Do hospital Maggiore, o corpo de Ayrton Senna foi levado para o Instituto Médico Legal de Bologna, de onde seria transportado para o Brasil num caixão selado. Na segunda-feira, o promotor Maurizio Passarine interditou o autódromo e abriu um processo contra os organizadores. O carro e o capacete também foram apreendidos pela Justiça italiana.


A notícia da morte de Senna deixou os pilotos desolados. Schumacher, o vencedor da corrida - a terceira na atual temporada -, deixou o pódio e foi chorar nos boxes. O austríaco Gerard Berger, companheiro de equipe de Ayrton Senna na temporada do ano passado na McLaren e personagem de um pavoroso acidente em Imola há cinco anos, levou um choque ao saber da notícia. "Não sei como vou voltar às pistas depois disso", afirmou. Em Buenos Aires, Juan Manuel Fangio, 82 anos, a maior legenda de todos os tempos do automobilismo, sentiu-se mal ao ouvir a notícia pelo rádio. "Não, isso não pode ter acontecido", foi sua primeira reação. Mais tarde, em uma nota divulgada pela família, Fangio declarou: "O mundo perdeu um dos maiores pilotos e eu perdi um grande amigo. Compartilho com os brasileiros esse momento de dor."


Há doze anos, a Fórmula 1 não vivia momentos tão terríveis. Durante mais de uma década, o circo mais veloz do mundo viveu tranqüilamente sua existência milionária. O último piloto a morrer durante uma corrida tinha sido Ricardo Palleti, na largada do Grande Prêmio do Canadá, em 13 de junho de 1982. Imaginava-se que depois de tanto tempo e tantas mudanças nas regras e na tecnologia de construção dos carros, a Fórmula 1, embora continuasse a ter acidentes espetaculares, não fosse mais o picadeiro mortal dos anos 70, em que um em cada sete pilotos morreram em ação. As mortes de Senna e Ratzenberger reavivaram a verdade sobre um esporte fascinante mas cruel, onde se ganha muito dinheiro em troca de altos riscos. "É preciso que se diga uma coisa: a Fórmula 1 é um esporte extremamente perigoso e não depende da habilidade do piloto evitar acidentes", disse o ex-campeão Niki Lauda, ele próprio vítima de um acidente. "Senna era o melhor piloto de todos os tempos. Ele sabia tudo."


Radiografia da morte


Imagine um pêndulo de aço de 50 quilos martelando numa campana com a espessura e a resistência de uma casca de ovo. Essa é a imagem apropriada para descrever como se movimentou o cérebro de Ayrton Senna na hora do choque de sua Williams contra o muro de concreto. É assim que se comportou a massa encefálica do piloto, com seu peso multiplicado por 100 no momento da colisão, batendo violentamente contra a caixa craniana. Esses sucessivos choques internos foram causados por um fenômeno chamado desaceleração súbita. Ele ocorre quando um determinado objeto em altíssima velocidade, no caso da Williams-Renault a cerca de 300 quilômetros por hora, encontra pela frente um objeto estático, o muro de concreto. O resultado é devastador do ponto de vista clínico.


"As camadas do cérebro deslizam umas sobre as outras, guilhotinando os axônios, espécie de fios que fazem as ligações nervosas da cabeça com todo o corpo", diz o médico Luiz Alcidez Manreza, diretor do serviço de emergência neurológica do Hospital das Clínicas de São Paulo. "Esse tipo de lesão cerebral é a principal causa de morte instantânea em traumatismos de crânio." Nesses casos, 60% das vítimas morrem. Na melhor das hipóteses, essas lesões neurológicas deixam graves seqüelas, ou o sobrevivente vira um vegetal. Dramatizando ainda mais a comparação, o badalo em questão, o cérebro de Senna, não era um corpo de metal como o abrigado num sino de verdade. O cérebro humano é formado por um tecido frágil, pouco mais consistente que um pudim.


Bastariam essas lesões, causadas pela desaceleração, para matar Ayrton Senna. Mas não foi só isso. A cabeça do piloto foi muito mais afetada do que fazem crer as imagens na televisão. Pernas, tórax, abdômen e coluna cervical, as partes do corpo mais propensas a sofrer o impacto de acidentes na Fórmula 1, saíram ilesas do desastre de Senna. A explicação é que essa região do corpo estava bem resguardada pelo cockpit, a cápsula quase indestrutível de fibra de carbono que abriga o piloto. Sem essa proteção, a cabeça bateu contra o muro de concreto. Uma testemunha, que viu o corpo de Senna antes de o caixão ser lacrado, conta que sua cabeça estava toda arrebentada. Ele sofreu um afundamento na testa e fraturas múltiplas na base do crânio, que provocaram hemorragias e edemas nessa região. Sua cabeça foi, portanto, alvo de dois tipos de traumatismo: o mais interno, a nível nervoso, causado pela desaceleração de velocidade, e o mais superficial, resultado da colisão direta de sua cabeça na parede.


Num caso tão grave assim, nem o melhor resgate médico do mundo seria capaz de fazer milagres. Não havia o que fazer, do ponto de vista médico. Ainda assim, o trabalho executado pela equipe médica de San Marino, embora correto, demorou mais do que o normal. Os bombeiros até que chegaram rápido ao local do acidente, cerca de vinte segundos depois da batida, e não entraram em ação porque não havia risco de fogo na Williams. Mas o serviço ambulatorial se atrasou. Os médicos da equipe de socorro do Grande Prêmio de San Marino só começaram o atendimento de Senna um minuto e quarenta segundos após o acidente. "Demoraram uma eternidade", diz o neurocirurgião Hélio Laterman, ex-chefe da equipe de socorro nos Grandes Prêmios de Jacarepaguá de 1985 e 1986, no Rio de Janeiro. "Aqui no Brasil em trinta segundos já chegamos com o socorro médico ao local de um acidente", diz o médico Jorge Pagura, chefe do atendimento neurológico nas corridas de Fórmula 1 disputadas em São Paulo.


O salvamento de Senna se deu no limite do aceitável, beirando a negligência. Dois minutos e meio depois da batida, ele foi retirado de sua Williams e, noventa segundos mais tarde, sofreu uma traqueostomia em plena pista - uma abertura em sua traquéia para que o piloto pudesse respirar. A boca e o nariz estavam bloqueados pelo sangue. O helicóptero que levou o piloto para o Hospital Maggiore de Bolonha decolou dezessete minutos depois da batida. Mas já era tarde. Os médicos italianos decretaram sua morte cerebral às 13h40 de domingo, horário de Brasília. Quarenta minutos mais tarde, o coração de Ayrton, que ainda batia com auxílio de aparelhos, parou.











O Dia do Trabalhador


Fonte: Das Sociedades Comunais ao modo de Produção Feudal
Escola de Formação Básica 
Multiplicadora da Economia Popular Solidária

2ª edição

“O mundo de carências das populações periféricas, revela a violência do sistema que as cria. No fundo, geradas nas carências impostas e apresentadas como algo natural, para estas populações a vida, quase sempre, é o que há a partir do que sobra. De vez em quando, porém, o sonho ultrapassa os limites do que sobra. Os corpos cansam, mas no coração e nas noites as pessoas praticam, a seu modo, os sonhos de uma existência em que a vida não seja apenas o que há a partir do que sobra.” Paulo Freire, 1921-1997

É muito comum, hoje em dia, escutar as seguintes frases: “O trabalho dignifica o homem”; “Quem não trabalha é vagabundo”, etc. Mas não foi sempre assim.
Trabalho” vem de tripalium (latim), que era um instrumento de tortura usado pelos romanos, para obrigar os escravos a trabalhar. A idéia de sofrimento deu lugar ao termo “esforçar-se”, “lutar”, para chegar, enfim, à palavra “trabalhar”.
Inclusive, em muitas línguas derivadas do latim, costuma-se ainda dizer “trabalho de parto”, recuperando a maldição divina contra Eva. Aliás, não só contra ela. Em Gn (3:16), disse Deus a Adão: “Maldito é o solo por causa de ti! Com sofrimento dele te nutrirás todos os dias de tua vida (...). Com o suor de teu rosto comerás teu pão, até que retornes ao solo, pois dele foste tirado” (CHAUÍ. In: LAFARGUE,p. 12).
 
 A história do trabalho teve sua origem na busca humana de formas de satisfazer suas necessidades biológicas de sobrevivência. À medida que essas necessidades foram sendo satisfeitas, outras foram surgindo, fazendo com que nascessem novas relações que determinaram a condição histórica do trabalho.
Com o passar do tempo, a produção, antes limitada à sobrevivência, começou a ser maior que o necessário, gerando excesso de produção. Quando isto acontecia, o excedente era estocado para ser usado, por exemplo, em uma catástrofe natural, ou então em festas coletivas. “Essa enorme produção, obtida sem gerar a exploração de ninguém, foi adquirida por um trabalho mínimo: 3 a 4 horas por dia, no período de máxima intensidade; 15 dias de trabalho por ano, em média. Em um sistema ecologicamente equilibrado, a natureza dava generosamente seus frutos, e a técnica, adaptada às necessidades, era muito desenvolvida” (GUILLERM e BOURDET, p. 99).
Infelizmente, esse excedente acabou fazendo com que fosse despertada em alguns indivíduos, a possibilidade da detenção do poder. A produção começou a ser disputada. Além disso, a terra, que era de todos, foi sendo repartida, tornando-se propriedade privada, terminando assim a igualdade entre eles, uma vez que apenas uma minoria foi beneficiada. A desigualdade começa quando se estabelece a divisão entre as famílias proprietárias e as não-proprietárias. Assim, surgem as classes sociais; e também “(...) a luta de classes, na medida em que a classe proprietária procura aumentar suas posses, impedindo que19 Das Sociedades Comunais ao modo de Produção Feudal os demais se tornem proprietários; e na medida em que os não proprietários
querem se tornar proprietários, ameaçando as propriedades
dos primeiros” (Frei BETTO, p. 14).


sábado, 28 de abril de 2012

segunda-feira, 23 de abril de 2012

G1 - Programa de ensino irá levar 20 mil alunos ao exterior em 2012, diz Dilma - notícias em Política

23/04/2012 07h04 - Atualizado em 23/04/2012 09h51

Ciências sem Fronteiras promove intercâmbio de estudantes universitários.
"Nossa meta é levar 101 mil bolsistas para o exterior até 2014", disse Dilma.
Do G1, em São Paulo
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A presidente Dilma Roussef afirmou na manhã desta segunda-feira (23) durante seu programa de rádio "Café com a presidenta" que o programa do governo Ciências sem Fronteiras, que pretende promover ciência e tecnologia por meio do intercâmbio de estudantes em universidades do exterior, selecionará cerca de 20 mil bolsistas para cursos de graduação, doutorado e pós-doutorado até o final de 2012.
"Nós já temos quase 3.700 estudantes no exterior iniciando seus cursos. No final de abril, vamos selecionar 10.300 bolsistas e, em junho, mais 6 mil bolsistas. Assim, neste ano, o total de bolsistas selecionados chegará a 20 mil", disse Dilma. "Nossa meta é levar 101 mil estudantes para o exterior até 2014", afirmou.
Segundo a presidente, os escolhidos poderão cursar áreas das ciências exatas, ciências médicas, ciências da computação e engenharia. "Eles terão contato com o que há de mais avançado em ciência e tecnologia. (...) Quando esses estudantes voltarem, eles irão trazer conhecimento para aplicar aqui no Brasil e ajudar a nossa indústria, o governo, a fazer tecnologias novas e a provocar processos de inovação dentro das empresas".
De acordo com Dilma, a Universidade de Harvard e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), duas das instituições de ensino mais prestigiadas no mundo, também abrirá vagas para o programa. "Quando me encontrei com a reitora de Harvard, ela elogiou a oportunidade que o Brasil está dando aos seus estudantes. (Ela) vai abrir vagas para bolsistas do Ciência sem Fronteiras nas áreas de engenharia, medicina, saúde pública e ciências aplicadas. O MIT está participando também de um amplo intercâmbio com o ITA, o nosso Instituto Tecnológico da Aeronáutica, e vai receber nossos estudantes de pós-graduação".
Como não poderia deixar de ser, a aceitação no programa exige bastante dedicação do estudante. "Tem que estudar todos os dias e tem que estudar muitas horas. Primeiro, os estudantes passam pela seleção que fazemos aqui no Brasil. Para isso, é preciso ter feito mais de 600 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e a premiação em olimpíadas do conhecimento também conta. Além disso, precisam ter notas muito boas para serem aceitos nessas universidades, que fazem outro rigoroso processo de seleção", afirmou a presidente. Também é necessário saber falar inglês ou a língua do país onde o aluno está indo estudar.
O programa Ciências sem Fronteiras tem inscrições abertas até a próxima segunda-feira (30). Neste edital, os estudantes poderão se inscrever para cursos no Canadá, na Bélgica, na Holanda, em Portugal e na Espanha, entre outros países. De acordo com Dilma, uma nova chamada será feita em junho, e outras em 2013 e 2014. 

domingo, 22 de abril de 2012


Dona Ivone Lara celebra 91 anos em show no Teatro Rival

Redação SRZD / Adaptação 
Dona Ivone Lara celebrou seus 91 anos em grande estilo. Acompanhada do parceiro e cavaquinista Bruno Castro, que também comemorará aniversário, a apresentação da primeira dama do samba ocorreu no Teatro Rival Petrobrás, na quarta-feira, dia 18 de abril.
Mesclando músicas inéditas e regravações de grandes sucessos da artista, a dupla, que trabalha em parceria desde 1997, teve a participação de personalidades do samba como Nelson Sargento, Ciraninho, André Lara, Alex Magno, Leandro Fregonesi e Rafael dos Santos.
Eu e a Dra. Daniele Nunes Peixoto de Almeida estávamos lá e tivemos a satisfação de ver o Teatro Rival Lotado. Foi um SHOW DOS BAMBAS DO SAMBA!!

G1 - Brasileiros contam como é 'sonho' de atuar no maior laboratório do mundo - notícias em Ciência e Saúde


País colabora em quatro experimentos com acelerador de partículas suíço.
G1 entrevistou cinco cientistas que ajudam a escrever esta história.

Tadeu MeniconiDo G1, em São Paulo
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Fundado em 1954, o Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern, na sigla em francês) é um dos principais institutos científicos do planeta. É ele que administra o Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), a maior máquina já feita pela humanidade. Diversos brasileiros trabalham no local. O G1 conversou com cinco deles para contar a história da pesquisa nacional no maior laboratório do mundo.
Debaixo da terra, perto de Genebra, na fronteira da Suíça com a França, cientistas tentam recriar as condições da origem do Universo – com altíssima energia – para testar as teorias da física moderna, elaboradas por pesquisadores como Albert Einstein.
O Cern é formado por 20 países membros, todos europeus. Atualmente, o Brasil tem apenas um "acordo de cooperação" com o centro, mas pretende se candidatar a uma vaga permanente. O país participa de quatro grupos de pesquisa (ou "experimentos") feitos no LHC – Atlas, Alice, CMS e LHCb – e tem mais de cem pesquisadores registrados no projeto.
Apesar de todos trabalharem ou terem trabalhado no mesmo local, os cientistas ouvidos peloG1 têm histórias diferentes, que mostram o impacto que o trabalho no LHC tem para a ciência do país.
O "veterano" Alberto Santoro ajudou a decidir um dos projetos que brasileiros tocariam no Cern, quando o LHC existia apenas como um gigantesco canteiro de obras. Do outro lado, o novato Danilo Ferreira de Lima, começa sua carreira acadêmica agora, dentro do laboratório europeu. Entre os dois, Denis Oliveira Damazio hoje é um dos pesquisadores que atuam diretamente na pesquisa. Carmem Maidantchik faz parte da equipe de engenheiros de softwares que torna a análise de dados tão complexos possível. Por fim, Rodrigo Coura Torres pegou o que aprendeu trabalhando no LHC e criou uma empresa de softwares que atendem de físicos a médicos e economistas.
Tabela perfis Cern (Foto: arte/G1)
As experiências no LHC são feitas com partículas invisíveis, muitas vezes frações de frações de átomos em busca de partículas que mostrem que os físicos estão no caminho certo. O "cálice sagrado" dessa busca é chamado de "bóson de Higgs", apelidado de “partícula de Deus”, única partícula prevista pela teoria vigente cuja existência ainda não foi comprovada.
Como nenhum outro lugar do mundo oferece condições tão boas como as do LHC para conduzir pesquisas nessta área, metade dos físicos de partículas do mundo usa a estrutura do Cern. São cerca de 10 mil cientistas, mais de 600 universidades e 110 países, segundo informações do próprio centro.
Veja a seguir como são os brasileiros que conduzem esses estudos tão complexos e o que o Brasil tem a ganhar ao trabalhar ali.
O local
Perfil Denis Damazio (Foto: arte/G1)
Denis Oliveira Damazio tem vínculo com o Laboratório Nacional de Brookhaven, nos EUA, mas mora em Genebra desde 2005 e conduz suas pesquisas diretamente no Cern.
Ele se mudou para a Suíça para ajudar a construir um dos detectores do LHC – o aparelho começou a operar em 2008. Na época, ele era responsável por uma fonte de alimentação de energia e desenvolveu um software capaz de controlar esse aparelho.
Na época em que trabalhou na construção do acelerador, o cientista tinha acesso ao local, debaixo da terra, e conseguiu até levar os pais para conhecer a estrutura da potente máquina. “Eles sabem que é um negócio enorme e que deve ser importante”, brincou o cientista, sobre a dificuldade de explicar o que faz da vida para a família.
Damazio agora participa do experimento Atlas, um dos que estão em busca do elusivo bóson de Higgs. A missão dele e de sua equipe é descobrir o que pode ser feito com as partículas que sobram depois da colisão, um verdadeiro "lixo subatômico". Ele desenvolve programas de computador capazesde analisar o que pode ser reaproveitado pelos cientistas para novas pesquisas -- uma espécie de "reciclagem de partículas", para que não haja desperdício.
Denis Damazio trabalhou na instalação do LHC (Foto: Arquivo pessoal)Denis Damazio trabalhou na instalação do LHC (Foto: Arquivo pessoal)
Hoje, todo o acesso ao LHC é remoto. Os dados obtidos no acelerador são enviados a todo o mundo imediatamente. Segundo Damazio, são necessários cerca de 100 mil computadores para processar todos os dados, cinco vezes mais do que o Cern tem disponível.
“Os dados processados aqui, se colocados em CD’s, dão uma pilha de 20 km”, contou.
Mesmo assim, ele não nega que o trabalho duro, de 12 horas ou 13 horas por dia e longe do país, é a realização de um sonho. “O Cern é o maior laboratório, é onde todo físico quer trabalhar”, afirmou.
O veterano
Perfil Alberto Santoro (Foto: arte/G1)
Construir um aparelho como o LHC, com 27 km de extensão, não é algo que dê para fazer em qualquer lugar do mundo. Por isso, não há planos para se construir nada parecido em outros locais. Mas nem sempre o Cern reinou absoluto.
Os Estados Unidos possuem aceleradores de partículas que, no passado, preenchiam essa lacuna – com a tecnologia que era possível. Nos aceleradores do laboratório Fermilab, em Chicago, foram feitas descobertas importantes para a física de partículas, como o "quark top" em 1995 – uma partícula que era perseguida então como o bóson de Higgs é hoje.
Alberto Santoro, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, fazia parte daquela equipe. O pesquisador é uma das referências entre os físicos brasileiros e hoje coordena a participação do país no experimento CMS, realizado no Cern.
A física forma gente que aprende a pensar. São pessoas que lidam diariamente com problemas insolúveis"
Alberto Santoro, professor da Uerj
A história de Santoro na física começou na década de 1960. Foi quando se formou e, em seguida, ameaçado pela ditadura, radicou-se na França, onde fez mestrado e doutorado. Só voltaria ao Brasil em 1977 e poucos anos depois iria para os EUA, onde colaborou com o Fermilab.
O pesquisador voltou em definitivo ao Brasil na década de 1990 e logo se tornou uma figura importante na participação brasileira no Cern. Foi um dos responsáveis pela escolha do CMS como um dos experimentos de que o Brasil faria parte.
“Nós escolhemos o experimento que desse a maior oportunidade de fazer física”, contou o cientista.
Para ele, o que os cientistas fazem no Cern serve para desenvolver a mão-de-obra da pesquisa nacional.
“A física forma gente que aprende a pensar. São pessoas que lidam diariamente com problemas insolúveis. Treinar gente que pensa é da maior importância para o país”, apontou.
A resolvedora de problemas
Perfil Carmen Maidantchik (Foto: arte/G1)
Para solucionar esses "problemas insolúveis", novas tecnologias precisam ser criadas – nas quais ninguém havia pensado antes. As aplicações práticas para a sociedade vão da construção civil à medicina.
Mas há um consenso geral entre os especialistas sobre qual foi a descoberta mais importante que já saiu dos laboratórios do Cern: a World Wide Web. A "www", a rede na internet que você está usando para ler este texto, nasceu para integrar as bases de dados do centro. O projeto inicial surgiu em 1989, da cabeça do inglês Tim Berners-Lee, enquanto ele trabalhava no Cern. A primeira página da World Wide Web foi a lista telefônica do centro.
Engrossando o coro que ressalta essa descoberta está Carmen Maidantchik, que coordena a área de softwares da cooperação entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Atlas. Sua participação no Cern começou ainda na década de 1980, quando ingressou no mestrado da universidade.
Carmen Maidantchik mostra onde nasceu a WWW, dentro do Cern (Foto: Arquivo pessoal)Carmen Maidantchik mostra onde nasceu a WWW,
dentro do Cern (Foto: Arquivo pessoal)
Maidantchik explica que o objetivo dos projetos de informática elaborados no Cern é vencer as barreiras que surgem durante os experimentos dos físicos. “A gente vai desenvolvendo sem saber exatamente o que precisa”, definiu a pesquisadora.
Mesmo em uma área dominada pela presença masculina, ela diz jamais ter tido problemas com os colegas por ser mulher. "A área é tão complexa que passa por cima das questões de gênero”, afirmou. “Nunca senti preconceito nem por ser brasileira, nem por ser jovem, nem por ser mulher”.
Entre suas colaborações, Maidantchik destaca uma tecnologia chamada “glance” – termo em inglês que significa olhar rapidamente –, que serve para recuperar dados de várias bases diferentes ao mesmo empo. Tendo em vista o volume de dados citado por Damazio, a tarefa não é nada fácil.
O empreendedor
Perfil Rodrigo Coura Torres (Foto: arte/G1)
O engenheiro eletrônico Rodrigo Coura Torres aproveitou o que aprendeu quando trabalhou com os dados do experimento Atlas e aplicou no mercado. Ele se uniu a um colega engenheiro, especializado em administração, e fundou a Nemesys, “uma empresa focada no desenvolvimento de sistemas computacionais inteligentes de alta performance”.
Torres foi apresentado ao Cern quando fez seu doutorado na UFRJ. Na iniciativa privada, ele tem o Cern como um de seus clientes e oferece tecnologia – brasileira – como produto para os físicos.
Um dos objetivos do projeto que ele desenvolveu no doutorado era identificar elétrons produzidos pela colisão de partículas. Ou, nas suas palavras, “achar uma agulha no palheiro”.
Como um elétron é invisível, ele deve ser identificado por características específicas, uma espécie "de impressão digital”. “Tentamos elaborar técnicas que identifiquem esses elétrons com mais precisão”, afirmou.
A técnica desenvolvida foi uma modelagem estatística. Para identificar o elétron com velocidade e precisão, era preciso fazer as perguntas certas, saber quais características deveriam ser procuradas para diferenciá-lo das outras partículas.
Rodrigo Coura Torres levou os pais para uma visita à estrutura do Cern (Foto: Arquivo pessoal)Rodrigo Coura Torres levou os pais para uma visita à estrutura do Cern (Foto: Arquivo pessoal)
Essa tecnologia pode ser aplicada em outras áreas, e é isso que a Nemesys faz. Ela já serviu para ajudar médicos na triagem de sintomas para facilitar o diagnóstico de tuberculose e pode prever se uma empresa vai conseguir bater as metas de vendas. “O problema muda, a ferramenta mantém-se a mesma”, resumiu Torres.
O aprendiz
Perfil Danilo Ferreira de Lima (Foto: arte/G1)
No caso do empreendedor, o contato com o Cern veio só no doutorado, e mudou sua relação com a engenharia. O mesmo aconteceu com Danilo Ferreira de Lima, mas em um momento diferente da carreira.
Na época do vestibular, ele já amava a física, mas não teve coragem de tentar uma vaga no curso. “Achava que física não ia dar dinheiro, não ia para frente. Não conhecia nenhum físico. Então fui fazer engenharia eletrônica”, contou.
Dentro da UFRJ, ainda na graduação, Lima entrou em um processo de iniciação científica na engenharia e passou a colaborar com o Cern. Antes mesmo de se formar, fez duas visitas a Genebra, uma delas na duração de um ano. “Quando você está na universidade, você pensa que o esquema é estudar, fazer prova e passar para a próxima etapa. Quando você entra na iniciação científica, não é assim que funciona”, comparou. “Foi só quando eu entrei na iniciação científica que eu vi que gostava daquilo”.
Danilo Ferreira de Lima nas instalações do Cern (Foto: Arquivo pessoal)Danilo Ferreira de Lima nas instalações do Cern
(Foto: Arquivo pessoal)
Depois da passagem pelo processo e da experiência adquirida na Suíça, ele se decidiu pela carreira acadêmica – que nem sabia que existia, quando prestou vestibular.
Depois de se formar engenheiro, Lima quis mudar para a física.“Minha trajetória de vida toda começou por não saber que existia esse mundo de oportunidades na academia e na física”, comentou. Na avaliação dele, falta divulgação sobre a carreira acadêmica para a sociedade como um todo.
“A visão da física é mais abrangente, mas, mais do que isso, é diferente porque o físico tem uma visão que não é muito sistemática”, opinou. “Na engenharia, o método estatístico é um objeto de estudo. Na física, ele é uma ferramenta para estudar outra coisa”.
O jovem candidatou-se a três pós-graduações na nova área. Foi aceito na UFRJ e no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), mas optou pelo doutorado da Universidade de Glasgow, na Escócia.
Um dos fatores determinantes para que ele optasse pela instituição foi a relativa proximidade de Genebra. “O ambiente político faz diferença. As decisões são tomadas na mesa de bar. A presença física no Cern é importante por isso. Aqui no Reino Unido, muitas vezes me mandam para a Suíça só para fazer contatos”, explicou.