domingo, 27 de maio de 2012

G1 – Dicas de Português – Sérgio Nogueira

G1 – Dicas de Português – Sérgio Nogueira


Conheça a lista de falsos sinônimos mais comuns do português


Esta coluna não tem apenas leitores assíduos. O número de leitores eventuais é cada vez maior. A comprovação são as perguntas já respondidas que voltam com muita frequência. Por causa disso, começamos hoje o nosso “vale a pena ver de novo”.
O primeiro assunto são os falsos sinônimos. São aquelas palavras que verdadeiramente não são sinônimas, mas que muita gente boa usa como se fossem. Em geral, a pergunta dos leitores é uma só: “Qual é a diferença?”
1. MESMO  x  IGUAL?
MESMO = um só; IGUAL = outro idêntico.
“Estamos com o MESMO problema do ano passado.” (= É um problema só. Significa que o problema do ano passado não foi resolvido);
“Estamos com um problema IGUAL ao do ano passado.” (= É outro problema, com as mesmas características do problema do ano passado).

2. INÚMEROS  x  NUMEROSOS?
INÚMEROS = incontáveis; NUMEROSOS = muitos.
“Olho para o céu e vejo INÚMERAS estrelas.” (= São tantas que é impossível contá-las);
“É uma família muito NUMEROSA.” (= É uma família compostas por muitas pessoas).

3. EVENTUAL  x  POSSÍVEL  x  PROVÁVEL  x  POTENCIAL?
EVENTUAL = ocasional, esporádico, ocorre de vez em quando, difícil de acontecer;
POSSÍVEL = tudo o que pode acontecer;
PROVÁVEL = o que deve acontecer;
POTENCIAL = o que pode vir a ser.
“É um problema EVENTUAL.” (= É aquele que acontece de vez em quando);
“Um POSSÍVEL problema” ( = É o que pode tornar-se um problema);
“Um PROVÁVEL problema” (= É o que tem de tudo para tornar-se um problema);
“Um problema POTENCIAL” (= Ainda não é um problema, mas pode tornar-se um).

4. ARRUINADO  x  DESTRUÍDO?
ARRUINADO = quem perdeu tudo; DESTRUÍDO = destroçado.
“Aquele rico empresário acabou ARRUINADO.”
“O prédio foi todo DESTRUÍDO.”

5. SUPLEMENTAÇÃO  x  COMPLEMENTAÇÃO?
SUPLEMENTAÇÃO = extra, adicional;
COMPLEMENTAÇÃO = segunda parte, o que completa.
“Para dar o aumento salarial, foi necessário uma verba SUPLEMENTAR.”
“A etapa COMPLEMENTAR foi melhor que o primeiro tempo.”

6. REVERTER  x  INVERTER  x  MODIFICAR?
REVERTER = voltar ao que era antes; INVERTER = mudar para o oposto; MODIFICAR = simplesmente mudar, alterar.
“O paciente entra em coma. Os médicos tentam REVERTER o quadro.”
“O Detran deve INVERTER a mão desta rua.”
“É preciso MODIFICAR as regras do jogo.”

7. QUESTIONAR  x  PERGUNTAR?
QUESTIONAR = pôr em dúvida; PERGUNTAR = indagar.
“O sócio QUESTIONOU a validade do contrato.”
“Quem é a favor do projeto? PERGUNTOU o diretor.”

8. COMERCIALIZAR  x  VENDER?
COMERCIALIZAR = comprar, vender, alugar, emprestar…;
VENDER = é uma das atividades da comercialização de um produto.
“É uma empresa que COMERCIALIZA software em todo o país.”
“O Vectra está sendo VENDIDO por R$30.000,00.”

9. ACATAR  x  ACOLHER?
ACATAR = obedecer; ACOLHER = aceitar, receber.
“Os empregados ACATARAM a ordem do chefe.”
“O juiz não ACOLHEU a nossa ação.”

10. DESABRIGADO  x  DESALOJADO?
DESABRIGADO = quem fica sem casa para morar;
DESALOJADO = quem teve de sair de casa.
“Os fortes temporais deixaram muitos desabrigados (as casas foram destruídas)”;
“Os fortes temporais deixaram muitos desalojados (as casas não foram destruídas, mas tiveram de sair de casa e ir para um local seguro)”.

HAVER  ou  A VER?
Usamos o verbo HAVER com o sentido de “existir, ocorrer, acontecer, tempo transcorrido…”:
“Deverá haver muitas pessoas na reunião de hoje” (=deverão existir);
“Pode haver acidentes nesta esquina” (=podem ocorrer);
A VER = preposição “a” + verbo “ver”:
“Ele foi obrigado a ver o filme inteiro”;
“Isso não tem nada a ver” (=para ver);
“Tem tudo a ver” (=para ver).

Veja exemplos da influência do grego nas palavras em português

qua, 16/05/12
por snogueira.sn |
categoria Dicas
O português é uma língua neolatina, isto é, deriva-se do latim, que era falado na Roma antiga e que se espalhou pelo grande império romano. Do latim saíram vários “filhotes”: o português, o espanhol, o catalão, o francês, o italiano, o romeno…
Isso significa que a maioria das palavras que usamos hoje é derivada do latim. Eu disse a maioria, e não todas. Uma língua viva, durante a sua evolução, deixa-se influenciar por outras. A língua portuguesa, com o passar do tempo, foi enriquecida pelo árabe, pelo hebraico, pelo francês, pelo inglês, pelo japonês, pelo alemão…
Marcante na nossa língua é a presença do grego.
Você sabe o que é um oftalmotorrinolaringologista?
Aqui está um belo exemplo de um palavrão que não ofende ninguém. É uma palavra composta por alguns elementos de origem grega.
1o) “Oftalmo” significa “olho”. Oftálmico é relativo ao(s) olho(s). Um oftalmologista é especialista em oftalmologia (= ramo da medicina que estuda os olhos em todos seus aspectos).
2o) “Oto” significa “ouvido”. Otite (= oto + ite) é inflamação do ouvido. Otalgia (= oto + algia) é a popular dor de ouvido.
Já que falamos em “algia” (= dor), lembremos a nevralgia ou neuralgia (= dor dos nervos) e a cefalalgia ou cefaleia, que é a popular dor de cabeça. Daí o encéfalo (en + céfalo = dentro da cabeça) e acéfalo (a + céfalo = sem cabeça). Se você quiser acabar com a dor, tome um analgésico (an + algia = sem dor).
3o) “Rino” significa “nariz”. Rinite é inflamação na mucosa nasal. Muita gente pensa que rinite é inflamação no rim. Errou. Rinite é no nariz, e nefrite é inflamação no rim.
Confusão semelhante ocorre com estomatite. Há quem imagine que seja uma inflamação no estômago. Errou de novo. Estomatite é inflamação da membrana mucosa da boca; do estômago é gastrite.
Uma curiosidade: o rinoceronte deve ter este nome por ter um chifre no nariz.
4o) “Laringo” é a laringe (= garganta). A laringe situa-se acima da traqueia e comunica-se com a faringe. A função da laringe é intervir no mecanismo de fonação (= sons da fala, por exemplo) e impedir que alimentos entrem na traqueia. É por isso que uma laringite (= inflamação na laringe) prejudica a fala e o ato de engolir.
5o) “Logia” é “estudo”. Lembrem-se de biologia (= estudo da vida), geologia (= estudo da terra), cardiologia (= estudo do coração), etimologia (= estudo da origem das palavras)…
6o) “-ista” é um sufixo que dá a ideia de “ofício, ocupação”. É o mesmo que aparece em pianista, jornalista, dentista, artista, jurista…
Conclusão: um oftalmotorrinolaringologista é um médico especialista em olhos, ouvidos, nariz e garganta. É uma especialidade hoje quase inexistente. Afinal, é um especialista em tantas coisas que é quase um clínico geral. E, se o valor de sua consulta fosse por letra, estaríamos perdidos.

Nervo ÓTICO ou ÓPTICO?
Segundo o novíssimo dicionário Aurélio:
“ÓTICO 1 – Relativo ou pertencente a ouvido.
ÓTICO 2 – V. óptico.
ÓPTICO – Relativo à visão, ou ao olho; ocular.
(Var.: ótico 2).”
Traduzindo: o adjetivo ÓTICO deveria ser usado somente para o ouvido, mas, por ser também uma forma variante de ÓPTICO, pode ser usado para a visão, para o olho. O adjetivo ÓPTICO só pode ser usado para a visão.
Não é errado, portanto, usarmos ÓTICO para visão: “Na minha ótica (modo de ver as coisas), ele deve ser substituído”; “Comprei meus óculos na Ótica Universal”.
Mas não esqueça que o nervo ótico, a princípio, é o nervo auditivo.

De onde vem o FRANGO?
Leitor descobriu que, em Latim, a forma FRANGO é do verbo frangere, que significa “romper, quebrar, fazer em pedaços”. Quer me convencer que o nosso FRANGO (= o filho da galinha já crescido, porém antes de ser galo) deve ter recebido este nome porque os romanos devoravam os “quase galos” em pedaços.
Pior é que a história pode não ser tão absurda assim. Se consultarmos qualquer dicionário, encontraremos a palavra FRANGALHO, que significa “farrapo, trapo, coisa imprestável, caco”. Deriva-se do verbo FRANGER (= quebrar, despedaçar), que vem do verbo latino frangere.
E ainda tem mais: o dicionário Aurélio diz que o substantivo FRANGO (= pinto adulto) é uma derivação regressiva de FRANGÃO, que por sua vez tem origem controversa.
Gostaria que os especialistas no assunto me ajudassem. Aceito contribuições. Adoro ouvir versões. Fazem pensar, e isso é bom. Vamos decifrar o segredo do FRANGO.

O DESAFIO
Qual é a palavra de origem grega para:
a) quem tem “curta vida”;
b) o “músculo do coração”;
c) o objeto cuja “asa é a hélice”;
d) a “correta escrita”;
e) a “aversão a sangue”.
As respostas são:
a) micróbio;
b) miocárdio;
c) helicóptero;
d) ortografia;
e) hematofobia.

A importância do uso correto do português nos programas de TV

qua, 09/05/12
por snogueira.sn |
categoria Dicas
Hoje é dia de resgate.
Na semana passada, resolvi organizar melhor o arquivo de cartas e e-mails com perguntas não respondidas. Entre tantas, encontrei algumas antigas que não foram respondidas até hoje e que merecem a nossa atenção.
1ª) Carta de uma leitora indignada: “Os programas de TV abrangem uma parcela muito grande de pessoas e ensinam como falar errado a nossa língua. Frequentemente ouço de apresentadores de TV e entrevistados coisas do tipo:
1ª) Essa pergunta é meia descabida;
2ª) Quando eu ver o filme;
3ª) Na hora que eu ver a foto;
4ª) Fez de tudo para vim no meu programa;
5ª) Era pra mim ter falado.
Poucos são os apresentadores que falam um português correto ou próximo do correto. Por incrível que pareça, os que mais falam errado são os que mais cobram do governo investimento na educação (entenda-se instrução). E os que mais alto salário têm.
Quanto maior o Ibope, maior o salário. Quanto maior o Ibope, mais pessoas atingem.
A mídia ajuda a formar, se é que não forma totalmente, a opinião pública. Ela pode ensinar o certo ou o errado. Os apresentadores deveriam dar o exemplo falando corretamente, pois atingem um percentual enorme da população, que os imita.”
Concordo com a nossa leitora. A responsabilidade dos profissionais de comunicação é cada vez maior. A influência dos apresentadores de TV, principalmente os de programas mais populares e em especial os de programas infantis, é imensa. A tendência natural dos telespectadores, mais ainda das crianças, é imitar os seus ídolos. E aqui incluímos o seu modo de falar.
Não é preciso falar errado para atingir o seu público. Ninguém gosta de ser tratado como idiota ou ignorante. A linguagem coloquial deve ser simples, com vocabulário acessível, mas sem abusar dos desvios gramaticais.
Deve haver um mínimo de respeito às normas gramaticais. Nos exemplos citados pela nossa leitora, as correções a serem feitas são as seguintes:
1ª) Essa pergunta é meio descabida;
2ª) Quando eu vir o filme;
3ª) Na hora em que eu vir a foto;
4ª) Fez de tudo para vir ao meu programa;
5ª) Era para eu ter falado.
2ª) Carta de um leitor revoltado: “Favor avisar ao jornalista panaceia universal é pleonasmo vicioso.”
O prefixo “pan”, de origem grega, significa “tudo, total, geral”: do campeonato pan-americano participam todas as Américas; pancontinental é referente a todos os continentes; panteão era um templo dedicado a todos os deuses; e panorama é a visão em toda sua amplitude.
Panaceia é remédio para todos os males.
O nosso leitor tem razão em parte. Trata-se de uma redundância, mas não chega a ser um pleonasmo grosseiro do tipo “subir pra cima”, “ganhe grátis”, “hemorragia de sangue”…
O dicionário Aurélio cita um exemplo do escritor Ramalho Ortigão: “O campo e a praia, o ar do monte e o ar do mar são…a universal panaceia para as moléstias endêmicas das grandes cidades…”
Muitas vezes a ênfase justifica o uso de um bom pleonasmo: “vi com meus próprios olhos”, “pisei com meus próprios pés”, “lutei uma luta inglória”, “sonhei um sonho sonhado”…

O uso do PONTO E VÍRGULA
É uma pausa maior que a vírgula é menor que o ponto-final, uma vez que não encerra período.
a) Emprega-se vírgula ou ponto e vírgula antes de conectivos adversativos (mas, porém, contudo, todavia…) ou conclusivos (logo, portanto, por isso, por conseguinte…):
“Ele trabalha muito; (ou ,) porém não foi promovido.” (facultativo)
“Ele trabalha muito; não foi, porém, promovido.” (indica que a primeira pausa é maior, pois separa duas orações)
“Ele sempre se dedicou à empresa; será, pois, promovido.”
“Os empregados iriam todos; não havia necessidade, por conseguinte, de ficar alguém no pátio.”
b) Para separar os itens de uma enumeração:
“Devemos tratar, nesta reunião, dos seguintes assuntos:
1º) Cursos a serem oferecidos, no próximo ano, a nossos funcionários;
2º) Objetivos a serem atingidos;
3º) Metodologia de ensino e recursos audiovisuais;
4º) Verba necessária.”
c) Para separar os itens de uma explicação:
“A introdução dos computadores pode acarretar duas consequências: uma, de natureza econômica, é a redução de custos; a outra, de implicações sociais, é a demissão de funcionários.”
d) Para separar itens diferentes de uma enumeração:
“O Brasil produz café, milho, arroz; ouro, níquel, ferro.”  (gêneros alimentícios; riquezas minerais)
“O cavalo sertanejo é esguio, sóbrio, pequeno; rabo compridíssimo, crinas grandes.” (aquilo que o cavalo é; características que ele tem)
e) Para separar grupos de orações coordenadas que, por apresentarem unidade de sentido ou aspectos em comum, convém deixar no mesmo período, embora pudessem figurar em períodos separados:
“Na linguagem escrita é o leitor; na falada, o ouvinte.”
“Nas sociedades anônimas ou limitadas existem problemas: nestas, porque a incidência de impostos é maior; naquelas, porque as responsabilidades são gerais.”

“É proibida a entrada”: veja como usar a concordância de gênero

qua, 02/05/12
por snogueira.sn |
categoria Dicas
1ª) A concordância na frase ”Foi necessário a colocação de placas de aço para a passagem de veículos” está correta?
A leitora tem razão. O certo é “Foi NECESSÁRIA a colocação de placas…”
A presença do elemento determinativo (artigo definido = “a” colocação) obriga a concordância no feminino.
É o mesmo caso de: “É PROBIDA a entrada de estranhos”; “Não foi PERMITIDA a remessa dos dólares”; “A cerveja é muito BOA”.

2ª) Na frase: “Seu carisma aumentou ao ser preso e ter sua medalha olímpica caçada por se recusar a lutar na guerra do Vietnam”, o verbo é CAÇAR ou CASSAR?
Alguns “animais” realmente merecem ser caçados. Entretanto, a medalha olímpica do grande campeão foi CASSADA. Isso significa que o seu título foi “anulado, perdeu a validade”.
É o mesmo que CASSAR (=anular) o mandato de um deputado ou a licença para funcionamento de uma empresa.

3ª) DA ou DE A, DO ou DE O?
Carta de uma leitora: “Até hoje não consegui compreender a diferença entre “de a/o” e “da/do”. Por que em alguns casos escreve-se e fala-se a preposição sem fazer a combinação com o artigo?”
A preposição “de” não faz a combinação com o artigo quando o termo a seguir exerce a função de sujeito. Compare:
“Eu saí antes do aluno” (“do aluno” não é sujeito);
“Eu saí antes de o aluno terminar a prova” (“o aluno” é o sujeito do verbo “terminar”).
A dica é o verbo. Para que o termo seja sujeito, é necessária a presença de um verbo (=sempre no infinitivo):
“Os ladrões chegaram antes de a agência abrir.”
“Isso se deve ao fato de o atacante não ter assinado o contrato.”
“Na hipótese de os parlamentares aceitarem as emendas…”
“Apesar de as ideias serem boas …”

4ª) Leitor quer saber se DIFERENÇAR e DIFERENCIAR são sinônimos. Segundo ele, nos seus bons tempos de escola, aprendeu que “fazer diferença” é DIFERENÇAR, e não DIFERENCIAR como ouvimos hoje com muita frequência.
A verdade é que DIFERENÇAR e DIFERENCIAR são sinônimos. Segundo os nossos dicionários, DIFERENÇAR significa “fazer diferença” e DIFERENCIAR, entre outras acepções, também pode ser usado no sentido de “fazer diferença”.

5ª) Sobre a frase: “Estamos habituados a falar muito para dizer pouco, a escrever mais que o necessário, a discursar mais para impressionar do que comunicar.”
Leitor pergunta: “Não seria este um caso típico para se usar o ponto e vírgula no lugar das duas vírgulas empregadas?”
Não é preciso substituir as vírgulas pelo ponto e vírgula. O uso do ponto e vírgula é para indicar uma pausa maior. Se não houver vírgula (=pausa menor), para que o ponto e vírgula?

6ª) A respeito da frase: “Usaram-se e abusaram-se de palavras e expressões que nada dizem.”
Foram tantas cartas que perdi a conta. Os leitores estão atentíssimos.
Misturaram as duas possibilidades de indeterminar o sujeito da frase: ou “Usaram e abusaram de palavras e expressões que nada dizem” ou “Usou-se e abusou-se de palavras e expressões que nada dizem.”

7ª) Leitor quer saber se está correta a pontuação da frase “Se dirigir; não beba, se beber; não dirija”.
Já escrevi a respeito dessa frase. Bêbado estava quem a escreveu.
O correto é “Se dirigir, não beba; se beber, não dirija”. As vírgulas indicam o deslocamento das orações subordinadas (= “se dirigir” e “se beber” são orações subordinadas adverbiais condicionais). O ponto e vírgula indica a pausa maior que separa as duas ideias coordenadas: “não beba se dirigir ou não dirija se beber”.

DESAFIO 1
Onde está o erro da frase abaixo:
“Aqui estão as cláusulas que faltavam incluir no contrato”?
O certo é: “Aqui estão as cláusulas que faltava incluir no contrato”.
O verbo (=faltava) deve ficar no singular para concordar com o seu sujeito (=incluir no contrato). O que faltava era “incluir as cláusulas no contrato”, e não “as cláusulas”.

DESAFIO 2
As dúvidas são:
1ª) Passou muito mal, PORISSO ou POR ISSO deve ser perdoado?
2ª) Foi demitido HAJA VISTA ou HAJA VISTO o problema surgido?
3ª) Falava A ou À respeito da festa?
As respostas são:
1ª) POR ISSO (Não existe a forma porisso);
2ª) HAJA VISTA (Não existe, como conectivo, a forma haja visto);
3ª) A RESPEITO DE (Não há crase antes de palavra masculina).

Dúvidas dos leitores: uso do ‘mesmo’ e o duelo ‘vir’ X ‘vier’

qua, 25/04/12
por snogueira.sn |
categoria Dicas
Leitores desta coluna querem que eu comente algumas frases publicadas em vários jornais.
1ª) “Solicito ao prezado professor informar se há erro no emprego da palavra MESMOS no seguinte trecho: “…trabalhos da CPI, fazendo com que não venham os mesmos a ser declarados nulos futuramente…”
Para os gramáticos mais rigorosos, existe erro: não deveríamos usar o pronome MESMO para substituir termos expressos anteriormente (=trabalhos da CPI). Só poderíamos usar a palavraMESMO como pronome de reforço: “Eu mesmo fiz este trabalho” (=eu próprio); “Ela mesma resolveu o caso” (=ela própria); “Eles feriram a si mesmos” (=a si próprios)…
Entretanto, devido ao uso consagrado, muitos estudiosos da língua portuguesa já aceitam o uso do MESMO como pronome substantivo (=substituindo um termo anterior).
Eu não considero erro, mas sou contra. Sugiro que se evite o uso do pronome MESMO em lugar de algum termo já expresso. Ainda que não seja erro, caracteriza pobreza de estilo. Muitas vezes usamos a palavra mesmo porque falta vocabulário ou porque não sabemos usar outros pronomes.
Na frase em questão, o pronome mesmos poderia simplesmente ser omitido: “…fazendo com que não venham a ser declarados nulos…”
2ª) E a concordância na frase “…a grande maioria das empresas de educação superior foramfragorosamente chumbadas…” está correta?
Erro não é, pois nossas gramáticas preveem a tal concordância atrativa: o verbo concorda com o adjunto (=empresas) devido à proximidade.
Não é, entretanto, o nosso padrão. A nossa orientação é fazer o verbo concordar rigorosamente com o núcleo do sujeito (=maioria). Para nós, portanto, deveria ser: “…a grande MAIORIA das empresas de educação superior FOI fragorosamente CHUMBADA…”
3ª) E a frase “Fechar as que têm mal desempenho…” está correta?
Se não escrevemos BEM, é porque estamos escrevendo MAL. Se o desempenho das universidades não foi BOM, devemos “fechar as que têm MAU desempenho”.
4ª) E a frase “Grande empresa também fica na mão” é boa?
Concordo com o nosso leitor. Não é uma questão de certo ou errado. Trata-se de uma expressão inadequada ao nosso texto. “Ficar na mão” é uma expressão excessivamente coloquial e não é apropriada à linguagem dos bons jornais. Deve ser evitada, principalmente em títulos. Termos e expressões coloquiais são adequados somente em textos informais.
5ª) Leitor diz ter lido num jornal on-line: “O irmão do deputado cujo
mandato foi cassado pela Câmara, teve sua prisão preventiva decretada em novembro e estava foragido há um mês.” A dúvida do leitor é a seguinte: CUJO refere-se ao irmão ou ao deputado?
Nosso leitor tem razão. Trata-se de uma frase ambígua. O pronome
relativo CUJO pode fazer referência tanto ao deputado quanto ao irmão dele. É lógico que o autor da frase usou o CUJO para referir-se ao ex-deputado, mas quem não acompanha as páginas policiais ou políticas poderia perfeitamente entender que a Câmara tinha cassado o mandato do irmão.
É a mania de dar várias informações numa única frase. E a desculpa de que o leitor já sabe quem foi cassado é absurda. Se o leitor já sabia, para que repetir a informação?

VIR ou VIER?
1)    VIR pode ser:
a)    INFINITIVO:
“Eles precisam VIR ao nosso escritório para assinar o contrato.”
Cuidado: “Ele vai vim” está totalmente errado. O certo é “ele vai VIR”. Melhor ainda: “ele VIRÁ”.
b)    FUTURO DO SUBJUNTIVO do verbo VER:
“Quando eu VIR o filme, poderei opinar.”
“Se você VIR o projeto, vai adorar.”
Cuidado: O uso do verbo nas frases “Quando eu ver o filme…” e “Se você ver o projeto…” está errado.
2)    VIER é FUTURO DO SUBJUNTIVO do verbo VIR:
“Quando eu VIER novamente, assinaremos o contrato.”
“Se você VIER ao Rio de Janeiro, vai adorar.”
Cuidado: O uso do verbo nas frases “Quando eu vir aqui novamente” e “Se você vir ao Rio de Janeiro” está errado.

O DESAFIO
Qual é a forma correta?
1ª) Ver O jogo ou AO jogo?
2ª) Assistir O jogo ou AO jogo?
Segunda a regência clássica, exigida em nossos concursos, as respostas corretas são:
1ª) Ver O jogo (VER é verbo transitivo direto);
2ª) Assistir AO jogo (ASSISTIR, no sentido de “ver”, é transitivo indireto).

Dúvidas dos leitores

qua, 18/04/12
por snogueira.sn |
categoria Dicas
Uso dos NEOLOGISMOS
O prefixo NEO vem do grego e significa “novo”. NEOLOGISMOS são “palavras novas”, que não estão registradas em nossos dicionários nem no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, publicado pela Academia Brasileira de Letras.
O uso de neologismos costuma gerar muita discussão.
Há quem adore as novidades e não faça restrição alguma ao seu uso, e existem aqueles que só aceitam os neologismos depois de devidamente registrados em algum dicionário. E aqui já temos um novo problema. Para o brasileiro em geral, só há um dicionário: o Aurélio. É, sem dúvida, um dos melhores. É bom lembrar que a edição lançada em 1999, última publicada pela Editora Nova Fronteira, apresentava 28 mil novos verbetes. Temos de tomar muito cuidado ao afirmar que tal palavra existe ou não. Quem tem o velho Aurélio pode ser traído pela nova edição.
É importante lembrar também que o dicionário Aurélio apresenta em torno de 180 mil verbetes, que o dicionário Michaelis tem um pouco mais de 200 mil, e que o dicionário Houaiss apresenta aproximadamente 230 mil verbetes. Esses números aumentam a cada nova edição. Isso é normal. É muito perigoso afirmar que uma palavra existe ou não. Tem de pesquisar.
Usar ou não um neologismo torna-se uma questão um pouco subjetiva. Por exemplo, você gosta do verbo DISPONIBILIZAR? É, sem dúvida, um verbo muito usado no meio empresarial. É adorado por alguns e detestado por outros, principalmente por aqueles que descobriram que DISPONIBILIZAR não estava registrado no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e que não aparecia em dicionário algum. Um aviso aos navegantes: o verbo DISPONIBILIZAR já está devidamente registrado no último VOLP e nas novas edições dos nossos dicionários.
Agora, você decide. Qual é a sua preferência: “O governo vai disponibilizar as verbas necessárias para as obras…” ou “Segundo o governo, as verbas necessárias para as obras estarão disponíveis…”?
A aceitação de um neologismo pode provocar discussões sem fim. É importante lembrar que os neologismos fazem parte da evolução das línguas vivas. Muitas palavras que hoje estão nos nossos dicionários já foram, algum dia, belos neologismos. Foram consagradas pelo uso e abonadas pelo tempo. E aqui, a grande lição: nada como o tempo para provar se a palavra é boa ou não, se é necessária ou não.
Leitor nos manda o seguinte exemplo: “Acabo de chegar da cidade de Natal, Rio Grande do Norte, e lá é comum ler-se RETORNO SEMAFORIZADO”.
É como afirmei acima. Só o tempo vai nos dizer se a palavra é boa ou ruim, se ela fica ou não. Tudo que é estranho hoje pode ser muito comum daqui a alguns anos.
E não devemos esquecer que os neologismos enriquecem as línguas. SEMAFORIZADO (palavra já registrada no novíssimo Aurélio) vem de SEMÁFORO, palavra formada por elementos de origem grega: SEMA (=sinal, sentido, significado) e FORO (=que faz, que produz). Para quem não conhece a palavra, SEMÁFORO é o que o carioca chama de “sinal”, o paulista também chama de “farol”, o gaúcho chama de “sinaleira” e assim por diante. Isso é riqueza vocabular.
Portanto, não sejamos radicais. Bom senso e cautela não fazem mal a ninguém. E ter opinião não é crime.

ACURADO e APURADO?
ACURADO significa “esmerado, apurado, aprimorado”;
APURADO significa “que tem ou é feito com apuro; elegante, esmerado, fino; correto, perfeito; apressado, impaciente”. (Dicionário Larousse)
Como podemos observar, em determinadas situações ACURADO e APURADO podem ser sinônimos.
Leitor pergunta a respeito da frase “Eles ficaram surpresos com a acurácia das previsões…”: “Existe a palavra ACURÁCIA?”
Existe. Tanto o Vocabulário Ortográfico da ABL quanto o dicionário Aurélio registram a palavra ACURÁCIA, que significa “precisão”. Era exatamente isso que o autor queria dizer: “Eles ficaram surpresos com a PRECISÃO das previsões…”

RANQUEAMENTO?
Leitor quer saber se RANQUEAMENTO é um neologismo aceitável ou não?
É uma questão muito subjetiva.
Se você quer saber se a palavra “ranqueamento” tem registro em algum dicionário ou no Vocabulário Ortográfico da ABL, a resposta é SIM e NÃO.
A palavra “ranqueamento” é derivada de ranking, que já aparece registrada em alguns dicionários, como o Michaelis.
Como as últimas edições de nossos dicionários incorporaram um grande número de estrangeirismos usados no Brasil, ficarei surpreso se não encontrar o registro de ranking e de“ranqueamento”. Só pode ser esquecimento.
Nada tenho contra a palavra ranqueamento. Na minha opinião, é bem-vinda.

Dúvidas dos leitores

qua, 11/04/12
por snogueira.sn |
categoria Dicas
O verbo HAVER
É frequente ouvirmos a expressão “HÁ MUITO TEMPO ATRÁS”. Trata-se de uma redundância, pois, se ocorreu “HÁ MUITO TEMPO”, só pode ter sido “MUITO TEMPO ATRÁS”.
Aprendemos, faz tempo, que devemos usar a forma “HÁ”, do verbo “HAVER”, quando nos referimos a um tempo já transcorrido: “Não nos vemos HÁ dois dias”; “HÁ dez anos que ele partiu”.
É interessante observar que a redundância “HÁ…ATRÁS” só ocorre com o verbo “HAVER”. Quando se opta pelo verbo “FAZER”, ninguém diz “FAZ dez anos ATRÁS”. Aí todos falam corretamente: “FAZ dez anos”; “FAZ muito tempo”.
É importante lembrar também que, caso a ideia seja de “tempo futuro” ou de “distância”, devemos usar a preposição “a”: “Só nos veremos daqui a dois dias”; “Estamos a dez quilômetros do vilarejo”.
Vamos ver se consigo simplificar as “coisas”.
A dúvida é uma só: é verbo ou não é verbo?
Se for, devemos escrever “HÁ”; se não for, trata-se da preposição “a”. Para provar que é verbo, podemos usar o “macete” da substituição do “HÁ” pela forma “FAZ”: “Não nos vemos há (=faz) dois dias”, “Há (=faz) dez anos que ele partiu.”
Caso a substituição não seja possível, significa que não é verbo. Em “Só nos veremos daqui a dois dias”, não é possível substituirmos por “daqui faz dois dias”. O mesmo ocorre em “Estamos a dez quilômetros do lugarejo” (“Estamos faz dez quilômetros” não faz sentido).
Usamos “ano-luz” para medir distância: “…um astro semelhante ao sol a 153 anos-luz de distância da Terra.” O certo, portanto, é “…estão a anos-luz de distância…”
Por outro lado, está correto o leitor escrever: “o eclipse ocorreu há (=faz) 153 anos” e “…ocorreu há (=faz) muitos anos terrestres atrás”. O “atrás” é que é desnecessário. Agora, temos a ideia de “tempo transcorrido”.

HÁ ou HAVIA?
Leitor quer saber: “Ela estava em cena HÁ ou HAVIA mais de uma hora”.
Segundo o princípio da correspondência dos tempos verbais, devemos dizer que “ela ESTAVA em cena HAVIA mais de uma hora”.
O princípio é o seguinte: devemos usar “HAVIA” em vez de “HÁ”, quando o verbo que acompanha está no pretérito imperfeito (=estava, fazia, era) ou no pretérito mais-que-perfeito (=estivera, fizera, soubera, tinha estado, havia feito).
Em caso de dúvida, podemos usar o seguinte “macete”: substituir o verbo “HAVER” pelo “FAZER”. Se o resultado da troca for “FAZIA” (e não “FAZ”), use “HAVIA” (e não “HÁ”):
“ESTAVA sem comer HAVIA (=fazia) três dias.”
“HAVIA (=fazia) dez anos que o clube não ERA campeão.”
“Ela ESTIVERA naquela cidade HAVIA (=fazia) muito tempo.”
É importante observar que a ação se encerrou. A forma HÁ (=faz) indica que a ação verbal prossegue. Veja a diferença:
a)    “HAVIA dez anos que o clube não era campeão.” (=o clube acabou
de ganhar o campeonato);
b)    “HÁ dez anos que o clube não é campeão.” (=o clube continua sem
ganhar o campeonato).

TEM ou HÁ?
Leitor considerou uma vergonha o anúncio: “No Brasil não TEM maremotos, vulcões, terremotos, furacões.”
Comentário de outro leitor: “Aprendi que não devemos confundir os verbos “HAVER” e “TER”: ‘Nesta banca HÁ (=existe) várias revistas’ e ‘Esta banca TEM (=possui) várias revistas’. Os gênios da publicidade são os que mais cometem tal erro.”
Os nossos leitores têm razão em parte. Segundo a gramática tradicional, não devemos usar o verbo “TER” no sentido de “HAVER” (=existir).
Não podemos, entretanto, esquecer que o uso do verbo “TER” em lugar do verbo “HAVER” é uma das características do Português falado no Brasil. Isso significa que, num texto informal que queira retratar a linguagem coloquial brasileira, o uso do verbo TER é aceitável.
Não devemos reduzir o caso a simples discussão de certo ou errado. Inadequado seria usar o verbo TER (=haver, existir) em textos formais que exijam uma linguagem mais cuidada, que siga os padrões da chamada norma culta.

O GRAMA ou A GRAMA?
Estava escrito: “…a grama da gordura animal tem nove calorias, enquanto a grama da proteína do feijão tem quatro calorias.”
Nossos leitores têm razão. O autor deve estar fazendo referência “à grama” que o animal comeu e virou gordura e também “à grama” que nasceu junto aos pés de feijão.
A história é velha, mas vamos repetir. O substantivo GRAMA quando se refere à massa (na linguagem popular, falamos “peso”) é MASCULINO.
Portanto, “…O GRAMA da gordura animal tem nove calorias, enquanto O GRAMA da proteína do feijão tem quatro calorias.”

Dúvidas dos leitores

qua, 04/04/12
por snogueira.sn |
categoria Dicas
Vícios do “futebolês”
A linguagem esportiva está sempre a merecer a nossa atenção. Basta um descuido nosso e lá estão os velhos vícios de volta.
Vamos comentar hoje uma série de exemplos coletados por nossos leitores.
Jogavam Flamengo e Peñarol no Estádio Centenário em Montevidéu. Logo após o árbitro ter encerrado o jogo, os jogadores uruguaios partiram para a briga e agrediram os rubro-negros. Além da triste cena de selvageria explícita, tivemos o desgosto de ouvir de um comentarista “especializado”: “Transformaram o Estádio Centenário numa verdadeira praça de guerra”. Por que verdadeira? Poderia ter sido uma “falsa” praça de guerra? E, cá entre nós, ninguém aguenta mais a tal “praça de guerra”. Eta chavãozinho batido! Minha ênfase é intencional. Afinal, todo chavão é “batido”.
Outro dia, o repórter que fazia a cobertura do treino do Corinthians: “O clima entre os jogadores é de alto astral”. O astral entre os jogadores pode estar alto, mas a linguagem dos repórteres esportivos está muito pobre. Foi o décimo quinto alto astral que ouvi só naquele mês. De vez em quando, o “alto astral” poderia virar “bom ambiente”, “jogadores animados”, “time otimista”…
Pode haver quem ache que eu esteja sendo muito rigoroso, mas é importante alertar nossos jornalistas esportivos para a pobreza dos clichês: “lenda viva”, “monstro sagrado”, “subiu no 3oandar (para cabecear)”, “chutar contra o patrimônio”, o zagueiro que “não perde a viagem”…
Mais incrível foi o narrador de um jogo da série B dizer que “o Fulano de Tal cobrou o manual”. Pelo amor de Deus, quem cobrava “manual” era “beque” da década de 50. É do tempo do off sidee do center half. É do tempo que narrador era speaker.
Por falar em narrador, um alerta vermelho: “O atacante estava literalmente impedido”. Literalmente como? A quem interessar possa: LITERAL significa “transcrição por escrito, com todas as letras; fiel ao texto original, sem alterar palavra”. Logo, é impossível alguém ficar“literalmente impedido”. Não dá para aceitar nem como metáfora.
Já que falamos de palavras mal usadas. É bom lembrar a “febre” do DEFINIR: “As datas dos jogos ainda não foram definidas” (marcadas, fixadas); “O técnico ainda não definiu o time que sairá jogando” (decidiu, escalou); “Ele ainda não definiu quem será o substituto” (escolheu, decidiu)… Além do empobrecimento vocabular, o verbo DEFINIR está sendo mal usado.
Para facilitar as coisas: “DEFINIR o adversário” não é determinar quem será ele e sim dizer como ele é (negro, alto, forte, 27 anos…).
Portanto, esta história de “definir placar” é uma asneira imensa. DEFINIR não é “dar fim”. Trocaram o velho chavão “dar cifras definitivas ao placar” pelo modernoso e duvidoso “definir o placar”. Piorou.
Para terminar, dois errinhos:
1o) “A bola passou entre a barreira.” Entre a barreira e o quê? Ora, a bola passou pelo meio da barreira ou entre os jogadores que estavam na barreira.
2o) “Ronaldinho preferiu correr com a bola ao invés de chutar.” O certo é “em vez de chutar”. Ele trocou uma coisa por outra. AO INVÉS DE significa “ao contrário de”. Só devemos usar AO INVÉS DE, quando forem coisas opostas. E “correr com a bola” e “chutar” não são coisas opostas.

ENTRE ou DENTRE?
Leitora quer saber quando usar ENTRE e DENTRE.
1)    A preposição ENTRE só deve ser usada com “unidades” (entre elementos ou entre conjuntos):
“A bola passou entre os jogadores da barreira.”
“Ronaldinho ficou entre o pai e a mãe da noiva.”
“Andava entre as árvores da floresta.”
“Desejamos a paz entre as nações.”
Devemos evitar o uso da preposição ENTRE antes de palavras com ideia “coletiva”:
“A bola passou entre a barreira.” (= “no meio da barreira” ou poderia ser “entre a barreira e o juiz”)
“Ronaldinho ficou entre o casal.” (= “entre os pais da noiva” ou poderia ser “entre o casal e a noiva”)
“Andava entre a floresta.” (= “entre as árvores” ou poderia ser “entre a floresta e o rio”)
“Desejamos a paz entre a população.” (= “entre os homens, entre as pessoas, entre os habitantes, entre os povos” ou poderia ser “entre a população e o governo”)
2)    Devemos usar a forma DENTRE quando há um sentido de “movimento” ou de “posse” (=de entre):
“Dentre os relacionados, saiu Ronaldinho.”
“Dentre os candidatos, surgiu Fulano de Tal.”
“Um dentre os acusados é o assassino.”
“Alguém dentre nós terá de resolver o problema.”

PARA ONDE ou PARA AONDE?
Leitor quer saber qual é forma correta: “PARA ONDE ou PARA AONDE vão nossas crianças?”
O certo é “PARA ONDE vão nossas crianças”.
A forma “para aonde” simplesmente não existe.
Existem AONDE (=quando você vai “a” algum lugar) e PARA ONDE (=quando você vai “para” algum lugar):
“Ipanema é a praia AONDE ela vai em todos os fins de semana.” (=Ela vai à praia);
“São Paulo é a cidade PARA ONDE ele foi transferido.” (=Ele foi transferido para São Paulo).

Dúvidas dos leitores

qua, 28/03/12
por snogueira.sn |
categoria Dicas
Uma boa redação: a CONCISÃO
Ouço muito: um bom texto deve ser claro e conciso.
Não há dúvida de que a clareza é a principal qualidade do texto. Ser conciso, entretanto, é uma luta muito árdua.
Ser conciso é dizer o necessário com o mínimo de palavras, sem prejudicar a clareza da frase. É ser objetivo e direto.
E aqui está a nossa dificuldade. Nós, brasileiros, estamos habituados a falar muito para dizer pouco, a escrever mais que o necessário, a discursar mais para impressionar do que comunicar.
Para muitos, esse hábito começa na escola. É só fazer uma “sessão nostalgia” e voltarmos aos bons tempos de colégio, às gloriosas aulas em que o professor anunciava: “hoje é dia de redação”. Você se lembra da “alegria” que contagiava a turma? Você se lembra de algum coleguinha que dizia estar “inspirado”? Você se lembra de algum tema para a redação que tenha deixado toda a turma satisfeita? A verdade é que não aceitávamos tema algum. Pedíamos outro tema. Se o professor apresentasse vários temas, pedíamos “tema livre”. E se fosse “tema livre”, exigíamos um. Era uma insatisfação total. Depois de muita briga, o tema era “democraticamente imposto”. E aí vinha aquela tradicional pergunta: “Quantas linhas?” A resposta era original: “No mínimo 25 linhas”. Eu costumo dizer que 25 é um número traumático na vida do aluno. A partir daquele instante, começava um verdadeiro drama na sua vida: “Meu reino pela 25ª linha”. Valia tudo para se chegar lá. Desde as ridículas letras que “engordavam” repentinamente até a famosa “encheção de linguiça”.
E aqui pode estar a origem de tudo. Nós nos habituamos a “encher linguiça”. Pelo visto, há políticos que fizeram “pós-graduação” no assunto. São os mestres da prolixidade. Falam, falam e não dizem nada. Em algumas situações não têm o que dizer, às vezes não sabem explicar e muitas vezes precisam “enrolar”.
O problema maior, entretanto, é que a doença atinge também outras categorias profissionais.
Vejamos três exemplos retirados de bons jornais:
  1. “A largada será no Leme. A chegada acontecerá no mesmo local da partida.”
Cá entre nós, bastava ter escrito: “A largada e a chegada serão no Leme.”
  1. “O procurador encaminhou ofício à área criminal da Procuradoria determinando que seja investigado…”
Sendo direto: “O procurador mandou investigar”.
  1. “A posição do Governo brasileiro é de que esgotem todas as possibilidades de negociação para que se alcance uma solução pacífica.”
Enxugando a frase: “O Brasil é a favor de uma solução pacífica”.

À TOA ou À-TOA?
Antes do novo acordo ortográfico era assim:
a)    À TOA = “a esmo, ao acaso, sem fazer nada” (locução adverbial de modo = refere-se ao verbo): “Passou a vida à toa”; “Anda à toa pelas ruas”;
b)    À-TOA = “inútil, desprezível, desocupado, insignificante” (adjetivo = acompanha um substantivo): “Era uma mulher à-toa”; “Não passava de um sujeitinho à-toa”.
Com o novo acordo ortográfico, não devemos mais usar o hífen nesse caso. Assim sendo, a forma adjetiva não tem mais hífen: “mulher à toa”; “sujeitinho à toa”, “probleminha à toa”…

MUITO ou MUITA pouca comida?
O certo é “MUITO POUCA comida”.
1o) “POUCA comida” – POUCA é um pronome adjetivo indefinido porque acompanha um substantivo (=comida). Os pronomes concordam em gênero e número com o substantivo a que se referem: “poucas pessoas”; “muita saúde”; “tantos livros”; “provas bastantes”…
2o) “MUITO pouca comida” – MUITO é um advérbio de intensidade pois se refere ao pronome adjetivo (=pouca), e não ao substantivo. Os advérbios não apresentam flexão de gênero e número: “Elas estão muito satisfeitas”; “Os jogadores estão pouco confiantes”; “As alunas ficaram bastante felizes”…

O DESAFIO
As dúvidas são:
1ª) VENDE-SE ou VENDEM-SE estas casas ?
2ª) Da 1a A  ou  À  5ª série ?
3ª) Seja BENVINDO  ou  BEM-VINDO ?
4ª) ADQUIRI-LOS  ou  ADQUIRÍ-LOS ?

Respostas:
1ª) VENDEM-SE estas casas. (No plural para concordar com o sujeito “estas casas” = “Estas casas são vendidas”);
2ª) Da 1ª À 5ª série. (Com crase = preposição “a” + artigo “a” que define a 5ª série);
3ª) Seja BEM-VINDO. (O novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa já registra a forma “benvindo” como variante linguística);
4ª) ADQUIRI-LOS. (Sem acento agudo).

Dúvidas dos leitores

qua, 21/03/12
por snogueira.sn |
categoria Dicas
CERTO ou ERRADO? Ou questão de ADEQUAÇÃO?
Leitor solicita que eu faça um rápido comentário a respeito de cada exemplo a seguir.

1.“…mais um acidente com vítima fatal.”
FATAL é “o que provoca a morte”. Portanto, não é a vítima que é fatal. FATAL é o acidente. “Vítima fatal” está consagrada pelo uso e, hoje, perfeitamente compreensível.

2. “Os vencimentos serão pagos numa parcela única.”
“Parcela única” é muito estranho. PARCELA é “pequena parte de qualquer coisa”. Rigorosamente, “pequenas parcelas” pode ser uma redundância e “parcela única” seria incoerente.

3. “Queremos reaver o prejuízo.”
Duvido que alguém queira o prejuízo de volta. Queremos é ser indenizados pelo prejuízo.
Não sejamos, entretanto, tão rigorosos com a língua portuguesa, a expressão “correr atrás do prejuízo”, embora incoerente, é perfeitamente compreensível.

4. “O secretário explicou ontem por que deixou o cargo.”
Se tinha deixado o cargo no dia anterior, não era mais secretário.
Portanto, “o ex-secretário explicou ontem por que deixou o cargo”.

5. “Se o atacante for regularizado pela Federação…”
Não é o atacante que deve ser regularizado. A situação do jogador é que deve ser regularizada pela Federação. Leitor tem razão em parte. Nossa língua não é tão lógica como muitos pensam. O subentendido faz parte da nossa linguagem. Não sejamos tão rigorosos.

6. “Ninguém se feriu no desabamento, com exceção do porteiro.”
Para que o porteiro não se sinta pior que “ninguém”, seria melhor ter escrito: “Somente o porteiro se feriu no desabamento”. Concordo com o leitor. Frase de muito mau gosto.

7. “O Pão de Açúcar é quase 20 vezes menor que o Aconcágua.”
É impossível ser “20 vezes menor”. É um problema matemático. O contrário de “3 vezes mais” é “um terço”. Na verdade, “o Aconcágua é 20 vezes maior que o Pão de Açúcar”.

8. “Ao contrário do que foi publicado ontem, Romário fez dezoito e não dezessete gols…”
Dezoito e dezessete não são coisas contrárias. Portanto, o mais adequado é dizer: “Diferentemente do que foi publicado ontem…”

9. “Um homem se afogou e foi tirado do mar desacordado.”
Ou se afogou ou estava desacordado. Se houve afogamento, o homem estava morto; se foi tirado do mar desacordado, o homem quase se afogou.

10. “O filho fez curso de técnico de som até se tornar um nome de referência na área.”
Isso é que é força de vontade. Não largou o curso enquanto não ficou famoso. Para ficar claro: o rapaz fez um curso de técnico de som e tornou-se famoso na sua área. Ficou famoso depois de fazer o curso, e não “fez o curso até ficar famoso”.

Fui eu QUEM FEZ ou Fui eu QUE FIZ?
Tanto faz.
O verbo pode concordar com o pronome QUEM (=quem fez) ou com o antecedente do pronome QUE (=eu que fiz).
Vamos observar o exemplo que um leitor nosso encontrou no livro Memorial do Convento do grande escritor português José Saramago: “…são eles quem está construindo a obra que lhe vou mostrar…”
Nesse caso, embora o antecedente esteja no plural, o autor faz o verbo concordar com o pronome QUEM: “…eles quem ESTÁ construindo…”
Corretíssimo.

Pode-se tornar OU pode se tornar?
Leitor nos escreve: “Na versão eletrônica do Estadão, lia-se a seguinte frase ‘Corinthians pode-se tornar campeão domingo’. Não sei se se trata de um erro de impressão ou, pior ainda, de gramática, mas parece-me que a frase é incorreta.”
A frase pode perecer estranha, mas não está errada. Trata-se de uma ênclise do verbo auxiliar (=pode-se tornar). Essa colocação do pronome átono após o verbo auxiliar é raríssima no português do Brasil. A maioria dos brasileiros diria “Corinthians pode se tornar…” (sem hífen = próclise do verbo principal).
Eu prefiro a ênclise do infinitivo: “Corinthians pode tornar-se campeão no domingo”.

sábado, 26 de maio de 2012

Mudanças no Enem 2012 são consideradas positivas | Fortaleza | O POVO Online

Mudanças no Enem 2012 são consideradas positivas | Fortaleza | O POVO Online


O MEC anunciou que, agora, os estudantes podem ter acesso à cópia corrigida da prova de redação do Enem 2012. Também foi anunciada a mudança na correção das redações. Dois corretores vão dar as notas iniciais. Caso a diferença das notas seja superior a 200 pontos, o exame vai passar por um terceiro avaliador, mas ele não dá a nota definitiva. O resultado desta terceira avaliação será comparado com as outras duas correções. O cálculo será feito com a nota mais próxima.

Por exemplo: o candidato recebeu notas de 900 e 600 pontos. Como a diferença é de 300 pontos, o terceiro corretor entra em cena. Vamos supor que ele deu nota 700. Nesse caso, está mais próximo da nota 600 pontos. Feita a média aritmética, com a soma das duas notas dividida por dois, o resultado é 650 pontos.

Caso a nota do terceiro corretor tenha discrepância de mais de 200 pontos em relação as duas notas iniciais, a prova será examinada por uma banca de três professores, que definem a nota final. A prova será dividida em cinco competências, cada uma valendo até 200 pontos. Caso haja diferença de 80 pontos em uma delas, o item passará pela avaliação do terceiro corretor. A nota da redação varia de 0 a 1.000 pontos.
 
Mudanças positivas

O professor-assistente da Faculdade de Educação da UFC e pesquisador do CNPQ sobre avaliação educacional, Wagner Bandeira Andreola, avalia que as mudanças anunciadas são positivas, pois fortalece os critérios de correção. “Na redação, temos uma prova subjetiva. A correção exige critérios de avaliação bem delimitados”.

Para o diretor de ensino do colégio Ari de Sá, Ademar Celedônio, a decisão é positiva, pois dá “maior tranquilidade e transparência ao exame”. O problema é que não será possível recorrer, junto ao Ministério da Educação, da nota obtida no Enem. “O aluno deveria ter direito a recorrer do resultado. Isso acontece em todos os outros vestibulares”, critica o diretor-superintendente do colégio Farias Brito, Tales de Sá Cavalcante. Ele também defende que a correção da redação seja regionalizada. “Com quatro mil corretores, acho difícil evitar as discrepâncias”, acredita.

A professora do laboratório de redação do colégio 7 de Setembro, Magna Araújo, dá a seguinte dica aos candidatos que vão fazer o Enem no final do ano: “A chave de ouro é a compreensão do tema”, diz.

O quê

ENTENDA A NOTÍCIA

O MEC anunciou mudanças na correção da redação do Enem 2012. Os participantes também terão acesso ao espelho na prova, através do portal do Enem. Governo procura dar maior credibilidade aos resultados das provas.

Entenda o cálculo

Exemplo 1
Nota corretor 1: 600 pontos 
Nota corretor 2: 800 pontos
Como a diferença é de 200 pontos, a nota será uma média aritmética das duas pontuações. 
Nota final: 700 pontos

Exemplo 2
Nota corretor 1: 480 pontos 
Nota corretor 2: 800 pontos
Como é diferença é superior a 200 pontos, a prova passará por uma terceira avaliação. 
Nota corretor 3: 720 pontos
Como a nova pontuação aproxima-se mais da nota dada pelo corretor 2, será feita uma média aritmética com os pontos do corretor 2 e do corretor 3. 
Nota final: 760 pontos

Exemplo 3
Nota corretor 1: 480 pontos 
Nota corretor 2: 800 pontos
Como é diferença é superior a 200 pontos, a prova passará por uma terceira avaliação. 
Nota corretor 3: 640 pontos
Neste caso, a nota do terceiro corretor está com diferença de 160 pontos para os outros dois corretores. Assim, a prova será avaliada pela banca, que atribuirá a nota final do participante. 

Exemplo 4
Nota corretor 1: 400 pontos 
Nota corretor 2: 640 pontos
Como é diferença é superior a 200 pontos, a prova passará por uma terceira avaliação. 
Nota corretor 3: 880 pontos
A nota do terceiro corretor está com uma diferença acima de 200 pontos das outras duas notas. A prova será avaliada pela banca, que atribuirá a nota final do participante.

Serviço

Inscrições do Enem 2012
Quando: 28 de maio a 15 de junho 
Provas: 3 e 4 de novembro
Taxa: R$ 35, que deve ser pago até o dia 20 de junho

Multimídia
O novo sistema anunciado pelo MEC para a correção das provas do Enem foi o “Tema do Dia” na cobertura de ontem dos veículos do Grupo de Comunicação O POVO

Para escutar – Na rádio O POVO/CBN (AM 1010), o programa Revista O POVO/CBN discutiu o tema com o procurador Oscar Costa Filho.http://bit.ly/KwH5W6
 
Para ler e opinar – Acompanhe a repercussão entre os internautas na página do O POVO Online no facebook (http://on.fb.me/Mp8MQg) e no fórum da seção Você Faz O POVO (www.opovo.com.br/vocefazopovo)


EDITAL No- 3, DE 24 DE MAIO DE 2012
EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO - ENEM 2012
O PRESIDENTE DO INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS
E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA
(Inep), no exercício de suas atribuições, conforme estabelece o inciso
VI, do art. 16 do Anexo I ao Decreto nº 6.317, de 20 de dezembro de
2007, e tendo em vista o disposto na Portaria MEC nº 807, de 18 de
junho de 2010, torna pública a realização da edição do Enem 2012.
1 - DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
1.1 Este Edital dispõe sobre as diretrizes, os procedimentos e
os prazos da edição de 2012 do Enem, regido pela Portaria/MEC nº
807, de 18 de junho de 2010.
1.2 O Enem 2012 obedecerá ao seguinte cronograma:
1.2.1 As inscrições serão realizadas das 10h00min do dia
28/05/2012 às 23h59min do dia 15/06/2012, horário oficial de Brasília-
DF.
1.2.2 As provas serão realizadas nos dias 3 e 4 de novembro
de 2012, com início às 13h00min, horário oficial de Brasília-DF, em
todas as Unidades da Federação.
1.3 Haverá Edital específico para a realização do exame para
os adultos submetidos a penas privativas de liberdade e adolescentes
sob medidas socioeducativas que incluam privação de liberdade.
1.4 O Exame será executado por entidade contratada pelo
Inep para tal fim.
1.5 As provas serão realizadas em todos os Estados da Federação
e no Distrito Federal, conforme Anexo III deste Edital.
1.6 A edição 2012 do Enem, regulamentada por este Edital,
tem como finalidade precípua a Avaliação do Desempenho Escolar e
Acadêmico ao fim do Ensino Médio, em estrito cumprimento ao art.
206, VII c/c art. 209, II da Constituição Federal; art. 9º VI da Lei nº
9.394, de 20 de dezembro de 1996, art. 1º, II, IV, V, VII e VIII, da
Lei nº 9.448, de 14 de março de 1997, e Portaria MEC nº 807, de 18
de junho de 2010.
1.7 As informações obtidas a partir dos resultados do Enem
serão utilizadas para:


1.7.1 Compor a avaliação de medição da qualidade do Ensino
Médio no País.
1.7.2 Subsidiar a implementação de políticas públicas.
1.7.3 Criar referência nacional para o aperfeiçoamento dos
currículos do Ensino Médio.
1.7.4 Desenvolver estudos e indicadores sobre a educação
brasileira.
1.7.5 Estabelecer critérios de acesso do PARTICIPANTE a
programas governamentais.
1.7.6 Constituir parâmetros para a autoavaliação do PARTICIPANTE,
com vista à continuidade de sua formação e à sua
inserção no mercado de trabalho.
1.8 Facultar-se-á a utilização dos resultados individuais do
Enem para:
1.8.1 A certificação, pelas Instituições Certificadoras listadas
no Anexo I deste Edital, no nível de conclusão do Ensino Médio,
desde que observados os termos da Portaria Inep nº 144, de 24 de
maio de 2012, e o disposto no inciso II, parágrafo 1º, do art. 38 da
Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996.
1.8.2 A utilização como mecanismo de acesso à Educação
Superior ou em processos de seleção nos diferentes setores do mundo
do trabalho.
2 - DO ATENDIMENTO DIFERENCIADO E ESPECÍFICO
2.1 O Inep, nos termos da legislação vigente, assegurará
atendimento DIFERENCIADO e atendimento ESPECÍFICO aos
PARTICIPANTES que deles comprovadamente necessitarem.
2.2 O PARTICIPANTE que necessite de atendimento DIFERENCIADO
e/ou de atendimento ESPECÍFICO deverá, no ato da
inscrição:
2.2.1 Informar, em campo próprio do sistema de inscrição, a
necessidade que motiva a solicitação de atendimento de acordo com
as opções apresentadas:
2.2.1.1 Atendimento DIFERENCIADO: oferecido a pessoas
com baixa visão, cegueira, deficiência física, deficiência auditiva,
surdez, deficiência intelectual (mental), surdocegueira, dislexia, déficit
de atenção, autismo, gestante, lactante, idoso, estudante em classe
hospitalar ou outra condição incapacitante.
2.2.1.2 Atendimento ESPECÍFICO: oferecido a Sabatistas
(guardador de sábado por motivo religioso).
2.2.2 Solicitar, em campo próprio do sistema de inscrição, o
auxílio ou o recurso de que necessita, em caso de atendimento DIFERENCIADO,
de acordo com as opções apresentadas: prova em
braile, prova com letra ampliada (fonte de tamanho 24 e com figuras
ampliadas), tradutor-intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras),
guia-intérprete, auxílio ledor, auxílio para transcrição, leitura
labial, sala de fácil acesso e mobiliário acessível.
2.2.3 Dispor de documentos comprobatórios da situação de
atendimento DIFERENCIADO declarada.
2.2.4 Estar ciente de que as informações prestadas devem ser
exatas e fidedignas, sob pena de responder por crime contra a fé
pública e de ser eliminado do Exame.
2.3 A PARTICIPANTE lactante que tiver necessidade de
amamentar durante a realização das provas deverá, obrigatoriamente,
levar um acompanhante adulto nos dias de aplicação do Exame, que
ficará em sala reservada, sendo responsável pela guarda da criança
durante a realização das provas.
2.3.1 É vedado ao acompanhante da PARTICIPANTE lactante
o acesso às salas de provas.
2.3.2 O acompanhante da PARTICIPANTE lactante deverá
cumprir as obrigações constantes deste Edital, sob pena de eliminação
do Exame da PARTICIPANTE lactante.
2.3.3 Qualquer comunicação, durante a realização das provas,
entre a PARTICIPANTE lactante e o acompanhante responsável
deverá ser assistida por um aplicador.
2.3.4 Não será permitida a entrada do lactente (a criança) e
de seu acompanhante responsável após o fechamento dos portões.
2.3.5 A PARTICIPANTE lactante não poderá ter acesso à
sala de provas acompanhada do lactente.
2.4 O PARTICIPANTE em situação de classe hospitalar poderá
solicitar atendimento DIFERENCIADO nos termos deste Edital.
2.4.1 É considerado PARTICIPANTE em situação de classe
hospitalar aquele inserido em ambiente em que, no interior das instituições
hospitalares ou afins, recebe formalmente aulas na condição
de estudante internado para tratamento de saúde. Não é caracterizado
como PARTICIPANTE em classe hospitalar aquele que, na data do
Exame, estiver internado para realizar partos, cirurgias ou tratamentos
médicos.
2.5 O Inep assegurará aos PARTICIPANTES guardadores de
sábado, por motivo religioso, horário específico para aplicação do
Exame no sábado.
2.5.1 O PARTICIPANTE guardador de sábado por motivo
religioso deverá informar a opção Sabatista em campo próprio do
sistema de inscrição.
2.5.2 O PARTICIPANTE que informar a opção Sabatista
deverá comparecer ao seu local de realização do Exame no mesmo
horário dos demais participantes, de acordo com o item 1.2.2.
2.5.3 O PARTICIPANTE que informar a opção Sabatista
deverá aguardar em sala de provas até as 19h00min, horário oficial de
Brasília-DF, para iniciar as provas.
2.5.4 O PARTICIPANTE que informar a opção Sabatista não
poderá realizar qualquer espécie de consulta, de comunicação ou de
manifestação a partir do ingresso na sala de provas até o término do
Exame.
2.6 O atendimento DIFERENCIADO e o atendimento ESPECÍFICO
somente poderão ser solicitados por meio do sistema de
inscrição.
2.6.1 Não serão aceitas outras formas de solicitação de atendimento
DIFERENCIADO ou de atendimento ESPECÍFICO, tais como:
via postal, telefone, fax ou correio eletrônico.


2.7 O Inep reserva-se o direito de exigir, a qualquer tempo,
documentos que atestem a necessidade do atendimento DIFERENCIADO
declarado.
3 - DA TAXA DE INSCRIÇÃO
3.1 O valor da taxa de inscrição será de R$ 35,00 (trinta e
cinco reais), exceto para os casos previstos no art. 5º, §3º da Portaria
MEC nº 807, de 18 de junho de 2010, e no item 3.3 DAS ISENÇÕES
deste Edital.
3.2 DO PAGAMENTO
3.2.1 O pagamento da taxa de inscrição do Exame deve ser
efetuado somente no Banco do Brasil, por meio de GRU - simples
(Guia de Recolhimento da União).
3.2.1.1 A GRU simples para o pagamento da taxa de inscrição
do Enem 2012 deve ser gerada, exclusivamente, no endereço
eletrônico http://sistemasenem2.inep.gov.br/inscricao.
3.2.1.2 Em caso de necessidade de reimpressão o PARTICIPANTE
deverá gerar a GRU simples no endereço eletrônico
http:// sistemasenem2. inep. gov. br/ inscricao.
3.2.2 O valor referente à taxa de inscrição não será devolvido
em hipótese alguma, exceto no caso de cancelamento desta
Edição do Exame.
3.2.3 A inscrição não será confirmada caso haja pagamento
com valor menor que R$ 35,00 (trinta e cinco reais).
3.2.4 A taxa de inscrição deverá ser paga até dia 20/06/2012,
sob pena de não ser confirmada a inscrição.
3.2.4.1 A inscrição não será confirmada se o pagamento for
efetuado fora do prazo estabelecido.
3.2.4.2 Em nenhuma hipótese haverá prorrogação de prazo
para pagamento da taxa de inscrição previsto neste Edital, ainda que
o último dia do referido prazo (20/06/2012) seja feriado estadual,
distrital ou municipal no local escolhido pelo PARTICIPANTE para o
pagamento.
3.2.5 A inscrição somente será confirmada após o processamento
do pagamento da taxa de inscrição pelo Banco do Brasil.
3.3 DAS ISENÇÕES
3.3.1 A isenção do pagamento da taxa de inscrição da edição
2012 do Enem é concedida:
3.3.1.1 Ao PARTICIPANTE concluinte do Ensino Médio no
ano de 2012, matriculado em qualquer modalidade de ensino em
escola da rede pública de ensino, declarada ao Censo Escolar da
Educação Básica.
3.3.1.2 Ao PARTICIPANTE que declarar carência socioeconômica,
isto é, declarar ser membro de família de baixa renda ou
estar em situação de vulnerabilidade socioeconômica, nos termos do
art. 4º do Decreto nº 6.135, de 26 de junho de 2007. Para isso, o
PARTICIPANTE deverá, no ato da inscrição:
3.3.1.2.1 Declarar carência socioeconômica.
3.3.1.2.2 Dispor dos documentos comprobatórios da situação
de carência socioeconômica declarada.
3.3.1.2.3 Prestar informações exatas e fidedignas na declaração
de carência socioeconômica, sob pena de responder por crime
contra a fé pública e de ser eliminado do Exame.
3.3.2 O Inep reserva-se o direito de analisar a solicitação de
isenção e exigir, a qualquer tempo, os documentos comprobatórios da
situação de carência declarada, conforme disposto no art. 10 do Decreto
nº 83.936, de 6 de setembro de 1979.
3.3.3 O pedido de isenção do pagamento da taxa de inscrição
somente poderá ser solicitado no sistema de inscrição por meio da
"Declaração de Carência" e durante o período de inscrição estabelecido
no item 1.2.1 deste Edital.
3.3.4 Não serão aceitas solicitações de carência por outros
meios, tais como: via postal, fax ou correio eletrônico.
3.3.5 É responsabilidade do PARTICIPANTE verificar se a
solicitação de isenção da taxa de inscrição foi deferida no sistema de
acompanhamento da inscrição, no endereço eletrônico http://sistemasenem2.
inep. gov. br/ inscricao.
3.3.6 O PARTICIPANTE que não tiver sua solicitação de
isenção deferida deve efetuar o pagamento da taxa de inscrição dentro
do prazo estabelecido no item 3.2.4 deste Edital para ter sua inscrição
confirmada.
4 - DAS INSCRIÇÕES
4.1 Antes de efetuar sua inscrição, o PARTICIPANTE deverá
ler este Edital, seus anexos e atos normativos neles mencionados,
para certificar-se de que preenche todos os requisitos exigidos para a
participação no Enem e aceita todas as condições nele estabelecidas.
4.2 A inscrição será realizada exclusivamente via Internet, no
endereço eletrônico http://sistemasenem2.inep.gov.br/inscricao, a partir
das 10h00min do dia 28/05/2012 até as 23h59min do dia
15/06/2012, horário oficial de Brasília-DF.
4.3 O PARTICIPANTE que prestar qualquer informação falsa
ou inexata ao se inscrever no Exame ou que não satisfizer todas as
condições estabelecidas neste Edital e demais instrumentos normativos,
terá cancelada sua inscrição e anulados todos os atos dela
decorrentes.
4.4 O Inep não se responsabiliza por solicitação de inscrição
não recebida por quaisquer motivos de ordem técnica dos computadores,
por falhas de comunicação, por congestionamento das linhas
de comunicação, por procedimento indevido do PARTICIPANTE,
bem como por outros fatores que impossibilitem a transferência de
dados, sendo de responsabilidade exclusiva do PARTICIPANTE
acompanhar a situação de sua inscrição, bem como seu local de
realização das provas.
4.5 Em nenhuma hipótese será permitida a inscrição condicional
ou fora do prazo.
4.6 O PARTICIPANTE deve estar ciente de todas as informações
sobre o Enem, que estão disponíveis na página do Inep, no
endereço eletrônico http://portal.inep.gov.br/enem.



sexta-feira, 25 de maio de 2012

ENEM 2012-2013: NOVAS REGRAS, CALENDÁRIO, INSCRIÇÕES E EDITAL
25 DE MAIO DE 2012




ENEM 2012: NOVAS REGRAS, CALENDÁRIO, INSCRIÇÕES E EDITAL
As novas regras, calendário e inscrições do ENEM 2012-2013: Aloizio Mercadante,ministro da educação no Brasil, falou sobre o novo edital do ENEM 2012-2013, que será publicado hoje no Diário Oficial da União (DOU). No pronunciamento feito na tarde de ontem (24/05), Mercadante e o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), Luiz Claudio Costa, abordaram algumas mudanças que entrarão em vigor nesta edição do Exame Nacional do Ensino Médio.
O objetivo é que as novas alterações garantam mais segurança e transparência em todo o processo, desde as inscrições, até provas e resultado do ENEM 2012-2013. A esperança é que o aumento do aperfeiçoamento e segurança tragam maior tranquilidade aos estudantes e suas famílias.
As principais mudanças que entrarão em vigor neste ano serão feitas na segurança e no sistema de avaliação das redações.

Mudanças na avaliação das redações do ENEM 2012-2013:

Antes, os textos eram avaliados por dois corretores e cada um atribuía suas notas (de 0 a 1000), caso houvesse diferença de mais de 300 pontos nestas notas, um novo corretor avaliava a redação e atribuía um valor final.
Agora serão mantidos os dois corretores, mas a discrepância tolerada cai de 300 para 200 pontos. O terceiro corretor também irá avaliar a redação, caso sua nota se aproxime de uma das duas atribuídas anteriormente, será feita uma média aritmética simples para determinar o resultado final.
Uma novidade surge quando a nota do terceiro corretor apresenta a mesma discrepância com os dois primeiros. Neste caso, uma banca examinadora chegará a um valor final para a redação.
Outra novidade será na avaliação por competências. As redações são avaliadas em 5 competências diferentes, cada uma com valor de 200 pontos. Neste caso, se houver uma diferença maior que 80 pontos em qualquer uma das competências, o texto será corrigido pelo terceiro avaliador e, caso permaneça a mesma diferença, a banca entrará em ação.
Quem fizer o ENEM com o objetivo de obter a certificação do ensino médio terá que conquistar 450 pontos em cada área de conhecimento das provas objetivas, além de 500 pontos na redação.

Calendário do ENEM 2012-2013:

As inscrições do ENEM 2012-2013  serão realizadas entre os dias 28 de maio e 15 de junho. O pagamento das inscrições deverá ser efetuado até o dia 20 de junho. As provas do ENEM 2012-2013 serão aplicadas nos dias 03 e 04 de novembro, a partir das 13 horas. O gabarito das provas será divulgado no dia 07 de novembro e o resultado estará disponível no dia 28 de dezembro (neste link).
A partir deste ano o Exame contará com um fortalecimento no banco de itens, que serão considerados e só poderão ser incluídos nas avaliações depois que passarem por um pré-teste.
O ENEM cresce cada vez mais. A última edição registrou 5,4 milhões de inscritos e a perspectiva é de que o ENEM 2012-2013 registre de 5,8 a 6,1 milhões de inscrições.
Estudante, sua hora pode estar chegando. Prepare-se!
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quinta-feira, 24 de maio de 2012

O Texto é da minha querida aluna Victoria!

A simplesmente bela.... felicidade

Durante duas semanas, ideias foram fermentadas em meu cérebro e agora chegaram à maturação. Finalmente descobriremos o que passou pela minha mente nos últimos dias. Momentos de nostalgia e/ou solidão inundaram-me em meio ao caos urbano enfrentado diariamente.
Ser convidada para escrever uma coluna no blog de uma pessoa que você admira e respeita é uma enorme honra. Ao mesmo tempofaz com que você se pergunte se merece tudo isso, entre outras coisas. Uma dessas coisas foi “será que isso me trará algum tipo de felicidade duradora ou apenas um orgulho momentâneo?”. E como vocês, caros leitores, devem saber: uma dúvida leva a outra e eu me encontrei perguntando a mim mesma: o que seria a felicidade duradoura e verdadeira que tanto procuro? Pois agora irei relatar minhas experiências pessoais e conclusões acerca desse tema.
Primeiramente, quando eu penso em felicidade eu sempre penso em contradições, por exemplo, as folhas de uma árvore no outono e prédios antigos, nada muito comum, masque de uma maneira estranha parecem se completar – pelo menos para mim. Às vezes, uma euforia parece nos preencher e nesse momento nos sentimos completos, porém essa é uma sensação momentânea e acaba tão rápido- mais rápido do que miojo quando eu estou com fome - que não vale a pena ser sentida.
Depois tem aquele momento de insegurança em que você tem certeza que se você fosse mais bonita, inteligente ou magra sua vida seria melhor porque as pessoas gostariam mais de você e consequentemente você seria mais feliz, mais uma ilusão no meio do seu mundo de inseguranças. Por que ilusão? Você deve estar se perguntando. No fundo, todos nós sabemos que existe beleza em todos os lugares, algumas pessoas apenas não são capazes de vê-la por algum motivo.
A verdadeira beleza está escondida. Ela está bem na sua frente, tão perto que você poderia tocá-la se esticasse seus braços, porém é muito mais fácil se contentar com as coisas do jeito que estão, é muito mais simples. Eu não poderia escrever um texto sobre felicidade sem tocar no assunto beleza, isso porque, para mim, os dois estão ligados de tal maneira que um depende do outro para existir.
A verdadeira beleza, aquela que os olhos nem sempre conseguem ver, está nas pequenas coisas da vida - como andar de bicicleta numa rua deserta e se sentir o dono do mundo por isso ou comer a sua sobremesa predileta – e a felicidade está em procurar, achar e saber apreciar essa beleza.
O Texto é da minha querida aluna Victoria.