sábado, 24 de setembro de 2011


Prédios públicos do Rio vão ter brigadas contra a dengue

Funcionários serão especialmente destacados para procurar focos de mosquitos

Rio - Todos os prédios públicos das esferas municipal, estadual e federal do estado terão brigadas de combate à dengue. O anúncio foi feito nesta segunda-feira pelo secretário Estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, durante o seminário ‘Rio Contra a Dengue’, que reúne até amanhã prefeitos e secretários de Saúde de mais de 50 municípios no Hotel Intercontinental, em São Conrado, Zona Sul do Rio. A ação tem por objetivo reduzir os riscos da provável epidemia em 2012.
“Temos um cenário muito ruim e extremamente preocupante para o próximo verão. Principalmente porque temos um tipo novo do vírus, o tipo 4. Ninguém tem imunidade a ele”, alertou Côrtes.
Arte: O Dia
Arte: O Dia
As brigadas contra a dengue começarão a atuar na segunda quinzena de outubro após a assinatura de decreto pelo governador Sérgio Cabral. Os grupos serão compostos por funcionários dos próprios órgãos, que terão a função de semanalmente fiscalizar seus prédios para impedir a existência de criadouros do mosquito da dengue.
“E uma vez por mês, 1.500 homens do Corpo de Bombeiros vão fiscalizar estes locais. Se forem encontradas larvas do mosquito, os administradores da unidades serão punidos administrativamente”, alertou a subsecretária de Vigilância em Saúde, Hellen Miyamoto.
Além das brigadas, as ações do estado preveem mudanças no horário de expediente dos agentes endêmicos. O objetivo é que a jornada de trabalho deles se adapte às realidades de cada município, e inclua fins de semana e até mesmo a noite, quando os moradores estão em casa para receber as visitas de inspeção. “Queremos que vistoriem as casas de domingo a domingo”, disse Côrtes.
Dez minutos
O governo voltou a lançar o programa “10 minutos contra a dengue”. A ideia é que cada pessoa separe este tempo por semana para verificar a existência de focos do mosquito em sua casa, empresa ou escola. O programa será levado a colégios e empresas, segundo o estado.

Mutirões
A Prefeitura do Rio vai realizar mutirões contra a dengue em todos os fins de semana. Dia 24 será a vez da Zona Sul. Dia 1º, do Méier. E, no dia 8, o trabalho será em Santa Cruz.

Implante deixa rosto de menino com 'chifres'

Londres (Inglaterra) - Por conta de uma mancha de nascença vermelha na testa, um menino inglês de quatro anos precisou de dois implantes no rosto para que a mancha pudesse ser retirada. Os suportes, no entanto, deram ao rosto do pequeno George Ashman, hoje com cinco anos, um aspecto de chifres.
Foto: Reprodução
O pequeno George pouco tempo depois de colocar os implantes e após a retirada dos mesmos | Foto: Reprodução Internet
Por temer que seu filho fosse vítima de bullying pelo resto da vida, a mãe de George, Karen, de 33 anos. decidiu submeter o filho a uma cirurgia, que consistia na inserção de dois expansores sob a pele, que gradualmente seria inflado e esticaria o tecido, fazendo com que a mancha sumisse. No entanto, quando os suportes começaram a crescer, ficaram semelhantes a um par de chifres. A reportagem é do Daily Mail.

Depois de quatro meses os implantes foram removidos a mancha já havia sumido. O resultado permitiu que George ficasse com apenas uma pequena  cicatriz na testa, bem aoestilo do bruxinho inglês Harry Potter.

"Quando vi pela primeira vez os implantes no lugar, fiquei sem palavras", afirmou a mãe do menino. "Eles eram maiores do que eu esperava - e colocados em cada lado da cabeça minúscula, pareciam chifres. O lindo rostinho de anjo do meu bebê parecia o diabo".
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George nasceu com uma mancha vermelha na testa | Foto: Reprodução Internet
George nasceu em 2006 com um hemangioma marca de nascença - um caroço benigno causado pelo crescimento anormal de tecidos de vasos sanguíneos. "Quando ele nasceu minha mente imediatamente correu para a frente por 10 anos. George seria o garoto solitário, sem amigos, sem namorada"

Apesar da retirada da mancha, muitas crianças da escola ainda apontam para George e riem dele, devido às fotos do menino na época do implante dos suportes.


Cientistas fazem partícula viajar mais rápido que a luz

Genebra (Suíça) - Pesquisadores que trabalham no superacelerador de partículas europeu anunciaram ter feito descoberta que pode mudar totalmente conceitos importantes da Física: encontraram uma partícula que pode atingir velocidade mais rápida que a da luz, considerada “insuperável” até então segundo a Teoria da Relatividade de Albert Einstein.

Segundo medições de especialistas, os neutrinos (partículas menores que átomos) percorreram os 730km que separam as instalações do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern), em Genebra (Suíça), do laboratório subterrâneo de Gran Sasso (Itália), a velocidade de 300.006 km/segundo, portanto 6 km/segundo a mais do que a velocidade da luz. “Em uma ‘corrida de fundo’ de 730km, os neutrinos cruzaram a linha de chegada com 20 metros de vantagem  em relação à luz, se ela tivesse percorrido a mesma distância através da crosta terrestre”, explicou, em comunicado do Centro Nacional de Pesquisa Científica francês (CNRS).
A QUINTA DIMENSÃO
Se a medição for confirmada após análises de especialistas de todo o mundo, a descoberta pode significar a existência, no universo, de algo até então só presente nos filmes de ficção científica: uma outra dimensão, fora as quatro conhecidas — o tempo e as três do espaço (comprimento, largura e altura).

Quem sustenta a tese é Pierre Binetruy, diretor do Laboratório de Astropartículas e Cosmologia de Paris. Para ele, os neutrinos “encontraram um atalho em outra dimensão”, e por isso venceram a corrida contra a luz. 

Ao que tudo indica, físicos terão muito trabalho pela frente. Afinal, a experiência que resultou na descoberta foi repetida à exaustão: os resultados publicados pelo Cern e pelo CNRS foram fruto de três anos de dados e da observação de mais de 15 mil neutrinos, com margem de erro recorde de apenas 10 bilionésimos de segundo.
Mesmo assim, pesquisadores do experimento querem que os resultados da pesquisa sejam analisados por ainda mais especialistas.

Cerca de 200 mil jovens deficientes estão fora da sala de aula

Segundo o MEC, o problema seria a falta de vagas nas escolas públicas

Brasília - Quase metade das crianças e adolescentes (48%) com algum tipo de deficiência e que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) está fora da escola. A proporção equivale a cerca de 200 mil jovens que deveriam estar estudando, mas não conseguiram vaga nas escolas ou as famílias não efetuaram a matrícula.
Foto: Divulgação
Para Haddad, há falta de iniciativa do poder público local | Foto: Divulgação
Os números são do Ministério da Educação (MEC) que lançou em Brasília, nesta quarta-feira, a 2ª edição do Prêmio Experiências Educacionais Inclusivas. De acordo o ministro Fernando Haddad, o grande contingente é fruto de problemas culturais (as famílias não têm a compreensão da necessidade e do direito de as pessoas com deficiência estudarem) e também da falta de iniciativa do Poder Público local.
Haddad espera que as secretarias deEducação dos estados e dos municípios busquem as crianças e os adolescentes que não estão na escola. “Eu tenho o cadastro de todas as crianças que recebem por lei um salário mínimo em virtude de uma deficiência. Eu tenho esse cadastro e cruzo com o do MEC. Se eu não encontro a criança matriculada, eu tenho que visitar essa criança. Cem mil crianças já foram resgatadas com esse processo, nós temos que buscar essas 200 mil”, disse.
De acordo com a secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), Cláudia Pereira Dutra, muitas famílias têm medo de perder o benefício ao matricular os filhos porque, na visão dessas pessoas, a frequência escolar seria a comprovação de que não existe invalidez. Cláudia afirma que não há essa possibilidade e esclarece que a Constituição Federal (Artigo nº 205) determina que a educação é “direito de todos e dever do Estado e da família”.
“Esse recurso é para promover a qualidade de vida das pessoas, entre eles, o exercício do direito à educação”, destacou.
Segundo Cláudia, desde 2007, mais de 24 mil salas de recursos multifuncionais (com equipamentos, mobiliários, material para atendimento especializado) foram instaladas nas escolas públicas (investimento de R$ 150 milhões). Anualmente, o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) oferece R$ 100 milhões para a adequação física de escolas (construção de rampas, instalação de corrimão, adaptação de banheiros).
Na opinião da secretária, além da adequação física e da formação dos professores, é fundamental a compreensão dos profissionais que atuam nas escolas de que muitas pessoas com deficiência necessitam do apoio de um acompanhante permanentemente – como parentes que possam ficar na escola para ajudar em atividades em sala, na locomoção, na alimentação e no uso dos banheiros.
No ano passado, escolas públicas de 420 municípios de todo o país inscreveram 713 iniciativas para concorrer ao prêmio. Uma escola em cada região foi premiada. Este ano,o prêmio foi dividido em três categorias: escolas públicas (para experiências pedagógicas exitosas); secretarias de Educação (gestão do sistema de ensino que gere inclusão); e estudantes de escolas públicas (para texto narrativo sobre o tema A Escola Aprendendo Com as Diferenças, que deve ser elaborado por estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio). O primeiro colocado receberá um notebook.
As inscrições devem ser feitas até 31 de dezembro, no site do MEC: www.mec.gov.br
Com informações da Agência Brasil

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011


 O Estado de São Paulo, 21/09/2011 - São Paulo SP
Comissão do Senado retira do MEC responsabilidade pelo ensino superior
Projeto de lei transfere atribuição para Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
Estadão.edu
A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado aprovou nesta quarta-feira projeto que transforma o Ministério da Educação (MEC) em Ministério da Educação de Base. Dessa maneira, todas as universidades federais e normas relativas ao ensino superior passariam a ficar sob responsabilidade do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Agora, o projeto segue para a Comissão de Educação, Cultura e
Esporte. Depois, para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. Se aprovado, segue para votação na Câmara dos Deputados. De acordo com o autor do projeto, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), a mudança é necessária porque o peso do ensino superior faz com que haja uma concentração de recursos e atenção do MEC nesse setor. "Outros países já mostraram que ter um ministro que cuide
exclusivamente do ensino de base é um bom caminho. O caminho das universidades é a inovação", disse Buarque, em entrevista à Rádio Senado. Na Europa, três países - Portugal, França e Reino Unido - têm ministérios distintos, que cuidam separadamente do ensino superior e de base. Na América do Sul, a Venezuela segue o mesmo caminho.

 O Estado de São Paulo, 21/09/2011 - São Paulo SP
Para senador, divisão do MEC fortaleceria ensino básico
Cristovam Buarque diz que pressão de universitários garante mais recursos para ensino superior
Estadão.edu
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) acredita que uma divisão no MEC fará com que o ensino básico passe a ser mais valorizado no País. Ele é o autor do projeto, aprovado nesta quarta-feira pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, que pretende tirar do ministério a responsabilidade pelo ensino superior. "Hoje, 70% do que a União investe em educação vai para o ensino superior. Com um
ministro cuidando apenas da educação básica, isso vai mudar", afirma Buarque. Para o senador, que foi ministro da Educação no primeiro governo Lula, a força política dos estudantes universitários promove desequílibrio no repasse de verbas. "Criança não vota nem tem UNE. Hoje, um ministro pode fazer um trabalho pífio no ensino básico e mesmo assim 
sair fortalecido do cargo", reclama Buarque. Segundo ele, o envolvimento da presidente Dilma Rousseff no assunto agilizaria a tramitação do projeto no Legislativo. Com a divisão, o Enem, utilizado como forma de seleção para universidades federais, continuaria sob tutela do MEC. Procurado pela reportagem, o ministério informou que não comenta projetos de lei.


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Editoriais, artigos e opiniões


Editoriais, artigos e opiniões
Matérias
> O Estado de São Paulo, 06/09/2011 - São Paulo SP
Mundo tem quase 800 milhões de analfabetos, segundo Unesco
Segundo dados do Instituto de Estatística da agência, maioria que não sabe ler é do sexo feminino
EFE
A Unesco informou nesta terça-feira, 6, que 793 milhões de pessoas em todo o mundo não sabem ler nem escrever, de acordo com um estudo publicado por ocasião da celebração do Dia Internacional da Alfabetização. Segundo dados do Instituto de Estatística da Unesco, a maioria dessas pessoas são meninas e mulheres. "Outras 67 milhões de crianças em idade escolar não leem ou escrevem, e 72 milhões de adolescentes em idade escolar também não estão gozando de seu direito à educação", indicou a agência da ONU. Em todo o mundo, 11 países têm mais de 50% de adultos analfabetos: Benin, Burkina Fasso, Chade, Etiópia, Gâmbia, Guiné, Haiti, Mali, Níger, Senegal e Serra Leoa. Por regiões, o sul e o oeste da Ásia abrigam mais da metade da população analfabeta mundial (51,8%), tanto que na África Subsaariana vivem 21,4% dos adultos analfabetos.

Dia da Alfabetização - Na Ásia Oriental e no Pacífico estão 12,8% dos analfabetos, nos países árabes, 7,6%, na América Latina e no Caribe, 4,6%. América do Norte, Europa e Ásia Central somam cerca de 2% dos adultos analfabetos, acrescentou a Unesco. A
celebração do Dia Internacional da Alfabetização, no dia 8 de setembro, presta atenção especial à relação entre a alfabetização e a paz, segundo a organização. A Unesco entregará em Nova Délhi os prêmios internacionais de alfabetização Confúcio e Rei Sejong, que recompensam projetos do Burundi, Estados Unidos, México e da República Democrática do Congo. O prêmio Unesco-Rei Sejong será entregue ao Instituto Nacional para a Educação dos Adultos do México (Inea), por seus programas de alfabetização bilíngues. Segundo a Unesco, esses programas demonstraram sua eficácia para reduzir os índices de analfabetismo entre as povoações indígenas do México, em particular das mulheres, e para melhorar sua capacidade de exercer seus direitos.

Em Nova Délhi será realizada, entre os dias 8 e 10 de setembro, a conferência internacional "Alfabetização feminina para um desenvolvimento integrador e sustentável", organizada pelo governo indiano na abertura da "Iniciativa E-9". A diretora geral deste órgão da ONU, Irina Bokova, declarou em comunicado que "o mundo precisa urgentemente de um
compromisso político mais firme com a alfabetização respaldado pelos recursos adequados para ampliar os programas eficazes". "É indispensável aos governos, as organizações internacionais, a sociedade civil e o setor privado fazer da alfabetização uma prioridade política, para que todas as pessoas possam desenvolver seu potencial e participar ativamente na formação de sociedades mais sustentáveis, justas e pacíficas", afirmou.

E-9 - Participarão da conferência de Nova Délhi a presidente da Índia, Pratibha Devi Singh Patil, assim como os Ministros da Educação da Nigéria, Ruqayyatu Admed Rufai, que também preside o E-9, Paquistão (Pir mazhar-ul-Aq), Nepal (Gangalal Tuladhar), Egito (Ahmed Gamal El-Din Moussa), Sri Lanka (Bandula Gunawardhana), Bangladesh (Nurul Isla) e Butão (Lyonpo Thinley Gyamtso), entre outros. O E-9 reúne nove países muito povoados que concentram mais de dois terços dos analfabetos adultos e mais da metade das crianças não escolarizados do mundo, e é formado por Bangladesh, Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Nigéria e Paquistão.
> O Estado de São Paulo, 06/09/2011 - São Paulo SP
Matrículas de jovens e adultos caem pela metade em SP
Para especialistas, País tem sido ineficiente em mobilizar alunos que não completaram ensino fundamental e médio na idade adequada
MARIANA MANDELLI
As matrículas em Educação de Jovens e Adultos (EJA) caíram pela metade nos últimos sete anos no Estado de São Paulo. Em 2004, existiam 1.177.812 alunos matriculados na modalidade em escolas paulistas. Em 2010, dado mais recente, o número despencou para 606.029 – queda de 48,5%. Os dados, que constam no Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC), estão no Plano Plurianual 2012-2015 do governo do Estado e retratam todas as redes de ensino – estadual, municipal e particular. Em São Paulo, 98,8% dos alunos de EJA são atendidos nas redes públicas – destes, 61,9% estudam em escolas estaduais e 36,9% em unidades municipais. A EJA é uma modalidade de ensino destinada a quem não completou o ensino fundamental e médio na idade adequada por algum motivo. Ela pode ser oferecida em cursos presenciais, a distância ou mesmo com exames supletivos. Desde 2007, a EJA recebe financiamento do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Atualmente, o índice de analfabetismo funcional na Região Sudeste é de 16%, segundo o Instituto Paulo Montenegro. Não há dados por Estado.
Especialistas em EJA apontam vários motivos para o declínio – não apenas em São Paulo, mas
também em outros Estados. “A queda é observada em todo o Brasil e o principal motivo é a ineficiência de mobilização do público”, diz Maristela Barbara, diretora de formação e acompanhamento pedagógico da organização não governamental Alfabetização Solidária (AlfaSol). Para ela, falta atenção do poder público. “Só 24% das escolas do Brasil oferecem EJA. Os colégios têm de estar onde estão esses alunos”, diz. “Há mais de 30 milhões de analfabetos funcionais, mas apenas 3,7% estão matriculados na modalidade.”

Para os especialistas, outra dificuldade é o fato de a EJA reproduzir o ensino regular. “O modelo está em crise e não combina com o estilo de vida dos alunos”, afirma Orlando Joia, diretor de curso do Colégio Santa Cruz. “Além disso, o saldo demográfico está negativo: tem mais gente saindo de São Paulo do que chegando e, normalmente, eram essas as pessoas atendidas.” Vera Masagão, da Ação Educativa, afirma que ainda faltam políticas específicas dos Estados e municípios para a modalidade. “Devemos pensar em modelos mais flexíveis, que devem ser incentivados pelos governos”, afirma. “Muitos alunos trabalham e é difícil conciliar tudo.” Para a Secretaria de Educação de São Paulo, a queda de matrículas é reflexo da 
correção do fluxo escolar – ou seja, os alunos estão estudando nas séries em idade correta. De acordo com a pasta, São Paulo tem, entre a população de 15 a 17 anos, a maior taxa de escolarização no ensino médio do País. 

No caso do ensino fundamental oferecido por EJA, a secretaria afirma que a queda de matrículas se deve ao esgotamento do fluxo, que era “ascendente por conta da demanda reprimida no passado e por causa das exigências do mercado de trabalho”. O governo ainda lembra que uma deliberação do Conselho Estadual de Educação (CEE) elevou, em 2009, a idade mínima para ingresso na EJA – o que obrigou uma parcela dos alunos a se matricular no ensino regular. A rede privada de ensino paulista é responsável por apenas 1,2% das matrículas de EJA – em 2001, essa taxa era de 11,2%. Algumas escolas fecharam cursos nos últimos anos por diversos motivos. No Colégio Nossa Senhora das Graças, o curso, que era oferecido com apoio da Ação Social da Associação Pela Família, acabou por causa da adequação à lei 12.101, que estabeleceu novas normas para entidades filantrópicas. No Colégio Rainha da Paz, a baixa demanda deve levar ao fechamento das turmas em 2012.
> O Estado de São Paulo, 06/09/2011 - São Paulo SP
Estudantes têm em média 40 anos
Azulejista de 54 anos quer se alfabetizar e parar de 'passar vergonha'
MARIANA MANDELLI
Na parede, papéis coloridos retratam as letras do alfabeto, enfileiradas, e os números, em ordem crescente. O ambiente parece contrastar com os alunos, cuja média de idade é de 40 anos. Todos com o objetivo de aprender, finalmente, a ler e escrever de forma plena. A sala de aula fica dentro da Fundação Gol de Letra, na Vila Albertina, zona norte de São Paulo. No espaço, 18 alunos de Educação de Jovens e Adultos (EJA) participam do projeto de alfabetização da AlfaSol, organização não governamental voltada para o tema. É o caso de Antonio Gomes Bezerra, de 54 anos, que retomou os estudos há um ano, segundo ele, por “necessidade”. Ele parou de estudar duas vezes – uma aos 12 anos, outra aos 14 – e voltou agora porque “cansou de passar vergonha”. “Para preencher umaficha em qualquer lugar eu tinha de pedir ajuda”,lembra ele, que só sabia assinar o nome. A volta foi possível porque a família o apoiou. “Meus filhos incentivaram muito”, diz ele, que é do Rio Grande do Norte e trabalha com colocação de azulejos. Em classe, as últimas atividades da turma foram ditados, leitura de textos e lições com o nome próprio. A professora Fernanda Lacerda, de 34 anos, é ex-aluna de EJA. Ela engravidou aos 17 anos e precisou parar de estudar na ocasião. 

Voltei com 23 anos e fui para uma escola regular porque não tinha vaga de EJA onde eu queria”, lembra. Hoje, Fernanda leciona das 18 às 21 horas, de segunda a quinta-feira. “É uma troca maravilhosa, e a gente pode perceber como a história de vida das pessoas influencia 
na educação delas.” Fernanda atribui a queda na procura principalmente à rotina dos alunos. “Antes, a disputa era grande e tinha até lista para encher duas salas”, diz. “Mas alguns têm dificuldade com horário, por conta do trabalho, da casa, de ter que cuidar dos filhos e netos.”

Para não faltar, a auxiliar de limpeza Orlinda Martins, de 38 anos, já chegou a levar os filhos para a sala de aula. “Quando não acho gente para ficar com os meninos, trago os dois comigo”, conta ela. “Mesmo cansada, eu venho.” Orlinda, que veio da Bahia, frequentou até a 4.ª série e aprendeu a ler e escrever. “Mas passei muito tempo afastada e meu filho tem dificuldade na escola”, explica. “Por isso, eu precisava saber mais até para ajudá-lo nas tarefas.”
> Portal G1, 07/09/2011
Primeira no ranking de escolas estaduais do RJ tem ensino integral
Escola de Niterói teve média de acerto de 85,7% na prova do governo. Para diretora, bom desempenho se deve à criatividade dos professores.
Ana Carolina Moreno do G1, em São Paulo
As cerca de 80 crianças matriculadas no 5º ano do Centro Integrado de Educação Pública Governador Leonel de Moura Brizola (Ciep 499), em Niterói, estão “maravilhadas” desde que descobriram que estão no topo do ranking de escolas estaduais do Rio de Janeiro. O resultado, divulgado na segunda-feira (5), levou em conta o desempenho de 1.255 das 1.457 escolas avaliadas no 2º Saerjinho – prova bimestral aplicada pelo governo do Estado. O Ciep 499 funciona em tempo integral nas primeiras séries do ensino fundamental. Os cerca de 340 alunos do 2º ao 5º ano chegam à escola às 7h30 e só vão para casa às 16h. De acordo com a Secretaria de Educação, o governo mantém 307 Cieps no Estado, mas apenas 150 funcionam no horário integral. Na avaliação das escolas, o colégio obteve média de 85,7% de acertos. Foram aplicadas provas a 360 mil alunos do 5º e do 9º anosdo ensino fundamental, além de estudantes das três séries do ensino médio.

O resultado foi o topo do ranking de matemática pela segunda vez consecutiva. Em língua portuguesa, o Ciep 449 ficou na segunda posição. É uma das poucas escolas em que os alunos se dão melhor nos cálculos do que na escrita, segundo o resultado divulgado pelo governo do Rio. A boa notícia divulgada na segunda-feira alegrou não só alunos e professores. "Toda a comunidade também está muito feliz por eles se verem em primeiro lugar no Estado", disse Maria Celeste Paiva do Vale, diretora do colégio. Segundo ela, a notícia contagiou toda a comunidade no entorno da escola, fundada em 1994. O segredo do Ciep, para a diretora, é a soma de ambientes interessantes na escola e professores criativos. “A gente está acostumada a trabalhar com
projetos porque somos uma escola em horário integral, temos que tornar o ambiente o mais atraente possível”, explicou.

Xadrez - Quando o resultado do 1º Saerjinho foi divulgado, no semestre passado, a diretora do Ciep líder no ranking afirmou que os professores se surpreenderam. Mas, para a segunda prova, Maria Celeste disse que os professores usaram as notas da própria avaliação. “Você tem resultados por alunos e pelas disciplinas e consegue verificar a tempo onde os alunos estão com maiores dificuldades, onde estão errando mais”, disse. Sabendo que as aulas de matemática eram “mais temidas” pelos alunos, os professores do Ciep investiram em abordagens diferenciadas da matéria. “Criamos algumas estratégias, como uma sala de jogo, e trabalhamos com xadrez, por exemplo, para reforçar o raciocínio”, afirmou Maria Celeste.
> O Estado de São Paulo, 07/09/2011 - São Paulo SP
Universidade emite diploma digital e cobra R$ 400 pelo impresso
Formados em Jornalismo pela Univap, de São José (SP), não conseguem registro profissional porque MInistério do Trabalho não aceita documento
FERNANDA BASSETTE
Há pouco mais de um ano, formandos da Universidade do Vale do Paraíba (Univap), em São José dos Campos (SP), não recebem mais o diploma na versão impressa. Desde junho de 2010, a instituição optou por entregar uma versão digital do documento – o que não é regulamentado pelo Ministério da Educação. A versão digital do diploma é entregue gratuitamente ao aluno em um CD, junto com o histórico escolar. Caso o estudante opte por receber a versão impressa, a universidade entende que se trata de uma segunda via e, para isso, cobra R$ 400. Alunos formados em jornalismo, por exemplo, já enfrentam problemas com esse modelo – eles não conseguiram tirar o registro profissional no Ministério do Trabalho porque o órgão não aceita esse diplomacomo documento oficial.

Consegui tirar um registro provisório porque apresentei o documento da colação de grau. Mas só vale por um ano e não é definitivo. Quando vencer, não sei como vou fazer”, diz o jornalista Pedro Augusto Barbosa Pereira de Almeida, de 26 anos, que se formou em março. Assim como ele, o jornalista Felipe Melo da Silva, de 24, também não conseguiu tirar o registro profissional. Os ex-alunos procuraram o Procon (órgão de defesa do consumidor) para reclamar, mas nem assim conseguiram resolver o problema. “Trabalho com comunicação institucional, mas não posso assinar o material que produzo como jornalista responsável. Se um dia a empresa exigir o registro,
provavelmente terei de pagar os R$ 400”, diz Silva.

Os estudantes reclamam também que para visualizar o diploma digital é necessário instalar um programa no computador, o que torna inviável apresentá-lo no Ministério do Trabalho ou em entrevistas de emprego. “Vou pedir para eles instalarem o programa para verem que é autêntico?”, pergunta Almeida. Segundo Alberto Canhoto, secretário-geral da Univap, a instituição deve ser a primeira do Brasil a adotar esse tipo de diploma com assinatura digital. “O procedimento foi autorizado pelo órgão máximo da universidade em maio do ano passado. Já emitimos mais de 1,6 mil diplomas nesse modelo”, afirmou.
> Estado de Minas, 08/09/2011 - Belo Horizonte MG
Carro na frente da educação
Pesquisa mostra que despesa com automóvel consome 10% do orçamento da família mineira, enquanto apenas 3% são para estudos. Consumo no estado vai movimentar R$ 112 bi este ano
Pedro Rocha Franco
O advogado Marcelo Carabetti gasta todo mês mais de R$ 700 com seu carro, enquanto as despesas com livros, cadernos e outros itens escolares do filho Rodrigo, de 13 anos, totalizam aproximadamente R$ 200. Ou seja, os gastos com educação da família são mais de três vezes menores do que os custos para manter o automóvel. Estudo inédito do Instituto Ibope Inteligência mostra que as despesas dos Carabettis são semelhantes à média dos gastos das famílias mineiras, colocando a educação no pé da planilha orçamentária, com 3% do total, enquanto o montante usado para custear o automóvel está quase no topo, com 10%, atrás só de itens essenciais: alimentação e bebida (17%) e artigos para casa e manutenção (12%). A média de consumo de produtos, bens e serviços pessoais per capita, em 2011, deve ser de R$ 5.674, totalizando R$ 112 bilhões.

A variação dos gastos com educação é inferior a 1% entre as quatro classes sociais. Enquanto a classe B dispensa 3,6% para as despesas com os estudos, as classes C e D/E gastam 2,5% do
orçamento monetário. A explicação para a diferença de custos, segundo a gerente de Geonegócios do Ibope Inteligência, Marcia Sola, é que a classe C prefere colocar os filhos no ensino público e comprar um automóvel. “Se tiver um carro, tem gastos obrigatórios. Parte das pessoas acreditam que o carro ainda é um bem, veem-no como patrimônio e não como um gasto. Mas a concepção está errada”, afirma Marcia. Em contrapartida, a explicação para os investimentos maiores da classe B na educação dos filhos, segundo a especialista, é que, “apesar de ser o grupo familiar com os gastos mais contidos, é característica apertar o cinto para colocar os filhos na escola particular”. Mas, independentemente da condição financeira, os recursos investidos no quesito educação são os menores entre os itens considerados pelo levantamento.

Na casa da família do advogado Marcelo Carabetti, o carro é tido como indispensável. Isso porque ele depende do transporte para resolver situações do dia a dia relacionadas ao 
seu trabalho. “Se fosse pegar ônibus para levar  meu filho à escola e depois ir para o trabalho, deixaria de ganhar dinheiro”, argumenta. Com o orçamento apertado, ele afirma que para manter a família teve que abandonar a vida de aposentado e voltar à rotina dos engravatados. “Na época de escolher entre o ensino particular e o público, não tinha condições de optar por um colégio pago. Agora, se transferi-lo, caso ocorra algum imprevisto, posso não conseguir encaixá-lo novamente na escola (pública) em que ele estuda agora”, afirma o advogado. No comparativem o de gastos entre educação e as despesas com o carro, a classe C é a que mais prioriza o veículo: os custos do automóvel são 3,5 vezes maiores que os relacionados aos estudos. Nesse montante incluem-se os valores do combustível, seguro, financiamento, IPVA e taxa de licenciamento, estacionamento, manutenção etc. Em termos de percentual, a classe B é a que mais gasta com o carro: 11,1% da renda. Mas, por ser a líder também no quesito ensino, a proporção entre os dois é menor que na classe C: 3,08 vezes.
> Portal G1, 07/09/2011
Procuradoria pede que MEC paralise compra de livros didáticos no PA
Investigação detectou fraude no banco de dados do ministério. Recomendação vale para oito municípios da região Transamazônica
O Ministério Público Federal enviou recomendação, na segunda-feira (5), para que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) suspensa a compra de livros didáticos no Pará. A indicação da Procuradoria é que a suspensão seja imediata para a 10ª Unidade Regional de Educação do Estado. Na área há 18 escolas nos municípios Altamira, Anapu, Brasil Novo, Medicilândia, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Vitória do Xingú e Uruará, que ficam na região da Transamazônica. No total, 12,4 mil alunos estão matriculados nas instituições afetadas. De acordo com a Procuradoria, o banco de dados do Ministério da Educação que mantém o registro dos títulos dos livros foi fraudado. Os títulos são escolhidos por professores e diretores das escolas, mas, segundo a recomendação, a lista da região paraense foi alterada. As apurações apontaram que o cadastro dos livros foi feito no dia 8 de junho no sistema do ministério. Porém, quatro dias depois, em umdomingo, o banco de dados foi modificado por uma pessoa não identificada. Além de recomendar a paralisação da compra dos livros didáticos, a Procuradoria pediu à Polícia Federal que investigue o caso. O procurador Bruno Alexandre Gütschow recomendou ainda que o MEC reabra o processo de cadastramento dos livros didáticos pelos professores da região. O fundo tem até o dia 15 de setembro para apresentar uma resposta.
> Terra Educação, 07/09/2011
Entidades estudantis farão abaixo-assinado por verba do pré-sal
A União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) e a Associação Nacional de Pós Graduandos (ANPG) divulgaram nesta quarta-feira uma carta aberta aos estudantes brasileiros. O documento foi assinado pelos presidentes das três entidades e usa o dia da independência do Brasil para convocar a classe estudantil para uma mobilização a favor de uma nova divisão da verba pública para o ensino. Na carta as entidades defendem o fim do analfabetismo e melhor oportunidade de estudo para todas as classes sociais. "A grande transformação na educação é um imperativo, com a superação do analfabetismo, das brutaisdesigualdades regionais, do desequilíbrio na qualidade de ensino acessível para ricos e pobres, da má remuneração dos professores e das ainda injustas políticas de acesso à universidade", diz um trecho do documento. Um dos principais motivos do comunicado é convocar os estudantes para a realização de um abaixo-assinado para a ampliação da verba proveniente do Produto Interno Bruto (PIB) e utilização de até 50% das receitas do pré-sal na Educação: "anunciamos aqui o início de uma grande mobilização popular para a realização do abaixo-assinado que recolherá milhões de assinaturas pelos 10% do PIB e 50% do pré-sal pra Educação".Para mobilizar a classe estudantil, a carta finaliza com um chamado para os jovens ocuparem as ruas e as redes sociais. "Chamamos a juventude brasileira a ocupar cada vez mais espaços, físicos e virtuais, nas ruas, nas escolas, nas universidades, na internet e nas redes sociais", comunicou o grupo. No Plano Nacional da Educação (PNE), que está em tramitação no Congresso Nacional, o governo federal propõe a liberação de 7% do PIB para a área nos próximos dez anos. Em agosto, professores e estudantes realizaram diversas manifestações em todo o Brasil pedindo o aumento na verba para a Educação.
Editoriais, artigos e opiniões
> Folha.com, 07/09/2011
Faça você mesmo a sua escola
Clóvis Rossi
O Reino Unido está inaugurando esta semana 24 "escolas livres", que vêm a ser estabelecimentos de ensino financiados pelo poder público, mas geridos pela comunidade ou por alguma empresa que se disponha a fazê-lo. O pano de fundo ideológico da ideia está na pregação de campanha (vitoriosa) de David Cameron, conservador. Se desse para resumir em um slogan, como é da praxe deste mundo dominado pelo twitter, diria que é "menos Estados, mais sociedade". Na prática, funciona assim: um grupo de pais, por exemplo, ou alguma organização decide criar uma escola. Deve, então, enviar requerimento ao Ministério da Educação, demonstrar que existe demanda local de parte de pais e/ou alunos, apresentar um projeto educativo e o plano financeiro.Se aprovada a proposta, o governo financia a instalação da escola, que, no entanto, permanece gratuita. A partir daí, o Estado sai de campo e deixa a cargo de um Comitê Diretor (preferencialmente formado pelos pais) o recrutamento de professores, a definição do número de alunos por classe, a organização do tempo de estudos, o conteúdo dos programas escolares e assim por diante. Fico imaginando se esse tipo de escola "faça você mesmo" funciona. Dizem que há exemplos similares na Suécia e nos Estados Unidos, mas desconheço qualquer avaliação delas.

E no Brasil, funcionaria? Tenho sérias dúvidas. O sucesso desse tipo de empreendimento passa, inexoravelmente, pelo envolvimento
profundo de pais e mães. Em cidades como Rio e São Paulo, a grande maioria dos pais/mães não consegue, mesmo que tenha boa vontade, encontrar tempo nem para atividades mais imediatas na relação familiar, imagine então envolver-se com a escola. Seria necessário desenvolver um sentido de comunidade que se debilitou no mundo todo por mil motivos que não vem ao caso relacionar aqui. Mas é algo para se pensar, posto que o modelo educacional brasileiro está em crise (vive em crise, na verdade). Resolveu o problema da quantidade, ou seja, colocou na escola quase a totalidade das crianças em idade escolar, mas permitiu concomitantemente que se deteriorasse fortemente a qualidade.