sexta-feira, 28 de abril de 2017

Vestibular CEDERJ 2017.2 | Vestibular Cederj

Vestibular CEDERJ 2017.2 | Vestibular Cederj


Vestibular CEDERJ 2017.2

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Página Oficial vestibular CEDERJ 2017.2, clique aqui.
Leia atentamente:


Vestibular Cederj: mais de 7 mil vagas em universidades públicas
 As vagas são para 15 cursos de graduação a distância nas universidades do

Consórcio Cederj: CEFET, UENF, UERJ, UFF, UFRJ, UFRRJ e UNIRIO


Estão abertas as inscrições para o Vestibular Cederj 2017.2, que disponibiliza 7.159 vagas em 15 cursos de graduação a distância nas universidades públicas do estado do Rio. Para os candidatos que vivem longe das instituições de ensino, é uma ótima oportunidade de ingresso na UERJ, UFRJ, UFF, CEFET, UENF, UFRRJ ou UNIRIO: as universidades que formam o Consórcio Cederj.
As inscrições serão recebidas até 11 de maio (inscrições, clique aqui), mediante o pagamento da taxa de R$ 85. Acesse aqui  a lista de cursos oferecidos em cada polo – Manual do Candidato (a partir da pág 8).
Cursos:
As 7.159 vagas estão distribuídas pelos cursos de: Bacharelado em Administração (711 vagas), Administração Pública (400) e Engenharia de Produção (400); tecnólogos em Gestão de Turismo (250), Segurança Pública (360) e Sistemas de Computação (529); e Licenciatura em Ciências Biológicas (871), Física (375), Geografia (240), História (250), Letras (300), Matemática (830), Pedagogia (1.040), Química (318) e Turismo (285).
Polos:
Os polos da Fundação Cecierj estão localizados em todas as regiões do estado, nos municípios de Angra dos Reis, Barra do Piraí, Belford Roxo, de Bom Jesus do Itabapoana, Campo Grande, Cantagalo, Duque de Caxias, Itaguaí, Itaocara, Itaperuna, Macaé, Magé, Miguel Pereira, Natividade, Niterói, Nova Friburgo, Nova Iguaçu, Paracambi, Petrópolis, Piraí, Resende, Rio Bonito, Rio das Flores, Rocinha, Santa Maria Madalena, São Fidélis, São Francisco de Itabapoana, São Gonçalo, São Pedro da Aldeia, Saquarema, Três Rios e Volta Redonda.
Aulas:
As aulas ocorrem no modelo semipresencial, com acompanhamento didático e avaliações nos 32 polos da Fundação Cecierj. Os alunos deverão comparecer ao polo pelo menos duas vezes por semestre para fazer as provas. De acordo com o curso, pode ser necessária a presença no polo mais vezes, como para participar de aulas em laboratório. O material didático é fornecido gratuitamente (nos formatos online e impresso) e o diploma é emitido pela universidade consorciada sem distinção da educação presencial.
Cederj:
O Consórcio Cederj pertence à Fundação Cecierj, órgão vinculado à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Social. É formado por sete instituições públicas de ensino superior: CEFET, UENF, UERJ, UFF, UFRJ, UFRRJ e UNIRIO, e conta atualmente com mais de 40 mil alunos matriculados.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Sistema de informações da educação brasileira busca transparência pública e efetividade para melhoria dos resultados educacionais

Fonte: Revista Educação  
O Brasil possui um dos mais completos sistemas de produção de estatísticas educacionais do mundo. Sabemos que há 48,8 milhões de estudantes matriculados em 186,1 mil escolas de educação básica. Também sabemos que a proficiência em língua portuguesa nos anos iniciais do ensino fundamental está melhorando desde 2001 e realizamos, todos os anos, uma prova, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que assumiu contornos de “vestibular nacional” e só é menor do que o realizado na China.
Esses são apenas alguns exemplos dos levantamentos e avaliações produzidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o Inep, que em janeiro completou 80 anos de existência.
Criado em 1937, durante o governo de Getúlio Vargas, para “organizar a documentação relativa à história e ao estado atual das doutrinas e técnicas pedagógicas” e “promover inquéritos e pesquisas”, entre outras atribuições, o Inep tornou-se uma instituição-chave para as políticas educacionais brasileiras especialmente a partir de 1997, quando passou a ser uma autarquia ligada ao Ministério da Educação (MEC) (Leia mais sobre a história do Inep).

Atualmente, o Inep é o órgão oficial responsável por levantamentos estatísticos educacionais e por avaliações de larga escala na educação básica e superior. “O sistema de informações educacionais brasileiro é comparável aos melhores do mundo”, comenta o coordenador do Laboratório de Estudos sobre Educação Superior da Universidade Estadual de Campinas (LEES/Unicamp), Renato Pedrosa. “Países como a Índia sequer sabem exatamente o número de alunos matriculados nas escolas.”
As informações geradas pelo Inep subsidiam as mais diversificadas ações e políticas públicas: a criação de indicadores de qualidade como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o credenciamento de instituições de ensino superior que usa como insumo o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) ou até a distribuição de bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni), que adota como parâmetro o desempenho dos estudantes no Enem.
Apesar disso, à medida que aumenta a relevância do instituto, intensifica-se o debate em torno da utilização das informações produzidas pelo órgão. Nesse sentido, Renato Pedrosa pontua, por exemplo, que embora os dados produzidos pelo Inep sejam de qualidade, a maneira como os resultados são usados em programas governamentais merece atenção. “É preciso avançar na discussão sobre o uso das avaliações para qualificar as políticas”, afirma.
Para o economista Sergio Firpo, professor e pesquisador do Insper, o desafio que se apresenta é aprimorar o uso dos dados para a avaliação das políticas educacionais. “Coletar e divulgar informações para a sociedade é o grande mérito do Inep. Mas a transparência sobre como os dados são produzidos e seu uso para accountability precisam ser reforçados.”
Já o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, defende o papel do Inep como “órgão inteligente capaz de subsidiar a tomada de decisão” através de análises e pesquisas. “O Inep poderia trazer para o debate público temas relevantes para pensar a educação. Seria uma maneira de qualificar a discussão.”
A pergunta que surge, então, é: a massa de dados e informações produzidos pelo Inep está servindo plenamente à implementação de políticas capazes de diagnosticar e incidir sobre os problemas da educação brasileira?
A resposta para essa questão não é simples, pois envolve uma diversidade de aspectos – da metodologia adotada para a produção das estatísticas à apropriação das informações por gestores, professores e a sociedade em geral, passando pelo acesso aos dados das bases geradas pelos levantamentos e avaliações.
Identidade e missão
Nesse cenário, uma questão que surge é o aumento do espectro de atuação do Inep, especialmente a partir de 2009, quando o Enem se consagrou como o principal instrumento de seleção de estudantes para a educação superior.
“O Inep assumiu novas atribuições que não tinha e que envolvem um enorme grau de complexidade”, destaca a secretária executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, que foi presidente do órgão entre 1995 e 2002.

A trajetória do Inep nos últimos 20 anos ilustra esse processo. Na segunda metade da década de 1990, quando foi reestruturado, o instituto se concentrava na realização do Censo Escolar, do Censo da Educação Superior e na aplicação das provas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Hoje, operacionaliza um exame como o Enem que teve 8,6 milhões de inscrições e envolveu 660 mil pessoas na realização da prova em 2016 – realiza, também, periodicamente, censos e avaliações da educação básica e superior, além de produzir indicadores de qualidade.
Nesse contexto, o desafio é equacionar as ações e atividades do instituto de modo a não perder o foco. Uma medida nessa direção, defende a secretária executiva do MEC, é a reformulação do Enem anunciada em março.
A partir de 2017, o exame deixará de oferecer certificação de conclusão do ensino médio, o que deverá reduzir o número de inscritos em pelo menos 1 milhão de estudantes, calcula a gestora. Esses estudantes poderão obter a certificação por meio do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), também realizado pelo Inep.

Além disso, o desempenho dos estudantes no Enem não será mais utilizado para calcular o Enem por Escola. O uso como insumo de um indicador de qualidade de escolas é alvo de polêmica, dividindo opiniões entre aqueles que o consideram inadequado para essa medição (pois a participação dos estudantes no exame é voluntária) e aqueles que defendem sua validade enquanto sinalizador do ensino e da aprendizagem no secundário.
Essas medidas, ao lado do debate sobre a revisão dos indicadores da educação superior ao longo de 2017, têm como objetivo consolidar o sistema de avaliações educacionais brasileiro, defende a atual presidente do Inep, Maria Inês Fini “As mudanças no Enem e no Saeb visam fortalecer um sistema que está atingindo sua maturidade”, afirma.
Pensar a avaliação
Na medida em que a operacionalização de avaliações complexas como o Enem e o Saeb assumem relevância no espectro de atuação do Inep, isso afeta sua atuação no campo das políticas públicas.
“Um exame como o Enem envolve processos administrativos complexos e possui uma finalidade distinta das atribuições que caracterizam o Inep desde a década de 1990: a produção de estatísticas educacionais e as avaliações em larga escala”, diz o sociólogo Simon Schwartzman, presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets). “Com isso, deixa de haver clareza sobre a missão do Inep.”
Outro efeito colateral é o enfraquecimento do papel do Inep na realização de pesquisas instrumentais para subsidiar a tomada de decisões mais sustentadas no campo das políticas educacionais, assinala Romualdo Portela, da Faculdade de Educação da USP.
“É importante o que o Inep faz na produção de estatísticas educacionais e no acesso público aos bancos de dados. Já a outra faceta do Inep, a operacionalização de testes em larga escala, remete a um debate que vamos ter de fazer em algum momento: essa função não caberia a uma agência independente?”, questiona Portela.
Na mesma direção, o historiador Roberto Catelli Junior, coordenador do programa Educação de Jovens e Adultos da ONG Ação Educativa, crê que, ao se transformar num “instituto que realiza exames”, o Inep perde a capacidade de produzir pesquisas, prejudicando o diagnóstico de problemas e a análise dos impactos das políticas educacionais. “Não existem sequer relatórios sobre a aplicação do Enem ou Encceja, então não é possível avaliar seu impacto”, argumenta Catelli Junior.
O risco, na visão desses pesquisadores, é que as decisões relativas às políticas sejam fundamentadas em critérios subjetivos ou em percepções e crenças que não traduzem as reais necessidades.
“Existe uma overdose de avaliações desde a década de 1990, muitas delas censitárias, o que leva a pensar: por que fazer avaliações como a Prova Brasil? Não é necessário fazer uma avaliação censitária para realizar um diagnóstico. Esse tipo de exame só faz sentido se os resultados forem usados para gerenciar os sistemas, o que revela uma determinada orientação da política educacional”, analisa Romualdo Portela, da Feusp.
Em contrapartida, constata-se um baixo nível de aproveitamento desses resultados por aqueles que estão na linha de frente do processo educacional, ou seja, professores, coordenadores e diretores de escola, o que torna relativo o impacto dessas avaliações enquanto instrumentos para orientar ações voltadas, por exemplo, a melhorar a qualidade da aprendizagem.
A ausência de conexão dos resultados e indicadores aferidos nas avaliações de larga escala com as características locais ou com expectativas de aprendizagem é um dos fatores que explicariam isso. “Toda avaliação é qualitativa e envolve uma interpretação, o que exige o estabelecimento de critérios para definir se um resultado é ou não adequado”, defende Ocimar Alavarse, também professor da Feusp.
“Sem a interpretação a avaliação fica restrita a uma medição, especialmente num cenário em que as escolas não têm uma cultura de dados e pouco sabem o que fazer com esse resultado”, complementa. Por isso, defende Alavarse, as avaliações só fazem sentido se gerarem outras políticas que não sejam as próprias avaliações.
O uso dos dados
O consenso quanto à relevância do papel do Inep na produção de estatísticas e dados educacionais convive com o debate sobre a maneira como eles são usados. Um exemplo é o Enem por Escola, cujo uso como indicador de qualidade era considerado inadequado. Outro caso é o dos indicadores de qualidade da educação superior, fortemente baseados no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), adotados para credenciar instituições e autorizar cursos. “Em muitos casos, os indicadores produzidos são usados de maneiras que distorcem eles próprios, fazendo com que percam validade”, afirma Pedrosa.
Consequentemente, o propósito da avaliação acaba sendo distorcido, o que pode se agravar quando esse tipo de prática é adotado para estruturar políticas educacionais. “O ProUni trabalha com uma faixa de corte de 450 pontos. Mas por que 450 pontos?”, questiona ele.
Nesse sentido, o economista Reynaldo Fernandes, professor da USP e ex-diretor do Inep, defende que os resultados das avaliações devem ser usados para mobilizar a sociedade e para prestação de contas. A divulgação do Enem por Escola, por exemplo, abre espaço para que se use a informação da maneira que for mais conveniente. “Se as pes­soas têm a informação, podem avaliar da melhor maneira. A interpretação dos dados é aberta”, defende.
Afinar as avaliações e os indicadores de qualidade é, então, o desafio que se apresenta ao Inep – não apenas em função da necessidade de aprimorá-los e de mantê-los em sincronia com parâmetros internacionais, mas, também, no caso da educação básica, em decorrência das mudanças que serão implementadas com a nova Base Nacional Curricular Comum (BNCC). “A Base vai impactar as diretrizes curriculares, o Enem e o ordenamento jurídico das avaliações”, prevê Maria Inês Fini.
Na outra ponta, o acesso aos dados, especialmente para o público não especializado, merece mais atenção, enfatiza Gabriela Moriconi, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas (FCC). “As estatísticas têm qualidade, a difusão das bases de dados tem ocorrido com relativa rapidez, mas há defasagem na divulgação para o usuário leigo.”
O efeito desse processo com diferentes sincronias é o enfraquecimento da capacidade de compreensão dos desafios da educação pela sociedade em geral, assim como por atores-chaves do setor (como diretores e professores), cuja adesão é fundamental para o sucesso de qualquer política educacional.

terça-feira, 25 de abril de 2017

HANNAH ARENDT (1906-1975)

Hannah Arendt (Linden, 14 de Outubro de 1906 — Nova Iorque, 4 de Dezembro de 1975) foi uma teórica política alemã, muitas vezes descrita como filósofa, apesar de ter recusado essa designação. Emigrou para os Estados Unidos durante a ascensão do nazismo na Alemanha e tem como sua magnum opus o livro "Origens do Totalitarismo".


Cientista política e vítima do racismo anti-semita, Hannah Arendt tornou-se um dos grandes nomes do pensamento político contemporâneo por seus estudos sobre os regimes totalitários e sua visão crítica da questão judaica. A liberdade, o abandono das tradições culturais e a administração tecnocrática da sociedade foram alguns de seus temas principais.

BIOGRAFIA

Nascida numa rica e antiga família judia de Linden, Hannover, fez os seus estudos universitários de teologia e filosofia em Königsberg (a cidade natal de Kant, hoje Kaliningrado). Arendt estudou filosofia com Martin Heidegger na Universidade de Marburgo, relacionando-se passional e intelectualmente com ele. Posteriormente Arendt foi estudar em Heidelberg, tendo escrito na respectiva universidade uma tese de doutoramento sobre a experiência do amor na obra de Santo Agostinho, sob a orientação do filósofo existencialista Karl Jaspers. Hannah Arendt doutorou-se em filosofia em 1928, na Universidade de Heidelberg.

A tese foi publicada em 1929. Em 1933 (ano da tomada do poder de Hitler) Arendt foi proibida de escrever uma segunda dissertação que lhe daria o acesso ao ensino nas universidades alemãs por causa da sua condição de judia. O seu crescente envolvimento com o sionismo levá-la-ia a colidir com o anti-semitismo do Terceiro Reich o que a conduziria, seguramente, à prisão. Conseguiu escapar da Alemanha para Paris, onde trabalhou com crianças judias expatriadas e onde conheceu e tornou-se amiga do crítico literário e místico marxista Walter Benjamin. Em 1940, casou-se com o professor de história da arte Heinrich Bluecher. Foi presa (uma segunda vez) em França conjuntamente com o marido, o operário e "marxista crítico" Heinrich Blutcher, e acabaria em 1941 por partir para os Estados Unidos, com a ajuda do jornalista americano Varian Fry.

Trabalhou nos Estados Unidos em diversas editoras e organizações judaicas, tendo escrito para o "Weekly Aufbau".

Em Nova York foi diretora de pesquisas da Conferência sobre as Relações Judaicas, mas teve que esperar vários anos até retomar o trabalho universitário. Naturalizou-se cidadã americana em 1951, ano em que publicou sua obra mais significativa, Origins of Totalitarianism (Origens do totalitarismo), pela qual tornou-se conhecida e respeitada nos meios intelectuais. Com Eichmann em Jerusalém (1963), suscitou muitas polêmicas ao denunciar o papel das lideranças judaicas no extermínio nazista da segunda guerra mundial.

Em 1963 é contratada como professora da Universidade de Chicago onde ensina até 1967, ano em que se muda para a New School for Social Research, instituição onde se manterá até à sua morte em 1975.

Após vários anos de atividade docente na Universidade de Chicago e na New School for Social Research, em Nova York, Hannah Arendt morreu nessa cidade em 4 de dezembro de 1975. Hannah Arendt está sepultada em Bard College, Annandale-on-Hudson, Nova Iorque.
O trabalho filosófico de Hannah Arendt abarca temas como a política, a autoridade, o totalitarismo, a educação, a condição laboral, a violência, e a condição de mulher.

LIVROS

O primeiro livro "As origens do totalitarismo" (1951) consolida o seu prestígio como uma das figuras maiores do pensamento político ocidental. Arendt assemelha de forma polémica o nazismo e o comunismo, como ideologias totalitárias, isto é, com uma explicação compreensiva da sociedade mas também da vida individual, e mostra como a via totalitária depende da banalização do terror, da manipulação das massas, do acriticismo face à mensagem do poder. Hitler e Stalin seriam duas faces da mesma moeda tendo alcançado o poder por terem explorado a solidão organizada das massas. Sete anos depois publica "A condição humana" e enfatiza a importância da política como acção e como processo, dirigida à conquista da liberdade. Publica depois "Sobre a Revolução" (1963), talvez o seu maior tributo para o pensamento liberal contemporâneo, e examina a revolução francesa e a revolução americana, mostrando o que têm de comum e de diferente, e defendendo que a preservação da liberdade só é possível se as instituições pós-revolucionárias interiorizarem e mantiverem vivas as idéias revolucionárias. Lembraria os seus concidadãos americanos (entretanto adquiriria a nacionalidade americana) que se se distanciassem dos ideais que tinham inspirado a revolução americana perderiam o seu sentido de pertencer e identidade.

Ainda, em 1963, escreveria "Eichmann em Jerusalém" a partir da cobertura jornalística que faria do julgamento do exterminador dos judeus e arquiteto da Solução Final para a The New Yorker. Nesse livro impressionante revela que o grande exterminador dos judeus não era um demônio e um poço de maldade (como o criam os activistas judeus) mas alguëm terrível e horrivelmente normal. Um típico burocrata que se limitara a cumprir ordens, com zelo, sem capacidade de separar o bem do mal, ou de ter mesmo contrição. Esta perspectiva valer-lhe-ia a crítica virulenta das organizações judaicas que a considerariam falsa e abjurariam a insinuação da cumplicidade dos próprios judeus na prática dos crimes de extermínio. Arendt apontara, apenas, para a complexidade da natureza humana, para uma certa "Banalidade do Mal" que surge quando se condescede com o sofrimento, a tortura e a própria prática do mal. Daí conclui que é fundamental manter uma permanente vigilância para garantir a defesa e preservação da liberdade.

Hannah Arendt descreve o fenômeno totalitário como uma forma de dominação própria da modernidade, baseada na organização burocrática das massas, no terror e na ideologia. Como exemplos cita os desdobramentos da utopia socialista em suas versões nazista e stalinista. Na raiz do totalitarismo situa o anti-semitismo moderno, manipulado como instrumento de poder, e o imperialismo surgido nos países europeus no século XIX. Nos ensaios sobre as revoluções francesa e americana destaca a importância da ação conjunta como fonte de autoridade. Em Between Past and Future (1961; Entre o passado e o futuro), afirma que a palavra e a ação, para se converterem em política, requerem a existência de um espaço que permita o aparecimento da liberdade.

Arendt regressaria depois à Alemanha e manteria contato com o seu antigo mentor Martin Heidegger, que se encontrava afastado do ensino, depois da libertação da Alemanha, dadas as suas simpatias nazis. Envolver-se-ia, pessoalmente, na reabilitação do filósofo alemão, o que lhe valeria novas críticas das associações judaicas americanas. Do relacionamento secreto entre ambos ao longo de décadas (inclusive no exílio nos Estados Unidos) seria publicado um livro marcante, "Lettres et autres documents", 1925-1975, Hannah Arendt, Martin Heidegger, com edição alemã e tradução francesa da responsabilidade das Editions Gallimard.

PENSAMENTOS DE HANNAH ARENDT

"É na esfera política e pública que realizamos nossa condição humana".

"O mais radical revolucionário tornar-se-á um conservador no dia seguinte à revolução".

"Quem habita este planeta não é o Homem, mas os homens. A pluralidade é a lei da Terra".

"As mentiras sempre foram consideradas instrumentos necessários e legítimos, não somente do ofício do político ou do demagogo, mas também do estadista".


"O conservadorismo, no sentido da conservação, faz parte da essência da atividade educacional, cuja tarefa é sempre abrigar e proteger alguma coisa"

"A escola não é de modo algum o mundo, nem deve ser tomada como tal; é antes a instituição que se interpõe entre o mundo e o domínio privado do lar"

"A função da escola é ensinar às crianças como o mundo é, e não instruí-las na arte de viver"

"A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele"

"Toda dor pode ser suportada se sobre ela puder ser contada uma história"

“Há uns que nos falam e não ouvimos; há uns que nos tocam e não sentimos; há aqueles que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas... há aqueles que simplesmente vivem e nos marcam por toda vida"

"O poder só é efetivado enquanto a palavra e o ato não se divorciam, quando as palavras não são vazias e os atos não são brutais, quando as palavras não são empregadas para velar intenções, mas para revelar realidades e os atos não são usados para violar e destruir, mas para criar relações e novas realidades." (Arendt, 2001, p. 212)

quinta-feira, 9 de março de 2017

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Por que é preciso ensinar bondade aos jovens?

Especialista no tema defende que os pais devem inspirar os filhos a estenderem a mão às crianças que apresentam dificuldades
Fonte:http://www.gazetadopovo.com.br/educacao/por-que-e-preciso-ensinar-bondade-aos-jovens-0dnj3t00pa1y0817lrgt1jqc5?utm_campaign=boletim
Nesses dias que parecem muito menos bondosos e mais abrasivos, nos quais bons exemplos para as crianças podem ser um pouco difíceis de encontrar, a literatura infanto-juvenil oferece um caminho positivo para o pensamento e para lembrar como é importante se ensinar a bondade aos filhos. Esse ensinamento, por sua vez, não deve parar no jardim de infância, como muitas vezes acontece, mas precisa ser trabalhado também com os filhos mais velhos, ao longo de todo o ensino básico.
Uma das escritoras que defende o ensino da bondade tanto em casa como na escola é R. J. Palacio, autora do livro “Extraordinário”, obra voltada aos estudantes da segunda metade do ensino médio e disseminada nas instituições de ensino americanas.
O romance apresenta a história de Auggie Pullman, um garoto com severa malformação facial, e de seus amigos, conquistados com esforço e que logo deixam de enxergá-lo como diferente. A obra acabou de comemorar seu quinto aniversário e já vendeu cinco milhões de cópias.
Para março, a autora, que gasta muitos de seus dias falando com crianças e professores sobre bondade, prepara o lançamento de um novo livro ilustrado sobre o tema intitulado “We’re All Wonders” (“Somos Todos Extraordinários”, em tradução livre), que tem as crianças menores como público-alvo.
Em entrevista ao Washington Post, R. J. Palacio falou sobre “Extraordinário”, o novo livro e sobre como os pais precisam se lembrar de que o ensino da bondade não deve parar no jardim de infância. Confira:

Como surgiu a ideia para “Extraordinário”?

Estava com meus dois filhos em frente a uma sorveteria. Meu filho mais velho, de três anos, começou a chorar porque estávamos perto de uma garotinha que tinha severas malformações craniofaciais. No momento, não reagi da maneira como gostaria de ter reagido. Estava tão receosa que sua reação pudesse magoá-la que tentei deixar o lugar o mais rápido possível. Então, me dei conta de que ela poderia pensar que fiz isso porque não queria que ele a visse. Às vezes você simplesmente não sabe como agir para que suas ações reflitam suas boas intenções. Foi essa situação que me impeliu a pensar como deve ser estar na pela dessa criança e de sua mãe. Comecei a escrever naquela noite, mais como uma meditação, e simplesmente continuei escrevendo.

Quando você começou a escrever o livro, tinha planejado escrever sobre bondade?

Não sabia que seria um tema abrangente de toda a obra. Mas meu filho mais velho estava indo para o sexto ano do ensino fundamental. Eu estava cercada de crianças dessa idade o tempo todo. Passamos muito tempo [quando eles são pequenos] ensinando as regras do parquinho, nos preocupando com esses pequenos códigos morais. Mas, na hora em que eles se aproximam do final do ensino fundamental, nos esquecemos de lembrá-los. Nesse momento eles precisam disso mais do que nunca. Gastamos mais tempo com “você fez sua lição de casa?” Então me ocorreu que essas crianças precisam ser lembradas sobre como serem bondosas umas com as outras. Precisam que nós as inspiremos a serem bondosas umas com as outras. Há tantos diálogos nos filmes e na TV nos quais maldade passa por normal no fim do ensino fundamental, como se fosse algo a que você tivesse apenas que sobreviver. Não sei por que deveríamos aceitar que crueldade passe como normal. Então queria um livro que lembrasse as pessoas que é legal ser bondoso, não é um sinal de fraqueza. E não se trata apenas de não ser um bully [pessoa que pratica o bullying], mas de expressar empatia e compaixão.

Mas como um pai cria um Jack Will [o personagem do livro que se torna o melhor amigo de Auggie]?

Ele teve de ser incentivado a ser Jack Will. Seu primeiro impulso não foi “ei, quero ir brincar com aquele garoto”. Mas sua mãe tomou o tempo para conversar com ele e não simplesmente mandá-lo, mas inspirá-lo. É nisso que adultos realmente têm muito impacto nas crianças. Sempre pensei que era estranho quando adultos me falavam “ele não me dá mais ouvidos” a respeito de seus filhos pré-adolescentes. Eles ouvem. Eles podem revirar os olhos e fazer sua ceninha de pré-adolescente, mas estão nos ouvindo. Com Jack Will, isso o colocou nos trilhos. Contraste isso com os pais de Julian [o praticante de bullying no livro], que estavam tão dedicados a lhe dar uma experiência perfeita que estavam cegos para o fato de que ele não era uma criança bondosa. E não foram capazes de instruí-lo a ser bondoso. Todos precisamos nos lembrar de que estamos criando nossas crianças, mas também estamos ajudando a criar as crianças dos outros. Mesmo que nossos filhos sejam socialmente hábeis e estejam se divertindo, devemos estar atentos às crianças que estão tendo dificuldades e inspirar nossos filhos a lhes estenderem a mão.

“Extraordinário” é um livro para crianças da segunda metade do ensino médio. Conte-me sobre o novo livro ilustrado.

Pelos últimos vários anos, professores me sugeriram que eu fizesse uma versão ilustrada de “Extraordinário”. A mensagem seria maravilhosa para crianças menores. Peguei o tema de ser diferente e ser extraordinário e da bondade e criei uma história sobre um garotinho, Auggie Pullman, que usa sua imaginação para lidar com a hostilidade que recebe por causa de sua aparência.

O que você acha da situação atual nos Estados Unidos, no que diz respeito à bondade e àquilo que as crianças estão vivendo?

Uma das maiores tragédias da última eleição foi a magnitude da exposição das nossas crianças à crueldade absolutamente devastadora e à maldade que se passam e continuam a se passar por política corriqueira. A falta de respeito, a falta de dignidade, a falta de qualquer vergonha de mentir, todas as coisas que ensinamos nossos filhos a não serem. As crianças aprendem o que veem. Então se veem o presidente dos Estados Unidos tirando sarro de uma pessoa com deficiência, toda uma organização política discriminando uma cultura ou religião, eles internalizam isso. Minha esperança é que um livro como “Extraordinário”, e qualquer outro livro em circulação que possa desfazer o mal que essa eleição fez, vá ao menos mitigar o que aconteceu.

Como os pais podem ajudar as crianças a atravessar a realidade atual?

Agora, mais do que nunca, os pais precisam se engajar. Fala-se sobre cidades e estados santuários, mas precisamos de escolas e lares santuários. Podemos proteger nossos filhos e nós mesmos da feiura e crueldade que passa por normal e assegurar que estamos oferecendo um pequeno santuário próprio. Um santuário de bondade.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Precisamos de uma sociedade “educógena”

 Por: Ilona Becskeházy em 
A expressão famílias educógenas foi utilizada pela primeira vez por Jean Floud, em 1961, no texto “Social Class Factors in Educational Achievement”, editado pela OCDE. A meu conhecimento, o único pesquisador brasileiro a fazer menção a ela é CASTRO (1976) que a define como famílias que se caracterizam por oferecer certo tipo de ambiente familiar favorável à educação (p. 73). Esse autor reconhece, entretanto, o caráter vago dessa noção no texto original da OCDE, mas ressalta a conclusão da autora inglesa de que esse tipo de família vai de tornando mais freqüente conforme se sobe na escala social.

NOGUEIRA, Maria Alice. A categoria “família” na pesquisa em sociologia da educação: notas preliminares sobre um processo de desenvolvimento. Revista Inter-Legere, v. 1, n. 9, 2013. (pagina 157).
Por causa da constatação de que o perfil educógeno das famílias (o qual apresenta alta correlação com a renda, mas não dependente dela, como se vê acima) pode ter um efeito no desempenho dos alunos para além das escolas, as provas padronizadas costumam submeter os alunos que as respondem a questionários de cunho sociológico para identificar este componente (família educógena) e separá-lo do efeito da escola.
Isso se dá para que possa ser feita uma avaliação mais justa das escolas e da diferenciação entre elas, inclusive nos famosos rankings. Portanto, é importante conhecer o perfil de seus alunos. Quanto mais famílias educógenas em uma escola, maior a chance de um desempenho médio mais alto, pois mais famílias dão sua contribuição material e comportamental para o sucesso acadêmico de seus filhos.
É por isso, por exemplo, que o Inep divulga o ENEM por escola por faixas de Nível Sócio Econômico (NSE).
Mas para se determinar isso em larga escala, foi preciso traduzir essa percepção em perguntas de questionário. As provas padronizadas no Brasil também adotam essa prática, embora sejam mais concentradas em avaliar a renda do que a prática educógena ou anti-educógena das famílias.
Resolvi usar os questionários do Pisa, que acho mais abrangentes e lógicos para esse propósito, e fazer uma comparação. Em primeiro lugar então, vamos ver o que é que o pessoal do Pisa resolveu perguntar aos participantes do exame, para além dos itens de conforto e conexão com o mundo que são mais comuns nos questionários brasileiros, com foco maior na determinação da renda das famílias:
Próprio quarto
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Dicionário
Lugar tranquilo para estudar
Escrivaninha
Livros de texto
Literatura clássica
Poesia
Obras de arte
Quantos livros em casa
Instrumentos musicais
Fiz uma comparação entre países da Europa e América do Norte e os da América Latina participantes do Pisa e reforcei o que já esperava: os alunos de países desenvolvidos contam com domicílios muito melhor preparados para o bom desempenho escolar que os da América Latina. Todos esses itens estão relacionados a enormes diferenças de desempenho quando o aluno responde sim ou não sobre tê-los à disposição em casa. O que faz mais diferença é a quantidade de livros em casa: a diferença em ter poucos (0-15) e mais de 500 livros. Nos países da Europa e América do Norte a diferença é entre os dois extremos é da ordem de 100 pontos, na América Latina é bem menor, em particular no Brasil e no México, assim como é menor a proporção de famílias com muitos livros em casa, de acordo com a resposta dos alunos. É possível que famílias de renda mais alta até tenham livros em casa, mas os alunos não os lêem!
Não é só uma questão de renda, mas de cultura e valorização de hábitos acadêmicos. As famílias brasileiras precisam mudar de hábitos para poderem esperar mais de seus filhos do ponto de vista acadêmico e também para poderem exigir mais do governo!

 Fonte: Excelência & Equidade em Educação Desenvolvimento econômico e justiça social de mãos dadas
https://exequi.com/2017/01/16/precisamos-de-uma-sociedade-educogena/

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Volta às aulas exige adaptação dos estudantes - Jornal da Vida

Volta às aulas exige adaptação dos estudantes - Jornal da Vida
#StandToRebuildLives / #NoToDrugs ) 

#VamosReconstruirVidas / #NãoÀsDrogas)

Olá a todos! Aqui, apresento uma iniciativa de ajuda humanitária, cujo denomina-se Projeto  Hominis. Nós, somos um grupo de pessoas responsáveis pelo mesmo, e pretendemos dar suporte a algumas causas sociais. Assim, insistir na chance de um futuro onde haverá o alcance de direitos básicos a todos.
No instante, nosso foco se volta para os direitos humanos, mais precisamente, estamos tentando ajudar a educação e o saneamento básico.
Além desses aspectos, buscamos o apoio para a recuperação de dependentes químicos. E dentro deste assunto, preparamos uma reportagem com uma série de entrevistas aos internos (em processo de tratamento e recuperação) de uma instituição chamada Maranathá. Cujo os esforços é reconstruir vidas e a superação de vícios.

A Dependência Química é considerada um transtorno mental, é uma doença química, provocada por uma reação química no metabolismo do corpo. O portador, com o tempo, vai se deteriorando gravemente e perdendo o controle do uso de substâncias. Afetando suas vidas psicologicamente (como o emocional) e fisicamente.
 Nessa situação (de dependência e vício), a maioria dos usuários precisa de ajuda através do tratamento adequado.

Para aqueles que assistirem, eu peço: Por favor, que além de tentarem acompanhar o seguinte vídeo até o seu instante final, e que perdoem nossas falhas quanto ao equipamento de filmagem, Ajudem-nos a espalhar esta mensagem. Até mesmo usando as nossas hashtags acima!


- Reportagem: https://www.youtube.com/watch?v=imzUv5YmCRI&t=563s

- Canal no YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCbZLpLL9jRb_KHauy_CWp5A



Muito obrigado por sua atenção e devida paciência! Agradecemos além, pelo tempo de seu dia que dedicaste a nós.

Caso seja você um dependente químico (ou conheça alguém que seja), entre em contato e busque ajuda!

Conheça a instituição Maranathá : http://www.maranathario.com/




R.Alecrim

O Pisa além do ranking

Um retrato dos resultados e das questões do exame de leitura mostra em que precisamos avançar

por: 
FS
 
Fernanda Salla
Março de 2011
No ranking geral do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), o Brasil é o 53º colocado entre os 65 países participantes. Se compararmos o desempenho em relação à primeira edição, em 2000, os cerca de 20 mil alunos de 15 anos que realizaram o exame conseguiram elevar em 9% a média brasileira, melhoria insuficiente, entretanto, para nos distanciar das últimas posições da lista. Repercutidos em jornais e revistas, esses números geram reações que variam do espanto ao desânimo. Mas não vão além disso. Para que essa espécie de Copa do Mundo da Educação ajude, de alguma forma, a aperfeiçoar o ensino, é preciso mergulhar no oceano de informações que a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), clube das nações mais ricas do planeta e responsável pela realização da prova, disponibiliza assim que os resultados são publicados. 

O principal recurso é o relatório Pisa 2009 Results: What Students Know and Can Do (Resultados do Pisa 2009: O Que os Estudantes Sabem e Podem Fazer), um compêndio de 276 páginas com dezenas de tabelas, estatísticas e análises sobre o exame. NOVA ESCOLA esquadrinhou o material com a ajuda das especialistas Maria Teresa Tedesco, do Colégio de Aplicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Gisele Gama, consultora do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e diretora-presidente da Abaquar Consultores, em Brasília, e Kátia Lomba Bräkling, coautora dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e professora do Instituto Superior de Educação Vera Cruz (Isevec), em São Paulo. 

Esta reportagem é o resultado desse trabalho. Aqui, você confere detalhes sobre diversos aspectos do exame de leitura, a ênfase da edição de 2009 (o que, na prática, significa que a prova tem mais questões dessa área em relação às outras duas avaliadas, Matemática e Ciências). Um quadro-resumo sintetiza o que a prova avalia e como isso é feito (leia na próxima página). Um estudo dos gráficos mostra quem são os alunos que mais precisam de ajuda - infelizmente, eles são mais do que se imagina (leia o quadro abaixo). Três textos da prova de 2009 são comentados para exemplificar como o conhecimento é aferido pelas questões. Por fim, apresentamos um histórico da avaliação, o que ela revela sobre o ensino brasileiro e suas vantagens e limitações.

Pior do que se pensa
Quase 60% dos alunos brasileiros têm baixa proficiência - ou nem sequer fizeram a prova 

Quando se fala do mau desempenho brasileiro do Pisa, costuma-se mencionar a quantidade de alunos nos níveis mais baixos de proficiência. Na prova de leitura, quase metade tirou no máximo nota 2. É muita gente, mas a situação verdadeira é ainda pior: falta considerar quem está fora da escola ou em situação de atraso escolar (pelos critérios da OCDE, alunos de 15 anos que nem mesmo chegaram à 7ª série). No caso brasileiro, esse grupo corresponde a 19,4% da população na faixa etária avaliada - índice alto em relação aos países líderes do ranking (veja o gráfico abaixo). A soma do contingente fora da escola com o de baixa proficiência dá 59,4%. Ou seja: seis em cada dez jovens de 15 anos ou não reúne condições para fazer a prova ou não é capaz de compreender textos relativamente simples.

Um retrato desalentador Alunos fora da escola ou com desempenho ruim são a regra na América Latina. Ilustração e gráfico: Luciano Veronezi
Um retrato desalentador 
Alunos fora da escola ou com desempenho ruim são a regra na América Latina
* População de 15 anos não matriculada ou cursando pelo menos a 7ª série.
Fonte: PISA 2009
Como funciona a prova de leitura

Realizado a cada três anos, o Pisa tem como objetivo determinar em que medida os estudantes na faixa de 15 anos possuem conhecimentos para uma inserção participativa na sociedade. A aferição utiliza como metodologia a Teoria da Resposta ao Item (TRI), que exige a repetição de perguntas em diversas edições para criar uma série de comparação. Na parte de leitura, o desempenho é avaliado em três competências: identificação e recuperação de informações, integração e interpretação, reflexão e avaliação. A escala avaliativa - usada para medir a dificuldade da questão e a nota dos alunos - comporta sete níveis de proficiência: 1b, 1a, 2, 3, 4, 5 e 6, sendo 1b o mais baixo, e 6, o maior. Um mesmo texto pode conter questões que exijam diferentes capacidades e avaliem diversos níveis de proficiência. 

"A prova do Pisa é extensa e requer fôlego de leitura. Aí já aparecem as primeiras dificuldades dos nossos estudantes, pois é preciso que eles sejam capazes de entender e não apenas decodificar o que está escrito", afirma Gisele. Nesse ponto, conta muito o contato constante com diferentes gêneros e seus portadores (jornais, revistas, enciclopédias, livros etc.), o que permite antecipações sobre o que se pode encontrar. Por exemplo: num texto jornalístico, sabe-se que o título da reportagem traz (ou deveria trazer) o fato mais importante. Saber isso agiliza a localização de dados e o entendimento global. Trabalhar essas competências não é uma tarefa exclusiva do professor de Língua Portuguesa. "Ao reproduzir a variedade de tipos de textos que existem na vida real (mapas, tabelas, lista de instruções etc.), o Pisa apresenta elementos presentes em várias disciplinas. A leitura faz parte de todas elas", afirma Gisele. 

A situação piora quando se pede que os jovens brasileiros reflitam sobre o que está escrito. Um sintoma disso são as inúmeras respostas em branco nas questões discursivas. Para a especialista, esse problema pode estar sendo agravado pelo tipo de exame que estamos habituando nossos alunos a fazer. Na Prova Brasil, por exemplo, há apenas questões de múltipla escolha, o que não incentiva a prática de exprimir as reflexões por escrito. "Essa falta de familiaridade faz com que os estudantes não estejam acostumados a dar opinião sobre o que aprendem", completa. 

Apesar de sua inegável influência nas políticas públicas e nas salas de aula, o Pisa não está isento de ressalvas. No artigo La Internacionalización de la Evaluación de los Aprendizajes en la Educación Básica, a argentina Emilia Ferreiro aponta que é bom tê-las em mente para não "aplicar cegamente as receitas dos organismos internacionais, aqueles que atuam como se soubessem de tudo de antemão". Uma primeira crítica mira o interesse principal do exame: a aquisição de competências. De acordo com a especialista, essa perspectiva coloca o ensino de conteúdos em segundo plano, o que é um erro, já que é fundamental conhecer as teorias e ideias estruturantes de cada área. Assinalando a falta de diálogo dos exames internacionais com as culturas latino-americanas, Emilia afirma que a prova não consegue medir o que, de fato, se ensina. Para que isso ocorra, seria preciso que o exame considerasse o currículo de cada país. Por fim, a pesquisadora considera injusto responsabilizar apenas as instituições escolares pelos maus resultados, uma vez que os problemas da Educação têm raízes que vão da desigualdade social à falta de capacitação. Um bom caminho, diz Emilia, seria inspirar-se no exemplo da Finlândia, onde a profissão docente é valorizada. "Quando poderemos dizer algo assim na América Latina?", questiona ela.

Como funciona a prova de leitura
Aplicado a cada três anos, exame afere competências de alunos de 65 países 

Objetivo 
Avaliar a capacidade dos jovens de 15 anos de entender textos, interpretá-los e refletir sobre eles, de modo a conseguir atender aos objetivos específicos da leitura, desenvolver seu conhecimento e participar da sociedade. 
Foco em interpretação e não na decodificação ou na busca de informações literais 

Formatos de textos 
Contínuo Inclui diferentes tipos de prosa e seus gêneros: textos informativos (reportagens e verbetes), argumentativos (editoriais e artigos) e ficcionais (fábulas, contos etc.). 

Não contínuo Texto em que o conteúdo se encontra disperso em diferentes blocos: gráficos, mapas, diagramas e listas. Se vier acompanhado de um texto contínuo (como uma reportagem), torna-se um texto misto. 

Múltiplo Composto de textos independentes (que podem ou não ter o mesmo gênero) reunidos em coletânea para propósitos específicos (comparar opiniões, mostrar diferentes formas de apresentar uma informação etc.). 
Textos não contínuos e múltiplos são pouco trabalhados no Brasil 

Competências avaliadas Acessar e recuperar informações Afere a capacidade de encontrar e coletar informações específicas, que podem estar explícitas ou exigir que se relacionem dados do texto. 

Integrar e interpretar o que se lê Envolve fazer a relação entre diferentes partes do texto para processar o que foi lido e entender o assunto tratado. Inclui identificar relações de causa e efeito, equivalência e comparação. 

Refletir e avaliar o sentido de um texto Exige relacionar o que está escrito com informações e valores externos ao material, como experiências pessoais e conhecimento específico sobre o tema tratado. 
Um mesmo texto pode servir para avaliar diferentes competências