sábado, 25 de agosto de 2012

Limites na Medida Certa

Escrito por Alessandra Mª de S. Chisté, Edson Neves Luz , Lidiane Kelly S. Montovani, Livia Samantha C. Almeida, Luana Vanessa C. Carminato, Tauana Paula P. de Souza, ThaynaraToffali Cunha e Tânia Perttele | Publicado em 24 de Agosto 2012


Resumo: 

O artigo aborda a importância do limite para a construção de relações saudáveis e apresenta formas adotadas para um bom convívio educacional em âmbito social. Apresenta a opinião de conceituados autores sobre a educação familiar e sua importância para a formação da personalidade do homem moderno. A educação das crianças tem gerado inúmeras questões entre educadores e pais, que demonstram dificuldades para delimitar seus papeis na colocação de limites. A educação dos filhos é uma tarefa da família, que reflete a dinâmica familiar perante os diversos ambientes pelos quais os filhos interagem provocando atitudes coerentes ou não, em razão dessa relação original. O presente trabalho é uma pesquisa de campo quali-quantitativa realizada com 56 adolescentes de escolas publicas com níveis de escolaridade entre o oitavo e nono ano do ensino fundamental de Rolim de Moura - Rondônia. O instrumento avaliador aplicado aos adolescentes foi a Escala de Qualidade de Interação Familiar (EQIF) de Weber, Viezzer e Brandenburg (2003). Esse instrumento permite por meio do relato dos filhos obter informações da interação familiar os quais respondem separadamente sobre seu pai e mãe. Assim sendo os dados coletados pelo instrumento foram comparados e analisados descritivamente por meio da analise do conteúdo temático, pode-se concluir que há uma predominância de comunicação negativa nos lares pesquisados onde os filhos não mantêm um dialogo aberto com os pais.

Palavras-chave: Construção de Limites, Comunicação, Interação Familiar.

1. Introdução

A importância de conhecer como os limites aos filhos vêm se alterando com o passar do tempo é fundamental para nossos estudos, o entendimento literal de limites não esta apenas agregado às aquisições físicas que as crianças precisam dominar na infância, mas também, ligado ao saber lidar com as frustrações e viver em coletividade. Tais limites começam no âmbito familiar. A priori, a autora Zagury (2003) já ressaltava que impor limites é crucial, uma vez que, o fato em questão constitui-se no início do processo de compreensão e apreensão do outro. Dessa forma, não haverá entre indivíduos o respeito recíproco, sem o devido estabelecer de limites, fato este que enseja pensarmos que “nem sempre pode-se alcançar as metas objetivadas em uma vida” (ZAGURY 2003, pág 17).
Outro aspecto de relevante importância em relação a primeira infância que reflete por toda a vida é a teoria do apego e a formação dos vínculos entre mãe e criança que de acordo com Bowlby e Ainsworth o vinculo afetivo e apego são laços duradouros, onde pais e mães são únicos e não podem ser trocados por nenhum outro.
No intuito de conhecer e aprofundar essa pesquisa o presente artigo tem como objetivo tecer algumas considerações sobre a aplicação de limites na educação dos filhos. Abordaremos de forma prévia a relação familiar que é a base na formação da personalidade do individuo. Para as indagações serem mais coerentes possíveis, a pesquisa será norteada pela fonte bibliográfica e pesquisa de campo. A pesquisa de campo será baseada pela ESCALA DE QUALIDADE NA INTERAÇAO FAMILIAR aplicada em uma escola municipal de Rolim de Moura. Considera-se o tema bastante relevante para os pais, sendo que os mesmos fazem parte do desenvolvimento e da formação da autonomia moral da criança, Conferindo a família ensinar valores e princípios sociais que poderão servir de base sólida para todas as experiências nas distintas fases do desenvolvimento cognitivo, social afetivo e emocional.

2. Desenvolvimento

Segundo Weber, Salvador e Brandenburg (2010) são muitas as dificuldades encontradas pelos pais e mães em educar seus filhos e em manter uma interação saudável na esfera familiar. Algumas pesquisas na área da psicologia tem demonstrado o quanto uma boa interação familiar propicia um desenvolvimento mais saudável aos adolescentes e crianças. O ideal seria que as famílias apresentassem uma maior flexibilidade para aceitar e adaptarem-se as mudanças sociais sem perder de vista, valores firmes. Justifica-se então como cabível ter destacado a importância da participação dos pais, pois a eles cabe em primeira instância, dispor de ações claras e efetivas para que seus filhos se desenvolvam de maneira mais ajustada para conviverem em sociedade, tendo boas relações consigo e com o próximo.
Essa participação dos pais não pode estar isolada a um dos principais elementos que uma criança necessita: amor e carinho. Mas, vale salientar o fato de que as necessidades básicas também devem ser priorizadas. No entanto há pais que nesses dois aspectos se mostram negligentes. Esta tendência negligente é preocupante, pesquisas em Psicologia vem demonstrando que boa parte dos filhos que são mais apegados com seus pais, tem a auto-estima mais elevada, são empáticos e seus índices de criminalidade são mínimas. Podemos observar isto nos relatos de Gregory Pettit 1997 apud Hellen Bee 2000 que salientam que as crianças que são criadas em ambientes pobres nos quais os pais são apoiadores, tendem a apresentar menos comportamentos delinquentes do que as crianças igualmente pobres de famílias menos apoiadores em relação ao aspecto emocional. Logo, não é a condição socioeconômica que determina as predisposições a comportamentos deliquentes, mas sim a presença ou ausência do apoio emocional da parte dos pais para com seus filhos.
Ainda falando na parte emocional (SAUVÉ 2009,pg,15) menciona que o vinculo afetivo é promovido juntamente com o relacionamento saudável e de confiança que as crianças mantém com os pais que a fornecem um modelo que facilitará a aquisição de bons relacionamentos fora do seu ambiente familiar, tornando-se capaz de fazer seus próprios contatos e desenvolver a empatia.
Esta exploração é essencial para o crescimento. Ela permite fazer amigos fora do núcleo familiar, sentir prazer na escola, dar liberdade á curiosidade, viajar, correr riscos, realizar-se com uma ocupação técnica ou profissional, assumir uma relação conjugal e, por sua vez, criar uma família. (SAUVÉ,2009,P.44).
É essa relação saudável encontrada nos relacionamentos de pais e filhos que proporcionam a criança a liberdade para brincar e expressar sua criatividade e se tornar um adulto com bons relacionamentos e independente
De acordo com (MELBY E CONGER 1999 apud HELLEN BEE 2000,pg 289) “Na outra extremidade do continuo de carinho, a hostilidade dos pais está ligada ao declínio do desempenho escolar e a um maior risco de delinqüência”
Percebemos diante dos autores acima que o individuo que recebe carinho torna-se na maior parte das vezes mais responsável. Isso fica claro nas pesquisas de (AINSWORTH E MARVIN,1995,apud HELLEN BEE,pg 439.) que falam que pais responsivos são aqueles que conseguem perceber de forma adequada as necessidades dos filhos e reagem de maneira correta diante as suas necessidade.
Não podemos esquecer que a sociedade vai além do limite dentro relacionamento familiar e menciona que ela representa o limite moral do ser social, porque a coletividade absorve e controla o indivíduo através de suas normas e princípios; sobretudo pelos costumes e tradições. Sendo necessário ao homem assumir a responsabilidade de seus atos, assim como nos diz Costa:
Limites são regras ou normas de conduta que devem ser passadas para as crianças desde a mais tenra idade, pois a imposição de limites é parte essencial da educação de uma criança, possibilitando melhor equilíbrio quanto ao seu desenvolvimento moral, psíquico, afetivo, cognitivo, organizando suas relações sociais. Ao colocar regras para as crianças as preparamos para a vida real, onde nem tudo acontece do jeito e na hora que se quer, portanto, durante o processo de desenvolvimento é importante saber que a lei na criança é internalizada, pois ela nasce amoral por ainda não ter internalizado as regras e aos poucos se torna capaz de moralidade quando guarda para si as leis. (COSTA, A., 2002p.22).
Não distante, vemos também que os grandes responsáveis pela educação dos jovens são a família e a escola que ao que parece não estão sabendo cumprir o seu papel. O que se observa hoje é a falência da autoridade dos pais em casa, do professor em sala de aula, do orientador na escola. (TIBA, 1996, p.11).
Podemos ter dificuldade em estabelecer limites para o comportamento, só por não termos uma opinião muito definida sobre o problema em questão. Podemos nos tornar ambivalentes nessas situações por não termos certeza do que sentimos ou por não estarmos dispostos a enfrentar o descontentamento da criança se dissermos não. (SAMALIN e JABLOW, 2000, p.61).
A forma como se estabelece o relacionamento pais/filhos desde a tenra idade, é que determinará o tipo de relação que as crianças terão em suas futuras situações, tais como: acadêmicas, resolução de problemas, determinação, equilíbrio emocional, profissional e pessoal.
Para Zagury (2001), os limites são importantes para a formação da personalidade. São eles que vão ajudar a criança a desenvolver a capacidade de suportar frustrações. Sabe-se que bebês sem disciplina tendem a tornar-se adolescentes e adultos que não sabem adiar seus desejos tendo dificuldades em lidar com seus próprios impulsos e, até mesmo, com a realidade. A falta de limites pode provocar desgastes na relação familiar, excesso de punição, culpa nos pais e por tudo isso, sofrimento. Ademais, a birra da infância pode transformar-se, mais tarde, em agressividade, violência ou depressão.
Podemos concluir que atualmente as famílias estão passando por uma crise onde a passagem da opressão da liberdade que era o modelo de educação que se tinha, um modelo com privações vem sendo substituído por satisfazer os desejos e vontades dos filhos, a fim de compensar a ausência em casa não participando diretamente na rotina dos seus filhos na hora de corrigir e orientar. A insegurança dos pais modernos tendem a valorizar aos mínimos desejos dos filhos, invertendo o modelo anterior, que se caracterizava justamente pela rigidez e inflexibilidade. (ZAGURY, 2002, p.43).
Ao perceber essa mudança buscou-se trazer um estudo descritivo, transversal e quali-quantitativo (Cervo et al., 2006), onde a presente pesquisa foi elaborada através do estudo de vários autores especializados em literatura sobre a imposição de limites pelos pais na infância/adolescentes.
Posteriormente, para conclusão do projeto foi aplicado um teste de ESCALAS DE QUALIDADE NA INTERAÇÃO FAMILIAR numa determinada população específica, os quais foram adolescentes em uma faixa etária de 12 a 15 anos, visando conhecer resultados sobre como os pais estão aplicando limites e se relacionando com os filhos para sua educação, o que serviu de amostra e coleta de dados. Após foi efetuada comparações e análise crítica dos dados obtidos, para então concluirmos os resultados finais.
A pesquisa apresentada foi uma pesquisa de campo quali-quantitativa, pois teve como finalidade observar, registrar e analisar as opiniões e atitudes explícitas e conscientes dos participantes, entretanto, entrar no mérito de seu conteúdo sem interferência do investigador, que apenas procurou perceber com o necessário cuidado utilizando instrumentos estruturados, a freqüência com que o fenômeno do envolvimento entre pais e filhos adolescente acontece.Foram sujeitos desta pesquisa, 56 adolescentes de determinada escola pública com escolaridade compreendida entre o oitavo e nono ano do ensino fundamental de uma escola pertencente ao município de Rolim de Moura - Rondônia. A coleta foi realizada na própria escola com a autorização da diretoria e o consentimento dos próprios alunos, sendo aplicada de forma coletiva.
O instrumento aplicado aos adolescentes foi a Escala de Qualidade de Interação familiar (EQIF) de Weber, Viezzer e Brandenburg, 2003. O EQIF acessa aspectos de interação familiar por meio do relato dos filhos, os quais respondem separadamente sobre seu pai e sua mãe. São 40 questões em sistema Likert de cinco pontos (nunca, quase nunca, ás vezes, quase sempre, sempre), agrupadas em nove escalas. Seis delas abordam aspectos da interação familiares considerados “positivos”: envolvimento, regras e monitoria, comunicação positiva dos filhos, clima conjugal positivo, modelo parental, sentimento dos filhos. As outras três, referem-se a aspectos considerados “negativos”: comunicação negativa, punição corporal, clima conjugal negativo.
Conforme entendimento de (WEBER e AUXILIADORA, 2010) o instrumento EQIF, então, é constituído pelas nove escalas apresentadas que serão definidas na seqüência:
Envolvimento: corresponde á participação dos pais na vida dos filhos. Os itens dessa escala investigam se os pais dão apoio, são sensíveis ás reações dos filhos e estão presentes no dia-a-dia dos filhos. Esta escala engloba também a demonstração de amor dos pais para seus filhos, pelo carinho físico ou pela verbalização positiva, e disponíveis, dando oportunidades para o diálogo e para a autonomia do filho.
Regras e monitoria: mede dois aspectos: a existência de regras, ou seja, normas definindo o que o filho deve fazer e a ocorrência da monitoria, ou seja, supervisão do cumprimento das regras estabelecidas e do monitoramento das atividades do filho.
Comunicação positiva dos filhos: verifica a existência de diálogo construtivo na interação, se os filhos se sentem á vontade para falarem de si para seus pais, o que indica a disponibilidade e a abertura destes para o diálogo.
Comunicação negativa: investiga maneiras inadequadas dos pais falarem com seus filhos, demonstrando a falta de controle emocional dos pais. Esta escala mede tanto a inadequação de conteúdo como a forma de expressão, por exemplo, ameaças, xingamentos, gritos e humilhações.
Clima conjugal positivo: corresponde á boa relação entre o casal, incluindo afeto, diálogo e respeito.
Clima conjugal negativo: demonstra se os pais interagem de forma agressiva, com brigas, xingamento e diálogo negativo.
Punição corporal: corresponde a palmada utilizada pelos pais para corrigir ou controlar comportamentos dos filhos. As questões buscam acessar tanto se os pais batem para disciplinar os filhos, quanto se eles batem como forma de descarregar emoções acumuladas.
Modelo parental: verifica se os pais se comportam de maneira coerente com o que ensinam, ou seja, se são exemplos positivos para os filhos.
Sentimento dos filhos: é uma escala subjetiva que busca verificar como os filhos se sentem em relação aos seus pais. Questões de afeto. E ainda algumas questões associadas a dados demográficos como: idade, sexo, etc.
[...]
Tendo as escalas definidas teoricamente, a construção do EQIF iniciou com a formulação de questões para cada escala. As frases foram avaliadas conforme sua clareza e relevância e submetidas à opinião de juízes. Após um pré-teste com seis crianças, alguns ajustes foram feitos.
O instrumento original, com 103 questões e 10 escalas, foi aplicado coletivamente em 278 crianças de escola publica. As analises realizadas indicaram a retirada de 24 itens do instrumento (ficando 79 questões) e divisão do instrumento em 13 escalas. Nova aplicação do instrumento foi realizada com 320 adolescentes. A análise realizada com o total de participantes (598 crianças e adolescentes) indicou a retirada de mais sete questões e nova alteração na estrutura do instrumento, restando 72 questões e 12 escalas.
Nessas pesquisas, a confiabilidade interna do instrumento foi confirmada através do calculo do alfa de Crombach e da analise fatorial dos componentes principais, com rotação varimax. As autoras (WEBER, VIEZZER&BRANDENBURG, 2008) constataram a validade de construto pela convergência dos escores medidos pelo EQIF e pelas escalas de Responsividade e Exigência (COSTA, TEIXEIRA & GOMES, 2000). A qual avalia estilos parentais.
A amostra foi ampliada para 954 sujeitos e novas análises foram realizadas. Avaliou-se a validade de critério do instrumento e este comprovou ter alto poder discriminativo, ou seja, possui sensibilidade a diferentes amostras. O EQIF apresentou resultados diferentes para os diferentes grupos de adolescentes e crianças de escola particular e escola pública, adolescentes de famílias com baixa renda, selecionamos por uma instituição de financiamento dos estudos e adolescentes alunos de cursos profissionalizantes (WEBER, VIEZZER&BRANDENBURG, 2004). Com essa amostra ampliada, o instrumento passou por novas analises estatísticas acuradas e atingiu a versão final de 40 questões e 10 escalas, as quais foram apresentadas anteriormente.
Assim, conclui-se que o EQIF pode ser utilizado com segurança, por sua confiabilidade e consistência comprovadas nas avaliações de suas propriedades psicométricas.
Apresenta-se uma análise descritiva dos resultados obtidos, de como se estabelecer a relação de qualidade na interação do sujeito com seus pais, a fim de conhecer a freqüência do envolvimento, regras e monitorias, comunicação positiva, clima conjugal positivo, modelo, sentimentos dos filhos, punição física, comunicação negativa e clima conjugal negativo.
limites1
Fig.01 escalas de qualidade na interação familiar.(EQIF). c
limites2
Fig 02 escala Negativas e Positivas.Fonte:os Fonte: Próprios Autores, 2011.
Analisando a fig. n°1 Pode-se perceber que a prática de Comunicação Negativa tem um percentual de 78% que indica que não há um dialogo entre pais e filhos onde os filhos não sentem a liberdade de conversa com seus pais sobre os mais diversos assuntos. Já no quesito de punição corporal o percentil é de 3% mostra que os pais tem usado pouca punição física.
Na fig. n°2 percebe-se aspectos familiares positivos vêm sendo relacionados à melhor desempenho dos filhos em diversas áreas, apresentando-se menos problemas comportamentais, menor envolvimento com álcool e drogas e etc. O contrário tem sido encontrado para os aspectos familiares negativos. A partir disso, considera-se que a predominância de aspectos positivos interações entre pais e filhos e entre casal qualifica famílias protetivas. Quando aspectos negativos prevalecem em detrimento dos positivos, a família qualifica-se como risco para o desenvolvimento dos filhos.

3. Considerações Finais

Considerando os resultados obtidos nesta pesquisa, a compreensão acerca da importância da interação familiar no desenvolvimento das crianças ficou explícita confirmando todos os levantamentos bibliográficos realizados em literaturas especializadas no assunto em questão. Com isso, ficou claro que os pais têm em suas mãos uma grande responsabilidade, quanto ao desenvolvimento social, afetivo e emocional de seus filhos.Outro fator a ser considerado é que, no contexto da criança, as condições sócio-econômicas não é um motivo no qual se implica as distorções no desenvolvimento, como podemos perceber nesta pesquisa, crianças que vivem em famílias de baixo poder aquisitivo, mas que tem o apoio dos pais no sentido de um bom desempenho por parte dos mesmos, no que diz respeito a fatores positivos que foram trazidos pelo teste EQIF, possuem um desenvolvimento satisfatório nas esferas afetiva, emocional e social, disseminando ainda mais os resultados obtidos, os quais dizem nas entrelinhas; crianças desenvolvidas sob normas e regras que deverão seguir e cumprir, isso sendo incondicional ao amor de seus pais, é sinônimo de uma sociedade mais instituída, formada por bons seres humanos adultos.
Contudo, para nós acadêmicos de Psicologia este trabalho foi mais uma excelente fonte enriquecedora de nossos conhecimentos, contribuindo muito para nossa formação acadêmica.

Sobre os Autores:

Referências:



Fonte: Limites na Medida Certa - Psicologia da Família - Atuação - Psicologado Artigos http://artigos.psicologado.com/atuacao/psicologia-da-familia/limites-na-medida-certa?utm_source=e-goi&utm_medium=email&utm_term=Artigo:%20Limites%20na%20Medida%20Certa&utm_campaign=Psicologado#ixzz24aFAhseA

sexta-feira, 24 de agosto de 2012


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Professora explica o que é
 redação dissertativa


Aulas de Biologia e Física..


G1 - Universidades americanas fazem 'ofensiva' por alunos no Brasil - notícias em Mundo

23/08/2012 05h06 - Atualizado em 23/08/2012 05h06

Maior missão comercial no governo Obama, visita de 66 instituições quer pegar carona em impulso do governo brasileiro para financiar estudos no exterior.

BBC
O Brasil receberá no fim deste mês a maior missão de universidades americanas de todos os tempos, o mais expressivo cortejo dessas instituições para atrair alunos brasileiros para seus corpos discentes.
Entre 30 de agosto e 5 de setembro, 66 universidades dos Estados Unidos participarão de feiras estudantis em Brasília, São Paulo e Rio, dez a mais que o grupo que viajou recentemente para a Indonésia e o Vietnã, até então a missão mais numerosa.
Recentemente alçado à posição de 6ª maior economia do planeta, com uma população de poder aquisitivo crescente, precisando investir em qualificação da mão-de-obra e inovação, e com dinheiro em caixa para tal objetivo, o Brasil já virou alvo da estratégia de atração de talentos de instituições de ensino estrangeiras.
Em maio, o país recebeu uma missão de universidades canadenses, e nesta semana a prestigiosa Universidade de Oxford, na Inglaterra, enviou seu alto escalão a São Paulo para anunciar a concessão de uma nova linha de bolsas integrais financiadas com dinheiro do governo federal brasileiro.
'Vivemos num mundo cada vez mais interconectado e as universidades estão reconhecendo que precisam estar engajadas internacionalmente. Quando você pensa nos países com os quais é preciso construir um relacionamento, o Brasil entra na lista de todo mundo', disse à BBC Brasil o subsecretário americano de Comércio dos Estados Unidos, Francisco Sánchez, que vai liderar a missão americana.
A visita está sendo encabeçada pela agência de promoção de exportações americana porque, do ponto de vista americano, cada estudante brasileiro está comprando um serviço exportado pelos Estados Unidos.
Mas neste caso, lembra a secretária brasileira de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, as ligações 'incorporam parcerias dos dois lados'.
'Há uma convergência com o interesse brasileiro de manter contato com sistemas educacionais competitivos em termos de tecnologia e inovação, nosso interesse em estabelecer parcerias em áreas prioritárias e nosso interesse em que pesquisadores brasileiros possam ter treinamento especializado no exterior', disse a secretária à BBC Brasil.
Abocanhando espaço
A área educacional foi a que mais recebeu atenção durante a visita da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos em abril.
A presidente enfatizou o programa Ciência Sem Fronteiras, cuja meta é custear 100 mil bolsas de estudo nas áreas científicas até 2015, a maioria para estudantes e pesquisadores brasileiros no exterior. Os Estados Unidos querem receber entre um quinto e metade desses bolsistas.
No período letivo que começou no outono de 2010 e terminou no verão de 2011, as universidades americanas tinham cerca de 8,7 mil brasileiros matriculados. O número representa um aumento de 23% em relação ao número de cinco anos antes, mas tem permanecido quase inalterado nos últimos três.
Em comparação, o número de chineses não parou de subir: aumentou 89% em cinco anos, saltando de menos de 68 mil estudantes para quase 128 mil.
Já os indianos, que um dia já tiveram a maior presença nas universidades americanas, tiveram um aumento de 25%, para 104 mil matriculados.
'Uma razão que explica o maior número de chineses e indianos nas nossas universidades é a questão demográfica. Mas os programas de bolsas de estudo têm muita influência', disse à BBC Brasil o diretor do setor internacional da Universidade do Norte do Texas (UNT), Pieter Vermeulen.
Desde 2009, Estados Unidos e China mantêm uma iniciativa bilateral chamada 100.000 Strong (algo como 'Fortes como 100 mil', em tradução livre), cujo objetivo é levar 100 mil alunos americanos a estudar no país asiático.
Em maio de 2011, o presidente Barack Obama anunciou a mesma parceria para as Américas, com o objetivo de ter 100 mil alunos americanos estudando nos países latino-americanos, e mesmo número de estudantes viajando no sentido contrário.
'Estamos nos focando no Brasil porque esperamos que o Ciência Sem Fronteiras possibilite que mais estudantes, que antes não podiam vir estudar nos Estados Unidos, agora venham', disse Vermeulen.
Valor agregado
A intensa agenda educacional responde diretamente aos esforços, no norte e no sul do continente, para agregar valor à relação bilateral das duas principais economias hemisféricas.
As trocas entre Brasil e Estados Unidos somaram US$ 60 bilhões em 2011 e corresponderam a cerca de 12% do total de intercâmbios do Brasil com o mundo. Foi um valor menor que o trocado com a China (US$ 77 bilhões).
Entretanto, por trás destes números estão agendas comerciais bem diferentes. Enquanto a relação comercial do Brasil com a China se baseia principalmente no comércio de commodities, com os Estados Unidos é mais forte a presença de produtos agregados, uma tendência que o governo brasileiro pretende estimular.
Tatiana Prazeres diz que considera os Estados Unidos como 'o grande destaque da balança comercial do Brasil em 2012'.
No acumulado de janeiro a julho, as exportações do Brasil para o vizinho do norte cresceram 16%. Já somam quase US$ 35 bilhões. Ao mesmo tempo, as exportações totais do país para o resto do mundo registraram uma pequena queda de 1,7%.
'Em um ano marcado por uma crise internacional aguda, em que o comércio mundial cresce num ritmo bastante lento, esse crescimento das exportações do Brasil para os Estados Unidos é bastante expressivo', diz a secretária de Comércio Exterior.
Mesmo excluindo-se o petróleo, item de commodity que teve alta no mercado internacional, as demais exportações subiram 13%.
Durante o mesmo período, o déficit comercial do Brasil se reduziu de US$ 4,6 bilhões para US$ 2,5 bilhões, mostrando que as exportações brasileiras, entre as quais estão manufaturados como motores para gerar energia eólica, mantiveram seu valor.
'As exportações de produtos de maior valor agregado para os Estados Unidos crescem e contribuem para o resultado positivo do nosso comércio', observa.
Abrindo portas
A expectativa é de que o maior volume de intercâmbios educacionais reforce esta dinâmica.
No curto prazo, as iniciativas reforçariam a 'conta' americana de educação e treinamento, que já estão na lista dos dez principais produtos de exportação dos Estados Unidos.
Há mais de 690 mil estudantes estrangeiros matriculados nas universidades americanas, que contribuem com um valor estimado em US$ 21 bilhões para a economia, entre gastos com mensalidades e custeio de vida. Estima-se que os brasileiros contribuam com US$ 257 milhões deste total.
Entretanto, no longo prazo os intercâmbios têm efeitos 'que vão além da questão educacional', aponta Tatiana Prazeres.
'São parcerias científico-tecnológicas, parcerias de negócios que se abrem, oportunidades de investimentos que surgem, enfim, é um estreitamento de vínculos e um adensamento da relação entre os dois países.'
Posted: 23 Aug 2012 09:54 AM PDT
Uma observação simpática é muito mais eficaz que o sarcasmo para melhorar o ânimo, constataram pesquisadores da Universidade Stanford que testaram o senso de humor de mais de 70 suíços e americanos. Os psicólogos Andrea Samson e James Gross pediram aos voluntários que fizessem piadas sobre fotografias de conteúdo muito pouco agradável: acidentes de carro, cenas de guerra e animais peçonhentos. Parte das pessoas foi orientada a usar humor positivo, isto é, brincar com os paradoxos da vida ou da condição humana; as outras, porém, estavam livres para tecer comentários maldosos.
Posted: 23 Aug 2012 09:43 AM PDT
A psicose pós-parto, uma doença mental devastadora, mas pouco compreendida, afeta uma em cada 500 mães e pode resultar em suicídio ou mesmo em assassinato de bebês.
O período que sucede o parto é o momento em que as mulheres estão mais propensas a doenças mentais, tais como depressão ou psicose. Mas há tratamento.
Posted: 23 Aug 2012 09:29 AM PDT
Homens mais velhos têm maior risco do que os jovens de conceber um filho com autismo ou esquizofrenia, por causa de mutações aleatórias mais numerosas que acumulam. Um estudo publicado nesta quarta (22) na revista "Nature" é o primeiro a quantificar esse efeito a cada ano. A idade da mãe não teve influência nesses transtornos, segundo a pesquisa.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012


Cibertíteres: Sobre um possível discurso marxista nos filmes de Alex Rivera

A Suppia, I Oliveira - Ciberlegenda, 2012
... Política de Avaliação. Enviar artigo via e-mail (Restrito a usuários cadastrados). E-mail ao
autor (Restrito a usuários cadastrados). Open Journal Systems. ... LIM, Dennis. “At the Border
Between Politics and Thrills”. The New York Times. 15/03/2009. ...

[PDF] A regra eo jogo Identidade, hegemonia e gestão de políticas públicas

 no campo da cultura no Brasil contemporâneo

HAD Machado - Biblioteca Latino-Americana de Cultura e …, 2012
... escolher e ter respeitada sua identidade cultural, de escolher e ter respeitada sua
 própria cultura, além do que reza o Artigo 5 da Declaração de Friburgo: a “liberdade 
de ... legitimada através do consenso”. Baseando-se em Bordieu, Canclini aponta que, para ...

[PDF] Pode uma prisão preventiva se basear na opinião pública?

MSA dos Reis
... artigo, contudo, observa-se que a questão do clamor público transcenda à 
argumentação jurídica. Isso porque, pela forma como é construído o argumento do
 “clamor público”, acaba se confundindo com o de “opinião pública” 7 e aí reside 
outro aspecto importante. BORDIEU ...

[HTML] A gap analysis of ornithological research in the brazilian state of

 Roraima

MPD Santos - Biota Neotropica, 2012
... of the river, the terra firme forests of the southeast, the savannas of the northeast,
 on the border with Guyana, and the northern highlands, including montane forest and
 tepuis. Keywords: amazonia, birds, conservation, rio branco, sampling gaps. RESUMO. 
Neste artigo, o esforço ...

[PDF] A construção da cidadania participativa através da educação

E Lucio-Villegas - Revista Lusófona de Educação, 2012
... A construção da cidadania participativa através da educação Emilio Lucio-Villegas
 Resumo Neste artigo procuro discutir as relações entre educação, neste caso particu- lar
 entre educação de adultos, e participação, enquanto caminhos e formas de cidadania. ...

[PDF] Quantização de imagens para geração de descritores compactos de

 cor e textura

LC Escobar, MP Ponti Jr
... Este método é simples, mas bastante útil em diversas aplicações [8]. BIC (Border/Interior
Classification): método de extração de características de cor ... 9]. Antes da análise dos pixels a
imagem deve ser requantizada para uma menor quantidade de cores (o artigo original utiliza ...

Jorge Amado: Exile and Literature

E de Assis Duarte, D Taylor - Comparative Literature Studies, 2012
... Há poucos dias um escritor norte-americano, Samuel Putman, escrevia numa revista dos
 Estados Unidos um artigo onde de repente dizia uma coisa ... The police state of the Estado
 Novo led the author to cross the southern Brazilian border once again in 1941, who this time took ...

[PDF] Tecendo o axé: uma abordagem antropológica da atual transnacionalização

 afro-religiosa nos paises do Cone Sul

DF Bem - 2012
... (BR) – Rivera (UY); Montevideo (UY) and surroundings; Buenos Aires (AR), some cities
of its province and suburbs, this thesis follows the actors in their cross-border transits and
in their relations with the encompassing societies in each city. ...

Papéis nada avulsos

ME Moreira
Page 1. PAPÉIS NADA nvuLsos MARIA EUNICE MOREIRA Organizadora V `DELFOS
Espaço de Documentação ` le Memória Cultural edÍPUC Page 2. PAPÉIS NADA
AVULSOS Page 3. EDITOR Da COlEçãO DElfOS Luiz Antonio ...

[HTML] El pueblo y la juventud derrocan al tirano de Tunez.

P Wonacott
cinabrio.over-blog.es. ESCENA MUNDIAL,. ...

Revista HISTEDBR On-line Artigo
Revista HISTEDBR On-line, Campinas, número especial, p. 228-238, mai 2012
- ISSN: 1676-2584 228

HISTÓRIA, INSTITUIÇÕES, ARQUIVOS E FONTES NA PESQUISA
E NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO
Paulino José Orso

RESUMO
Este artigo, como o próprio título o indica, trata da relação entre a história, as instituições,
os arquivos e as fontes na pesquisa e na história da educação. Discute acerca da
importância de cada uma delas para que o homem possa se conhecer, se localizar no
espaço e no tempo, bem como, agir sobre o meio. Para isso, chama atenção sobre a
relevância tanto das fontes para o acesso ao passado, como da necessidade de preservar a
memória por meio dos arquivos e das instituições, o que também pressupõe a exigência da
utilização de um método adequado para que possamos apreender a realidade efetivamente
como ela é e poder pensar e agir de forma intencional e deliberada, transformando o que se
apresenta enquanto tendências decorrentes do passado.

Palavras-chave: história, educação, instituições escolares, arquivos, fontes, pesquisa
educacional

HISTORY, INSTITUTIONS, ARCHIVES AND SOURCES IN RESEARCH
AND HISTORY OF EDUCATION

ABSTRACT

This article, as its title suggests, deals with the relationship between history, institutions,
archives and sources in research and education history. Discusses about the importance of
each one of them so that man can know each other, to locate in space and time, as well as
act upon the environment. To do so, draws attention to the relevance of both the sources
for access to the past, such as the need to preserve the memory through the archives and
institutions, which also implies the requirement of using an appropriate method for us to
grasp reality effectively as it is and be able to think and act intentionally and deliberately
turning what is presented as arising from past trends.

Keywords: history education, educational institutions, files, fonts, educational research

A História da Educação se constitui numa disciplina um tanto recente e ainda
carece de muita investigação e reflexão para dar conta de compreendê-la como
efetivamente tem ocorrido e porque ela se realizou da forma como ocorreu. Esta é uma
tarefa desafiadora, pois, como não poderia ser diferente, remete a investigar o passado e
compreendê-la juntamente com a totalidade das demais relações. Trata-se de reconstituir a
história pregressa, que é algo que não é possível acessar diretamente. Para fazê-lo
necessita-se de mediações, de instrumentos e meios que possibilitem “retornar ao
passado”, às suas condições, relações e circunstâncias.
Muitas vezes, os pesquisadores tendem a supervalorizar a sua área de interesse,
pesquisa e atuação, de tal modo que, ao invés de aparecer como realmente é, uma
particularidade, acabam apresentando-as como se fossem absolutas. Neste sentido, é bom
ressaltar que a história da educação não se confunde com a própria história, é apenas uma
“parte”, um “capítulo” da História Geral. Daí decorre um duplo desafio. Por um lado, o de
recuperar a história da educação e, enquanto uma particularidade, entendê-la como
expressão característica da universalidade e, por outro, o de, por intermédio da mesma,
possibilitar a compreensão da história como um todo.
Conhecer a história é uma condição de fundamental importância para podermos
compreender o movimento histórico, verificar como e de que forma fomos fazendo e
percorrendo a história. Este conhecimento é condição sine qua non para pensarmos nas
mudanças.
Porém, se hoje se pode dizer que estamos procurando resgatar a história do passado
(com atraso), após tê-la vivido, num momento em que muitas de suas marcas e de suas
fontes já foram perdidas, modificaram-se, ou até mesmo, terem sido intencionalmente
destruídas, podemos nos antecipar e tomar algumas medidas para que isso não venha a se
repetir no futuro. Neste momento, contraditoriamente, também podemos fazer uso dos
meios científicos que já foram produzidos, que temos à nossa disposição para ajudar a
preservar as fontes e a memória histórica3.
Neste sentido, o processo de resgate das fontes amplia as possibilidades de
compreensão da História da Educação e da própria história, na medida em que se
relacionam com a totalidade social de cada momento. Não há outro modo de recuperar e
reconstruir a histórica senão por meio das fontes, quaisquer que sejam elas. O fato é que o
acesso ao passado depende essencialmente delas, que são as bases para a produção
historiográfica. Por isso, a importância de localizar, preservar e socializar essas fontes.
Mas, para isso, é necessário lançar mão de um método adequado que permita chegar
efetivamente a elas, caso contrário, podemos ficar apenas na superficialidade e pensarmos
que isso é tudo. Da mesma forma, não podemos permanecer na aparência e pensar que isto
é absoluto e independente, que está desprovido de relações e implicações. Daí a necessária
seriedade do pesquisador para trazer à tona “a história como ela é”.
Entretanto, este desafio não pode ficar restrito apenas a um pesquisador ou até
mesmo a um grupo de pesquisadores, ao contrário, deve ser assumido por todos os
educadores, escolas, gestores e autoridades ligadas à educação. Assim como é também
necessário procurar integrar o ensino, a pesquisa e a extensão, além de se articular ao
Ensino Fundamental, ao Médio e ao superior, no intuito de potencializar as possibilidades
e garantir um melhor conhecimento da história da educação, principalmente da educação
de cada região, desvelando aspectos desconhecidos por muitos pesquisadores até o
momento.
Em função do tamanho desafio que se coloca para resgatar a história e a memória, é
relevante estabelecer planos, organizar atividades sistemáticas de reflexão, promover a
organização e o planejamento das ações a serem desencadeadas, organizar cursos, linhas de
pesquisas e definir projetos e metas a serem atingidas. Com isso, ampliam-se as
possibilidades de investigação e também de conhecimento, tanto da educação, da história
local, como da história universal. Uma vez perseguidos estes caminhos, articulados ao um
método adequado, as produções vão se somando, as lacunas vão sendo preenchidas,
possibilitando o domínio da realidade, bem como, sua socialização.
Por mais esforços que se faça em torno do desafio proposto, percebe-se o limite de
ação dos indivíduos e dos grupos isolados. Diante disso, torna-se necessário desenvolver
um trabalho de sensibilização junto à comunidade, principalmente, secretarias municipais,
núcleo regional de educação e escolas no sentido de despertarmos a preocupação com a
catalogação, a sistematização, socialização e a preservação das fontes. Do contrário, por
mais esforços que se fizesse, o trabalho ficaria limitado e comprometido.
Neste sentido, há a necessidade do envolvimento das escolas e de seus profissionais
no esforço de preservação da memória institucional da Escola Pública. É evidente que nem
todas as ações humanas ficam registradas para a posteridade, pois, muitas acabam se
perdendo no tempo e não podem mais ser recuperadas, descritas, memorizadas e contadas,
o que, aliás, é próprio da perenidade e da transitividade da matéria.
Como afirma José Claudinei Lombardi, ao longo da história, nas suas ações e
relações com a natureza e com os demais semelhantes, os “homens produziram (e ainda
produzem) artefatos, documentos, testemunhos, monumentos entre outros, que tornam
possível o entendimento do homem sobre sua própria trajetória” (2004, p. 155-6). Contudo,
isto tudo tem um limite, o limite das condições e da etapa de desenvolvimento atingida em
cada momento histórico.
Os registros históricos são os meios utilizados pelos historiadores para se apropriar
de uma realidade que “já não existe” e produzir determinadas explicações históricas.
Porém, a qualidade do conhecimento histórico que se produz depende da relação dos
historiadores com as fontes. Assim, uma relação mais sólida com as fontes, só será
possível, quando eles não mais necessitarem gastar grande parte do tempo de pesquisa para
localizá-las, quando já estiverem organizadas e preservadas em arquivos. Sendo assim, ao
localizar e catalogar as fontes investe-se na qualidade das pesquisas, do ensino e da
extensão das futuras gerações.
Desta forma, o desafio consiste em criar as condições objetivas para a preservação
das fontes, quer sejam elas, das Instituições Escolares, da sua organização, do seu
funcionamento, que possibilitem ao historiador buscar a explicitação da singularidade e da
identidade histórica dos fatos, das Instituições Escolares.
Com relação ao significado da reconstrução histórica das Instituições Escolares
recorremos ao historiador Eric Hobsbawm, quando nos diz que: “O passado é, portanto,
uma dimensão permanente da consciência humana, um componente inevitável das
instituições, valores e outros padrões da sociedade humana”. Ou ainda, “[...] o passado
continua a ser a ferramenta analítica mais útil para lidar com a mudança constante, mas em
uma nova forma” (1998, p. 22 e 30). Noutras palavras, pode-se afirmar que, voltar-se para
o passado é a condição para construir um futuro com melhores condições. Dito de outro
modo, deve-se avançar para o futuro, tendo o passado como uma espécie de “retrovisor”,
para definirmos as decisões, o rumo e a direção a tomar no caminho.
Vale ressaltar, que no trabalho de reconstrução histórica é importante a relação do
pesquisador com as fontes, pois “a amplitude do olhar do pesquisador se dá ao levantar as
fontes. Aí ele não identifica apenas objetos específicos, mas descobre outras questõessociais
que demarcam um período (MIGUEL, 2004, p. 116).
Depois desta breve digressão que teve como objetivo situar de onde fazemos esta
discussão, retornamos à temática objeto deste artigo, começando por reafirmar que a
História da Educação é apenas uma parte da História, o processo de transformação operado
pela e na educação, mas que na verdade, tem a ver com a totalidade social de cada
momento. Contudo, ainda que assim o seja, não se pode desconsiderar que, em sendo
parte, ou justamente por isso, por um lado, ela não é absoluta, nem está isolada no tempo e
no espaço e, por outro, que está situada num contexto sócio-histórico, econômico e
cultural, que tem a ver com a totalidade das relações sociais de uma determinada época e
lugar.
Portanto, não existe uma história da educação no sentido estrito, como se ela
estivesse à parte do conjunto da história geral. Só podemos falar de uma história da
educação de uma forma didática, pois, na verdade temos uma única história, a história do
homem, da sociedade, a história geral e, inerente a ela, uma de suas dimensões, que é a
educação formal.
O fato é que frequentemente a isolamos daquela e tomamos esta como se fosse
autônoma e independente. Por isso é que, frequentemente, vemos produções que, partindo
de métodos questionáveis, afirmam tratar-se de “uma visão”, “um olhar”, que remetem
apenas ao “indivíduo”, à “subjetividade”, ou a um “momento”. Deste modo, criamos
inúmeros problemas tanto para compreender a história da educação, como a própria
sociedade, uma vez que isso não se compreende, nem se explica independente do conjunto
das relações. Por isso, ao nos ocuparmos da educação, não podemos desconsiderar ou
desprezar a totalidade social.
Dito desta forma, portanto, também pode-se depreender o caráter histórico da
educação. Mas, o que significa dizer que a educação possui um caráter histórico? Significa
dizer que ela não foi, não é, nem será sempre a mesma; significa afirmar que em cada
momento, época e sociedade temos um determinado tipo de educação, aquela que
corresponde às condições e à etapa de desenvolvimento do momento. Por outro lado,
também significa que “o momento presente não é apenas o momento presente”, pois,
carrega junto, de modo contraditório, porém, a totalidade das relações e condições que o
antecederam.
É neste sentido que se pode falar que a educação é determinada, que não ocorre ao
“acaso”, de qualquer modo, nem de modo espontâneo e naturalmente. Aliás, o acaso não
existe. Ao contrário, significa que ela não só é determinada, como multideterminada, ou
seja, a modalidade, a qualidade, a quantidade, sua forma e conteúdo, sua extensão, não são
produtos unilaterais de um determinante único. Diferente disso, são resultados de inúmeros
fatores, uns conscientes, explícitos, claros, voluntários, mais ou menos visíveis, outros,
ocultos e até camuflados. Deste modo, pode-se asseverar que a educação de cada momento
aparece, manifesta-se e caracteriza-se como uma síntese das relações que a precederam.
Assim, como a educação é multideterminada, significa afirmar que, para
compreendê-la em profundidade, é necessário recorrer a muitas fontes, que, cada uma
delas, por sua vez, também é multideterminada.
A questão, portanto, que está colocada, é: como reconstruir a História da Educação,
quer seja ela brasileira ou regional, considerando que ela é multideterminada? Porque,
afinal de contas, é importante e necessário conhecer a história da educação? Não basta ir
fazendo educação do jeito que aprendemos a fazer, de acordo com as experiências
acumuladas? Comecemos por esta última questão. De fato não basta ir fazendo educação,
de forma espontânea, sem refletir sobre a(s) teoria(s) e a(s) prática(s) que as embasam,
como se o que fazemos e a forma como fazemos não acarretassem muitas e sérias
implicações sociais. De acordo com Alvoro Vieira Pinto,
A pesquisa científica constitui um tema e cuja consideração o homem de
ciência, em geral, e o pesquisador, em particular, não podem deixar de se
dedicar. Qualquer que seja o campo de atividade a que o trabalhador
científico se aplique, a reflexão sobre o trabalho que executa, os
fundamentos existenciais, os suportes sociais e as finalidades culturais
que o explicam, o exame dos problemas epistemológicos que a
penetração no desconhecido mundo objetivo suscita, a determinação da
origem, poder e limites da capacidade perscrutadora da consciência, e
tantas outras questões deste gênero, que se referem ao processo da
pesquisa científica e da lógica da ciência, não podem ficar à parte do
campo de interesse do pesquisador, que precisa conhecer a natureza do
seu trabalho, porque, [...], é constitutivo da sua própria realidade
individual (1979, p. 3).
Aqui pode-se substituir pesquisador ou historiador por educador que dá no mesmo.
Ou seja, é necessário que o educador reflita sobre a prática que realiza. Não pode dar-se
por satisfeito em ir fazendo de qualquer modo, desprovido de quaisquer pressupostos, sob
pena de provocar sérios problemas sociais. Neste sentido, se não se pode executar um
trabalho sem a devida reflexão sobre o mesmo, também é insuficiente, fazê-lo com base
apenas na experiência espontânea, acumulada ao longo dos anos. Assim, é preciso superar
a Posição metodológica que privilegiasse a tal ponto o hábito, a prática, o
exercício profissional da pesquisa, que julgasse dispensável o apelo à
reflexão teórica, a busca de princípios lógicos e de bases epistemológicas
para construir a teoria da investigação, julgando que o simples fato de
haver-se um sábio dedicado ao trabalho de descoberta, às vezes por uma
vida inteira, valendo-se das inspirações do bom senso, seja suficiente para
qualificá-lo a criar uma doutrina ou a pronunciar apreciações teóricas a
respeito do problema geral da pesquisa científica (Idem, p. 5-6).
Essa insuficiência remete a que se faça um trabalho sério, reflexivo, consequente,
em função das repercussões e consequências do trabalho que se faz. Para isso, é necessário
que se realize o trabalho educacional a partir de uma perspectiva filosófica, que leve em
conta os determinantes e os desencadeamentos sociais.
Mas, porque, afinal de contas, é importante e necessário conhecer a história da
educação? Primeiro, porque o acesso à educação tornou-se uma condição indispensável
para se viver na sociedade atual. E, em decorrência disso, também é necessário conhecer a
história, seja ela da educação ou geral, uma vez que seu conhecimento é imprescindível
para intervir nela e mudá-la.
O conhecimento é condição para transformação. Portanto, partindo do pressuposto
de que precisamos transformar a educação, também é necessário conhecê-la. Mas, como
fazer para conhecê-la de modo eficaz e efetivo? Daí o recurso às fontes é indispensável a
partir de um método adequado. Assim é possível se chegar ao passado como ele
“realmente” ocorreu, ao passado vivido. Não há outra forma de “reconstruir” a história
senão deste modo.
Se, como dissemos acima, a história da educação no Brasil é muito recente, a
pesquisa educacional brasileira o é ainda mais e pode ser marcada por três momentos. O
primeiro, quando praticamente teve seu início, na década de 1950. O segundo, quando são
criados os Programas de Pós-Graduação em Educação e a pesquisa adquire grande
impulso, durante a ditadura militar, nas décadas de 1970 e 1980. O terceiro, quando ocorre
a consolidação da pós-graduação, a partir dos anos de 1990. Nesse momento, ocorre a
chamada crise dos “paradigmas”. Então, propõe-se
o pluralismo epistemológico e temático e privilegia-se o estudo de
objetos singulares. [...] é representado pela ampliação das linhas de
investigação, pela diversificação teórico-metodológica e pela utilização
das mais variadas fontes de pesquisa. Mas, segundo alguns estudiosos, o
que está havendo é, na verdade, uma fragmentação epistemológica e
temática que dificulta a compreensão da totalidade do fenômeno
educacional. Mais ainda, muitos deles vêem, nessa crise paradigmática,
um largo movimento antimarxista e o abandono da perspectiva histórica.
Nessa perspectiva, dizem, são privilegiados temas como cultura escolar,
formação de professores, livros didáticos, disciplinas escolares, currículo,
práticas educativas, questões de gênero, infância e, obviamente, as
instituições escolares. A nova história, a história cultural, a nova
sociologia, a sociologia francesa constituem as matrizes ou a tela de
fundo teórica das pesquisas realizadas
(http://www.faced.ufu.br/colubhe06/anais/arquivos/463 Paolo Nosella_EsterBuffa.pdf).
(consultado em 20.08.11).
Na esteira deste último movimento, nas últimas décadas tem-se feito muita
pesquisa, escrito muitos artigos, livros e capítulos de livros tendo como objeto as fontes, os
arquivos históricos e instituições escolares4. Contudo, a grande maioria deles tem sido
feitas a partir de métodos que apenas permitem conhecimentos parciais e tem sofrido
influência, dentre outros métodos ou concepções, da dita nova história e da chamada
pósmodernidade, assim como tem se colocado francamente em oposição ao marxismo.
Isto tem implicando numa análise um tanto restrita, estreita, focada, fixa, geralmente de
caráter descritivo. Com efeito, dizem os autores,
este tipo de pesquisa apresenta sérios perigos metodológicos, porque o
envolvimento do estudioso é fácil; [...] Frequentemente, o pesquisador
resvala em reducionismos teóricos tais como particularismo, culturalismo
ornamental, saudosismo, personalismo, descrição laudatória ou
apologética. De fato, estudos e pesquisas que retratem, de forma curiosa,
aspectos singulares da instituição escolar, em tempos diversos, são
fascinantes e até sedutores. Quem não gosta de saber como eram vestidas
e educadas as crianças dos séculos passados e suas brincadeiras ou como
as normalistas representavam a relação diploma-casamento? Ou ainda,
quem não gosta de ver enaltecidos os fundadores de uma escola
significativa para sua própria cidade? Ou, finalmente, quem não gosta de
ver, consagrados em livros, nomes e fotografias de seus antepassados?
Estudos como estes agradam a inúmeros leitores. No entanto, por mais
sedutoras que sejam essas pesquisas, não se pode admitir que a descrição
pormenorizada de uma dada instituição escolar deixe de levar o leitor à
compreensão da totalidade histórica. A dificuldade principal reside
exatamente aí: conseguir evidenciar, de forma conveniente, o movimento
real da sociedade, como insistem os marxistas (Idem).
Isto, ainda que tenha lá sua importância e dê alguma contribuição para a
compreensão dos objetos e da história, o faz de uma forma bastante parcial, como se os
objetos tivessem uma razão de ser em si e se circunscrevessem em si mesmos. Da mesma
forma que não podemos entender os indivíduos por si mesmos, também não se pode
entender as fontes por si, uma vez que são muitideterminadas.
Por isso, há a necessidade de, emblematicamente, superar três perspectivas teóricas.
Por um lado, o positivismo, que toma as fontes como se fossem meros dados ou objetos
postos aí, como se falassem por si mesmos. Como dizem Paulo Nosella e Ester Buffa
Para os positivistas, o dado empírico é um absoluto, um fim em si
mesmo. Não se propõem eles nem o conhecimento, nem a mudança da
sociedade como um todo. Assim, no estudo de uma instituição escolar, o
pesquisador positivista se encanta com as fontes e acredita que os dados
falam por si. Sua postura fundamental é descrever fielmente a maior parte
de dados da Escola (Idem).
Por outro, a fenomenologia e idealismo, concebem os objetos/as fontes como se
fossem produtos da consciência do pesquisador; os objetos são objetos de e para a
consciência. De acordo com os autores acima mencionados,
O idealismo, por sua vez, supervaloriza a subjetividade e a
intencionalidade humanas. Essa tendência teórica considera que a ideia é
o demiurgo da história. Desse ponto de vista, o pesquisador, ao retratar a
história de uma instituição escolar, atribui o mérito principal da sua
criação e sucesso, aos fundadores, ao pensamento dos grandes pedagogos
e às atividades formativas daquela específica escola (idem).
Por outro lado ainda, temos o estruturalismo, que compreende a realidade, os
objetos e a sociedade como se fossem meras estruturas, também fixas, dadas a priori,
restando ao pesquisador, buscar, captar, apropriar-se e, por conseguinte, descrever e
retratar o que “está dado”.
Todas estas perspectivas, portanto, apresentam uma concepção de história como se
estivesse desprovida de contradições. Entende-se como se não tivesse movimento, nem
direção. Deste modo, temos uma concepção de história factual, fixa ou, no máximo,
conduzida por um desenvolvimento natural. São concepções que efetivamente não
correspondem à realidade. Noutras palavras, pode-se afirmar que, contraditoriamente, são
concepções de história a-históricas, que não permitem compreender os fenômenos na sua
integralidade e na sua totalidade.
Nesta perspectiva, por um lodo, conceitos como totalidade, classes sociais,
antagonismos sociais, conflitos de classes, contradições, universalidade e Estado, deixam
de ser considerados na análise das fontes. Por outro, a verdade, ou se entende como sendo
evidente em si, já que os dados, os objetos, as fontes “estão aí” e “falam por si”, em função
da supervalorização do empírico ou, devido à exaltação do subjetivo e do imaginário,
confunde-se a verdade com aquilo que o “sujeito” atribui aos objetos ou com o que é
idealizado por ele. Em decorrência disso, temos uma concepção de história fragmentada,
difusa, dispersa, relativista. Ao contrário disso, defendemos uma perspectiva metodológica
que revele o particular na sua relação com o universal, com a totalidade das relações sócioeconômicas,
políticas e culturais de determinada época e sociedade, dialeticamente
articuladas.
História, arquivos e fontes na pesquisa em História da Educação
Como dissemos, as fontes são os meios pelos quais podemos acessar o passado, que
pode ser mais recente ou distante, conforme for o caso. Contudo, como não podemos ter
acesso a ele diretamente, restam-nos as fontes que permitem e fazem a mediação. Assim,
pesquisar sobre elas significa retornar ao passado. Ou seja, promover um percurso ou
caminho inverso ao da produção dos fatos e da história. Mas, o que são fontes?
Fontes são documentos, registros, marcas, vestígios, deixados por indivíduos, por
grupos, pelas sociedades, pela natureza, que representam ou expressam uma determinada
forma de ser da matéria, quer seja ela natural, humana ou social, em seu processo de
contradição e transformação. O acesso a elas, torna-se um meio de conhecer o passado,
permite desvendar os hábitos, os costumes, a produção, a distribuição e o consumo, a
forma de organização de indivíduos e das sociedades, conhecer o modo de sobrevivência.
Ao contrário do que os positivistas afirmam, porém, as fontes não falam por si. Elas
são uma “construção do pesquisador”. A partir da existência e localização do(s) objeto(s),
mediados pelos conhecimentos, instrumentos e meios de cada momento, o pesquisador
“produz as fontes” enquanto sentido com o intuito de conhecer um determinado momento,
uma sociedade e ou relações. Pela leitura, análise, ação e interpretação, o pesquisador
“revela” as fontes, produz conhecimento histórico. Contudo, o fato de as fontes serem uma
recriação, não significa que o pesquisador as cria do nada, não são produtos de mentes
brilhantes, não são uma invenção do agente, nem uma recriação literal, absoluta, tais quais
foram exatamente. Com Karl Marx poderíamos dizer que o pensamento é o instrumento
pelo qual o pensamento se utiliza para buscar compreender os fenômenos, sem confundir o
real com o ideal, nem este com aquele.
Como afirma Ragazzini (apud ORSO, 2004, p.2),
a fonte é uma construção do pesquisador, isto é, um reconhecimento que
se constitui em uma denominação e em uma atribuição de sentido; é uma
parte da operação historiográfica. Por outro lado, a fonte é o único
contato possível com o passado que permite formas de verificação. Está
inscrita em uma operação teórica produzida no presente, relacionada a
projetos interpretativos que visam confirmar, contestar ou aprofundar o
conhecimento histórico acumulado. A fonte provém do passado, é o
passado, mas não está mais no passado quando é interrogada. A fonte é
uma ponte, um veículo, uma testemunha, um lugar de verificação, um
elemento capaz de propiciar conhecimentos acertados sobre o passado.
Todavia, como a história é história justamente devido ao processo de
transformação, isso implica que muitas das fontes também acabaram por se “perder”,
transformar-se, tornando difícil recuperar, desvendar, desvelar e “recriar” fielmente o
passado. Daí a contradição, pois, por um lado, só há história porque há transformação.
Entretanto, a transformação implica em deixar de ser fonte, ao menos como existiu no
passado, ou que a fonte, apareça de outra forma. Ter presente isso, por um lado, faz com
que não extraiamos conclusões apressadas, que tomemos um objeto, um vestígio, um
documento e concluamos imediatamente que a realidade era isso ou aquilo. Ou seja, é
necessário que o pesquisador tenha cuidado e seriedade tanto no trato com as fontes e com
a história, como com o método de pesquisa a ser adotado. É próprio da história a
transformação. Entretanto, tendo presente isso, também precisamos considerar que isso
pode implicar na impossibilidade de “recuperar” o passado.
Uma vez que a história tem a ver com transformação, ainda que possamos dizer que
na natureza também ocorrem transformações, para diferenciar as transformações que nela
ocorrem, das produzidas com ou sob a interferência do homem, tomamos como sinônimo
de história, a história humana e social, ou seja, aquela que se ocupa das transformações
ocorridas a partir da influência ou interferência do homem.
É neste sentido que podemos falar de fontes históricas, que são aquelas que dizem
respeito aos vestígios, aos documentos, objetos, instituições ou relações que estão
articuladas às atividades, às ações, ao processo de transformação desencadeados pelos
homens em determinada época e local do passado. Assim, tanto podem ser fontes
históricas, um pedaço de carvão, uma pedra polida, uma ponta de lança, um resto de
utensílio, um pedaço de osso, uma arte rupestre, como também os registros escritos, as
crônicas, as cartas, as obras literárias, os diários, os jornais velhos, as fotos, as marcas de
uma construção, os tipos de habitação, os monumentos, um caderno, uma lousa, um
pergaminho, uma máquina de escrever, um lápis, um computador ou uma determinada
tecnologia, enfim, poderíamos enumerar um infindável número de tipos de fontes das mais
diversas possíveis.
Os arquivos, por sua vez, são um segundo momento do processo de pesquisa. A
partir do momento em que as fontes são localizadas e selecionadas, advém o processo de
catalogação, de registro, organização de arquivos para possibilitar melhor preservação das
mesmas e ampliar a memória histórica. Neste sentido, os arquivos são fundamentais para
preservação das fontes, o que equivale a dizer, para preservação da própria histórica.
Os arquivos se constituem em conjuntos de documentos produzidos ou
recebidos por órgãos públicos, instituições de caráter público e entidades
privadas, em decorrência do exercício de atividades específicas, bem
como pessoa física, qualquer que seja o suporte da informação ou a
natureza dos documentos (MEDEIROS, 2003, p.1).
Na atualidade, cada vez mais se faz uso dos acervos catalográficos, das bibliotecas
e dos museus, públicos e/ou particulares, como forma de dar uma sobrevida às fontes
históricas.
Tanto as fontes individuais, quanto as coleções de fontes, os arquivos, não são
meros objetos. São objetos que expressam as mudanças pelas quais a vida do homem foi
passando ao longo do tempo. Portanto, elas dizem respeito à sua sobrevivência. Como
afirmam Marx e Engels, em A Ideologia Alemã,
Contrário aos alemães, que não dispõem de quaisquer pressupostos,
somos forçados a começar por constatar que a primeira premissa de toda
a existência e, portanto, também de toda a história, ou seja, a premissa de
que os homens têm de estar em condições de viver para poder fazer
história. Mas, da vida fazem parte sobretudo comer, beber, habitação,
vestuário e ainda algumas outras coisas mais. O primeiro ato histórico é,
portanto, a produção dos meios para a satisfação destas necessidades, a
produção da própria vida material, e a verdade é que este é um ato
histórico, uma condição fundamental de toda a história, que ainda hoje,
tal como há milhares de anos, tem de ser realizado dia a dia, hora a hora,
só para manter os homens vivos (1981, p. 36-37). (nosso itálico)
Dito de forma diferente, a existência de fontes históricas e de arquivos ou acervos,
supõem a existência do homem. É em decorrência do fato de o homem existir que surgiram
as fontes. Ou seja, em função da produção da existência do homem, também se produzem
as fontes, apesar delas não se referirem exclusivamente às produções humanas.
Como afirmam os autores, não é possível se fazer história se o homem não estiver
vivo. Mas, para viver é preciso comer, beber, habitar, vestir e algumas (infinitas) coisas
mais. Para isso, é preciso transformar a natureza, o meio e se transformar. Portanto, é na
relação do homem com o meio e no processo de produção das coisas necessárias à
sobrevivência que se produzem as fontes. Neste sentido, qualquer que seja a fonte, sempre
diz respeito à história do homem.
Bem entendido, então, pode-se afirmar que as fontes dizem respeito à vida do
homem. E o acesso a elas, todavia, então, não representa apenas o acesso a meros objetos,
mas sim, objetos que expressam e revelam uma forma de ser, produzir, organizar-se e viver
socialmente. É com essa finalidade que devemos pesquisar, levantar, catalogar e preservar
fontes. Então, preservar fontes, significa preservar a própria história do homem, que nada
mais é do que o seu processo de transformação ao longo do tempo, sua relações, sua forma
de ser.
Aqui é importante fazermos algumas distinções sobre a questão do passado. Uma
vez que não mais temos acesso à história diretamente, pois, não mais estamos vivendo na
imediaticidade dos fatos, precisamos distinguir a história propriamente dita e vivida, da
história dita, escrita, revelada e ainda da disciplina de história. Apesar de terem algo em
comum, cada uma tem lá suas especificidades.
A primeira diz respeito ao vivido, experienciado diretamente pelo homem, no
momento da ocorrência dos fatos. A segunda, diz respeito a aquilo que, mediado pelos
conhecimentos, pelas condições e instrumentos de cada momento, o pesquisador consegue
se apropriar, recriar e traduzir na forma de ideias, representações e teorias o que foi vivido
realmente, o que de fato aconteceu. A terceira refere-se a aquilo que se ensina na disciplina
de história, que é uma síntese da história vivida, porém, mediada pelos pesquisadores e
apresentada sob determinada perspectiva como sendo a história real.
Não se pode confundir nenhuma delas, da mesma forma que não se pode entender
como se as três fossem uma coisa só. Há uma distância entre a história vivida, aquilo que é
apreendido pelos pesquisadores e aquilo que finalmente acaba sendo sintetizado, filtrado e
produzido para os alunos, de acordo com a concepção ideológica, com a posição política e
econômica do pesquisador/historiador.
Não podemos nos esquecer, portanto, de que as ideias, as teorias e o conhecimento
não são neutros. Portanto, é preciso considerar a posição e o lugar social de onde são feitas
a análises e interpretações acerca das fontes. Assim, ao se analisar a história, os arquivos,
as instituições e fontes na pesquisa e na história da educação, não se deve olvidar de que
cada perspectiva de análise parte de determinados pressupostos e também tem em vista
determinados fins. Por isso, não se pode pensar que se trata da pura objetividade, até
mesmo porque é uma construção, e, como tal, tem a ver com as posições, compreensões,
ideologias e compromissos sociais dos pesquisadores.
Referências
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LOMBARDI, José Claudinei. História e Historiografia da Educação: atentando para as
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Educação. Campinas, SP: Autores Associados: HISTEDBR; Curitiba, PR: Pontifícia
Universidade Católica do Paraná (PUCPR); Palmas, PR: Centr4o Universitário Diocesano
do Sudoeste do Paraná (UNICX); Ponta Grossa, PR: Universidade Estadual de Ponta
Grossa (UEPG), 2004 – Coleção Memória da Educação).
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Revista HISTEDBR On-line Artigo
Revista HISTEDBR On-line, Campinas, número especial, p. 228-238, mai2012 - ISSN: 1676-2584 238