Precisamos ensinar nossas crianças que elas são responsáveis por suas vidas e escolhas. Ensiná-las que é preciso ter respeito pelo outro, pois assim, serão respeitadas, ensiná-las a serem adultos equilibrados, justos, conscientes, solidários e carinhosos. Que aprendam fazer escolhas sempre baseadas no amor e na justiça. E assim sendo, acredito que teremos um mundo bem melhor e mais feliz!
Aqui você encontra: Cultura, Educação, Artigos Científicos e sugestões para o seu estudo. O que irá diferenciar está revista eletrônica, ter, em um futuro breve, seus artigos em áudio, lidos pelos autores e/ou por programas e projetos de extensão como: 'Biblioteca Falada' - A UNESP/ FAAC, faz adaptação de textos e vídeos para áudios. Permitindo assim que DISLÉXICOS e DEFICIENTES VISUAIS tenham acesso ao conhecimento proposto. http://www.acessibilidadeinclusao.com.br/ José Robson de Almeida.
sexta-feira, 22 de setembro de 2017
terça-feira, 11 de julho de 2017
segunda-feira, 10 de julho de 2017
Por que o sistema de educação da Finlândia é tão reverenciado
Por: Paulo Nogueira 5 de abril de 2014
Saiu há pouco tempo um levantamento sobre educação no mundo feito pela editora
britânica que publica a revista Economist, a Pearson.
É um comparativo no qual foram incluídos
países com dados confiáveis suficientes para que se pudesse fazer o estudo.
Você pode adivinhar
em que lugar o Brasil ficou. Seria rebaixado, caso fosse um campeonato de
futebol. Disputou a última colocação com o México e a Indonésia.
Surpresa?
Dificilmente.
Assim como não
existe surpresa no vencedor. De onde vem? Da Escandinávia, naturalmente – uma
região quase utópica que vai se tornando um modelo para o mundo moderno.
Foi a Finlândia a
vencedora. A Finlândia costuma ficar em primeiro ou segundo lugar nas
competições internacionais de estudantes, nas quais as disciplinas testadas são
compreensão e redação, matemática e ciências.
A mídia
internacional tem coberto o assim chamado “fenômeno finlandês” com encanto e
empenho. Educadores de todas as partes têm ido para lá para aprender o segredo.
Se alguém leu
alguma reportagem na imprensa brasileira, ou soube de alguma autoridade da
educação que tenha ido à Finlândia, favor notificar. Nada vi, e também aí não
tenho o direito de me surpreender.
Algumas coisas
básicas no sistema finlandês:
1)Todas as crianças
têm direito ao mesmo ensino. Não importa se é o filho do premiê ou do porteiro.
2)Todas as escolas
são públicas, e oferecem, além do ensino, serviços médicos e dentários, e
também comida.
3) Os professores
são extraídos dos 10% mais bem colocados entre os graduados.
4) As crianças têm
um professor particular disponível para casos em que necessitem de reforço.
5) Nos primeiros
anos de aprendizado, as crianças não são submetidas a nenhum teste.
6) Os alunos são
instados a falar mais que os professores nas salas de aula. (Nos Estados
Unidos, uma pesquisa mostrou que 85% do tempo numa sala é o professor que fala.)
Isto é uma amostra, apenas.
Claro que, para
fazer isso, são necessários recursos. A carga tributária na Finlândia é de cerca
de 50% do PIB. (no México 20%, no Brasil, 35%.)
Já escrevi várias
vezes: os escandinavos formaram um consenso segundo o qual pagar impostos é o
preço – módico – para ter uma sociedade harmoniosa.
Não é à toa que,
também nas listas internacionais de satisfação, os escandinavos apareçam
sistematicamente como as pessoas mais felizes do mundo.
Para ver de perto o
jeito finlandês de educar crianças, basta ver um documentário que
está no youtube.
Todos os
educadores, todas as escolas, todas as pessoas interessadas na educação, no
Brasil, deveriam ver e discutir o documentário.
Quanto antes.
sábado, 24 de junho de 2017
Ética: Força, Poder, Autoridade, Violência
Professor Nilson José Machado- USP/http://www.nilsonjosemachado.net/
Violência e Palavra
A explosão da violência corresponde à falência da palavra. Uma das tarefas mais fundamentais da Educação é justamente a construção da confiança na ação, que significa o fazer com consciência, ou a simbiose entre o fazer e a palavra. Tal seria a marca do modo de ser do ser humano; apenas da divindade não se espera tal articulação, mas apenas o exercício da palavra.
Nunca será demais o esforço desenvolvido em todas as áreas da atuação humana para se evitar a violência. O diálogo e a argumentação são recursos vitais para isso. É imprescindível a recusa de todas as narrativas que se pretendem unárias, ou histórias únicas, uma vez que elas se situam na origem de todo dogmatismo ou de todo fanatismo. Complementarmente, é igualmente essencial a recusa de narrativas binárias, que resumem todos os conflitos a uma luta do bem contra o mal, ou a situações em que quem não é meu amigo, é meu inimigo. Tais narrativas binárias são as matrizes para todos os extremismos. A vida não se deixa traduzir por pensamentos unários, nem por narrativas que equivalem a contos de fadas, com seus heróis e seus vilões, com suas bruxas e suas fadas. As narrativas vitais são multifárias e a busca de uma compreensão que possa traduzir em palavras uma fusão de horizontes é a meta precípua da solução de todos os conflitos.
Existe uma máxima latina, no entanto, que traduz uma verdade até certo ponto inesperada: Corruptio optimi péssima, ou “a corrupção do ótimo é o péssimo”. A corrupção de uma ideia ótima não torna sua realização um pouco menos boa, ela transmuta e contamina todo o processo e aquilo que seria ótimo transforma-se em péssimo. Uma constatação das mais cruéis nos dias atuais é o fato de que algumas das piores formas de violência ocorrem por meio da palavra. As agressões verbais, as situações de bullying são os exemplos mais simples de tal violência; a formatação da palavra e o formato dos contratos são manifestações mais sutis.
De fato, existem situações de fala em que os participantes do discurso têm diferentes graus de liberdade: a palavra é dada, mas é formatada, em função da caracterização dos participantes. A alguns pode ser permitida a presença sem a palavra; a outros, a palavra, mas não o voto; a outros ainda, o direito de votar, mas não o de vetar, existindo ainda aqueles a quem se concede o direito do voto e do veto. A ONU, por exemplo, é um colegiado que funciona de modo semelhante ao anteriormente descrito.
É nos contratos que regularmente assinamos, no entanto, que a forma sutil de violência verbal – uma violência virtual, mas uma verdadeira violência – ocorre de maneira absolutamente sistemática. Se a confiança na palavra era a garantia fundamental dos antigos, se era possível se fiar em um fio de bigode, hoje os contratos são especializados em nos afirmar com todas as variações, com todas as nuances, que não confiam em nossa palavra. O que poderia haver de mais violento?
Da antiguidade clássica até o final da Idade Média, o currículo para a formação do cidadão era o Trivium: a Gramática era justificada pela importância do falar corretamente; a Dialética, pela importância dos argumentos coerentes; a Retórica, pela necessidade de se escolher modos de falar e de argumentar que conduzissem ao convencimento. A importância da palavra, no conteúdo e na forma, era decisiva. Considerava-se, então, que maltratar a língua era tão desabonador quanto agredir outro falante. A situação atual é inteiramente diversa, apesar de alguns oásis de resistência, como na chamada Ética do Discurso.
O ponto crucial, no entanto, é o seguinte: a forma mais atual de violência se dá por meio dos preconceitos de diferentes estirpes. Explicitemos um pouco mais tal questão. No uso corrente da língua, o significado de uma palavra nasce da imensa diversidade de sentidos, que são pessoais, idiossincráticos. Como primeiro momento do conhecimento, a percepção se dá pelos órgãos dos sentidos: o que não é sentido, não faz sentido. O significado é o que há de partilhável na diversidade de sentidos, situando-se no nível da palavra. Buscamos a escola para construir o significado das palavras; tudo o que aprendemos deve ter significado. Aqui e ali, de maneira tópica, os significados tangenciam os conceitos, mas a aprendizagem escolar não se enraíza essencialmente no complexo terreno dos conceitos; nem toda palavra é portadora de conceito. Raríssimas vezes um conceito é coisa de criança. Uma criança tem ideias sobre tempo, sobre o ser humano, sobre a vida, mas não dispõe ainda de conceitos tão complexos quanto os correspondentes a tais palavras.
Um conceito, estritamente falando, é uma palavra que sintetiza uma definição rigorosa, uma classificação coerente, uma ordenação nas ideias e uma ideia de causalidade. Na escola básica, vivemos na antessala dos conceitos, na região das ideias preconceituais. Elas se situam no caminho da construção de conceitos, que, muitas vezes, somente estarão presentes bem mais adiante. Sem a relativa elasticidade das ideias preconceituais, não logramos trilhar tal caminho. Mas é preciso cautela com tais ideias. A pretensão ou a arrogância do tratamento intempestivo de ideias preconceituais como se fossem conceitos é a matriz básica de um preconceito. E os preconceitos constituem uma fonte permanente de violência da pior espécie. Ética e preconceito são como líquidos imiscíveis.
******SP 24-04-2017
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