sábado, 30 de abril de 2011


Corte dos EUA aprova uso de verba pública no estudo com células-tronco

Decisão vale para pesquisas com material colhido a partir de embriões.
Financiamento havia sido proibido em agosto de 2010.

Da France Presse
A Corte Federal de Apelações de Washington tornou válido novamente o financiamento público às pesquisas com células-tronco embrionárias, posição defendida pelo governo do presidente Barack Obama.
A decisão reverte uma proibição definida em primeira instância em agosto de 2010. A Casa Branca comemerou como uma vitória para cientistas e pacientes.
"Os autores da ação não tinham qualquer possibilidade de ganhar", diz a Corte de Apelações em Washington, na sentença.
A pesquisa com células-tronco embrionárias - unidades que podem se transformar em quase todas as outras células do corpo -, muito promissora para curar inúmeras doenças graves, havia sido autorizada por Barack Obama em março de 2009, após oito anos de proibição.
Em agosto, o juiz federal Royce Lamberth deu razão a dois cientistas e organizações cristãs que se opuseram à decisão. Durante esse tempo, somente a pesquisa em instituições privadas registrou algum avanço.
"A investigação responsável com células-tronco tem o potencial de tratar algumas de nossas doenças e afecções mais devastadoras e dá esperança a muitas famílias em todo o país e em todo mundo", afirmou Nick Papas, porta-voz da Casa Branca, ao saudar a decisão judicial.
"A decisão de hoje constitui uma vitória para nossos cientistas e pacientes em todo o mundo, pessoas que deverão se beneficiar das pesquisas médicas avançadas", concluiu Papas em um comunicado.
Célula-tronco 1 (Foto: Science Photo Library / AFP Photo)A pesquisa com células-tronco embrionárias vai retornar a contar com verba pública, após a decisão da Corte Federal de Apelações dos EUA, localizada em Washington. (Foto: Science Photo Library / AFP Photo)
As células-tronco embrionárias são coletadas a partir do embrião humano, durante a primeira fase da gestação.
O objetivo dos cientistas é poder transformar estas células-tronco em qualquer outra célula do corpo - cardíacas, pancreáticas ou cerebrais, por exemplo - para substituir as danificadas ou enfermas e permitir a reconstrução de tecidos e até órgãos.
Segundo os cientistas e organizações cristãs, no entanto, o embrião é um ser humano completo e os Estados Unidos não deveriam financiar uma pesquisa que provoque a destruição de embriões, nem mesmo para salvar outras vidas.
Em nível jurídico, os críticos dessa pesquisa acreditam que uma emenda - chamada "emenda Dickey Wicker" -, adotada pelo Congresso norte-americano em 2006, proíbe que sejam usados recursos públicos em qualquer procedimento que compreenda a destruição de embriões.
Mas, segundo a Corte de Apelações, o governo federal e a Agência Nacional de Saúde (NIH, na sigla em inglês) têm razão quando afirmam que "a emenda Dickey Wicker não proíbe o financiamento público de um projeto que utilize células-tronco provenientes de um embrião, porque a célula-tronco não é um embrião e não se desenvolverá para se transformar num ser humano".
Segundo inúmeros cientistas, a pesquisa com células-tronco embrionária permite pensar em uma cura para enfermidades como diabetes, Mal de Parkinson, Alzheimer ou a paralisia que atinge pessoas feridas na coluna vertebral.
Mas, nos Estados Unidos, o debate a respeito é acalorado. Os conservadores religiosos acham que a vida começa na concepção e são contrários à realização de pesquisas científicas nesse campo.

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29/04/2011 13h14 - Atualizado em 29/04/2011 13h19

País tem 14,6 milhões de analfabetos, aponta Censo

Taxa representa 9% da população com mais de dez anos de idade. 
Nordeste apresenta maior índice de pessoas que não sabem ler e escrever.

Do G1, em São Paulo
O Censo 2010 divulgado nesta sexta-feira (29) pelo IBGE apontou que o país tem 14.612.183 de analfabetos entre mais de 162 milhões de brasileiros com mais de dez anos de idade, o que representa 9,02% da população a partir desta faixa etária. Destes, 9,4 milhões de pessoas que não sabem ler nem escrever vivem em áreas urbanas e 5,2 moram em zonas rurais.
O Nordeste apresentou a maior taxa de analfabetismo, com 17,6% da população com mais de dez anos de idade. No Norte, o índice registrado foi de 10,6%. No Centro-Oeste, o analfabetismo atinge 6,6% da população, segundo o Censo 2010.  No Sudeste, o índice é de 5,1%. No Sul, a taxa de analfabetismo registrada foi de 4,7%, a menor do país.
Entre os estados, o maior índice de analfabetismo foi registrado em Alagoas, com 22,52% da população acima de dez anos de idade. Em seguida aparecem Piauí (21,14%) e Paraíba (20,20%). O menor índice é do Distrito Federal (3,25%), seguido por Santa Catarina (3,86%), Rio de Janeiro e São Paulo (ambos com o índice de 4,09%).
Veja a taxa de analfabetismo em cada estado segundo o Censo 2010 do IBGE
Estado(%)Estado(%)Estado(%)Estado(%)
Distrito Federal3,25Santa Catarina3,86Rio de Janeiro4,09São Paulo4,09
Rio Grande do Sul4,24Paraná5,77Mato Grosso do Sul7,05Goiás7,32
Espírito Santo7,52Minas Gerais7,66Mato Grosso7,82Amapá7,89
Rondônia7,93Amazonas9,60Roraima9,69Pará11,23
Tocantins11,88Acre15,19Bahia15,39Pernambuco16,73
Sergipe16,98Ceará17,19Rio Grande do Norte17,38Maranhão19,31
Paraíba20,20Piauí21,14Alagoas22,52BRASIL9,02
Fonte: Censo 2010 - IBGE