sábado, 19 de março de 2011

14/03/2011 - 03h00

Harvard busca alunos, professores e fundos em outros países

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LUCIANA COELHO
EM CAMBRIDGE (EUA)
GILBERTO DIMENSTEIN
COLUNISTA DA FOLHA, EM CAMBRIDGE (EUA)
A historiadora Drew Faust, 62, é a primeira mulher a dirigir Harvard. Alçada a reitora em 2007, ela vem comandando a universidade sob a crise econômica e uma expansão global.
No próximo dia 23, vem ao Brasil para uma visita de quatro dias que a levará ao Rio e a São Paulo, onde se reúne com autoridades educacionais, representantes de Harvard, universitários e ex-alunos.
Faust recebeu a Folha no último dia 9, quarta-feira, em seu gabinete em Cambridge, Massachusetts, e concedeu a entrevista abaixo.
*
FOLHA - O que a sra. espera da viagem ao Brasil?
DREW FAUST - Nunca estive lá. Estou animada em ir, afinal, é obviamente um lugar vibrante, que está crescendo e se tornando cada vez mais importante no mundo. É um pais sobre o qual eu comecei a aprender como estudante pesquisando história comparada nas Américas no colonialismo e na escravidão. Essa foi minha introdução na história do Brasil, mas nunca tive a chance de estar lá.
Sempre leio a respeito do Brasil, porém, sobre seu crescimento e reivindicação de uma parte significativa da produção econômica mundial. Também a política do Brasil tem sido muito interessante nos últimos anos, com o presidente Lula os avanços que ele promoveu no país.
Estou bem animada em ir, temos professores interessados em promover atividades no Brasil, como os programas de janeiro, quando os estudantes da escola de governo, da escola de engenharia e da graduação vão lá estudar água e questões ambientais.
FOLHA - A sra. acha que o Brasil está atraindo mais gente para estudar sobre o Brasil? Mais gente está interessada?
FAUST - Acho que sim. Acho que a melhor representação disso é a questão dos BRICs, sobretudo do Brasil, que passou a ser visto como uma das principais forças emergentes na economia internacional e na ordem mundial. Isso por si só atraiu muita atenção.
FOLHA - Ainda assim não há tantos estudantes e professores aqui em Harvard, mesmo quando se compara, proporcionalmente, com outros países latino-americanos. A universidade está tentando fortalecer estes laços?
FAUST - Estamos, estamos bastante. Temos uma doação muito generosa de um brasileiro, o Jorge Paulo Lemann, que apoiou nossa expansão em estudos brasileiros, então avançamos alguns passos e esperamos que continuemos a avançar.
FOLHA - Vocês têm um escritório lá [desde 2006]. Como está indo?
FAUST - Acho que está indo muito bem. Há bastante interesse por parte de nossos professores e estudantes em fazer conexões e tocar programas lá, como esse que eu citei.
A [Harvard] Business School está muito interessada em fazer estudos de casos do Brasil, dada a animação com a economia. Estamos bem otimistas com as nossas conexões com o Brasil, e minha viagem é para reforçar isso, essa expansão e esse envolvimento. Espero conseguir intensificar esse momento.
FOLHA - E uma colaboração entre Harvard e universidades brasileiras, como a USP e a Unicamp, seria interessante?
FAUST - Acho que nossa conexão com universidades internacionais é sempre sadia e pródiga em construir mais conexões. Estou ansiosa por um encontro.
FOLHA - Como Harvard está se expandindo globalmente e o que está fazendo para atrair mais estrangeiros, não só estudantes mas também professores?
FAUST - Nós nos tornamos uma universidade muito mais global nos últimos anos em uma série de aspectos. Tivemos um aumento de 20% no número de estudantes estrangeiros aqui em Harvard na última década, de forma que hoje 20% dos alunos da universidade hoje são estrangeiros. Isso varia de escola para escola --a escola de governo é a mais internacionalizada-- mas de modo geral 20% dos alunos são estrangeiros. E isso é uma mudança significativa na última década.
Outra coisa importante que mudamos nesse sentido é a ênfase, para os alunos de graduação, à importância de ter uma experiência internacional significativa durante seu período aqui.
Isso é uma mudança cultural para nossos alunos de graduação, que costumavam ser praticamente desestimulados a passar um tempo fora de Cambridge. Mas agora os exortamos a fazer, e temos inclusive apoio financeiro para ajudá-los a fazer caso eles venham de famílias que não tenham meios de arcar com isso.
Também temos uma série de programas que pode ligá-los a oportunidades no mundo, achar estágios dos quais eles possam se beneficiar em empresas e organizações sem fim lucrativo e outros tipos de atividades que lhes possam ser significativas, além de identificarmos uma série de oportunidades para estudar fora.
A reação dos nossos estudantes foi impactante --1/4 deles teve alguma experiência internacional significativa no ano passado.
Se você considerar que um quatro deles vá a cada ano, e que eles fiquem aqui quatro anos, praticamente todo mundo acaba fazendo tendo uma dessas experiências.
Se olharmos a forma como nossos professores pesquisam, isso também mudou drasticamente. Temos uma proliferação de professores viajando para trabalhar e buscando os serviços que nosso departamento internacional fornece.
Nós aumentamos o número de escritórios desses nos últimos anos e temos um novo modelo em Shangai, que é mais do que só um escritório, é um espaço com salas de aula, para ensino, e oferece oportunidades para atividades em vez de apenas manter um escritório.
Estamos experimentando ainda qual o melhor modelo, qual o melhor roteiro, qual a melhor forma de fortalecer as oportunidades para estudos e pesquisa.
FOLHA - Harvard recebe fundos de fora?
FAUST - Nos últimos anos temos recebido algumas doações bem generosas para apoiar estudantes que vêm de outros países, como a doação do Lemann, que inclui apoio aos alunos que vêm do Brasil e isso tem sido um fator importante para trazer alunos para cá.
FOLHA - E apoio para pesquisa?
FAUST - Em alguns casos há, já que alguns dos estudantes em questão são doutorandos com pesquisa a desenvolver.
FOLHA - Qual a relação de Harvard com o governo federal e as instituições privadas no que diz respeito ao financiamento de pesquisa? E como esse financiamento é distribuído?
FAUST - A Fundação pela Pesquisa Científica nos EUA, desde a Segunda Guerra, tem sido uma parceria entre as universidades e o governo federal. Há essencialmente uma decisão tomada, da qual as universidades nos EUA estão bem cientes, de que a pesquisa científica seria amparada por dinheiro do governo federal, e essas universidades seriam o local das pesquisas mais importantes.
Nós recebemos uma proporção substancial, majoritária de nosso financiamento à pesquisa do governo federal. Está em cerca de 21% de nosso orçamento total hoje [de US$ 3,7 bilhões] --e isso só para pesquisa patrocinada, não é todo o investimento federal. E ainda temos cerca de US$ 600 milhões por ano de fontes federais para pesquisa em ciências e ciências sociais.
Nosso orçamento também conta com uma contribuição significativa de nosso fundo de doações [endownment], que é um modelo de operação próprio das universidades privadas e que algumas universidades públicas agora tentam adotar.
Hoje cerca de 35% de nosso orçamento operacional vêm desse fundo. Está um pouco abaixo de dois anos atrás, era 38%, e estamos tentando diversificar. E depois temos as anuidades, que também perfaz uma boa parte de nosso orçamento.
FOLHA - O fundo sofreu nos últimos dois anos, não? Como foi lidar com a crise econômica?
FAUST - [A crise] nos obrigou a termos um olhar mais duro com o que estávamos fazendo, ver como poderíamos ser mais eficientes, estabelecer prioridades e decidir o que poderíamos passar sem. O fundo de fato caiu 27%, e ele bancava 38% do nosso orçamento. Foi um momento de autoexame intenso na universidade, e acabamos fazendo algumas mudanças. De forma geral, eu diria que o resultado foi esse autoexame que não necessariamente teria motivo sem a disciplina financeira imposta pela crise. Mas acho que no longo prazo seremos uma instituição mais forte por conta disso.
FOLHA - As mudanças foram mais administrativas, certo? Pelos números, o investimento em pesquisa não caiu, até cresceu. É a prioridade máxima?
FAUST - É a prioridade, junto com a ajuda financeira aos estudantes. Tentamos olhar para a estrutura administrativa para fazer os cortes, o que poderia torná-la mais eficiente. Mas também desaceleramos as contratações acadêmicas por um ano e revisamos a forma como desenvolvemos nosso trabalho acadêmico.
Um dos aspectos da crise que acabou nos ajudando foi o pacote de estímulo fiscal aprovado pelo governo, que incluiu bastante fundo para ciência. Nós recebemos um apoio significativo para ciência [US$ 190 milhões; R$ 315 milhões] _a lógica é que a ciência gera crescimento, gera atividade econômica, então isso seria uma contribuição importante para a recuperação.
FOLHA - A sra. pode citar exemplos de como Harvard tem contribuído para o crescimento econômico do pais?
FAUST - Bom, em primeiro lugar, nós criamos muitos postos de trabalho na região. E há as descobertas feitas nas nossas pesquisas científicas, que muitas vezes levam à criação de empresas e de patentes, que se tornam a base para novos trabalhos, para a comercialização, para descobertas. É um efeito cascata para a inovação.
FOLHA - Como o Facebook?
FAUST - Isso, e a Vortex, uma empresa surgida de cientistas ligados a Harvard que fez uma descoberta importante para o tratamento da fibrose cística. Foi extraordinário, indivíduos de 20 e poucos anos, que estavam na cadeira de rodas após serem acometidos por essa doença, voltaram a andar. Uma descoberta dessa é um motor econômico e um motor humano. E essas descobertas não se restringem aos pós-graduandos, também temos estudantes de graduação cheio de ideias, como foi o caso do Facebook.
Tem uma história que eu adoro, de um grupo da graduação na escola de engenharia, que é superinteressado no mundo em desenvolvimento e em usar tecnologia para criar um mundo melhor. Um dos projetos deles foi uma bola de futebol que, quando você chuta, gera energia em uma bateria. Ou seja, após jogar futebol, você volta para casa, pluga no seu telefone celular ou em algum outro eletrônico e recarrega. Foi usado na África, onde eles gostam de futebol. Temos esse grupo de graduandos chamado Soccket [trocadilho entre 'soccer', futebol, e soquete] que está disseminando essa ideia e buscando um meio de comercializá-la.
FOLHA - Como Harvard recruta esses alunos? Há a força da marca, e a ajuda financeira tem sido fundamental, recentemente, para garantir a diversidade do campus nos últimos. Mas quão ativa a universidade é para manter a excelência do corpo estudantil da mesma forma que mantém no docente?
FAUST - Tentamos mandar essa mensagem que queremos ter aqui gente talentosa independentemente da situação financeira e localização geográfica, que queremos trazê-los para cá.
Fazemos isso por meio de nosso escritório de admissões, que viaja pelo país e o mundo todo, contando a história de Harvard e dizendo que eles deveriam considerar Harvard como uma opção, mesmo que imaginem que não têm como. E procuramos reforçar isso com um pacote de ajuda financeira, que faz a universidade parecer acessível. E, nos últimos anos, criamos uma série de iniciativas para famílias de baixa renda. Famílias que ganham menos de US$ 60 mil ao ano [R$ 8.300 ao mês] não precisam pagar a anuidade nem moradia e alimentação.
Famílias que ganham entre US$ 60 mil e US$ 80 mil a contribuição familiar é drasticamente reduzida, e famílias que ganham de US$ 80 mil a US$ 180 mil [R$ 11 mil a R$ 24,9 mil], você paga mais ou menos 10% de sua renda, que é menos do que em qualquer outra universidade pública nos EUA e achamos bem acessível para nossos alunos e suas famílias.
Isso é uma mensagem que diz "venha a nós, queremos seu talento aqui", porque uma grande parte da experiência de aprendizagem dos alunos é aquilo que aprendem uns com os outros, e a animação de conviver com outros indivíduos extraordinários que são criativos e engajados.
Com essa mensagem, conseguimos 35 mil inscrições neste ano [7.036 se formaram em 2009], que é uma medida do nosso sucesso em transmitir essa mensagem.
Foi interessante quando eu estive em Londres em novembro e um ex-aluno de Harvard veio contar que na antiga escola dele, embora ninguém tivesse se inscrito em Harvard recentemente, 18 pessoas se inscreveram neste ano por conta do filme "A Rede Social".
FOLHA - Quão importante é ter os melhores aqui? Quanto eles aprendem uns com os outros?
FAUST - Não tenho como dar um percentual, mas, veja, este é um ambiente muito mais diverso do que qualquer outros em que os estudantes já tenham vivido ou venham a viver. São pessoas diferentes deles, às vezes de outras partes do mundo, com outras ideias, outros talentos, e isso é muito enriquecedor. E o nível de talento em várias áreas é muito alto, o que leva nossos estudantes a passar a ver a excelência em diferentes níveis.
Uma das coisas que mais gosto neste trabalho é ver o desempenho dos estudantes. Pode ser falando de sua tese, ou indo à feira de computação, na qual têm de criar um aplicativo ou um programa e há investidores de olho para achar o novo Facebook; pode ser no palco, tocando piano, dançando --temos alunos que trancam a matricula para serem dançarinos e músicos profissionais e depois voltam...
FOLHA - Mesmo com tanta tecnologia disponível, ensino remoto, não há como substituir a convivência...
FAUST - A tecnologia mudou muita coisa no ensino e possibilita que mudemos nosso foco --temos um curso em egiptologia que nos permite reconstruir as tumbas quando foram descobertas e andar lá como se fosse o arqueólogo que as descobriu, que é muito diferente do jeito como eu aprendi história do Egito, lendo e com fotos. Temos professores que colocam suas aulas online, os estudantes assistem antes, anotam as dúvidas, o professor as lê e na sala de aula há o debate sobre as questões. A sala de aula deixa de ser para transmitir informação e passa a ser para debatê-la.
A tecnologia fortaleceu a experiência ao vivo. Mas achamos que esse tipo de aprendizado, pela convivência com gente diferente, é essencial. Temos até o sistema de alojamento, no qual os graduandos aprendem a viver juntos, dividir o banheiro, o refeitório, os projetos. Aprender vai além do computador.
E tem outra coisa: essas conexões não existem apenas pelo tempo em que você está aqui. Elas duram a vida toda. Depois de conviverem, elas contarão umas com as outras pelo resto de suas vidas. Elas voltam aqui a cada cinco anos, mas também fazem parte dessa rede de conexões que persiste fora daqui.
FOLHA - Isso é enfatizado em Harvard, certo? Networking é fundamental não só entre alunos mas também entre alunos e professores.
FAUST - Com certeza.
FOLHA - O presidente Barack Obama tem enfatizado muito a educação pública --e no Brasil temos o mesmo problema. Qual o papel de Harvard em melhorar a educação pública aqui? O que é possível fazer?
FAUST - O que podemos fazer depende do que as escolas já tiverem feito. Financiamentos generosos aos estudantes para atingir uma parcela mais ampla [da população] não significaria nada se não conseguíssemos achar estudantes bem preparados para dar conta dos estudos aqui. Logo, o que vem antes, o ensino médio, é fundamental para o que fazemos aqui.
Temos uma escola de educação profundamente envolvida nisso e que quer revolucionar o que escolas do tipo fazem; uma escola onde acreditam que as escolas de educação não usam ainda as ferramentas das ciências sociais para analisar o que funciona e não funciona em ensino, como nosso conhecimento em neurociência pode afetar o modo de ensinar; como podemos fazer avaliações melhores etc. E eles também acreditam que uma parte significativa de melhorar a educação é liderança.
Então acabamos de criar um curso de liderança em educação, que recebeu bastante atenção. A chave desse programa é integrar o que a escola de educação sabe sobre a forma como os alunos aprendem, o que a Business School pode ensinar sobre administrar organizações e o que a escola de governo oferece sobre política e políticas de educação a fim de formar pessoas que possam chegar nas escolas e mudar o quadro, que entendam o sistema educacional e o sistema em si para ver o que é preciso fazer em termos de reformas sistemáticas que possam lidar com os desafios que enfrentamos aqui.
Também temos outras pessoas, em outros departamentos e escolas, lidando com questões educacionais. E temos mais de 100 programas apoiados por nós nas escolas da região.
FOLHA - A sra, já explicou o recrutamento de alunos. E como vocês fazem para atrair e manter os melhores professores? Há muitos rumores sobre salários altos, que chegariam a US$ 1 milhão ao ano...
FAUST - Não, isso não é verdade!
FOLHA - Mas ainda assim a folha de pagamento consumiu US$ 1 bilhão no ano passado. Além de bons salários e da marca, o que Harvard oferece aos docentes e pesquisadores?
FAUST - Um dos aspectos importantes tem muito a ver com o que eu disse sobre os estudantes: tentamos ter a base mais diversificada possível para garantir que não estamos ignorando ninguém para ficar com a escolha mais óbvia ou mais conhecida de quem cuida das contratações.
Tentamos primeiro construir uma base bem ampla, e aí nossos professores passam bastante tempo analisando o trabalho dos possíveis candidatos, lendo tudo, pedindo cartas de colegas com depoimentos e avaliações.
Depois há uma série de avaliações até a contratação. Começa com gente no mesmo campo, depois vai para a diretoria da respectiva escola até chegar a mim ou ao pró-reitor. Temos uma comissão ad-hoc, que traz gente de fora da universidade, especialistas, que passam três horas examinando as credenciais do individuo e avaliando se aquela pessoa deve ser contratada. Esse processo todo é feito para ser muito rigoroso, tanto na procura quanto na avaliação das credenciais de um professor.
Para convencê-los a vir aqui, a razão mais atraente é sempre as pessoas em volta e a oportunidade intelectual.
Um departamento vibrante, outros acadêmicos que vão ajudar a aprimorar o trabalho daquele indivíduo, desafiando-o de forma a conseguir seu melhor trabalho, essa é nossa ferramenta mais importante.
Também tentamos criar um ambiente para um indivíduo desenvolver seu melhor trabalho, o que pode significar fornecer recursos em um laboratório, uma boa biblioteca, chances de pesquisa, financiamento de viagens se a pessoa precisa pesquisar em outros lugares.
E na questão salarial, estamos no mercado para atrair talentos acadêmicos. A pessoa nos diz quanto está ganhando, quanto precisa, e nós respondemos dentro do mercado.
FOLHA - Há duas questões controversas recentes...
FAUST - Só duas? (risos)
FOLHA - As que estão em debate agora. Uma é fraude acadêmica e plágio, sobretudo após o escândalo como o biólogo Marc Hauser [que fraudou conclusões de um estudo], outra é a questão do conflito interesses, que ficou exposta tanto no recente documentário "Trabalho Interno", que mostra as ligações entre acadêmicos promovendo determinadas ideias e o mercado financeiro, e também na renúncia do reitor da London School of Economics, há duas semanas, por aceitar financiamento do ditador líbio Muammar Gaddafi. Como Harvard está lidando com as duas questões, houve mudanças recentes?
FAUST - Na questão do conflito de interesses, estabelecemos uma nova política no ano passado que abrange toda a universidade. E diferentes escolas estão desenvolvendo cada uma sua forma de implementar, já que conflito de interesse assume diferentes formas e em diferentes campos. Cada parte da universidade lidou com isso com uma intensidade diferente nos últimos anos --foi alvo de tremenda preocupação, e algo levado a público, na área médica. Houve muito debate e todos na escola de medicina estão muito atentos.
Em outras partes há diferentes significados --na escola de arquitetura isso é diferente de em pesquisa econômica, por exemplo. Há muitas possibilidades, e cada um está de olho no impacto em suas áreas.
Uma coisa que sabemos é que a universidade está hoje muito mais envolvida no mundo do que estava 15 ou 10 anos atrás. Isso é uma boa coisa, porque traz experiências do mundo real para suas pesquisas, e as torna muito mais conectadas com problemas que requerem soluções, envolve mais os estudantes, que lidam com o mundo que vão encontrar depois...
Mas tudo isso levantou questões que a universidade não havia enfrentado. Estamos, de algum modo, reagindo a essa mudança de circunstância com uma reavaliação do que é conflito de interesses. Ainda não terminamos esse processo, mas conseguimos algumas coisas ao lidar com questões sobre as quais as pessoas ainda não haviam pensado porque não haviam se visto naquela situação.
Sobre a integridade acadêmica, isso é fundamental para tudo que fazemos e a forma como nos vemos, então precisamos continuar lidando com isso.
Isso, aliás, também mudou, pois com a tecnologia é tão fácil para as pessoas, para os estudantes, usarem material na internet... E uma coisa que vemos às vezes nos estudantes é que eles não estão tão conscientes do que integridade acadêmica significa, então parte disso é educar os estudantes, parte é ajustar nossa compreensão sobre a disponibilidade de materiais e parte é apenas reforçar os valores que achamos tão importantes.
FOLHA - Última coisa que você já deve ter respondido milhares de vezes. Depois das declarações do [ex-reitor] Larry Summers sobre a capacidade feminina menor para as ciências, como é ser a primeira reitora mulher de Harvard? Faz diferença?
FAUST - Primeiro recebi um monte de cartas, chamou atenção. Mas agora acho que as pessoas já se acostumaram.

15/03/2011 - 13h53

MEC quer mudar lei do Prouni para acabar com bolsas parciais

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ANGELA PINHO
DE BRASÍLIA
O ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu nesta terça-feira mudanças na lei do Prouni (Programa Universidade para Todos) para aumentar o número de vagas e acabar com as bolsas parciais e a distância.
O programa oferece vagas para alunos carentes em universidades particulares.
A ideia defendida pelo ministro durante audiência na Comissão de Educação do Senado é resgatar a redação original do projeto do governo que criou o programa, em 2005. O texto estabelecia que as instituições participantes do programa deveriam oferecer 10% de vagas gratuitas. O Congresso, no entanto, mudou o dispositivo e reduziu o percentual para 7,5%, permitindo que parte das bolsas cobrisse 50% das mensalidades, e não o total.
Segundo o MEC, essas bolsas parciais são as que mais sobram, porque o aluno não consegue pagar o restante das mensalidades. Para Haddad, o ideal é que só fossem concedidas bolsas integrais.
Ele também defendeu que seja rediscutida a oferta de vagas a distância pelo programa, já que elas também estão entre as que mais sobram.
As declarações do ministro foram feitas após questionamentos do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) sobre relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) que, entre outros pontos, aponta o fato de parte das bolsas não serem preenchidas, sem que as universidades sejam punidas. O MEC contesta os critérios do TCU.
Haddad disse que irá procurar a liderança do PT no Senado para encaminhar as mudanças no Prouni dentro das comissões de educação da Câmara e do Senado --o que poderia evitar que o projeto fosse votado no plenário por todos os parlamentares. Ele descartou enviar um novo projeto de lei sob o argumento de que isso poderia provocar uma discussão sobre todo o programa e, dessa forma, colocar sua essência em risco.

19/03/2011 - 12h55

Aula sobre agronegócio cria polêmica em Ribeirão Preto

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JULIANA COISSI
DE RIBEIRÃO PRETO
Aulas sobre o agronegócio nas escolas municipais de Ribeirão Preto têm gerado polêmica entre professores e especialistas.
O assunto foi parar no Conselho Municipal de Educação, que pediu uma cópia de cada projeto pedagógico externo desenvolvido nas escolas para ser analisado.
O que mais gerou discussão foi o projeto "Agronegócio na Escola", desenvolvido com a Abag-RP (Associação Brasileira do Agronegócio de Ribeirão Preto).
O programa atende alunos do 8º e do 9º ano desde 2009 --antes, foi aplicado por dez anos na rede estadual. Cerca de 112 mil estudantes da região já passaram pelo curso.
No lançamento do projeto, em 2009, a prefeita Dárcy Vera (DEM) chegou a dizer que "na terra da Agrishow e capital mundial do etanol" não poderia ser deixada de fora da escola "esta disciplina tão importante".
Para a conselheira Adriana de Bortoli Gentil, é errado o enfoque apenas pelo lado positivo do agronegócio.
"Você não mostra a questão fundiária, de concentração de terras, não mostra essa perspectiva histórica."
Na opinião da conselheira Ana Paula Soares da Silva, os alunos devem conhecer também outros modelos de agricultura, como a agroecologia ou a agroflorestal.
"Quando a prefeitura adota isso e coloca como um grande programa, é complicado, principalmente porque é educação pública."
CARTILHA
A Abag-RP oferece cartilhas às crianças e um vídeo, que é utilizado por professores nas aulas. O material está no site da Abag.
A cartilha aborda temas como o surgimento da agricultura e sua modernização.
Há trechos polêmicos, como o meio ambiente. Dois personagens conversam sobre o tema, e dizem que as leis ambientais são respeitadas no Brasil Professores são levados para conhecer usinas e são capacitados pela entidade. Os alunos também participam de concurso de redações com temas definidos pela Abag-RP --como "Agronegócio e Meio Ambiente".
Editoria de Arte/Folhapress
Agronegocios para criancas
A Secretaria da Educação e a Abag-RP defendem que o conteúdo aborda um tema importante na vida da região).
Coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Maria Márcia Sigrist Malavasi diz que temas sociais e econômicos são importantes, "mas é sempre delicado, porque pode ter uma ideologia que deturpe um pouco a realidade."
Mais do que o material, o principal é que o professor esteja bem formado. "Posso dar o material na mão de um professor não bem formado e ele pode fazer um estrago, tanto defendendo o grande pecuarista como defendendo as invasões de terra."

10/03/2011 - 14h17

Cientistas descobrem causador da inflamação que mata neurônios

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DA EFE
Cientistas espanhóis e suecos descobriram a ligação molecular desencadeante da inflamação cerebral que mata os neurônios, um processo muito associado a doenças neurodegenerativas, como Prkinson e Azheimer, segundo a última edição da revista "Nature".
Equipes da Universidade de Sevilha e do Instituto Karolinska de Estocolmo, dirigidas pelos médicos José Luis Venero e Bertrand Joseph, e em colaboração com pesquisadores da Universidade de Lund, encontraram um mecanismo responsável pelo processo da neuroinflamação.
O doutor Venero, do departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da Faculdade de Farmácia da Universidade de Sevilha, indicou que este estudo pode abrir novos caminhos farmacológicos para o controle da inflamação cerebral e seus efeitos nocivos.
A pesquisa de quase quatro anos de duração incluiu a histologia e anatomia microscópica de áreas corticais e do mesencéfalo ventral de cérebros de pacientes que morreram de Alzheimer ou Parkinson, assim como culturas de células e modelos experimentais em ratos e camundongos com doença de Parkinson.
Os dados experimentais foram transferidos para situações de inflamação cerebral pela associação com as doenças de Parkinson e Alzheimer.
Embora não seja possível confirmar que a inflamação é o fator desencadeante das doenças neurodegenerativas, sabe-se que está muito associada ao Parkinson e ao Alzheimer, segundo o doutor Venero.
De fato, os pesquisadores começam a admitir "de forma generalizada" a ideia de que uma resposta inflamatória contribui "decisivamente" para a progressão das doenças neurodegenerativas.
Os pesquisadores descobriram neste trabalho uma nova função biológica de algumas enzimas caspases (associadas tradicionalmente apenas aos processos de apoptose ou morte celular programada) que são necessárias, por exemplo, em situações de regeneração celular e em resposta para danos neuronais e agentes patógenos.
A nova função destas proteínas se refere ao controle da atividade de algumas células microgliais, hospedadas no sistema nervoso central, responsáveis pela resposta imune e pelo processo de inflamação cerebral que mata os neurônios.
Concretamente, ficou comprovado que o controle da ativação ordenada da caspase 8 e da caspase 3 está relacionado com o início de um processo de sinalização celular que leva à ativação das células microgliais.
Foi verificado que a inibição dessas enzimas por métodos farmacológicos ou moleculares diminui a capacidade das células microgliais de se ativar em resposta a estímulos inflamatórios.
Os cientistas sabiam da ativação destas células frente a problemas neuronais ou agentes patógenos para "orquestrar" a resposta imune e iniciar a reparação do tecido danificado, mas a atual descoberta mostra que a ativação persistente libera moléculas nocivas para os neurônios, como ocorre no Alzheimer e no Parkinson.
Os cérebros estudados revelaram uma clara ativação tanto de enzimas caspase 8 como de caspase 3 nas células microgliais desencadeantes de processos de inflamação cerebral, com a peculiaridade de que apenas o citoplasma foi afetado, e não o núcleo celular.
Os pesquisadores concluem que os inibidores de caspases poderiam ser utilizados para o controle da inflamação cerebral.

14/03/2011 - 13h18

Imagem compara cérebro saudável a outro com Alzheimer

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DA REUTERS
A campanha mundial Brain Awareness Week (BAW) divulgou nesta segunda-feira uma imagem que compara o hemisfério de um cérebro saudável ao hemisfério do cérebro de uma pessoa que sofre de Alzheimer.
Denis Balibouse/Reuters
Imagem compara o hemisfério de um cérebro saudável (à esquerda) ao hemisfério do cérebro de uma pessoa que sofre de Alzheimer
Imagem compara o hemisfério de um cérebro saudável (à esquerda) ao de uma pessoa que sofre de Alzheimer
A foto foi divulgada pela unidade morfológica de psicopatologia da divisão de neuropsiquiatria do Hospital Universitário Idee Belle, em Chêne-Bourg, próximo a Genebra, na Suíça. A unidade estoca mais de 11.000 cérebros humanos desde o começo do século 20, destinados à educação e pesquisas.
A campanha, que acontece entre 14 e 18 de março, tem como objetivo sensibilizar o público sobre os progressos e benefícios das pesquisas sobre o cérebro.
Realizada desde 2008, a BAW reúne universidades, hospitais, grupos de pacientes, órgãos públicos, escolas, organizações de serviços e associações profissionais em todo o mundo durante uma semana.

19/03/2011 - 12h38

Exame identifica enfisema pulmonar antes dos sintomas

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JULIANA VINES
DE SÃO PAULO
Um exame de sangue simples pode detectar enfisema pulmonar precocemente, antes mesmo do aparecimento dos sintomas mais comuns, como falta de ar e tosse.
A descoberta é de pesquisadores americanos do Weill Cornell Medical Center, em Nova York.
O enfisema é uma DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), assim como a bronquite. A doença se caracteriza pela destruição de estruturas do pulmão.
Depois que o enfisema é instalado, o pulmão perde progressivamente a função. O doente sente cada vez mais dificuldade para respirar.
O fumo é responsável por, em média, 80% dos casos. A doença é irreversível. É por isso que, quanto antes for feito o diagnóstico, melhor o prognóstico.
"A identificação de fumantes com um início de enfisema pode permitir uma intervenção que evite a destruição permanente dos pulmões", dizem os autores da descoberta, no artigo publicado esta semana no "American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine".
Hoje, o diagnóstico é feito com exames de sopro que medem a função pulmonar.
"A espirometria (exame mais comum) não é muito sensível para detectar a doença no início", diz o pneumologista Pedro Rodrigues Genta, do HCor (Hospital do Coração).
Muitas vezes, o diagnóstico acontece só quando os sintomas já apareceram.
MORTE DOS PULMÕES
O novo exame detecta o início da destruição pulmonar a partir de partículas encontradas no sangue.
"Essas micropartículas são resultantes da morte precoce de células dos vasos pulmonares", afirma Rafael Stelmach, pneumologista do Hospital das Clínicas de SP.
Para chegar à conclusão, os pesquisadores examinaram 92 pessoas, divididas em três grupos -não fumantes saudáveis, fumantes saudáveis e fumantes com diagnóstico de enfisema.
Foram feitos testes tradicionais para medir função pulmonar e depois o exame de sangue, que identificou e contou as partículas mortas vindas do pulmão.
"Todos temos morte celular, é normal. Mas, quando há a doença, essa morte é precoce", diz Stelmach.
Segundo Genta, a doença pode aparecer a partir de 15 anos de tabagismo, para quem fuma, em média, um maço de cigarro por dia.
Para Oliver Nascimento, diretor da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, o método proposto parece ser eficaz, mas a pesquisa é inicial. São necessários testes com mais pacientes.
"Todo mundo está procurando uma forma de identificar o aparecimento do enfisema precocemente. Essa hipótese faz todo sentido. Se a pessoa parar de fumar nessa etapa, pode ser que nem chegue a ter sintomas."
No momento, os pesquisadores estão fazendo estudos do teste em grandes grupos de participantes, para validar os resultados.
"Ainda não tem uma aplicação a curto prazo, mas esse resultado abre uma perspectiva nova de diagnóstico para o futuro, a médio prazo. Só depende que a tecnologia seja desenvolvida em larga escala", afirma Genta.

19/03/2011 - 12h38

Exame identifica enfisema pulmonar antes dos sintomas

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JULIANA VINES
DE SÃO PAULO
Um exame de sangue simples pode detectar enfisema pulmonar precocemente, antes mesmo do aparecimento dos sintomas mais comuns, como falta de ar e tosse.
A descoberta é de pesquisadores americanos do Weill Cornell Medical Center, em Nova York.
O enfisema é uma DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), assim como a bronquite. A doença se caracteriza pela destruição de estruturas do pulmão.
Depois que o enfisema é instalado, o pulmão perde progressivamente a função. O doente sente cada vez mais dificuldade para respirar.
O fumo é responsável por, em média, 80% dos casos. A doença é irreversível. É por isso que, quanto antes for feito o diagnóstico, melhor o prognóstico.
"A identificação de fumantes com um início de enfisema pode permitir uma intervenção que evite a destruição permanente dos pulmões", dizem os autores da descoberta, no artigo publicado esta semana no "American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine".
Hoje, o diagnóstico é feito com exames de sopro que medem a função pulmonar.
"A espirometria (exame mais comum) não é muito sensível para detectar a doença no início", diz o pneumologista Pedro Rodrigues Genta, do HCor (Hospital do Coração).
Muitas vezes, o diagnóstico acontece só quando os sintomas já apareceram.
MORTE DOS PULMÕES
O novo exame detecta o início da destruição pulmonar a partir de partículas encontradas no sangue.
"Essas micropartículas são resultantes da morte precoce de células dos vasos pulmonares", afirma Rafael Stelmach, pneumologista do Hospital das Clínicas de SP.
Para chegar à conclusão, os pesquisadores examinaram 92 pessoas, divididas em três grupos -não fumantes saudáveis, fumantes saudáveis e fumantes com diagnóstico de enfisema.
Foram feitos testes tradicionais para medir função pulmonar e depois o exame de sangue, que identificou e contou as partículas mortas vindas do pulmão.
"Todos temos morte celular, é normal. Mas, quando há a doença, essa morte é precoce", diz Stelmach.
Segundo Genta, a doença pode aparecer a partir de 15 anos de tabagismo, para quem fuma, em média, um maço de cigarro por dia.
Para Oliver Nascimento, diretor da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, o método proposto parece ser eficaz, mas a pesquisa é inicial. São necessários testes com mais pacientes.
"Todo mundo está procurando uma forma de identificar o aparecimento do enfisema precocemente. Essa hipótese faz todo sentido. Se a pessoa parar de fumar nessa etapa, pode ser que nem chegue a ter sintomas."
No momento, os pesquisadores estão fazendo estudos do teste em grandes grupos de participantes, para validar os resultados.
"Ainda não tem uma aplicação a curto prazo, mas esse resultado abre uma perspectiva nova de diagnóstico para o futuro, a médio prazo. Só depende que a tecnologia seja desenvolvida em larga escala", afirma Genta.


19/03/2011 - 16h13

Olhos passam mais mensagens, diz especialista

da Livraria da Folha
Divulgação
Especialista aponta a força dos olhos na comunicação sem palavras
Especialista aponta força dos olhos na comunicação sem palavras
Quando você fala, apenas 7% da mensagem estão nas palavras. O resto fica por conta do tom de voz (38%) e linguagem corporal (55%). Os dados são da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, que estudou o peso da expressão facial, gestos manuais e posição do corpo na comunicação humana. Segundo especialistas, saber um pouco mais sobre esses sinais silenciosos pode ajudá-lo a ter sucesso no trabalho, a entender mais os clientes, sua equipe e também seu chefe.
Em casa ou no trabalho, mesmo quando sua boca está fechada, você fala o tempo todo. Suas mãos, seu rosto, suas pernas dizem o que realmente vai na sua mente. Em "A Vantagem não verbal: segredos e ciência da linguagem corporal no trabalho"(Vozes), a PhD no assunto, Carol Kinsey Goman dá uma aula sobre como aprender a ler o corpo e seus movimentos e usar essas informações a seu favor no trabalho. Atenção para os olhos, as "janelas da alma", eles são a parte mais tagarela do corpo.
Todo mundo, ou quase, passou por isso. Numa festa ou evento de negócios, a pessoa com que se conversa desvia os olhos para olhar em volta da sala. Embora as pessoas não ouçam com os olhos, o outro parou de escutá-lo. Já o olhar fixo, segundo Kinsey Goman, é negativo. Direto, ousado e contínuo, a maioria considera esse olhar algo rude ou ameaçador. "Comunica um desejo de domínio, uma impressão de superioridade, uma ausência de respeito ou vontade de insultar", diz a autora. Mas, captar esses pequenos sinais oculares requer prática.
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No livro, a autora dá dicas de como iniciar exercícios no dia a dia, com colegas de trabalho. Por exemplo, pergunte a alguém qual a cor de seu primeiro carro. Se o teste der certo, ao recordar para responder, o outro vai olhar para cima e para a esquerda. A lista dos "olhos da mente" tem ajudado muita gente a resolver problemas no trabalho. Saber se você está usando um olhar profissional ou um olhar social, por exemplo, pode fazer toda a diferença. Pois, discutir questões de trabalho com um olhar social não dá.
Usando um triângulo imaginário - os olhos ficam na base e o ápice no meio da testa -, a autora explica que, para quem quer ter o "ar de negócios", o ideal é manter o olhar nessa região. Ao inverter o triângulo e deslocar o foco para a boca, seu olhar pode ser interpretado como paquera no local de trabalho. Mas são muitos os tipos de linguagem corporal. No livro, a autora reúne o resultado de 25 anos de pesquisa. Para Kinsey Goman, se você sabe traduzir essa linguagem corporal, pode vender sua mensagem sem dizer uma única palavra.

18/03/2011 - 08h30

Terapia genética tem sucesso para tratar Parkinson

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GUILHERME GENESTRETI
DE SÃO PAULO
Terapia genética pode vir a ser opção para tratar rigidez muscular, tremores e lentidão de movimentos, sintomas da doença de Parkinson.
Pesquisadores de sete centros dos Estados Unidos mostraram que a transferência de uma enzima chamada GAD (descarboxilase glutâmica), implantada diretamente no cérebro do doente, recupera parte de seus movimentos.
Esse foi o primeiro estudo bem-sucedido sobre transferência genética em Parkinson. Os resultados foram divulgados ontem na edição virtual do periódico médico "Lancet Neurology".
A doença de Parkinson provoca a degeneração dos neurônios na área da substância negra do cérebro, diminuindo a produção de dopamina e comprometendo o circuito nervoso envolvido na coordenação motora.
No trabalho, os pesquisadores de instituições como a Universidade de Stanford e Massachusetts General Hospital usaram um vírus como vetor da enzima GAD, responsável por produzir o neurotransmisor Gaba (ácido gama-aminobutírico), encontrado em pouca quantidade em quem sofre de doença de Parkinson.
Ao todo, 45 pessoas que tinham a doença havia mais de cinco anos foram divididas em dois grupos.
No primeiro grupo, a enzima foi injetada no cérebro. O neurotransmissor Gaba ajudou a regular o excesso de glutamato, causado pela diminuição da dopamina.
Os pacientes do outro grupo, em vez de material genético, passaram por cirurgia em que só receberam solução salínica inócua no cérebro.
Seis meses depois do experimento, houve recuperação de 23% dos movimentos nos pacientes tratado com a terapia genética.
No grupo-controle, a melhora foi de 12%. A hipótese dos autores é a de que o efeito placebo causou isso.

18/03/2011 - 11h19

Carne de boi argentino está com gosto de porco, diz cientista

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DA EFE
Cientistas argentinos asseguraram que as mudanças na dieta do gado bovino, que cada vez engorda mais em curral e menos com gramados naturais, pode afetar o sabor da carne bovina, deixando-o com gosto de porco.
Trata-se de uma mudança no sabor que já é detectada pelos consumidores. "Ela está associada com a transformação registrada nos sistemas de engorda", indicaram especialistas do Instituto Nacional de tecnologia Agropecuária (INTA) da Argentina na quinta-feira.
Enrique Pavan, um pesquisador do organismo, explicou que houve um aumento no número de bovinos engordados a base de alimentos industrializados, como alguns derivados de sementes oleaginosas. Elas podem afetar o sabor da carne, informa ele.
Segundo o especialista, este tipo de dieta com alta composição de ácidos graxos contrasta com a dos gramados naturais, que por anos foi fonte de alimentação dos gados na Argentina, país que se ganhou boa fama pela qualidade e o sabor de suas carnes.
Segundo o INTA, como consequência da introdução e extensão deste tipo de práticas alimentícias nos bovinos, a composição de ácidos graxos de bovinos e suínos ficou parecida.
"Na medida em que a proporção de óleos de cereais ou oleaginosas aumenta na dieta dos bovinos, a composição de ácidos graxos da carne bovina se assemelhará cada vez mais à do porco e, em consequência, seu sabor também será mais parecido", explicou Pavan.

18/03/2011 - 09h59

Trio acha novo roedor que vive nas árvores da mata atlântica

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REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA
A mata mais estudada (e mais devastada) do Brasil ainda abriga várias espécies desconhecidas, mas é provável que poucas sejam tão enigmáticas quanto um certo roedor de pelagem densa.
Não é exagero chamar o Drymoreomys albimaculatus, recém-descoberto habitante da mata atlântica, de náufrago evolutivo. Segundo biólogos, a espécie mais aparentada ao bicho vive... num vale árido dos Andes peruanos, sabe-se lá o porquê.
O estudo descrevendo a nova espécie saiu recentemente na revista científica "Zoological Journal of the Linnean Society". É uma amostra de que as surpresas da floresta que um dia dominou a costa brasileira ainda estão longe de terminar.
"Esse resultado realmente foi muito estranho", confessa Alexandre Reis Percequillo, do Departamento de Ciências Biológicas da USP de Piracicaba. "Talvez o fato de que ambos os bichos pertençam a grupos montanos [típicos de áreas montanhosas] ajude a explicar esse padrão, mas é cedo para dizer."
Percequillo é um dos autores da certidão de nascimento científica do bicho, ao lado de Marcelo Weksler, do Museu Americano de História Natural, e Leonora Costa, da Universidade Federal do Espírito Santo. Paradoxalmente, ele nunca viu o bicho vivo.
"Participei de uma das coletas, na qual um só exemplar foi capturado, mas quando cheguei ele já estava morto", conta Percequillo.
Thomas Püttker/Divulgação
Patas do roedor possuem "almofadas" que o ajudam a se prender aos galhos onde se pendura
Patas do roedor possuem "almofadas" que o ajudam a se prender aos galhos onde se pendura
O método mais usado para a captura envolve um balde enterrado no chão da floresta, dentro do qual o bicho acaba caindo.
Alguns animais são marcados para acompanhamento futuro, enquanto outros são sacrificados com uma overdose de anestésico e vão para as coleções zoológicas dos museus.
Foram essas coleções, com exemplares coletados nas últimas duas décadas, junto com análises de DNA, que permitiram comprovar o pedigree único do bichinho.
Tanto é assim que os biólogos precisaram criar não só um nome de espécie, mas também um de gênero novo para batizá-lo. (O gênero é o "primeiro nome" de um animal, formando um grupo mais abrangente que o de espécie. Leões e onças, por exemplo, são ambos do gênero Panthera.)
Sabe-se pouco sobre o bicho, apesar de algumas pistas vindas de sua anatomia.
A palma das patinhas e o espaço entre os dedos, por exemplo, possuem "almofadas" que ajudam o animal a manipular com mais sensibilidade os galhos nos quais fica dependurado.
Já o pênis dos machos carrega glândulas que produziriam uma secreção viscosa, formando o chamado plugue copulatório. É um cinto de castidade, feito para impedir que a fêmea acabe cruzando com machos rivais.
Por enquanto, há registros da espécie na Serra do Mar, em São Paulo e Santa Catarina. Não dá para dizer se ela corre perigo de extinção.

18/03/2011 - 16h41 Fabricante de bebida diz ter criado garrafa 100% reciclável PUBLICIDADE DA FRANCE PRESS A fabricante americana de alimentos e bebidas PepsiCo anunciou ter criado a primeira garrafa plástica inteiramente feita a partir de materiais vegetais renováveis e 100% recicláveis. A garrafa é composta de "materiais brutos biológicos", informa a PepsiCo em um comunicado, citando a Panicum virgatum, uma gramínea encontrada principalmente em grandes planícies, cascas de coníferas e folhas de milho. "Futuramente, o grupo quer (...) incluir cascas de laranja, maça, batata, aveia e outros produtos agrícolas derivados de atividades agroalimentares", acrescenta o comunicado divulgado na terça-feira. A garrafa, contudo, só chegará às mãos dos consumidores a partir de 2012, ano em que a empresa começa a realizar testes de produção. Não é a primeira vez que a PepsiCo está envolvida na pesquisa de embalagens recicláveis. Ela já fabricou uma para batatas fritas, que teve de ser retirada do mercado americano porque os compradores do produto consideraram os pacotes muito barulhentos. Para o projeto das garrafas, a PepsiCo garante que ela será igual à versão plástica clássica. Na França, o grupo Danone anunciou neste mês que seu produto Actimel seria vendido naquele país em uma garrafa plástica composta por 95% de cana de açúcar, após ter introduzido plástico vegetal na elaboração de garrafas de água da marca Volvic.

18/03/2011 - 16h41

Fabricante de bebida diz ter criado garrafa 100% reciclável

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DA FRANCE PRESS
A fabricante americana de alimentos e bebidas PepsiCo anunciou ter criado a primeira garrafa plástica inteiramente feita a partir de materiais vegetais renováveis e 100% recicláveis.
A garrafa é composta de "materiais brutos biológicos", informa a PepsiCo em um comunicado, citando a Panicum virgatum, uma gramínea encontrada principalmente em grandes planícies, cascas de coníferas e folhas de milho.
"Futuramente, o grupo quer (...) incluir cascas de laranja, maça, batata, aveia e outros produtos agrícolas derivados de atividades agroalimentares", acrescenta o comunicado divulgado na terça-feira.
A garrafa, contudo, só chegará às mãos dos consumidores a partir de 2012, ano em que a empresa começa a realizar testes de produção.
Não é a primeira vez que a PepsiCo está envolvida na pesquisa de embalagens recicláveis. Ela já fabricou uma para batatas fritas, que teve de ser retirada do mercado americano porque os compradores do produto consideraram os pacotes muito barulhentos.
Para o projeto das garrafas, a PepsiCo garante que ela será igual à versão plástica clássica.
Na França, o grupo Danone anunciou neste mês que seu produto Actimel seria vendido naquele país em uma garrafa plástica composta por 95% de cana de açúcar, após ter introduzido plástico vegetal na elaboração de garrafas de água da marca Volvic.