quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012




23/02/2012 11h54 - Atualizado em 23/02/2012 12h38

Ranking diz que USP é a universidade que mais forma doutores no mundo


Segundo a instituição paulista, 2.338 doutores se formaram lá em 2010.
Ranking chinês mostra que USP se sai melhor nos quesitos quantitativos.

Do G1, em São Paulo
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Praça do Relógio USP (Foto: Divulgação/USP)Cidade Universitária da USP (Foto: Divulgação/USP)
Apesar de não estar entre as 100 melhores universidades do mundo, segundo o ranking 2011 da Universidade de Comunicações de Xangai (Jiaotong), a Universidade de São Paulo (USP) é a que mais forma doutores entre 682 instituições de ensino superior avaliadas. Segundo o anuário estatístico da universidade, em 2010 a USP outorgou 5.830 diplomas de pós-graduação, sendo que 3.492 foram títulos de mestrado e 2.338 de doutorado.
O Ranking Acadêmico de Universidades Mundiais (ARWU, na sigla em inglês) foi divulgado em agosto de 2011 e colocou a USP que está no grupo entre a 101ª e 150ª melhores universidades do mundo. O ranking não dá uma colocação exata das instituições a partir das cem primeiras.
O pódio foi ocupado em 2011 por três universidades dos Estados Unidos: a Universidade Harvard, a Universidade Stanford  e o Instituto de Tecnolgia de Massachussets (MIT).
A universidade paulista é a brasileira mais bem colocada e, apesar de não ter aparecido entre as cem melhores, conseguiu se sobressair no número de doutores formados no ano anterior, métrica usada pela metodologia do ranking. Segundo a lista, Universidade da Jordânia, que ficou fora da lista das 500 melhores, ficou na segunda colocação, e a Universidade de Tóquio teve o terceiro maior número de títulos de doutorado emitidos no ano anterior à avaliação. A instituição japonesa é a 21ª no ranking geral.
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que teve 826 teses de doutorado concluídas em 2010, segundo seu anuário, ficou na 38ª colocação. Veja a lista completa do quesito.
Quantidade X qualidade
Segundo a comparação de dados feita pela Universidade de Comunicações de Xangai, a universidade paulista, por seu tamanho e abrangência de áreas do conhecimento, acabou se saindo melhor nos quesitos quantitativos do que nos itens qualitativos levados em consideração no ranking (veja a análise específica da USP, em inglês).
Um exemplo é o rendimento anual e o financiamento para pesquisa. De um total de 637 instituições de todo o mundo, a universidade paulista é a terceira que mais recebe financiamento externo para atividades de pesquisa. De acordo com a Agência de Notícias da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), 47,87% do dinheiro investido pela fundação em 2010 - R$ 277,3 milhões - foi destinado especificamente a pesquisadores da USP. Apesar desse montante, em relação ao orçamento anual das universidades, a USP cai para a 48ª colocação entre 683 instituições avaliadas no quesito.
Quando o rendimento da universidade é dividido pelo número de estudantes matriculados, a instituição paulista despenca para a 423ª colocada entre 669 instituições. De acordo com o anuário da USP, 88.962 estudantes de graduação e pós-graduação estavam matriculados em 2010, ano em que o orçamento da instituição foi de R$ 3,38 bilhões.
Apesar de ter outorgado mais títulos de doutorado em 2010 que qualquer outra universidade, a USP é a 21ª no número de professores doutores em relação ao total de docentes e a 73ª na relação entre doutorados outorgados e quantidade de professores.
Ela também é a quinta entre 1.181 universidades na quantidade de artigos de ciências e ciências sociais publicados. Mas, quando o número de artigos publicados é dividido pelo número de professores, a posição da USP cai para a 209ª posição, entre 774 que forneceram os dados.

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Peso estável: aposte na malhação 1 hora por dia

Cientistas comprovam que a prática de exercícios físicos cinco vezes por semana, aliada a uma dieta alimentar com baixas calorias, mantém o corpo em forma

POR GISLANDIA GOVERNO
Rio -  A batalha contra a balança é árdua. Porém, alcançado o objetivo, manter o corpo em forma pode ser um desafio ainda maior. Felizmente, há uma estratégia simples para não voltar a engordar: exercitar-se pelo menos 55 minutos durante cinco dias da semana. A conclusão é de um estudo da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.

Mas para os pesquisadores, a atividade física por si só não funciona se a pessoa não mudar o comportamento ao se alimentar. Eles acreditam que a combinação de dieta pouco calórica com a prática de exercícios por uma hora diária faz perder 10% do peso e se manter estável na balança.
A funkeira Valesca Popozuda malha pelo menos três vezes por semana | Foto: Marcelo Régua / Agência O Dua
A funkeira Valesca Popozuda malha pelo menos três vezes por semana | Foto: Marcelo Régua / Agência O Dua
O estudo analisou um grupo de 200 mulheres obesas ou acima do peso durante quatro anos. Elas foram instruídas a consumir entre 1.200 a 1.500 calorias diárias. Após seis meses, os pesquisadores observaram que todas as mulheres dos quatro grupos perderam até 10% do peso. Mas apenas um quarto delas, por ter continuado a se exercitar cerca de 275 minutos por semana, não voltou a engordar.

EFEITO SANFONA

Além da preocupação estética, perder e ganhar peso causa riscos à saúde. É o conhecido ‘efeito sanfona’, que pode desencadear doenças coronarianas, hipertensão e colesterol alto.

“O estudo reforça o conceito que manter o peso conquistado pode ser bem mais difícil, pois ao emagrecer, muitos deixam a dieta de lado. É importante manter o peso com reeducação alimentar e atividade física regular”, destaca o professor de Educação Física Antônio Santos, da academia Acqua Fitness.

‘Tem que fazer esforço’, diz Valesca

O professor de Educação Física Antônio Santos explica que, para manter o peso, o ideal é um programa que alie exercícios aeróbicos e localizados para o ganho de massa muscular.

A funkeira Valesca Popozuda segue à risca. “Malho pelo menos três vezes por semana e não faço dieta rígida. Mas se eu não controlar os excessos, acabo engordando. Não adianta, para manter a silhueta tem que fazer esforço”, conclui.


Cientista de 17 anos perto da cura do câncer

Chinesa que vive nos EUA descobriu forma de diagnosticar tumores com precisão e destruí-los sem afetar as células sadias do paciente

POR CLARISSA MELLO
Rio -  Com apenas 17 anos, uma jovem conseguiu realizar um feito que cientistas tentam há décadas: elaborar uma substância capaz de localizar com precisão células cancerígenas e destruí-las sem afetar as sadias. A descoberta da chinesa Angela Zhang (que se autointitula “Cinderela Nerd”) promete revolucionar a área de pesquisa oncológica no que diz respeito ao tratamento de tumores — ao menos pelos próximos 15 anos.

Para chegar à biomolécula, a chinesinha americanizada que vive na Califórnia investiu dois anos de sua vida no projeto. Enquanto suas amigas dedicavam-se a escolher o melhor vestido para abocanhar o bonitinho da escola, a jovem selecionava a dedo — ou melhor, microscópio — a nanopartícula ideal para fisgar tumores.

Tanta abdicação foi motivada por sua família: seu bisavô teve câncer de fígado e seu avô morreu de câncer no pulmão. O esforço rendeu uma bolsa de estudos de R$ 170 mil — o equivalente a ao menos 400 vestidinhos.
Foto: Arte: O Dia
Foto: Arte: O Dia
“Ela trabalhou em uma área muito promissora, a de nanotecnologia, e conseguiu utilizar essa inovação não só no tratamento do câncer, mas também no diagnóstico. A descoberta permite que os tumores possam ser visualizados de forma muito mais precisa por meio da ressonância magnética”, explica a coordenadora de Oncologia Clínica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), Pilar Estevez.

Segundo Pilar, a melhor vantagem da pesquisa de Angela é reduzir os efeitos colaterais do tratamento. “Uma vez que o medicamento foi colocado numa molécula programada para se unir somente a células com características de câncer, a droga só vai atuar nessas células doentes. Manter as outras células sadias é um passo importante para evitar os efeitos colaterais típicos da quimioterapia, por exemplo”, disse. “Mas é cedo para dizer que é a cura do câncer. O que há hoje são buscas de opções de tratamento. E ainda são necessários testes em humanos”, pondera Pilar.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012


Relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) indica que investimento alto nos professores garante bom ensino

São Paulo -  Os países que mais investem em educação por aluno entre os 6 e os 15 anos não são necessariamente os que tem alunos com melhor rendimento, segundo uma análise do relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), divulgado nesta quinta-feira pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
"O dinheiro sozinho não pode comprar um bom sistema educacional", concluiu a OCDE em seu relatório "Pisa in Focus", que indica que os países que obtiveram melhores resultados nessas provas em 2009 são os que acreditam que "todas as crianças podem ter êxito na escola".
Segundo a organização com sede em Paris, uma das chaves do sucesso dos sistemas educacionais é considerar que todos os estudantes podem ter êxito e não deixar que os alunos com problemas repitam de ano ou sejam transferidos a outras escolas, ou que sejam agrupados em diferentes turmas em função de suas habilidades.
"Superado o nível de aproximadamente US$ 35 mil" de investimento por estudantes entre os 6 e os 15 anos em unidades monetárias harmonizadas, a despesa "não está relacionada com o resultado", indicou a OCDE. A organização citou como exemplo países que investem mais de US$ 100 mil por aluno, como Luxemburgo, Noruega, Suíça e Estados Unidos, e que obtêm resultados similares a nações que destinam a metade por estudante, como Estônia (US$ 43.037), Hungria (US$ 44.342) e Polônia (US$ 39.964).
Assim, os dois países que obtiveram os melhores resultados nas últimas provas do Pisa (Finlândia, com US$ 71.385; e Coreia do Sul, com US$ 61.104) estão bastante distantes dos que mais investiram (como Luxemburgo, com US$ 155.624 acumulados por aluno; e Suíça, com US$ 104.352). O Chile investe por aluno US$ 23.597, mais que o México (US$ 21.175), ambos acima de países "associados" à OCDE como o Brasil (US$ 18.261) e a Colômbia (US$ 19.067). Todos eles superam a Turquia, que com US$ 12.708 de investimento por aluno é a lanterna da lista de 33 Estados-membros da OCDE.
Outro dos fatores cruciais detectados pela OCDE é que os países com os melhores resultados nas provas trianuais sobre compreensão de texto, Matemática e Ciências Naturais são aqueles que mais investem em seus professores. Os docentes do ensino médio da Coreia do Sul e de Hong Kong, ambos com excelentes resultados nas provas Pisa, ganham "mais que o dobro do Produto Interno Bruto (PIB) per capita médio em seus respectivos países". "Em geral, os países que alcançam bons resultados no Pisa atraem os melhores estudantes à profissão de professores e lhes oferecem salários mais altos e um grande status profissional", indicou a OCDE. No entanto, essa organização precisou que essa relação entre professores e resultados não acontece entre os países menos ricos.
As informações são da EFE

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Uma singela homenagem ao grupo Exaltasamba, que hoje fez o seu último show em Floripa... Dentre todas, escolhi "Abandonado" para marcar este momento. Amanhã será o último show aqui no Rio. Daniele NP Almeida - danupeal@gmail.com

Uma Homenagem aquele que DEUS deu a sabedoria, como a de SALOMÃO, para ser na terra o mestre dos mestres...


Entrevista concedida à repórter Renata Fontoura
Pesquisador mais antigo da Fiocruz, Lobato percorreu o Brasil e quase todo o continente americano em pesquisas de campo

Obs: "Lobato Paraense, Leônidas Deane  e  Henrique Leonel Lenzi  me ensinaram  a ser uma pessoa antes de ser um cientista".  Almeida, José Robson (CSM - LUSÓFONA) Almeida, Daniele Nunes Peixoto(LHR-FIOCRUZ)

 Ciência em luto

Wladimir Lobato Paraense, um dos mais notáveis pesquisadores da Fiocruz, faleceu na manhã do último sábado (11/02) deixando um legado inestimável para a ciência brasileira 
Responsável por uma contribuição definitiva para a malacologia brasileira e mundial, o pesquisador Wladimir Lobato Paraense faleceu na manhã do último sábado (11/02), aos 97 anos, deixando consternada a comunidade científica. O mais antigo e um dos mais notáveis cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e da Fiocruz, Lobato deixa uma lacuna na ciência. O velório foi realizado no final de semana e a cremação na última quarta-feira, dia 15, às 8h30, no crematório da Santa Casa de Misericórdia (R. Mosenhor Manoel Gomes, 155 - Caju - RJ).
Reconhecido como um dos mais importantes especialistas em moluscos no mundo e responsável pela identificação dos caramujos vetores da esquistossomose, ele, que era o pesquisador mais antigo da Fiocruz, percorreu o Brasil e quase todo o continente americano em pesquisas de campo. Foi o autor de importantes contribuições ao estudo do ciclo exoeritrocitário da malária [ciclo de vida dos parasitos causadores da doença antes do ingresso na corrente sanguínea] e descreveu o segundo caso da doença de Jorge Lobo.


Lobato percorreu as Américas em trabalhos de campo

Lobato trabalhou durante décadas no IOC, dando um exemplo de doação pessoal à ciência. Até poucos anos atrás, ainda trabalhava diariamente no Laboratório de Malacologia do IOC --  'cuidando dos meus caramujos', ele costumava dizer. Lobato era pesquisador emérito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fiocruz.
Vida e legado
Em longa entrevista concedida em 2010, Lobato relatou sua vida e sua trajetória científica:
“Nasci no Pará e me formei no curso de Medicina em Recife, em 1930. Fui aluno e trabalhei no laboratório de Aggeu Magalhães. Quando concluí o curso, fui indicado para bolsa de estudos em São Paulo, financiada pelo jornalista AssisChateaubriand. Iniciei a especialização em Anatomia Patológica na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Quando já havia uns três meses que estava em São Paulo, uma grande seca atingiu o Nordeste e teve início uma grande migração. Na cidade, haviam construído galpões para receber essa população e muitos morriam. Nesta época, de três em três dias eu fazia uma necropsia. Em uma dessas vezes, foi designado para mim o cadáver de uma moça alagoana, com cerca de 24 anos, linda, com a pele parecendo um marfim. Essa moça estava hospedada em um destes galpões, que chamavam de hospedaria de imigrantes, e havia sido internada na Santa Casa.
Iniciei a necropsia. Quando abri a barriga, percebi que o baço e o fígado estavam grandes e vi um verme próximo a esses órgãos. Sabia que se tratava de esquistossomose, mas como não havia registros da doença em São Paulo, meu orientador, Paulo Queiroz Telles Tibiriçá – que nunca quis muita conversa comigo –, discordou, chegando a alegar que se tratava de malária, em função do tamanho do baço e do fígado. Retruquei afirmando que não poderia ser malária porque, se fosse, o cérebro da moça estaria infestado de parasitos, e não era o caso. Quando falei que era esquistossomose, tive a impressão de que meu orientador nunca tinha nem escutado o nome.
Peguei umas placas, com soro fisiológico, e abri aquilo. Em meia hora, estava cercado de gente. O Luis Rey, que se tornou também pesquisador do IOC, era aluno em São Paulo naquela época e foi ele quem chamou o professor de parasitologia, o professor Pessoa. Correu a notícia, cerca de dez pessoas estavam observando a retirada do schitosoma, quase não consegui trabalhar. Em seguida, peguei aquele material todo, que era novidade por lá, e separei. A partir daí, sem nenhuma ajuda do meu orientador, resolvi fazer um trabalhão sobre esquistossomose. Quando cheguei ao final do primeiro ano de bolsa, Chateaubriand me chamou e me ofereceu mais um ano. Não aceitei.
Nesta época, Evandro Chagas tinha um instituto no Pará, onde foi estudar leishmaniose. Antes de me formar, ainda em Recife, presenciei a ida de vários colegas para o Instituto Evandro Chagas. Como não havia gente habilitada, ele passou a dar oportunidade para estudantes no último ano, que estavam se formando em medicina, como Hélio Guimarães. Fui convidado, mas não aceitei porque preferi ficar no Recife. Essa turma acabou ficando na Fiocruz. Um dos meus conhecidos da faculdade de Recife, da turma do Aggeu Magalhães, que sempre vinha ao Rio para consultar bibliografias, passou por São Paulo e me telefonou. Nos encontramos, falei da minha insatisfação em relação ao trabalho em São Paulo e contei que tinha uma tese sobre esquistossomose praticamente pronta. Um tempo depois, este mesmo amigo estava no Rio e me telefonou novamente. Disse que tinha falado com Evandro Chagas e que ele havia pedido que eu viesse até o Rio para encontrá-lo no Hospital Evandro Chagas, que naquela época era parte do Instituto Oswaldo Cruz. Cerca de um mês depois, peguei o trem e vim para cá. Trouxe minhas coisas, me hospedei em um hotel. Cheguei ao campus de Manguinhos, onde ficava o hospital. A esposa do Evandro, que trabalhava com ele, me disse que ele estava viajando, mas iria voltar ainda naquele dia, mas não para o hospital. Me deu o endereço da casa deles e pediu que o procurasse à noite. Fui. Ele prometeu que me apresentaria ao Magalhães Torres e me pediu que voltasse ao hospital no dia seguinte.
Evandro Chagas nunca me apresentou ao Magalhães Torres, mas voltei ao hospital e ele me ofereceu uma oportunidade. Me disse que tinha um negócio que não achava ninguém para fazer e me perguntou se eu poderia ajuda-lo por um mês. Havia aparecido a leishmaniose visceral no Brasil. Era uma doença que na Europa e na África o animal passava para o homem. Esta que apareceu aqui era do tipo do mediterrâneo, que dá em cão e é transmitida para o homem pelo flebótomo. O Evandro decidiu investigar essa doença nova no país. O Instituto formou uma equipe, que ele coordenava, para trabalhar nisso.
No antigo pavilhão Rockefeller eram feitas as viscerotomias, procedimento realizado para o estudo de febre amarela. Quando um paciente morria com poucos dias de febre, eles tiravam um pedaçinho do fígado para análise. Porém, nenhum pesquisador observava estas amostras no microscópio, como deveria. Cerca de 40 mil foram analisadas e, em muitas, constataram a presença de leishmania. A partir daí, Evandro passou a viajar o país, montou uma equipe para estudar todos os aspectos do problema. Realizaram um trabalho muito bonito sobre a leishmania visceral.
Evandro constatou a incidência da doença em diversos locais como Ceará, Rio Grande do Norte e Pará. A diferença foi que no Pará ele recebeu apoio do governo do estado para dar continuidade ao trabalho. Eles chegaram no lugar onde havia mais casos da doença, um lugar chamado Abaeté, para analisar primeiro os cães, depois os flebótomos e as pessoas que apresentavam algum sintoma. Constataram que nenhum cão estava infectado com o protozoário, mas eram achados casos humanos. Pensaram que poderia haver outro animal envolvido na transmissão, então saíram pela mata das redondezas e pegavam qualquer animal que aparecia, até aves. O resultado dessa incursão foi a reunião de mais mil frascos com pedaços de fígado desses animais.
Foi exatamente a análise desse material para a detecção da presença da leishmania que ele me pediu para fazer naquele período de um mês. Ele me mostrou e me disse: você já imaginou como seria importante descobrir de onde vem essa leishmania. Esse trabalho nunca terminou. Eu cheguei lá, comecei a olhar e não tinha leishmania. O que havia acontecido é que o protozoário não foi encontrado nas amostras dos cães porque, um ano antes, ocorreu uma epidemia nos cães de Abaeté, e a prefeitura da cidade matou todos. Então não tinha tempo para infectar essa nova população de cachorros.
Em 1939, a minha bolsa, que ainda era paga por Chateaubriand, acabou. Não queria voltar para o Recife porque fiquei sabendo que meus colegas que voltaram para lá não tinham sido bem recebidos. Então, Evandro Chagas passou a me pagar pela verba que ele recebia do Instituto. Permaneci com ele. No meio do ano, ele me chamou para dar aula em um curso sobre malária que o IOC estava oferecendo no Instituto Evandro Chagas, no Pará. Aceitei o convite e fui a Belém.
Em 1940, Evandro Chagas morreu em um desastre de avião na Baía de Guanabara. Fiquei apreensivo, pensando como iria me manter. Depois que o curso em Belém acabou, voltei para Manguinhos, e felizmente consegui uma bolsa no IOC. Em 1942, foi realizado um concurso. Eram 15 vagas e eu me lembro que cheguei ao local de inscrição na última hora: a porta se fechou logo que eu entrei, fui o último a me inscrever. Passei em quarto lugar e por aqui permaneci até me aposentar. Aliás, “semi-aposentar”, porque continuei trabalhando no Instituto. Neste período todo, fiquei longe do IOC, quando, em 1952, surgiu um problema em Minas Gerais, uma doença um pouco selvagem, que se manifestava na pele, criava bolhas, e ninguém sabia de onde ela vinha. Como na época de estudante fui interno no hospital de dermatologia, o diretor do IOC, Henrique Aragão, me mandou para lá para investigar. Cheguei em Minas e constatamos que era uma doença contagiosa. Se demorasse mais de meia hora para examinar o paciente, caíam pedaços de pele, escamas. Era algo horroroso. Naquela época tinham inventado a penicilina e o IOC passou a fabricá-la logo que ela foi descoberta. Testei como terapia e as pessoas foram curadas. Para resolver este problema, morei em Belo Horizonte por dois anos. Lá tinha um laboratório do IOC dentro da faculdade de medicina e, por isso, pude permanecer por este período.
Para entender por que fui designado para essa missão, é preciso voltar no tempo, na época em que cheguei ao Recife, ainda estudante. Cheguei lá com uma caixinha que tinha, com 50 lâminas de cortes histológicos coletadas ainda no Pará, quando trabalhei no laboratório da Santa Casa. E toda vez que aparecia um caso, uma autópsia, uma biópsia, que achava interessante, eu tirava uma lâmina para mim. Eu saí na metade do ano e perdi o semestre. Neste período, resolvi ir à faculdade no Recife para ver como era. Levei minhas lâminas. Cheguei lá, estava tudo fechado. No fim do corredor, tinha uma porta encostada, empurrei e vi que era um laboratório grande e tinha um camarada olhando no microscópio. Naquele tempo, microscópio não tinha luz, por isso ele estava de fronte à janela. Quando eu me aproximei, ele perguntou se estava procurando alguém. Olhou para minha caixa e perguntou se eram lâminas. Aí eu meti a mão, tirei uma lâmina e dei para ele. Ele perguntou o que era e eu respondi que era um corte de embrião de mamífero na altura do fígado, tinha retirado de um camundongo, que estava grávida. Ele me deu os parabéns por ter acertado e perguntou se tinha mais.
Tirei outra lâmina e entreguei, ele levou mais tempo para examinar e perguntou se eu conhecia o professor Jorge Lobo. Disse que não, mas que gostaria de conhecê-lo. Ele me disse que o Lobo ia gostar de ver minhas lâminas e que estaria na faculdade mais tarde. Fui dar um passeio e retornei. Na mesma porta, quando cheguei, um camarada me olhou e disse muito ansioso: ‘Você que é o Wladimir? Onde estão as lâminas?’ Era o professor de dermatologia da faculdade, Jorge Lobo. Esta história é muito engraçada porque um dia chegou um sujeito lá no hospital que ele dirigia e se internou. Este paciente vinha do interior de Rondônia, na Amazônia, com caroços no corpo, e o Jorge Lobo pegou este sujeito e trouxe aqui para o Rio, para Manguinhos, onde tinha um setor de micologia.  Eles investigaram, descobriram a causa, e foi chamada doença de Jorge Lobo. Bom, naquela segunda lâmina que mostrei ao pesquisador estava o segundo caso dessa doença. Eram pacientes do mesmo local, só que o dele foi para Recife e o meu foi para Belém. Quando esse caso caiu para mim, no Pará, fiz a biópsia, tentei inocular na cobaia e não pegou, tentei fazer cultura, mas também não pegou, era algo esquisito. No caso que chegou ao Jorge Lobo, aconteceu a mesma coisa, só que ele escreveu uma tese, trouxe o paciente a Manguinhos e a doença ficou registrada com o nome dele. Quando ele identificou esse segundo caso na minha lâmina, contei e vimos que foi tudo igual ao caso dele.
Depois que viu a lâmina, Jorge Lobo me chamou para ir ao hospital com ele, porque tinha algo para me mostrar. No hospital, ele tinha um grande mostruário, uma exposição de corpos em amônia. Ele disse: ‘Veja se tem algo parecido com o caso do Pará’. Eu apontei um deles, que era o caso dele. Ele saiu e voltou em seguida com um livro nas mãos, que era a tese dele, e me deu. Na dedicatória estava escrito: Ao meu novel auxiliar Wladimir, com meus cumprimentos. A partir daí, me tornei auxiliar dele, que passou a me chamar de Lobato, porque já existia um dermatologista com o nome de Wladimir Miranda, que Jorge Lobo tinha como um inimigo. Trabalhei com ele até o fim do curso. Fiz concurso para o Hospital Oswaldo Cruz de Recife e passei em primeiro lugar. Foi bom, porque tinha salário e me tornei interno, com casa e comida.
Voltando à história da doença misteriosa em Minas, depois de resolvido o caso, retornei a Manguinhos. Só fui a Belo Horizonte novamente na década de 60, para estudar leishmaniose. Nesta época, Adolpho Lutz costumava ir a Belo Horizonte no final do ano, por conta do grande calor que fazia no Rio de Janeiro. Em uma dessas viagens, ele encontrou um caramujo que lhe rendeu um trabalho importante, com a descrição de uma espécie nova. Sabendo disso, por curiosidade, eu saía no final de semana para coletar caramujos nas lagoas de Belo Horizonte. Coletei muitos e cheguei à conclusão de que não se tratava de uma espécie nova, mas de uma espécie que já havia sido descrita no Caribe. Então publiquei um trabalho sobre isso nas Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. Continuamos a coleta e fomos a Lagoa Santa, em uma região próxima a Belo Horizonte. Lá encontramos o caramujo que é o principal transmissor da esquistossomose. Todo o final de semana, as pessoas se banhavam e brincavam naquele lugar, tinham casas de veraneio. Aprofundamos o trabalho e coletamos muitos caramujos infectados. Publiquei o trabalho e fui convidado a apresentá-lo na Sociedade Médica de Minas Gerais. Depois que dei a palestra, as pessoas se voltaram contra mim, diziam que eu estava inventado coisas. Até os mais renomados professores de parasitologia concederam entrevistas afirmando que estávamos errados.
Em seguida, fiz o mesmo trabalho na lagoa do Parque Municipal de Belo Horizonte. E acabei descobrindo que eles abasteciam essa lagoa com a água de uma outra lagoa, que estava infestada de caramujos infectados. Publiquei também este trabalho, outra vez houve uma onda contra. Foi desta forma que comecei a me dedicar ao estudo da esquistossomose. Fiquei em Belo Horizonte por três anos. No último ano, instalaram o Centro de Pesquisas René Rachou e acabei montando um departamento de malacologia lá. No final de 1969, fui convidado a trabalhar na Universidade de Brasília, onde fiquei por cerca de cinco anos.
Depois disso, fui convidado para voltar a Manguinhos. Inicialmente, fiquei um pouco receoso porque não queria enfrentar desgaste com o trânsito do Rio de Janeiro. Para minha surpresa, colocaram à minha disposição a casa no campus, onde moro desde aquela época, há mais de três décadas. 
E está aí a minha história. Sou do quadro do IOC desde 1942, mas cheguei antes por aqui. Os princípios de Oswaldo Cruz, que estimulava a busca de uma boa base teórica, foram fundamentais para mim. No início, o pessoal vinha para cá para ter um lugar onde fazer uma tese. Se fosse boa e tivesse uma vaga, acabava ficando. Me sinto muito bem aqui, porque sempre faço o que acho que devo.”
Entrevista concedida à repórter Renata Fontoura
Pesquisador mais antigo da Fiocruz, Lobato percorreu o Brasil e quase todo o continente americano em pesquisas de campo